segunda-feira, 26 de julho de 2010

(2ª TEMPORADA) EPISODE 10 - Chame um SPY

NOTA BY MATT: Os que ainda não leram o 9, ou o 8, ou o 7 (=/), aproveitem as tardes de chuva em casa, na frente do computador, para fazer isso! =D Não vou falar como se pudesse recompensá-los materialmente por isso, mas saibam que o mínimo que obterão com esse gesto será fazer o Matt feliz (^^). E reza a lenda que, cada vez que um gay fica feliz, em algum lugar nasce um unicórniozinho. Então, crianças, contribuam para salvar esta espécie em extinção (os unicórnios, não os gays)!

O Season Finale já não está muito longe. Por isso, curtam o epi. Ou não.

**************************

— Esperem na sala.
— Mas, Pedro...
— Você ouviu o que ele disse, Amália. Vai. Vocês também, guris.

Estavam de volta à sede, e o clima no lugar era de tensão, somado ao gosto amargo do fracasso. Os mais feridos (basicamente Galarza e o Negão de Tapa-Olho) foram direto para a Enfermaria, onde Lydia fez um telefonema (Para nosso médico particular, ela disse. Atende sempre que preciso e não costuma fazer perguntas) e passou a cuidar deles como podia. Em poucos minutos, Amália e os demais trouxeram sua conversa desesperada (“Onde está o Matt?”, “Vocês estão bem?”, “O que vamos fazer?”, etc) do corredor lá fora para dentro da sala. A gritaria foi tanta que o Negão teve de interrompê-los com um grito mais furioso do que o normal e ordenou àqueles que não precisavam de cuidados médicos que permanecessem longe.

— Você fica responsável por eles, Pedro. — determinou olhando diretamente para o garoto — Quando o médico chegar, abra a porta para ele e o mande até aqui. O resto que ESPERE.
Eu não preciso de cuidado médico...
— Shh. Cala a boca, Galarza. — disse Lydia administrando outra dose de morfina direto na veia dele, que já estava bastante grogue.
Assim como a bala entrou, ela saiu...
— Shut up. Garotos, já é hora de vocês se mandarem daqui. VÃO.

Na falta de uma opção mais reconfortante, Amália, Pepito, Grilo e Pinguin foram para a sala sob a vigilância de Pedro. Ainda no corredor, ouviram Galarza balbuciando:

É o que eu sempre digo: se você leva um tiro na cabeça... Não é porque você levou um tiro na cabeça que a sua vida tem que acabar. Digo... deixa a bala passar! Entrou por um buraco, saiu pelo outro... Valeu, moça, mas eu não gosto de unicórnios.

.......NA SALA:

— Fizemos tudo errado!

Pedro andava sem parar em volta do sofá, ao invés de sentar-se nele como os outros, pois estava agitado demais para isso. Pepito e Amália eram os que tentavam acalmá-lo, enquanto os outros limitavam-se a roer unhas, balançar as pernas e olhar para o relógio.

— A culpa é toda minha! Ao invés de fazer algo, eu fiquei parado! Por que eu fiquei parado??? D=
— Pedro...
— Devia ter atirado na cabeça daquele viado quando tive chance... Não, eu não iria atirar! Eu arrancaria a cabeça dele com minhas próprias mãos! É, isso seria interessante...
— PEDRO!
— Que é, Pepito?
— Não foi sua culpa, nem de ninguém em particular. Eu também vacilei em detectar se havia alguém nos observando. — disse o garoto do All Star vermelho.
— É, mas eles já deviam estar esperando a gente, porque tudo correu bem até o Negão fechar as portas. — argumentou Amália — No fim, nenhum de nós teve totalmente culpa. Nós tivemos... mas não tivemos. Ah, sei lá. >.<

Gustavo levantou o dedo.

— O tempo que a gente tá empregando em discutir quem teve mais culpa seria o tempo de descobrir o que aconteceu com o Matt e possivelmente salvá-lo.

OWNED

Os outros concordaram. Pinguin levantou o dedo também, dizendo:

— Vocês contaram o que, mesmo? Que ele levou uns tiros, caiu e...?
— Catapimba. — completou Pedro.
— Oi?
— Ele meio que morreu.
— D=
— Mas acho que não morreu.
— Ahhh...
— Morreu, mas não morreu. Ele parecia respirar. Não deu pra ver direito, porque eu tive de puxar o Galarza depois que ele caiu também. Tenho que confessar, o Agente #1 ownou todo mundo essa noite...

Os outros concordaram, tristes. De repente, Amália teve uma ideia.

— Vamos fazer pipoca? =D
— Você tá pensando em pipoca numa hora dessas? — perguntou Gabriel, devagar e calmamente.
— Nha, não são nem nove horas ainda! u.u — replicou a garota.
— o.O

Alguém tocou a campainha. Pedro espiou quem era e abriu a porta para um homem semi-nu, de fralda, com uma valise médica debaixo do braço, que entrou sem fazer muita cerimônia.

— Boa noite, boa noite... Eu sou o dr. Bebê. Desculpem, que eu estou com pressa. Onde estão os doentes?

Com cara de “Hã?”, todos apontaram ao mesmo tempo o caminho da Enfermaria. Ele agradeceu e foi para lá.

— Err... Tá, né. G.G — Gabriel.
— O que foi aquilo? o-o — Pepito.

Pedro fechou a porta e disse:

— Não faço ideia, mas Lydia falou que ele conserta um cara partido ao meio em 30 segundos e que é melhor fazer o que ele mandar, pois é impossível processá-lo. Anyway... Dependemos dele agora. O Negão só vai nos dizer o que fazer depois que ele e o Galarza forem atendidos.

Ele olhou significativamente para os outros, na espera de um “Ora, vamos lá”, de um certo movimento de rebeldia, mas tudo que aconteceu foi Gustavo dizer, melancólico:

— Pois é... Houve um tempo em que nós não esperávamos por uma ordem de alguém.

...........— Não posso fazer nada sem uma ordem de meu superior! — disse o policial prostado à frente da porta.

O Agente #1 exclamou, indignado:

— Eu fiz a captura e não posso falar com o prisioneiro! Impressionante como a empresa vem tratando seus funcionários...
— Desculpe, senhor. Ordens do Agente #3...
— Fuck off.

Uma outra porta se abriu e o próprio Agente #3 veio falar com ele. Ao seu lado estava o Agente #4, um tipo carrancudo e monossilábico.

— Perdeu alguma coisa aqui, Nikolai?
— Ah, nada. Apenas um adolescente algemado. — respondeu o homem barrado pelo guarda — Escute aqui, por que eu não posso entrar na cela de Matt Liebert?
— Ordens do presidente. — falou Rodney com um diabólico triunfo no olhar — Ele acabou de ligar. Oficialmente, eu tenho total controle sobre a célula de inteligência secreta do GOOGLE instalada em Gay Harbor. Isso faz de você meu... ex-chefe.

Acostumado a moderar suas emoções (em vez de atirar o fdp pela janela), o Agente #1 meramente ergueu uma sobrancelha.

— “Ex-chefe”? Quer dizer que você está no... comando? — pronunciou a última palavra com repugnância.
— Completamente. — falou o outro homem, orgulhoso — E estou dispensando você por essa noite, assim como Norma. Ela foi para o hospital. Vá para casa, descanse e... — fez um olhar de desprezo — se eu precisar de você, chamo.

Ele fez menção de passar por Nikolai, que pôs-lhe um pé à frente para bloqueá-lo e disse baixinho:

— E nenhum sinal da bicha louca que pedia socorro na garagem, não é mesmo?

O Agente #3 não respondeu (nem tinha como).

— Não vai demorar muito — o Agente #1 continuou no mesmo tom de voz, calmo, pausado — pra você precisar de mim novamente. Mas, dessa vez, eu vou pensar bastante se vale a pena te ajudar.

Dito isso, ele foi embora sem olhar para trás. Rodney não pôde ignorar um calafrio a lhe percorrer a espinha. Virou-se, viu o Agente #4 parado em postura de sentido e pigarreou, retomando a atitude austera de antes.

— Err, Agente #4!
— Sim, senhor!
— Vamos interrogar o prisioneiro agora.
— Sim, senhor!

O Agente #4 foi até o guarda, que prestou-lhe continência e saiu do caminho. Os dois agentes entraram na cela.

===========PAUSA PRO VÍDEO FODA===========

......LITTLE WATERFALL. SEDE DA ORGANIZAÇÃO DOOM FINGER. 20h30.

Pedro, Pepito, Amália, Grilo e Pinguin só pararam de roer unha na sala quando ouviram os passos de alguém voltando da Enfermaria. Logo após vieram o Negão de Tapa-Olho, com seu braço novinho em folha, e o dr. Bebê. Este foi conduzido cortesmente até a porta pelo dono da casa, que apertou-lhe a mão várias vezes agradecendo.

— Infalível como sempre, doutor! Pela manhã farei o depósito. Boa noite.
— Boa noite, YAL. Até mais pessoal!

