A sala para a qual Bilaw os tinha levado era fascinantemente excêntrica. Pelas paredes via-se uma extensa colagem de matérias de jornal datadas em muitos anos atrás, com títulos como “APARIÇÃO EM VARGINHA CAUSA IMPACTO NA COMUNIDADE LOCAL”, “OBJETO NÃO-IDENTIFICADO NOS CÉUS DE NY”, “NASA NÃO SOUBE EXPLICAR DESAPARECIMENTO DE AERONAVE”, entre outros.
Junto com isso havia mapas, alguns deles pendurados em pregos, outros empilhados em forma de rolos em cima de uma mesa grande, que devia ser a estação de trabalho do professor, munida de dois computadores e um grande número de livros. Bilaw convidou-os a se sentar num sofá velho espremido entre um armário de arquivos e a lareira e sentou-se sozinho na própria cadeira.
— Muito bem — ele disse tirando os óculos para limpá-los na manga do paletó — Por onde começar?
— Apenas nos explique por que abandonou seus alunos — inquiriu-o Galarza.
— Até parece que o senhor era um grande apreciador das minhas aulas — respondeu o velho fazendo um gesto de tédio com a mão — Se a memória não me engana, foi em você que eu arremessei um sapato por dormir na minha palestra sobre o mito solar.
— É que... A sua... Porra, tava chato >.< — confessou o SPY.
— Mito do quê? — indagou Bruno sem ter entendido. O professor pareceu radiante com a pergunta.
— O mito do poder solar, meu jovem, está na base das primeiras formas de adoração religiosa que conhecemos na história da humanidade! — explicou, cuspindo pelos cantos da boca de tanto entusiasmo — Desde o Neolítico, reverenciar o sol significava...
Galarza pigarreou alto.
— Oh, foi mal — desculpou-se o professor regressando à realidade — Eu ia falar da Academia, não? Pois é... Cerca de três meses atrás, o Diretor me procurou. Ele tinha uma dúvida relacionada a um trabalho muito sigiloso. Eu respondi a ele que... Bem, eu disse que aquilo que ele queria fazer era impossível. E ele... não gostou. E eu fui embora. Fim da história. ^^
— Ei, ei! Espera aí u.u — disse Galarza — O que ele pediu para você fazer?
— Ele não me pediu nada, só perguntou-me uma coisa. E eu disse a verdade: que era irrealizável. Mas ele não pareceu muito feliz com isso. Ficou uma semana me enchendo o saco, até que, numa bela manhã, descobriu um certo documento em minha escrivaninha, um diário que eu costumo manter, com relatos sobre meus últimos experimentos. E ele ficou muito possesso, pois pensou que eu o tinha enganado. Eu o enrolei por uma hora, e assim que ele se foi preparei minha fuga.
— Não entendo. O que você fez que tinha algo a ver com o que ele precisava?
O professor Bilaw suspirou.
— Eu estou correndo um grande risco lhe dando essa informação... mas tudo bem. Vocês, erm... já ouviram falar no mito de Pandora?
Os garotos sacudiram as cabeças negativamente.
— Bem, não custa nada fazer um breve resumo...
— BREVE — reforçou Galarza com um olhar fulminante direcionado ao professor.
— É... Bom, um poeta grego do século VIII a. C. chamado Hesíodo ficou famoso por duas compilações de poemas que sobreviveram às areias do tempo até os nossos dias: são a Teogonia, que conta as origens dos deuses, titãs e outras criaturas míticas, e Os Trabalhos e os Dias, onde ele canta especificamente sobre a condição humana.
Bruno escutava com o queixo caído e o corpo inclinado para a frente, inteiramente compenetrado, mas Galarza não parecia muito feliz.
— Vamos logo u.u — resmungou.
— Em um desses poemas, Os Trabalhos, ele cantou o mito de Prometeu, o titã que desobedeceu a Zeus, e de Pandora, a primeira mulher e disseminadora de todos os males da humanidade — continuou o professor com entusiasmo nerd — De acordo com a história, Prometeu ofereceu um sacrifício ruim para Zeus, que em resposta tirou dos homens o fogo espontâneo. Para sacaneá-lo de volta, Prometeu ensinou aos homens como fazer fogo, e Zeus, irado, enviou à humanidade um novo dom: Pandora, a primeira mulher.