O doutor tirou o chapeu para o grupo de jovens no sofá, que acenou de volta enquanto ele ia embora.

Assim que o Negão fechou a porta, Pedro o abordou:

— O que vamos fazer agora? O GOOGLE pegou o Matt! Exigimos que nos dê alguma luz...
— Shh, shh, hey, hey, hey, boy, take it easy! u.u — o homem do tapa-olho observou cada um dos rostos ansiosos e tomou uma decisão: — Venham todos comigo à Sala de Comando.

Todos o obedeceram e, chegando lá, ele mostrou-lhes um mapa da cidade no telão LCD conectado ao computador. Digitou alguns códigos, a porra toda fez “BIP”, “CLACK” e “CLUNK” e o sistema aplicou um zoom sobre uma área que eles reconheceram como...

— O Museu de Tecnologia? — Amália piscou os olhos, confusa — Que está querendo nos mostrar?
— É lá que Matt está. — falou o Negão, indicando um pontinho vermelho dentro da planta do prédio — Pus rastreadores em cada um antes de sairmos.
— Você diz no...?
— NÃO, PEPITO. Nos sapatos! Sabia que a missão de hoje à noite seria complicada e perigosa, por isso tomei essa providência. Pelo que sei, o GOOGLE esconde salas abarrotadas de artefatos secretos nos porões do seu Museu. Justamente por ser um local discreto e bem vigiado, é lá que os filhos da mãe vão interrogar Matt Liebert... se é que já não começaram.

Todos fizeram “Auch” ao mesmo tempo, arrepiados pelo mesmo pensamento de Matt estar sendo #@#%@%! por algum guarda grandalhão, truculento e mal cheiroso (ou por dois, ou por três, ou por... OMG!).

— Então, não temos tempo a perder! — exclamou Pedro olhando para o povo com jeito de “Vamos lá! Yahow!”, mas ninguém se mexeu — Pessoal? Vocês estão mortos?? Vamos resgatá-lo!
— É... muito arriscado, Pedro. — murmurou o Negão sem encará-lo, sua cabeça abaixada em sinal de vergonha — Seria mais prudente deixarmos...
— O quê?
— E abandonarmos o QG enquanto...
— Você enlouqueceu?? — Pedro olhou para os amigos — Vocês não podem estar no jogo dele!

Pepito levantou a mão.

— Nem a pau. — disse.
— Nem eu. — falou Grilo.
— [3]. — Gabriel.

Os guris olharam para Amália, esperando. Distraída, ela coçou a orelha, bocejou, arrumou o cabelo, viu os quatro encarando-a e perguntou:

— Quê? o-o Auch! *pisão do Gustavo* Ah, é! É! D= Não, não, eu quero que o Matt seja salvo!

Ela ergueu a mão como os outros fizeram. Pedro pressionou o Negão:

— E então, cara? A maioria votou, a maioria venceu. Vamos fazer o serviço ou não?

O chefe permaneceu um tempo em silêncio, meditando, depois disse:

— Eu não chamei nenhuma votação. u.u
— AHHHH, NEGÃÃÃÃO!

Todo mundo começou a falar ao mesmo tempo, o Negão sacudiu as mãos pedindo silêncio — “shh, já deu, já deu, shut up, muthafuckers” —, mas não foi o bastante. Eis que entraram Lydia (trajando um uniforme de enfermeira que ela tirou sabe-se lá de onde) e Galarza, que fora rapidamente “remendado” pelo dr. Bebê, mas ainda estava abobado pelo efeito da anestesia.

Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia...

Os que discutiam ouviram a voz do SPY cantando, viram que era mesmo ele e se perguntaram “WTF?”.

Tudo passa, tudo sempre passará...

Ele tentou imitar um 4 equilibrando-se num pé só e caiu. Bem ou mal, isso ajudou a encerrar a gritaria.

— Está tudo bem aqui, querido? — perguntou Lydia se aproximando toda sexy do marido.
— Tenho tudo sob... Jesus Christ! — o Negão de Tapa-Olho ficou hipnotizado pela roupa branca, olhando a mulher dos pés à cabeça como um cão babão. — Onde você arrumou isso, baby? *.*
— Sei lá. Você estava discutindo com os garotos? Sabe que odeio quando faz isso... u.u
— Desculpa, meu amor. É que eles queriam ir atrás do Liebert, que agora está provavelmente nas mãos de um ou dois guardas grandalhões, truculentos e mal cheirosos, sendo #$#@!% repetidamente. Mais cedo ou mais tarde ele vai contar tudo sobre a gente, por isso a gente tem que vazar, entendeu? Ahh, não faz esse biquinho, vem cá...

Lydia se soltou dele e afastou-se empinando o nariz. No fundo, quem estava sóbrio percebia que aquilo era só teatro, mas ninguém disse nada a respeito, é claro.

— Não quero saber! — a voz poderosa da mulher retumbou como trovão na câmara fechada — Se pretende se dar bem esta noite, seja justo com seus aprendizes. Mostre que é um homem decente e dê-lhes todo o apoio para resgatar o amigo deles!
— Mas...
— AGORA!

O Negão suspirou, cabeça baixa, ombros encolhidos.

— Sei que sou um homem derrotado. Muito bem, garotada, vocês têm permissão para salvar o Liebert. — antes, porém, que eles comemorassem, ele ampliou a voz para acrescentar: — Mas lamento informá-los que a pessoa mais qualificada para o serviço encontra-se totalmente dopada... e dançando a Macarena?

Ele olhou para Galarza e os jovens fizeram o mesmo: de fato, ele estava dançando a Macarena. Lydia, contudo, não se abalou.

— Don’t panic! Dêem isto aqui a ele — ela atirou um frasco com pílulas e Pedro o apanhou —, que o cara vai estar pronto pra outra em um minuto.
— Tá certo, tá certo. — falou Pedro excitado (ui) em agir (ahhh) — Pepito e Pinguin, preparem as coisas.
— Ahh, e eu? D= — Gustavo.
— ... Ajude-os a preparar as coisas.
— E eu? o-o — Amália.
— ... ... Ajude o Gustavo a ajudá-los.
— Tá. =]
— Okay, pessoal, keep going enquanto eu fico um pouco... íntimo... com a minha esposinha. — falou o Negão, saindo em companhia de Lydia mais rápido que um papaleguas no cio (existe).

Pedro fez Galarza engolir alguns comprimidos, o garoto ficou sessenta segundos parado com cara de House quando usa dorgas e voltou a conversar em tom normal. Perguntou a Pedro como tinham chegado ali e onde estava todo mundo. Quando o amigo lhe disse, ele pôs as duas mãos na cabeça e surtou. Tão alto que atraiu Amália, Pepito, Pinguin e Gustavo de volta à Sala de Comando.

— Que foi isso, gente? — perguntou Pinguin surpreso.
— O Galarza acha que fez merda. — respondeu Pedro calmamente.
— Eu tenho CERTEZA de que fiz merda! D= — corrigiu o SPY aos berros, estado em que era raro os outros o enxergarem — O Negão disse pra mim em alto e bom tom “Cuide da Equipe 2”, e eu deixei o Matt lá! Eu o deixei! E ainda levei um tiro!
— Galarza...
— NÃO! Foram dois! Eu queria poder dizer “FOOODA-SE”, como faço em tudo na minha vida, mas isso é demais!
— Galarza...
— O que pensariam de mim na Academia de SPIES? Eu treinei tanto, apertei a mão do Diretor na formatura... — ele mostrou um retrato de si mesmo em traje de formando, apertando a mão de um careca de terno escuro — Por essa pequena grande falha — deixar um soldado para trás! — eu hoje sou um fracasso!...
— Affeeee.

Pedro abriu o frasco, tirou mais um comprimido e enfiou-o na boca dele. Galarza engoliu, deu uma tossidinha e adquiriu de novo o tom vago habitual.

— Ah, oi, Pedro. ^^ Vamos lá salvar o Matt? Me parece uma boa ideia no momento... É, acho que vou salvar o Matt. E depois vou comer um hambúrguer.

Ele passou pelos outros sem notar os olhares que faziam, naturalmente preocupados que sua saúde mental estivesse falhando, e entrou na Sala de Armas ao lado.

Amália chegou perto de Pedro e cochichou:

— Já que vamos sair de novo, eu quero dar uma treinada. Me ajuda?

Mesmo sem entender por que, o garoto sacudiu a cabeça afirmativamente e a acompanhou até o ginásio.

— Tá, o que você quer fazer? — perguntou quando já estavam lá — Podemos experimentar alguns golpes, ou quer ir direto pro tiro-ao-alvo?
— Nada disso. Só queria ficar longe daquela sala. — confessou a garota.
— Por quê? o-o
— Sei lá. A última hora foi tão tensa que só ficando sozinha com você eu me sentiria melhor.
— Err... Tá bom. ‘-‘
— Mas, já que estamos aqui...

Amália abriu um armário metálico, pegou um estojo de couro preto e abriu-o sobre a mesa onde ficava o cd-player.

— Quer brincar com a sua coleção de facas? — perguntou Pedro vendo a fileira de objetos afiados que ela guardava no estojo.
— Não. — Amália pegou um punhal e o pôs na mão de Pedro — Você vai atirá-las em mim e eu vou tentar me defender.
— Amália! o-o
— Apenas faça isso. Vou me posicionar.

TRAINING MODE!

Ela caminhou até a outra ponta do tatame, parou de frente para a mira de Pedro e abriu os braços.

— Bora, Pedro.
— Amália, eu acho que...
— ANDA!

O grito foi tão forte que deu eco. Pedro sacudiu a cabeça sorrindo.

— Se não fosse assim, não seria a Amália... Bom, lá vamos nós. ^^ Espera só um pokito...

Ele pôs pra tocar uma música aleatória e atirou a primeira faca. Amália saltou e desviou-a com um roundhouse kick.

GOOD!

Pedro lançou outra. Ela a defendeu com o punho.

EXCELLENT!

Não sou o melhor dos homens, mas ainda sou um homem
E você desperta algo dentro de mim
Um pequeno diamante
Uma frágil chamazinha
Você é tudo que há de bom no mundo para mim

Ele parou por um instante, apenas olhando para ela. Amália acenou com a cabeça (“Manda ver!”). Pedro arremessou uma shuriken, que arrancou um fiozinho de cabelo da cabeça da garota quando ela se abaixou e enterrou-se fundo na parede.

MISS!
EXCELLENT!

Eu quero te proteger
(Eu quero te proteger)
Eu quero que esteja sã e salva à noite
No mundo em que vivemos,
Uma pessoa tão delicada precisa de alguém
Que a mantenha longe dos lobos
Eu quero te proteger

Amália estranhou ("O que há com você?"), mas ele continuou com aquele sorriso enquanto lançava mais facas.

..........Galarza pôs o último item que precisava em cima da mesa, observou o conjunto inteiro e disse:

— É... Acho que é só isso.
— SÓ?? — indagou Gabriel boquiaberto.

O SPY havia separado seis pistolas automáticas (fora as duas glocks de seu próprio uso), seis submetralhadoras, quatorze pentes com munição, doze granadas, um canivete-suíço, detonadores portáteis, alguns gramas de C4, duas cordas, um kit com sinalizadores, um bote-inflável, um arco com flechas, dois tubarões empalhados e um patinho de borracha.

Grilo cutucou Galarza e disse:

— Temos um pequeno problema, não acha?
— Ah, é...

Galarza abaixou-se e pegou uma minúscula mochila da Hello Kitty.

— Pronto.

Grilo deu um tapa na própria testa.

— Que foi? Não tenho tempo pra comprar itens de camping!

Dali se podia ouvir a música que vinha do ginásio.

Muitos não entendem
Mas eu sou seu maior fã
Esses tolos e selvagens não sabem apreciar
O milagre que é você
Como pode ser verdade?
Você é tudo que há de bom no mundo

Foda-se, usamos as backpacks, sussurrou Pinguin ao ouvido de Gustavo, que concordou e disse a Galarza para esperar.

— Vou buscar nossas mochilas.

Eu quero te proteger
(Eu quero te proteger)
Eu quero que esteja sã e salva à noite
No mundo em que vivemos,
Uma pessoa tão delicada precisa de alguém
Que a mantenha longe dos lobos
Eu quero te proteger

...........Suspenso por correntes que lhe apertavam os pulsos, com uma luminária forte pra *a*alho apontada para seu rosto, tudo que Matt Liebert conseguia enxergar era a sombra difusa do homem que o espancava. Havia também outro presente na sala, pois entre um tabefe e outro ele ouvia um segundo sujeito tossir ou fungar de tédio à sua esquerda.

*PUNCH!*

Matt cuspiu sangue em slow-motion.

— Quer mais? — perguntou o Agente #3 em voz alta.

Matt olhou sua barrinha de Life suspensa ao lado e riu.

— Estou me perguntando quando é que você vai me bater.

O interrogador desceu-lhe outro murro, mais forte que o anterior, o que deixou-o bem tontinho por alguns segundos. Mesmo quando você é um personagem de videogame, apanhar de um cara mais velho e provido de mais massa muscular do que você... DÓI.

Ele desmaiou. Acordaram-lhe com água fria. Matt ouviu o balde vazio sendo posto no chão e sentiu a mão forte do torturador se fechar em torno da sua traqueia. O homem forçou o prisioneiro a olhar para cima, e aquele foi o primeiro contato visual que tiveram.

— Até que você é espertinho, Matt Liebert.
— Não gasta meu sobrenome... *estrangulamento* Ugh! >.<
— Você está certo, a diversão verdadeira mal começou. — falou o Agente #3 suavemente — Esta palhaçada, pra mim, é mais uma distração antes do trabalho. Porque ambos sabemos que você vai abrir o bico. Foi assim da última vez.
— Só falei... porque... — a voz de Matt saiu abafada por causa do aperto — ... você ia matar um dos meus.
— E com certeza farei isso dessa vez. =) Só preciso de alguns nomes, talvez uns números de telefone, um endereço... que você vai me fornecer.
— Sonha... u.u

*POW!*

Matt levou uma no estômago e perdeu o ar. O Agente #3 o largou, tentou dar uma voltinha na sala como um badguy, mas tropeçou no balde.

— Porra! Acende a merda da luz??

A sala toda iluminou-se. Matt piscou várias vezes até se acostumar com a nova visão.

— Valeu, Agente #4. — Rodney agradeceu e tornou a se aproximar de Matt — Vamos fazer o seguinte: eu te conto uma história, você me conta a sua. Deixa que eu começo. Você deve pensar — ele acendeu um cigarro — que o GOOGLE não tem acesso à mente das pessoas. Ah, mas nós já controlamos a geografia, o clima, fizemos aquela hipnose coletiva... Vocês, merdinhas, devem se sentir felizes por dentro, não? Devem rir da nossa cara porque “o GOOGLE não pode deletar pessoas e, mesmo quando deseja alterar o espaço, precisa se certificar de que ninguém percebeu a mudança”. Isso é um sorriso? É, vai sorrindo, viado, vai sorrindo. Eu tenho uma novidade pra você.

Ele tirou algo de dentro do paletó e mostrou a Matt, que fez esforço para enxergar devido ao tamanho minúsculo: era uma cápsula branca semelhante a um comprimido.

— Aqui. — o agente aproximou o objeto da vista dele — Vocês, geeks, que andam casados com a Internet, já devem ter lido aquela baboseira sobre o biochip produzido pela Microsoft, aquele que ajudaria a controlar informações de cartões de crédito. As pessoas ficaram espantadas, algumas com medo, e surgiram boatos realmente fantasiosos. Claro que era pura besteira. O interessante é que algumas besteiras podem se tornar ótimas fontes de inspiração. Adivinha o que nós fizemos, Matt?

Matt olhou do rosto do interrogador para o objeto que ele segurava, e vice-versa, demonstrando medo pela primeira vez.

— Ah, vocês não... Não!
— Anunciaremos o serviço no final do ano, e é ÓBVIO que TODO MUNDO vai querer! =D — disse o Agente #3 com cruel alegria — Com este microchip implantado no cérebro, pra que fazer o esforço de ir à loja de cd’s se você pode baixar suas músicas prediletas direto pro seu banco de dados mental? Claro que isso não sai de graça, não, não, então você iria ao caixa eletrônico pegar a grana? WRONG! O dispositivo na sua cabeça faz a conexão com o sistema do banco, você é identificado, faz a retirada virtual e o pagamento é computado. Mesma coisa com o plano médico, multas de trânsito, agendamento de encontros... wow, posso pensar numa infinidade de coisas! *.* Depois de um tempo, talvez nem precisemos de escolas! Mas sabe qual é a parte mais empolgante disso?... Qualquer pessoa na face da Terra, qualquer uma, estará conectada ao NOSSO banco de dados. Então, se o João está me causando problemas... quem precisa de João??

Ele deu uma longa gargalhada maligna, no que o Agente #4 imitou o chefe, e fez-lhe sinal para que saíssem. Deixaram Matt sozinho, no escuro, em pânico, e só no corredor pararam de rir. O Agente #4 perguntou a Rodney:

— De onde tirou essa merda?
— Sei lá. Veio pronto na minha cabeça. xD
— Isso não, a cápsula.
— Ah, isso aqui! É minha vitamina. *TU DUN TSS* Vamos tomar um café. Depois continuamos.
— Eu conheço um lugar ma-ra-vi-lho-so a algumas quadras daqui. *.*
— Really?
— Siim, eles fazem um expresso com chocolate tão cremoso que parece mousse!
— Belê, vamos lá.
— Yay! =D

...........HOSPITAL GERAL DE GAY HARBOR:

Pôs outro travesseiro atrás das costas dela e perguntou:

— Assim está bom?
— Claro, Nikolai, whatever. Não precisa tanto. — disse Norma estranhando toda a preocupação do chefe quanto a seu estado — Meu ferimento não é nada perto dos oficiais mortos esta noite. Seria melhor se VOCÊ relaxasse um pouquinho agora. Posso notar que está exausto.