— Ela deveria ser a responsável por dividir os homens, que antes nasciam espontaneamente e viviam quase como deuses, pela sexualidade, e plantando mentiras e confusão em suas cabeças, removendo-os da situação confortável em que se encontravam. Prometeu havia dito ao seu irmão, Epimeteu, para não aceitar nenhum presente de Zeus, mas ele não dera ouvidos ao seu conselho. Então, Pandora abriu o jarro contendo todos os males do homem: as doenças, a violência, o trabalho extenuante, e tampou-o novamente quando só restava no fundo a Elpís.
— A quem? — perguntou Fulgêncio.
— A Elpís.
— Ela tava entalada lá dentro?
— A Elpís é a Expectação.
Vendo que eles não tinham entendido, o professor repetiu em palavras mais simples:
— Aquilo que nos faz perceber a cagada antes de cometê-la.
— Oh... — fizeram Bruno e Galarza ao mesmo tempo.
— Isso é um mito, entendem? Fundamental para a compreensão da condição humana pelos antigos, naquela época, naquele devido lugar — frisou o professor — Eu não espero que ninguém vá interpretá-lo literalmente, mas... Quando o seu Diretor veio até mim, foi para me questionar sobre o local geográfico do mito, digo, a provável localização da “caixa” de Pandora.
— Oh, man!
De repente Galarza ficou muito interessado.
— Eu disse a ele que nunca ouvi falar de pesquisa nenhuma que tentasse rastrear ou desenterrar esse vestígio do mito. É como procurar por um pedaço da cruz de Jesus ou pela Arca de Noé... Ele não simpatizou muito com a minha opinião de profissional e ficou mais possesso ainda quando viu o que eu tinha escrito no diário — prosseguia Bilaw.
— Mas você tinha escondido alguma coisa sobre isso? — perguntou Bruno.
— Nunca! Meus escritos dizem respeito unicamente a pesquisas realizadas aqui, entre uma temporada e outra na Academia.
— Mas, então por quê...?
O velho silenciou por um momento, abaixando a cabeça.
— Eu não poderia fornecer detalhes sobre o meu trabalho no Museu — disse, depois —, mas saibam que estivemos conduzindo comunicações com entes... de fora. E elas têm se mostrado promissoras.
— Promissoras como? — perguntou Galarza.
— Acredito que estamos perto de entender mais profundamente do que nunca a natureza do Universo.
Os garotos pareceram assombrados pelas palavras do cientista, tanto que não disseram mais nada.
— Mas agora sou eu quem tenho perguntas — disse o homem, de repente — O que o trouxe até este fim de mundo, Galarza?
— É complicado... — disse o SPY — Depois de terminar o curso na Academia, eu fiquei só coçando em Porto Alegre por uns tempos, até um homem muito importante me chamar para uma missão.
— Que homem?
— Você não gostaria de saber. Eu o segui durante quase um ano, até sua morte. Foi quando eu percebi que meu lugar não era ao lado dele, muito menos na Academia. Encontrei alguns bons amigos — ele olhou rapidamente para Bruno — que me deram três meses de paz, até uma merda acontecer...
— Estou ouvindo, rapaz.
— Tentaram me assassinar no fim de semana. Rastreamos os assassinos e descobrimos que eles estavam ligados à antiga sociedade para a qual eu me designei. Tentamos desencavar mais coisas, mas deu merda, aí todos foram expostos e, putaquepariu, nos enfiamos todos num ônibus roubado e brotamos aqui. ‘-‘
— Mas que infelicidade ‘-‘ — falou Bilaw sem se alterar — Olhe, meu jovem... Eu não deveria estar me metendo nos problemas de outra pessoa. Como um sábio escritor uma vez disse, eles são P.O.P’s: Problemas de Outra Pessoa. No entanto, eu tenho algo em comum com você: ambos não gostamos da Academia, e eu realmente gostaria de ajudar você e seus amigos, se isso significar um prejuízo para pessoas más.
— Com certeza vai significar! — exclamou o SPY, aliviado.
— Então, pode trazer seus amigos aqui o quanto antes.
— Obrigado.
Eles haviam se levantado para sair e chamar os outros, quando a porta se abriu e a mulher dos óculos bizarros enfiou a cabeça para dentro da sala.
— Com licença, Oskar?
— Sim, minha irmã? — respondeu Bilaw.
— Tem quatro adolescentes lá fora perguntando por esses dois rapazes — ela indicou Bruno e Galarza — Além disso, o telefone tocou. Dámocles quer falar com você.
O professor pareceu muito espantado.
— Dámocles?! Ele finalmente fez contato? Estou indo imediatamente! — ele ficou de pé também — Garotos, vocês vão me perdoar, mas é urgente. Fiquem com a Olga, ela vai mostrar-lhes o andar de cima. Por favor, não saiam de lá. Quando a sessão de autógrafos terminar, eu irei ao encontro de vocês.
— Certo — disse Bruno, acompanhando Galarza e a irmã do cientista pelo corredor até o hall.
Lá eles eram esperados por Amália, Pedro, Gustavo e Gustavinho, lado a lado numa mesma fileira.
— Não aguentamos ficar no ônibus — disse a garota — O Gustavo começou a tocar Pink Floyd super alto.
— Quem não curte Pink Floyd? — perguntou o irmão dela como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
— Gente... nós temos que ir lá pra cima — disse Galarza calmamente, apontando para o teto — Não pode vir pra baixo — apontou para baixo — É pra cima — apontou para cima de novo — Entenderam?
— Hã? — Amália não estava ouvindo.
— Só vem — falou Pedro puxando-a pelo braço.
Os seis subiram as escadas, seguindo a mulher que os guiava.
Olga conduziu o grupo até o segundo piso do velho casarão explicando que, desde a morte dos pais, ela e o irmão administravam sozinhos a propriedade da família, utilizando metade dos fundos arrecadados pelo Museu para manter as contas em dia. Bruno, Pedro, Galarza, Amália, Gustavo e Gustavinho foram deixados num quarto de hóspedes. Apesar de confortável e luxuoso, o cômodo conservava um cheiro de... anos 1950, ou algo que lembrasse isso... Enfim...
— Vou, mas volto logo — disse ela parada à porta — Querem alguma coisa?
— Eu aceito um copo de...
— NÃO, SENHORA — disse Pedro em voz mais alta que o normal, interrompendo Amália. — Estamos bem assim mesmo.
— Então, está bem. Até depois.
Ela se foi. Os garotos jogaram-se de qualquer jeito por cima da cama de casal, Amália abarcando o maior espaço que pôde, com exceção de Pedro, Galarza e Bruno, que permaneceram de pé em cantos diferentes do aposento, pensativos. Gustavo ficou olhando para eles de cabeça para baixo, metade do corpo pendendo pela beirada da cama.
— Eu tenho um pressentimento ruim — disse Pedro.
— Nem me fale! — disse Amália. — Ci pah aqui nem tem ar-condicionado.
Galarza foi até a janela e deu uma olhada nos fundos da casa: o ônibus estava bem escondido agora, atrás de um barracão que os Bilaw usavam como depósito.
— Quanto tempo podemos ficar aqui? Tipo, ele não tem obrigação de nos abrigar aqui — falou Pedro, preocupado.
— Não tem, mas está fazendo — disse o SPY afastando-se da janela. — O cara é excêntrico, mas é gente boa. Por enquanto, estamos em boas mãos.
— Eu não tô na mão de ninguém! — protestou Gustavinho escandalizado.
Meia hora mais tarde, ouviram vários motores sendo acionados e o som de pneus sobre o chão batido: os homens do salão estavam indo embora, alguns na direção da estrada que eles próprios haviam tomado antes no sentido oposto, outros para dentro da cidade, onde pernoitariam. Mais cinco minutos depois, Bilaw entrou no quarto com um cachimbo aceso no canto da boca. Os hóspedes fizeram menção de se levantar, os que ainda não estavam de pé, mas ele fez sinal para ficarem onde estavam.
— Não se deem ao trabalho! Sintam-se em casa, por favor. Sabem de uma coisa? Eu estou feliz!
— Porque tentaram nos matar? — indagou Galarza.
— Porque alguém com quem eu queria falar há muito tempo finalmente fez contato comigo.
— Outro E. T.?