O Agente #1 admitiu a verdade. O trabalho nunca exigira tanto dele como nos últimos dias.

— Estou com o ego ferido também. — acrescentou — Mas isso não vem ao caso agora... — puxou uma cadeira para se sentar perto da cama dela — Meu negócio é só jogar conversa fora, já que o Rodney está no comando.

Norma ficou muito, muito surpresa ao ouvir a última frase.

— Ele? No comando? É por isso que você está tão estressado?
— Mais ou menos. Ele pegou os créditos pela captura de hoje e deu um jeito de me banir do interrogatório. O mais estranho é que eu não estou chateado com o que ele fez, não diretamente, mas por ter terminado tão rápido.
— Do que está falando?
— Meu trabalho, desde o início, sempre foi capturar Pedro OU Liebert. Tendo este nas mãos, é muito provável que achem o primeiro, bem como o restante do grupo de fugitivos, rapidamente. Então é isso, não? Acho que pra mim acabou.

Ele bateu palmas para si mesmo, ironicamente.

— Daqui a pouco estou de volta a Chicago, onde me atirarei ao ócio. Você tem sorte. — Nikolai disse, apontando para Norma em sinal de advertência — Está apenas começando a função. Perdoe minha melancolia, de qualquer forma.
— Tudo bem. Foi uma noite pesada mesmo. Ainda bem que ninguém morreu na explosão.
— Pelo menos isso, mas apenas porque NÓS alertamos a segurança do evento a tempo de evacuarem o prédio.
— É. Só é estranho terem nos enviado um aviso um dia antes da coisa acontecer. Quer dizer, quem poderia saber de um plano como esse? Foi algo que fugiu totalmente do “padrão” de ação daqueles delinquentes.
— Você quer que eu diga o que sei? — questionou-lhe o chefe — Quer, não? — a pergunta obviamente fora retórica — Você SABIA que eu sabia, mas preferiu não mencioná-lo perto do Rodney. Bem, eu reconheci Matt Liebert pela voz porque já o tinha interrogado tempos atrás. Tudo que eu esperava esta noite era vê-lo face a face, e minhas expectativas provaram-se corretas. Mas, não sei como, outras pessoas entraram para o grupo: o Homem, a Mulher e um Garoto Random. Ou, talvez, o grupo tenha recorrido a essas pessoas. Se os três desconhecidos são Players, eu não sei. Porém, algo me diz que Liebert não queria estar ali. Por isso nos mandou a mensagem, por isso arriscou a si mesmo e seus próprios amigos. Esses... terroristas só podem ter recrutado os garotos em troca da coisa que mais precisam no momento...
— Proteção. — completou Norma seguindo seu raciocínio.
— Yes. Com seus nomes e rostos fichados na Interpol, só perto de alguém muito esperto e influente eles poderiam se esconder por um tempo: este é nosso Homem, o chefe da quadrilha. Se a Google Police realmente quiser manter as ruas seguras, precisa investigar esse sujeito. Então, seguindo ordens desse Homem, os jovens saem pelas ruas pichando e provocando incêndios e desabamentos. Seu aviso anti-Google (“GOOGLE LIES”) apenas serve de abertura para a verdadeira destruição; a que tentaram causar hoje. Teria dado certo, não fosse Liebert denunciar o crime de dentro dos próprios autores.
— Por que ele faria isso?

O Agente #1 entrou em silêncio meditativo, balançando-se sobre a cadeira para a frente e para trás, e então disse:

— Sei lá. Se eu pudesse conversar com o cara, perguntaria. Aliás, perguntaria muitas outras coisas.

...........EM FRENTE AO MUSEU DE TECNOLOGIA DO GOOGLE:

Um carro prateado parou no portão. Como os vidros eram escuros, o guarda noturno que monitorava as câmeras atrás de seu balcão, lá na recepção, não conseguiu enxergar quem ou quantos havia dentro dele. Isso foi muito bom, pois naquele momento estava rolando a maior bagunça a bordo do automóvel. Galarza tentava bloquear Pedro, que tentava impedir Pepito, Amália, Gustavo e Pinguin de abrirem as portas.

— FIQUEM-NO-CARRO! — grunhiu Galarza entre dentes. Viu o guardinha sair do prédio com uma lanterna na mão e gritou: — Agora chega, o homem tá vindo!

Todos puseram-se de volta em seus lugares e prestaram atenção no que ele dizia em seguida:

— Escondam-se como der aí atrás e deixem que eu cuide disso.

Prontamente Pedro passou uma perna do banco da frente para o de trás, onde ele, Amália, Pepito e os outros iriam se cobrir com um pedaço de lona preta, da mesma cor do estofamento. No entanto, ele ficou entalado no vão estreito entre os dois assentos da frente e não conseguiu mexer a outra perna.

— ARRRGH! Essa bosta é apertada demais! Devíamos ter usado a van ou o jipe.
— O jipe e a van dariam muito na vista depois do que aconteceu hoje. — lembrou-lhe Galarza, empurrando-o com força até ele se livrar do aperto — OK, escondam-se e fiquem quietos. Agora é sério!

Com Pedro lá atrás (deitado por cima de todo mundo), os garotos cobriram-se antes de o guarda chegar e bater no vidro do motorista. Galarza abaixou-o para conversar com a autoridade. A luz da lanterna incidiu exatamente sobre seus olhos. Mesmo assim ele sorriu, como um bom samaritano.

— Boa noite. ^^

...........Os outros dois seguranças que cuidavam da recepção àquela hora da noite trocaram risadinhas cúmplices no momento em que o vigia do balcão, um homem de barriga avantajada, voltou gingando vagarosamente do portão externo.

— Cansou de erguer essa bunda gorda pra longe da cadeira? — gritou um deles, fazendo o outro cair na gargalhada.

O vigia gordo ignorou-o e apenas passou reto por eles. Disposto a fazer notar sua masculinidade, o segurança o seguiu e tentou puxá-lo pelo ombro em tom mais valentão...

— Ô, cara!

O outro se virou com uma faca sem dar-lhe tempo de reagir.

FRONT STAB!

O segurança caiu instantaneamente. Na mesma hora o seu parceiro, que estava a uns dez metros de distância, sacou a pistola. O assassino, porém, foi mais veloz.

HEADSHOT!

Porra, foi fácil demais, pensou o SPY guardando a glock e a faca. Despiu-se do disfarce do vigia morto, revelando o terno que usava por baixo, foi até o balcão e acionou o botão que liberava a entrada de veículos. Ficou sentado, esperando. Logo entraram Pedro, Amália, Pepito, Gustavo e Pinguin, armados até os dentes (não com pistolas de mulherzinha, mas com metralhadoras, tacos de beisebol e... chapeus?).

— Então, meus drugues, a nótchi vai ser boa! — falou Pedro com o taco apoiado no ombro.
— Metade desce, metade fica aqui. — determinou Galarza sacando as duas glocks dessa vez.
— Por quê? — Pepito se queixou — Sempre alguém fica no banco!
— Lá embaixo há mais guardas do que aqui em cima. Não podemos dar bandeira de novo. Usaremos rádios comunicadores desta vez. Estão com os seus?
— O que, esse fonezinho aqui? — Pepito colocou-o no ouvido e falou em tom mais alto que o normal — TO OUVINDO UM CHIADO!
— SHHHH. — fizeram os outros.
— Tá, acho que todo mundo entendeu. Quem desce? — Galarza.

Todos levantaram a mão ao mesmo tempo. Com um “AFF”, Galarza puxou Pedro e Amália e disse aos outros para “ficarem alertas”. Depois chamou o elevador, os três entraram e começaram a descer.

*MUSIQUINHA DE SUSPENSE*

*PING!*

O elevador fez seu barulhinho característico ao parar. Durante aquele microssegundo de expectativa antes de as portas se abrirem, um letreiro verde surgiu no ar, na frente de Galarza.

ENCONTRE MATT LIEBERT!

— Ô, tira isso.

Galarza espantou as letrinhas verdes, que voaram e desapareceram como mosquinhas. Nem sequer as lera.

As portas finalmente se abriram, e os três saíram de armas em punho... apenas para terem uma puta, puta surpresa.

— Mas... WTF??? ²³²²³ — Pedro.

Uma fileira de soldados GOOGLE tombados estendia-se corredor adentro até perder de vista. Por alguma razão, alguém já tinha passado por ali. o-o

— Isso é tão broxante. — disse Amália, desconsertada, abaixando seu rifle — Logo agora que eu comecei a gostar de armas!

Pedro andou um pouco e recolheu um recipiente vazio em forma de cilindro.

— Ora, é uma SMOKE GRANADE. — reconheceu — O gás já deve ter se dissipado. Mas será que é letal?

Amália checou a pulsação de dois dos homens caídos.