— Apenas um terráqueo, sr. Rafael. ^^ Nada mais que isso. Um terráqueo muito importante, sem dúvida, que me ofereceu ajuda acadêmica para prosseguir com minhas pesquisas, ou seja, pode ser que com ele o meu trabalho ganhe projeção muito maior do que tem hoje. Ele leu meu livro, sabem, Coisas Que Aparecem No Céu Quando Você Não Está Olhando.
— Hum. OK, e nós? O que vai fazer pela gente?
Bilaw correu os olhos por cada um deles, deu uma pensada e disse:
— Um bom começo seria irem se apresentando. ^^
— Oh... Eu sou o Pedro!
— Brunoooooo /o\
— Amália. u.u
— Gustavo.
— Gustavinho, mas eu odeio que me chamem...
—A mim você já conhece, é Rafael. ¬¬
— Muito bem, muito bem. Eu sou Oskar Bilaw, professor-pesquisador da Federal do Acre em Estudos Ocultos, com pós-graduação em Parapsicologia. Sou o humilde dono deste Museu de Ufologia, onde conduzo minhas pesquisas com UFO’s há um tempo considerável, além de jogador de frisbee nas horas vagas. Algum de vocês já frequentou a Academia?
Amália e os outros trocaram olhares perdidos. Galarza respondeu por eles:
— Não, professor. Eu sou o único que pisou na Academia SPY.
— Curioso — murmurou o cientista soltando espirais de fumaça pelo cachimbo. — Como, então, vocês chegaram a se conhecer?
— Bem, eu... — Galarza empacou. Pedro interviu:
— Nós estudamos na mesma escola depois que ele saiu de lá. Aí, eu o apresentei à galera.
— Certo, certo...
Bilaw puxou uma cadeira e ficou sentado a pensar.
— Vou fazer o seguinte: vocês dormem aqui, amanhã de manhã eu dou um jeito naquele ônibus e consigo uma viagem para qualquer parte do globo que vocês quiserem.
— Quê? Não, não faça isso! — pediu Pedro imediatamente.
— É, não temos a menor necessidade! — disse Galarza fazendo coro.
— Não sejam idiotas. Vocês correm risco de vida. Logo Ali pode ser insignificante, mas com vocês aqui, mais as coisas que eu ando fazendo, pode resultar em merda. Eu tenho verba do CNPq suficiente para isso, não se preocupem. Então, onde querem se esconder?
Houve uma acalorada discussão dos jovens para com o professor (e entre os próprios jovens) para determinar se era ou não justo aceitar tamanho favor de Bilaw. No final, Bilaw concordou em, no máximo, fornecer-lhes suporte para atravessarem a fronteira com o Uruguay.
Resolvido o dilema, Oiga trouxe-lhes um rango e preparou mais duas camas no chão do quarto. Já sem noção de quantas horas tinham se passado e exaustos até os ossos, os seis se revezaram em pares nos leitos e foram caindo no sono um por um.
...........Horas depois, depois de ter um sonho muito frenético envolvendo uma volta de montanha-russa ao lado de uma máquina de café expresso, Grilo acordou-se com uma luz muito chata voltada para seus olhos.
Vinha de fora da casa. Irritado, ele saiu de baixo dos lençois e foi cambaleante até a janela, tentando não pisar em ninguém, para cerrar as cortinas. Foi quando ele viu melhor o que o tinha despertado — a luz, de tonalidade azul, vinha de trás das árvores que Bilaw mencionara em seu discurso.
Um pensamento preliminar lhe ocorreu: “Gremistas!”. Depois, outro pensamento, mais pé-no-chão: “Espíritos gremistas!”. Ele se moveu alguns centímetros para trás com a intenção de acordar alguém, quando sentiu uma mão se fechar em torno da sua perna. Ele pensou em gritar, mas outra mão o desequilibrou e cobriu sua boca a tempo.
Olhando para o lado, ele viu que era Bruno deitado num colchão.
— Mluno? — tentou dizer, com a boca coberta.
— Shh! — fez o cabo. — Tem uma coisa lá fora.
Ele tirou a mão da boca do amigo, que endireitou-se e permaneceu abaixado.
— Você estava acordado?
— No quartel eu dormia de olho aberto. Ouça: precisamos descobrir... Espera!
Eles ouviram ruídos no corredor. Duas pessoas arrastavam chinelos pelo chão de madeira enquanto cochichavam acaloradamente. E a voz de Bilaw:
— Como eu podia adivinhar que eles viriam hoje? Sem avisar!
Passos que se distanciavam sugeriram que eles estavam descendo as escadas. Bruno levantou-se e espiou com cautela pela janela: a porta dos fundos abriu-se, e dois vultos embrenharam-se na mata atrás da casa portando lanternas.
— Bilaw e Olga — sussurrou Fulgêncio para Gustavo. — Vamos. Não faça barulho!
Eles calçaram os chinelos, pegaram a lanterna que perencia ao cabo e desceram a passos de ninja até a porta dos fundos, tomando o mesmo caminho que o casal de irmãos.
Já no interior do matagal, chegaram perto de uma clareira da qual Bilaw já havia lhes falado. Era impressionante: o veículo voador em forma de cilindro, aquele com o farol azul e a grande rampa, lá estava ele. Sólido, real. Bruno achou que seria melhor desligar a lanterna, pois assim não seriam vistos, além do que já era possível observar o que acontecia graças à luz forte emitida pela máquina.
Bilaw e Olga estavam parados diante de um gigante de proporções colossais, mas de morfologia aparentemente humana (dois braços, duas pernas, a coisa toda...), que se dirigia a eles em alto e claro Português.
— Você chegou em má hora — disse-lhe o professor. — Estamos com hóspedes hoje. Por que não avisou? Tem algo errado?
— Problemas burocráticos — respondeu o gigante com uma voz potente e graciosa, como a de um narrador de comercial de papel higiênico. — Receio que nossos próximos encontros custarão a ocorrer.
O professor soou devastado.
— Mas... por quê?
Ta-ran-ran-ran
Ta-run-ta-ran
Ta-ran-ran-ran
Gustavo enfiou a mão às pressas no bolso da calça para cancelar a chamada no celular, mas era tarde demais. O professor e a irmã viraram-se preocupados para trás, mas o gigante apenas fez um aceno com a mão e uma passagem abriu-se no meio da vegetação que escondia os intrusos, ao mesmo tempo em que um gancho invisível puxou os dois garotos de uma só vez para o centro da clareira, onde caíram embolados.
— Santo Osíris! — exclamou Bilaw dando um tapa na própria testa. — O que significa isso?
— Nós sentimos muito! — berrou Gustavo tremendo no chão.
— É, nós estávamos colhendo trevos de 4 folhas, mas não queíramos incomodar... — completou Bruno igualmente nervoso.
— BASTA!
Eles olharam para a cima e viram uma expressão que devia ser de severidade no rosto do álien.
— Bilaw... — ele disse. — De onde vieram esses garotos?
— São viajantes — inventou o professor. — Precisavam de comida e abrigo por esta noite.
— Entendo... E é assim que você lhes demonstra sua hospitalidade?
— E-eu...
— Há anos eu espero para falar com outros além de você e sua irmã, e é assim que você se comporta comigo quando a oportunidade aparece? Não me informando?
Bilaw baixou a cabeça com vergonha.
— Sinto-me ultrajado — continuou o extraterrestre. Num movimento simples, ergueu os rapazes pelas golas das camisas e os pôs de pé, de frente para si. — Desculpem a ignorância do meu amigo terráqueo. É um enorme prazer conhecê-los.
Bruno e Grilo entreolharam-se, incertos, antes de dizerem que era um prazer conhecê-lo também.
— Meu nome é T’dunt^s. Venho de um planeta longínquo povoado pela raça dos Nâur’nbvangerts.
— Naur... what? — indagou Grilo.
— Isso mesmo. ^^ Vocês devem estar apavorados a ponto de acharem que vão desmaiar. E vão. Mas isso faz parte do primeiro contato. E depois vão acordar jurando que foi tudo um pesadelo.
— Mas não terá sido — acrescentou Bilaw.
— Exatamente. Nada temam, garotos. Sou um diplomata a serviço da paz, dedicado unicamente ao estudo de outras culturas e à cooperação entre raças. Se vocês estiverem interessados, meu amigo Bilaw pode lhes fazer uma introdução ao...
*TUSH*
Eles desmaiaram.
CONTINUA...