— Acho que não, viu, Pedro. Eles estão vivinhos ainda.

Ela olhou para Galarza esperando que ele fosse dizer algo. O SPY coçou a cabeça, confuso, e falou:

— Isso nunca aconteceu comigo. Mas ei, ainda não olhamos a cela do Liebert. — tirou o GPS do bolso — O sinal indica aquele lugar!

Ele estava apontando para o fim do corredor.

Os três moveram-se imediatamente ao ponto que descobriram ser a Stuff Room 09. Pedro chutou a porta, que veio abaixo, e eles entraram. Havia uma pessoa presa por correntes no teto, mas seu rosto estava coberto por um capuz e não era possível dizer se estava viva ou morta. Usava o mesmo par de tênis de Matt.

Pedro, Amália e Galarza se entreolharam, um esperando o outro tomar a iniciativa. No fim a garota chegou perto dele e puxou o seu capuz.

— OMG o-o
— Mas que porra é essa? — Galarza.
— Quem teria feito isso?? — Pedro.

Em lugar de Liebert, estava apenas mais um homem do GOOGLE desacordado.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

(2ª TEMPORADA) EPISODE 09 - Ponto de Virada

Percorreu o corredor de várias portas sem olhar para trás, pois sabia exatamente aonde queria chegar. No final do caminho, escancarou as cortinas vermelhas de veludo e o que encontrou foi novamente aquele salão quadrangular com paredes de mármore preto, fracamente iluminado por velas. No centro estava o velho espelho, do qual ele se aproximou para esfregar a poeira que lhe cobria a superfície e, assim, poder mirar o próprio rosto naquela coloração cinzenta. O rosto falou com ele:

Estava esperando você, Pedro. Por que se atrasou?

O garoto respondeu com convicção:

— Quero que isso pare!
Por quê? Por que justo agora, que estava prestes a descobrir mais?
— Não estou ganhando nada com você. Há várias noites você vem me enrolando, e para quê?
Falta-lhe paciência. É típico dos humanos. Mas nosso santuário mental comporta várias capelas, todas conectadas por diferentes portas. Como espera explorar todas elas se nunca passou da entrada?
— Tenho medo do que posso encontrar.
Do que vai encontrar, ou do que eu possa fazer com você?

Pedro não respondeu.

Nós estamos juntos nessa, Pedro.

Mesmo assim ele hesitou.

— Como posso repousar minha confiança em você... quando todos que já fizeram isso se machucaram?
Você está nos considerando isoladamente. Esqueceu o que somos em conjunto. Confiar em mim agora, Pedro, seria como confiar em si mesmo. Será tão ruim assim?

Seu cenho franziu-se, os lábios contrairam-se de angústia. O garoto teve de escolher. E escolheu. O outro no espelho entendeu isso sem que ele precisasse falar, sendo que logo em seguida a parede atrás do móvel ruiu e alongou-se para dentro, formando um novo corredor escuro. Pedro olhou para ele com interrogação e, pela primeira vez, medo.

Seu eu do espelho lhe disse:

Apenas vá em frente.

Pedro saiu da frente do vidro e andou em direção ao caminho inexplorado. Ouviu os próprios passos ressoarem no escuro, de certo ponto em diante a única pista que tinha de que ainda estava sobre terra firme, pois a luz do aposento anterior começava a ficar cada vez mais distante. Por fim, teve a impressão de estar num novo ambiente: mais claro, mais fresco, mais perfumado. E, à medida em que essas sensações o atingiam, o espaço ia tomando forma: de repente havia grama, um pomar e uma árvore nos fundos de uma casa branca. Um homem, munido de tesoura de podar e regador, cuidava dela. Ele fazia o serviço com zelo, apesar da árvore parecer muito decrépita. Sem querer, o pé de Pedro esmagou uma folha seca, o que quebrou sua concentração e o fez olhar para o lado. O homem, porém, não se incomodou com isso.

— Mas que bom que você chegou! Não se preocupe, você não interrompeu nada. Eu só estava dando atenção a uma velha amiga...

O jardineiro deu alguns passos para trás para fitar a árvore, pois esta era um tanto alta, e Pedro discerniu melhor sua fisionomia, reconhecendo-o.

— Sebastian!
— Sabe, há muito tempo... — o doutor lhe contou — um monge plantou uma árvore seca no alto de uma montanha. Era uma árvore mais ou menos como esta. Qualquer um diria que ela não tem nenhum atrativo, mas... Ele dizia ao seu aprendiz, cujo nome não consigo lembrar, para que a regasse todos os dias até ela voltar à vida. Então, todos os dias, o aprendiz enchia um balde com água, subia a montanha, regava a árvore e só retornava ao anoitecer. Ele fez isso durante três anos, e eis que um dia, quando ele subiu a montanha outra vez, a árvore estava coberta de flores. Você pode dizer o que quiser — ele apontou o dedo diretamente para Pedro —, mas o sistema é uma coisa impressionante! Sabe, às vezes eu digo a mim mesmo que... se você faz algo todo dia, à mesma hora, sempre o mesmo ato, como um ritual, sistematicamente... bem, algum dia o mundo irá mudar. Tem que mudar.

O homem ficou em silêncio por algum tempo, imerso nos próprios pensamentos, até soltar uma gargalhada.

— Mas você deve estar cansado desse meu blá-blá-blá! Se me permitir, eu fico falando, e falando, e esqueço o verdadeiro motivo de ter te trazido aqui. Pois então, Pedro, acho que é hora de você conhecê-la. Ela anda tão ansiosa desde que eu falei que iria trazê-lo aqui. Espere um pouco.

Ele largou as ferramentas e entrou na casa. Enquanto o esperava, Pedro olhou para cima e viu um par de olhos incrivelmente azuis encarando-o de uma janela. Seu coração disparou — ali estava a pessoa que precisava encontrar. Uma mão encostou no vidro, transmitindo um “Olá”, e ele ergueu a sua em resposta.

De algum lugar, uma voz chamava seu nome, trazendo-o de volta, coisa que ele não queria. Tentou lutar. Não conseguiu.

...........— PEDRO!

O garoto abriu os olhos e viu Amália debruçada sobre ele. Um de seus passatempos preferidos atualmente era ir à biblioteca durante a noite, em companhia de Matt, que sempre lhe indicava um número considerável de livros sobre tecnologia, física, história e ciência forense. Dessa vez, porém, ele adormeceu antes da hora, por isso Liebert resolveu não incomodá-lo. Quem encarregou-se de acordá-lo, então, foi a garota.

— Boa... noite?
— Você pregou o olho na poltrona. Vem, levanta. O Negão mandou apagar as luzes mais cedo por causa do racionamento.

Pedro se levantou, repôs o livro na prateleira e acompanhou Amália até o andar dos quartos.

— Você não parecia bem. — ela comentou no caminho — Pesadelo?
— Pior que isso. — murmurou Pedro.
— Eu posso ajudar?

Eles pararam à porta do dormitório masculino, olhando-se. Para Pedro, era raridade ela fazer uma pergunta como aquela.

— Não sei. — ele respondeu com sinceridade — Ando... desligado ultimamente, mas não é por essa história de combater o GOOGLE. Acho que tem a ver com meu passado.
— Hmm.
— Às vezes eu passo a noite em claro estudando, e isso me faz perguntar: que porra o dr. Sebastian queria que eu fizesse?
— Sei como é...
— É tão difícil ter um pedaço da sua vida, uma coisa que pertence só a você e mais ninguém, apagado!... *suspiro* Eu sou um cara muito complicado.
— Eu também...
— Hã? o.O
— Er... Sksoaksoaksoaksoakskaoskoak!
— Saksoksoaksoaksak!
— Sksoaksaoksaok, desculpa, eu não tava prestando muita atenção! Saksoskaoskoak...
— Tudo bem, já é tarde mesmo. xD
— Saksoskaoksoaska.
— De qualquer maneira, você é um cara legal, Amália. xDD

Pedro abriu a porta do quarto, enquanto ela foi se afastando de costas para entrar no seu, que ficava logo em frente.

— Boa noite, Pedro.
— Boa noite.

AMÁLIA FOI DORMIR
PEDRO FOI DORMIR

==============>COFFEE BREAK<=============

O Agente #3 foi incapaz de reprimir um suspiro de “Lá vamos nós outra vez”, assim que saiu do elevador e viu quem é que estava esperando por ele à sua porta — melhor dizendo, acampando em pleno corredor, com cobertores e tudo.

— Sabia que você não desistiria tão fácil, Nikolai.
— Ora, é claro que sabia, não?! Somos ambos brasileiros!
— Levanta daí agora, que eu preciso entrar na minha sala.
— Nam...
— Quê?

O Agente #1 não deu o menor sinal de que voltaria atrás. Do contrário, afofou o travesseiro para deixá-lo mais confortável e recostou-se nele com os dedos entrelaçados atrás da cabeça. Rodney franziu a testa, admirado.

— Não vai me deixar entrar na minha própria sala?
— Não até que admita a relevância das informações que colhi.
— De novo esse assunto? Você por acaso bebeu?... Certo, deixa eu ver se entendi: você acha que se eu te der permissão para entrar na casa do Nunes, isso vai ajudar a achar Liebert?
— Não necessariamente.
— Certo, então, se a nossa responsabilidade — SUA responsabilidade, é achar Liebert e Pedro, o que isso tem a ver com a história?
— Diz respeito ao passado de Sebastian. Melhor dizendo, o passado de Schneider. O GOOGLE sabia que ele tinha publicado aquele livro, sabia também que ele tinha amigos por aí.
— Sabíamos que SCHNEIDER tinha escrito livros e que possuía amigos no meio científico. Mas, no dia em que se tornou Sebastian, isso tudo foi deixado para trás.
— E quanto a família? Alguém que se importasse com ele?
— Ele era um homem reservado. Os cientistas que o conheciam deixaram de falar com ele depois da tese maluca, e isso o fez se isolar cada vez mais.
— A tese deste livro?

O Agente #1 estava com a cópia do Instruction Book debaixo do edredom — seu livro de cabeceira. Mostrou-o a Rodney, que não manifestou muita surpresa e apenas falou com indiferença:

— É, é esse mesmo.
— Já o leu? — perguntou o outro agente.
— Ora, por favor! Lê-lo? Isso é um verdadeiro “Eram os Deuses Astronautas”! — respondeu Rodney impacientemente.
— De fato, para a época foi, mas você sabia que isso está intimamente ligado aos fenômenos provocados pelo RPG de Liebert? Sabia que Nunes, o último dono da casa de Schneider, assassinado este ano, não era cientista e mesmo assim mantinha uma sólida amizade com ele? A ponto de ganhar a casa de presente? Foi mais ou menos quando... Ora, bolas! Foi quando Schneider virou Sebastian e veio trabalhar para nós!

Agora ele se levantara, influenciado pelo calor do discurso e empolgado em pôr Rodney contra a parede.

— Sou levado a suspeitar que Schneider/Sebastian planejou direitinho o que seria da sua vida depois que entrasse para o Projeto Bob e que, inclusive, deixou algo nas mãos de Nunes, o “Dodi”. Veja isto.

Ele tirou do bolso um recorte de jornal velho, de uns doze anos atrás, e o entregou nas mãos do Agente #3.

— Leia em voz alta pra mim.
— Não vou te dar o gostinho...
— Vamos!

O Agente #1 parecia um viciado em abstinência. Para não contrariá-lo, Rodney começou a ler a reportagem:

— “Mistério no sumiço do dr. Schneider: há dois meses se desconhece o paradeiro do outrora famoso especialista em robótica, dr. Damião F. Schneider, desacreditado pela crítica depois de publicar um livro chamado ‘Instruction Book’, no qual expunha uma controversa tese sobre o destino das sociedades humanas na Era da Automação. Na época, embora alguns comparassem seu gênio ao de Marshall McLuhan, a maioria o apontava como mais um Erich von Däniken. Um amigo próximo do cientista, Eduardo Costa Nunes, alegou recentemente ter recebido dele um bilhete anunciando seu isolamento voluntário. ‘Eu não diria onde ele está mesmo se soubesse. Acho que merece ser acolhido por ET’s, se for o caso, depois do descaso do qual foi vítima simplesmente por ter exposto suas ideias mais revolucionárias’, declarou Nunes, que também se descreve como adepto da Ufologia.” OK, Nikolai, pra mim chega.

Rodney devolveu-lhe o recorte e tentou passar por ele, em direção ao escritório, mas Nikolai não deixou.

— Pense comigo! Pense comigo: tentaram importunar o homem numa ilha deserta que ele teria comprado, assim como Saramago, mas na verdade ele estava com o GOOGLE trabalhando, não estava? Alguma vez deixamos de vigiar o amigo Nunes?
— Não havia necessidade. Schneider trocou de nome, disse a Nunes que ia viajar para longe e veio cuidar do Projeto Bob. O que esse Nunes poderia saber?
— Alguma coisa!
— Schneider não teria motivos para nos delatar, pois só veio a nos trair anos depois.
— Exato! Mas para onde ele foi quando fugiu?

O Agente #3 empacou. Não sabia a resposta. Indignado em perceber isso, o Agente #1 veio com a pergunta:

— Vai dizer que o perderam?
— Fala baixo! É complicado...
— Me disseram que Sebastian, ou Schneider, ou que nome tenha, tinha sido “apagado” pela empresa.
— Apagado dos relatórios.
— O quê?

Rodney disse aquilo com uma tremenda cara de fracassado:

— O plano era acabar com a vida dele, mas o desgraçado sumiu, deixando aquela mensagem no computador de Pedro.
— Sumiu?... WTF, ele está vivo?
— Não me olhe assim...
— Eu trabalho pra vocês! Eu estou no comando aqui! E brincam comigo como se eu fosse palhaço!
— Bem-vindo ao clube...

Nikolai começou a andar nervosamente de um lado para outro, no que Rodney tentou aproveitar para entrar no escritório, mas não conseguiu, pois cada vez que dava um passo adiante, ele entrava no seu caminho.

— OK, então... Se Schneider/Sebastian fugiu de nós, deve ter visitado um amigo de confiança. Um amigo como Nunes. Vocês cogitaram isso, na época???
— Não nos ocorreu que Nunes soubesse de algo. =/ Nós simplesmente “pulamos” o cara. Aí veio a merda com os Cibernéticos, Pedro foi libertado e... você já sabe o resto.

Havia uma certa culpa no tom de Rodney, que não era pra tanto, afinal, ele fizera merda de novo (?!?!).

— Ah, então tá. u.u Deixaram tudo isso acontecer, agora Pedro está solto nas ruas, Nunes morreu e você me diz que isso não é relevante!

Nikolai sacudiu os braços, como quem diz “tá, e agora?”. O Agente #3 respondeu:

— Se acha que dando uma olhada na casa de Nunes vai encontrar alguma coisa, fique à vontade. Mas não creio que isso trará alguma luz que leve a Liebert ou Pedro. Por exemplo, você não acha que um deles matou Nunes, acha?
— Não vejo Nunes sendo morto por um garoto. Ou garota. Isso me parece consequência de algo mais antigo que eles, que nós deixamos passar. Schneider confiou mais NESSE cara que em qualquer outro. Por quê?... Estou pensando que ele deixou algo aos cuidados do homem.
— Tipo...?
— Algo de extremo valor, que nós não pudéssemos encontrar. Seja lá o que for, a pessoa que matou Nunes levou isso embora.

O Agente #1 sentou em cima dos cobertores com as mãos cobrindo o rosto, murmurando consigo mesmo:

— Se tiver restado alguma coisa na casa... algo que indique o segredo de Schneider...

Depois de muito pensar, ele ficou de pé e disse ao subordinado:

— Eu quero o relatório policial sobre Nunes.
— Tá, o que você pensa que eu sou? Mata Hari?
— Você SABE que pode me dar isso. E quero as chaves da mansão branca. Deixe tudo na minha mesa.
— Aonde você vai agora?
— Chamar a Norma.
— Ei, espera aí! Eu também tenho dever de casa! Tem ideia do quanto esse grupo de vândalos tem aterrorizado a cidade? Alguém pode acabar se machucando!
— Não tenho a menor ideia, Rodney. Por isso é que não trabalho com esse caso. Bye.
— Ora, seu... ¬¬

...........Matt sentou-se na beira da cama com a mochila no colo, abraçando-a como a uma pedra firme na correnteza. O dia seguinte seria domingo. Dia do BIG evento. Ele prendeu o fôlego com o pensamento de que sua “hora da verdade” estava mais próxima do que nunca. Todos têm uma hora da verdade, certo? Até mesmo...

— JAMES BROWN!

Pepito entrara de repente, fazendo Matt instintivamente empurrar a mochila para debaixo do colchão.

— Que merda, Pepito! >.< Ninguém te ensinou a bater na porta? — ele fingiu estar irritado pra desconversar.
— Uii, que menino temperamental... — disse Pepito com o ironia mode ON.
— E qual seria o motivo da nova frase?
— Que frase?
— “James Brown”, e etc.
— Não é uma frase, é um tique!

Pepito pareceu repentinamente ofendido.

— Tique? — Matt.
— Nervoso! Algumas pessoas roem unha, outras piscam várias vezes por minuto, eu grito “JAMES BROWN!”, entendeu? — Pepito.
— Como agora?
— Não, agora não foi espontâneo... JAMES BROWN! Agora foi, viu?
— Tá, eu não tenho tempo pra isso...

Matt fez menção de sair, mas Pepito o segurou.

— Ah, não é hora de vazar, não. O senhor vem pro treino com a gente!
— Mas eu pratiquei leitura a noite inteira!
— Tem que exercitar o CORPO, ou não ganha skills. Te liga, Marcelinho!
— Hã?... Eu tenho coisas pra fazer. Trabalhos pra entregar.
— No sábado?

Matt encarou Pepito, que o encarou de volta, e cuspiu a primeira mentira que lhe passou pela mente:

— Recuperação. Esqueci de entregar durante a semana e, se não entregar agora, tô ferrado. Eu ainda estou estudando, sabe... à distância...
— Sei... Vai encontrar com um amiguinho em Gay Harbor, vai? — Pepito fez a voz do Freddie Mercury e foi se aproximando de forma assustadora — Vai encontrar com um amiguinho, vai? Vai sair com ele, vai sair com ele, vai saiiiiiir com eeeeeele, vaaaaai?

Matt fez a cara mais impiedosa possível e disse: "NÃO".

— Então tá. =D — falou Pepito, “voltando ao normal” — Só não volta muito tarde, que o Pinguin vai preparar Penne pro almoço. — e saiu.

Enfim sozinho, Matt retirou a mochila de debaixo da cama, deu uma última arrumada no cabelo e partiu para sua “Quest” pessoal.

...............*DING DONG*

Nikolai tocou a campainha e esperou, mas ninguém abriu.

*DING DONG AGAIN*

Houve um ruído de chinelos arrastando-se no chão, de uma chave girando na fechadura e então a porta se abriu alguns centímetros, deixando entrever um par de olhos vermelhos e inchados. Por um momento, o Agente #1 pensou ter procurado o apê errado, mas em seguida viu que era mesmo Norma, sua aprendiz, que estava apenas... diferente.

— Bom... dia? — ele a cumprimentou sem ter muita certeza do que dizia.
— Olá, olá. É... sinto muito por me atrasar. — ela falou com embaraço — Importa-se em esperar um pouco?
— Na verdade, não.
— Entre, então.

Ela abriu totalmente a porta para ele, que finalmente viu o interior de sua confortável, cara, habitação. Norma estava quase vestida para o trabalho, tirando os chinelos e os cabelos de quem acabou de se levantar da cama. Sem, no entanto, se abalar pela primeira impressão causada, fechou a porta e tratou de ir ao quarto continuar o que estava fazendo.

— Estou terminando de me aprontar. — foi a única coisa que disse.

O Agente #1 sentiu que algo não estava nada bem, mas preferiu não comentar até o momento certo. Não deu cinco minutos, ela estava de volta, cabelo escovado, face recomposta, pronta.

— O que temos para hoje? — perguntou, no tom eficiente de sempre.
— Falei com Rodney, e ele vai nos descolar o arquivo policial da morte de Nunes, além de permissão para entrar na casa.
— Perfeito. Isso vai clarear nossa visão dos fatos, não vai?
— Espero que sim. Interessante foi a expressão dele ao ter que ENGOLIR a minha teoria sobre o Instruction Book e o assassinato. Mas o que vai te deixar de cabelo em pé é o fato de que Sebastian não está morto.
— Quê?

Ela fez a mesma cara de choque que ele ao receber a informação.

— O homem sumiu das nossas vistas depois de sabotar o Projeto Bob, traindo o GOOGLE. Decerto falou com Nunes uma vez mais, o que me levou a acreditar que o motivo para sua morte tenha sido um segredo confiado a ele por Sebastian. A sua verdadeira natureza eu não sei. Podia ser um objeto, uma informação, não sei, isso permanece nebuloso para mim enquanto não acesso a casa. Você andou chorando?...

Ele fez questão de falar tudo rápido, apenas para incluir a pergunta no final de maneira desinteressada. Norma dissimulou:

— Não exatamente... Seria relevante se eu dissesse que sim?
— Seria. — disse o Agente #1 de imediato.
— Bom... Como posso explicar?... — ela cruzou os braços e fitou as paredes, certamente para não ter que encará-lo e expôr sua tristeza — Você tem um dever a cumprir. Cumpre-o todo dia. No entanto, às vezes coisas da sua “outra vida” acabam lhe afetando tanto que você nem consegue ficar de pé para... começar a merda do dia e cumprir o maldito dever.

O Agente #1 a fez ficar de frente para ele, olhando-a, analisando-a.

— Você parece nova pra terminar um casamento. Foi parente?

Norma fechou os olhos.

— Minha mãe.

O Agente #1 se afastou um pouco. Nunca foi de dar tapinhas nas costas de ninguém, muito menos abraços de consolo, mas também não queria parecer duro e insensível diante de um semelhante.

— Nossa, isso é... Deve ser terrível...

Aquilo lhe soou falso, e ele se odiou por isso, mas para Norma foi o bastante. Ela deu um sorriso fraco de quem aceita o tombo e agradece a ajuda para se levantar.

— Tudo bem. O que eu posso fazer? Ela tinha idade e... essas coisas acontecem... Mas...
— Mas...?
— Você é meu chefe, não seria apropriado eu te contar isso...
— Conte-me como a uma pessoa qualquer.

O homem insistia demais. Ela cedeu:

— Bem, eu fui educada num sistema onde o que você faz é obedecer, e se você obedece, alguém fica orgulhoso de você. Quando eu deixei minha cidade para perseguir esta posição que ocupo, sabia que estava fazendo alguém na minha casa sentir orgulho de mim, mas agora... — seus olhos lacrimejaram um pouco quando finalizou: — O trabalho só costuma fazer sentido quando tem uma pessoa pra te receber de volta.
— Você estava certa.

O Agente #1 andou até a porta sem demonstrar nenhum sentimento.

— Não é apropriado mesmo.

Assim ele abriu a porta e disse:

— Ao trabalho, então?

...........Matt mandou o táxi parar à beira da calçada oposta ao grande complexo de escritórios da GOOGLE (disfarçado, é claro, com óculos escuros, boina e barba malfeita), pagou a corrida, desceu e ficou sentado num banco da praça ali perto, onde uma velhinha jogava pipoca para os pombos.

Para sua sorte, não houve muito que esperar. Um veículo preto de quatro portas parou à frente do edifício e um office boy veio correndo prestar seus serviços. Desceu a mulher, cujo nome Matt não sabia, e o Agente #1.

Deixe que eu estaciono, senhor.
Aff, não é preciso...
Cortesias da empresa, senhor.
Deixa ele, Nikolai.

O casal passou direto pela porta giratória do edifício, enquanto o funcionário começou a manobrar o carro para dentro do estacionamento subterrâneo. Matt teclou “SHIFT” para dar um zoom, focalizou a placa do automóvel e anotou o número. Um passo já estava dado.

..........MINUTOS DEPOIS, IN THE PARKING LOT:

Nikolai abriu o carro, esticou a cabeça até o banco de trás para ver se estava tudo em ordem e deparou-se com um pacote. Norma, que estava de pé em frente à outra porta esperando que ele a abrisse, perguntou:

— Que foi?
— Alguém deixou uma surpresinha pra mim.

O homem apanhou o pacote e brincou com ele como se fosse uma bola.

— Que isso, e se for uma bomba?? — Norma.
— Já teria explodido.
— Vou chamar a segurança...

Mas Nikolai já tinha rasgado o “presente” e removido seu conteúdo: um cd-rom. Sem titubear, inseriu-o no rádio do carro e deu “play”, baixando o vidro do carona para que Norma pudesse ouvir também.

Na Feira de Tecnologia. Estacionamento ao lado. Pessoas vão morrer. Eles passaram dos limites! Inocentes podem morrer! Eu só queria que fizessem alguma coisa... Não é justo...

E era só isso.

— Nikolai? Nikolai, você está bem? — indagou Norma, intrigada pela cara de pamonha que o Agente #1 fez.
— Eu tenho a impressão que... conheço essa voz.
— De quem é, então? o-o
— Não posso ter certeza.
— Isso é coisa pro Rodney, não é? “GOOGLE LIES”?
— Certamente.
— Mas ele falou em morte. Nenhuma das ligações falsas que recebemos no escritório falava em atentados com mortos, então não pode ser outra pegadinha, pode?
— É o primeiro aviso direcionado a MIM. Tecnicamente, eu não estou trabalhando no mesmo caso que o Rodney. Sim, acho que é verdadeiro sim.

O Agente #1 ficara tenso.

— Vamos entregá-lo, não vamos? Ao Rodney? — perguntou Norma enfaticamente.
— Também, também...
— O que você tem em mente?
— Eu... conheço aquela voz, Norma.
— Por que não me diz...?
— A casa do Sebastian vai ter que esperar.

...........DOMINGO. 19H30:

A van preta passou pela cancela de segurança sem levantar suspeitas. Em seguida andou vários metros, estacionando em um ponto discreto e devidamente distante da entrada do edifício-garagem. Primeiro desceu um homem, todo trajado de preto, com uma touca do tipo “vou-fazer-algo-muito-criminoso-agora”. Ele abriu a porta de correr, deixando os três adolescentes descerem. Eles também usavam preto. E tinham backpacks.

— Okay, gurizada, LET’S DO IT! — disse o Negão de Tapa-Olho.

Gustavo olhou para Pepito, que disse:

— Está bem, está bem, eu sento o dedo nos guardas. Mas tu e o Pinguin vão ficar selando a entrada depois.
— Pode deixar comigo. — concordou Gabriel, que estava junto com eles.

Pepito virou-se e foi, uma parte de si mesmo ainda encucada com algo que acontecera àquela tarde...

........................................*FLASHBACK*...........................................

Depois que Pepito entrou no dormitório com Matt, viu o amigo fechar a porta e ironizou:

— Mas que honra ser trancado no quarto junto com Matt Liebert! Pensei que só o Pinguin tinha esse privilégio.
— Não viaja! Eu falei com o cara em particular porque era realmente importante! Era sobre o Backup.
— Então ele já sabe também?
— Sim. Ele vai nos ajudar.
— E quanto ao Pedro e à Amália?
— Ainda estou pensando numa maneira de abordá-los. Eles andam mais... juntos ultimamente. Enfim, preciso falar de algo tenso.

Ele foi pegar sua mochila de dentro do armário.

— É sobre o encontro que você teve ontem?
— Por George Carlin, eu não tive um encontro! — Liebert tornou a negar o fato impacientemente — Toma aqui, ó. — ele entregou a Pepito o Pen-drive.
— Pra que isso? Não era você que devia guardar?
— É para o caso de algo ruim acontecer hoje.
— Como assim?
— Se qualquer coisa acontecer comigo, se eu ficar fora de ação, quero que siga adiante com a Quest. Detenha o Negão. Pegue o Backup. Salve o mundo.
— Isso não é um pouquinho dramático?
— É que eu to resumindo as coisas. Preciso MUITO ir ao banheiro.
— Ah, tá.
— To confiando em você, Pepito.
— Tá legal. Ouça, Matt...

Pepito olhou o amigo profundamente nos olhos.

— Se em algum momento futuro você achar que precisa de ajuda novamente...
— Sim?
— Se tiver um problema difícil, se precisar de socorro em um momento difícil...
— Sim?
— Por favor, não hesite em se danar.

....................................*END OF FLASHBACK*.........................................

— Aí, seu guarda, tudo bem?

*PUNCH*

Guarda #1 caiu.

— OMG! O que você...?

*PUNCH AGAIN*

Guarda #2 caiu também. Pepito agarrou um pé de cada e arrastou os corpos inconscientes para um cantinho atrás da guarita de segurança, onde nenhuma pessoa de fora poderia enxergá-los. Depois assobiou alto, e Gustavo, Pinguin e o Negão vieram até ele.

— Beleza, pessoal. Vou fechar a saída. Vocês cuidam aqui da entrada. — disse o chefe rapidamente, correndo em direção ao extremo oposto do estacionamento.
— Pinguin e Grilo — chamou Pepito —, vocês vão trocar de roupa com esses dois idiotas aí. — ele apontou os guardas desmaiados.
— Mas eu odeio o uniforme da Rudder. Coça. >.< — reclamou Gabriel.
— NÃO INTERESSA! Rápido.

GUSTAVO PEGOU: UNIFORME DE GUARDA
GABRIEL PEGOU: UNIFORME DE GUARDA

— Mais rápido!

Os dois terminaram de se vestir, Pepito baixou a grade de ferro que guardava a entrada do edifício-garagem e ergueu a placa de “LOTADO”.

— Como combinado, vocês ficam aqui brincando de vigia. Ô, NICK FURY, A ENTRADA TÁ FECHADA!
A SAÍDA TAMBÉM!... E EU NÃO SOU O GODDAMN NICK FURY, GODDAMNIT!
— Certo, pessoal, agora eu vou até lá com o Negão, e ele vai dar o sinal pra Equipe 2 poder agir. — explicou Pepito aos dois amigos.
— Beleza, mas... por que você tá citando todo o procedimento em voz alta OUTRA VEZ? — perguntou Gustavo — AUCH!

Pepito estava apertando a orelha dele.

— Porque senão a narrativa ficaria confusa!
— Tá, entendi. >.<

Ele soltou a orelha do Grilo e foi passear na direção do Negão, que, vindo a ele no mesmo sentido, berrou:

Vocês se armaram?
— O QUÊ? — Pepito não ouvira na primeira.
Vocês se armaram?

*ZUUUUUUUM*

Um tiro errou por pouco a cabeça do Negão, acertando um pilar ao invés disso.

*BLAM*

Protejam-se!

O Negão sacou sua arma e pulou para trás de um Fusca amarelo à sua esquerda, ao mesmo tempo em que Pepito se abrigava atrás de uma parede de concreto. Seis homens abriam fogo contra eles de um ponto próximo ao portão de saída, que o Negão tinha fechado momentos antes. Deviam estar esperando por eles há muito tempo.

LOADING...

KILL THE BADGUYS!

No momento em que o homem de tapa-olho começou a responder, o sexteto dividiu-se em dois; cada trio pegou cobertura onde dava, e meta-lhe chumbo (ui).

*BLAM! BLAM!*

Son of a bitch!

Furioso porque os pedaços de vidro do Fusca choveram sobre a sua cabeça, o Negão deu um assobio (era o sinal para a Equipe 2) e ficou berrando enquanto atirava:

— Equipe 1, CADÊ VOCÊ??

Gustavo e Pinguin vieram correndo para perto da cena, ambos com pistolas, e ajudaram a fazer frente contra os seis badguys. Pepito fez a mesma coisa de onde estava abrigado. Isso deu tempo para o jipe militar, que estava estacionado a poucos metros dali, acender os farois, acelerar e cruzar o corredor de vagas paralelo àquele em que os garotos estavam para subir a rampa que levava a... bom, se tá subindo, há de ser pra cima. u.u

— Atrás deles! — gritou o Agente #3, que era o cabeça-de-chave do Trio Pistoleiro Number 1, para o Trio Pistoleiro Number 2.

O Trio Pistoleiro Number 2 saiu abaixado da linha de tiro e alcançou a rampa, porém uma rajada de tiros matou um de seus integrantes — agora eles não eram mais o Trio Pistoleiro Number 2. E os tiros continuaram, vindos do segundo andar, onde Lydia atirava com uma AK47. Isso fez os dois agentes restantes recuarem, incapazes de mirar sem expor suas cabeças.

HEADSHOT!

O Agente #3 soltou um grito de horror ao ver o homem ao seu lado cair com um buraco na testa, produto de um tiro certeiro de Pepito. Apavorado, pegou o rádio para chamar reforços.

— MAYDAY! MAYDAY!

Do outro lado da linha, os que captavam o sinal se perguntavam “O que diabos é Mayday??”, enquanto Rodney gritava por socorro feito uma menininha:

— NÓS VAMOS MORRER AQUI! ALGUÉM MANDE ALGUÉM PRA CÁ! ISSO É LOUCURA!
LOUCURA??

O Negão de Tapa-Olho deu uma gargalhada insana (o calor da batalha o transformara completamente) e respondeu com um tiro por palavra:

ISSO... É... DOOM... FINGER!

Ninguém realmente acertou ninguém por um bom tempo, mas aquilo decididamente fez estragos. Vidros, parachoques e pneus por toda parte estavam em frangalhos, alarmes de carros disparavam sozinhos.

Lydia matou mais um badguy (agora nem Dupla Pistoleira eles eram), no que o colega dele gastou toda a munição e saiu correndo. Ela o matou também.

PORRA, LYDIA, NÃO DEIXA NENHUM PRA MIM!
DESCULPA, AMOR! MAS AÍ PARECE BEM MAIS DIVERTIDO!
VENHA PRA CÁ, ENTÃO!
— Não vem, não, desse jeito eu também não vou pegar nenhum! — reclamou Gustavo, que agora estava ao lado do Negão atrás do Fusca amarelo.
— É, eu também não! — berrou Pinguin, ao lado de Gustavo.
AGORA JÁ ERA!

Lydia continuou no segundo andar, porém mudou de ângulo para poder mirar melhor, e eis que achou o ponto perfeito para acertar Rodney direto no traseiro. Porém, quando ia puxar o gatilho, um projétil esmigalhou a mira de sua AK. Ela disse “FUCK!” e olhou para baixo para identificar o responsável. Seu corpo gelou de medo ao reconhecê-lo.

— Nikolai???
— Cala a boca e se abaixa, Rodney!

O Agente #1 atirou outra vez para o alto, e Lydia teve de sair dali. Junto a ele estava Norma, também armada e ready for action. Agora eram eles dois, Rodney e um Badguy Random do lado dos malvados (ou não). Do lado dos Ursinhos Carinhosos bonzinhos, Pepito, Grilo, Pinguin e Negão.

ESSA É A MINHA ESPOSA, SON OF A BITCH!

Ele atirou contra Nikolai, disposto a vingar o quase-headshot de Lydia, e errou.

AUCH! FUCK!

Um único tiro de resposta acertou seu ombro direito, que sangrou abundantemente. Ele virou de costas para o carro e foi escorregando até o chão, incapaz de continuar.

— Porra, Negão! — Gabriel.
— Não dá, to malz. =S Só espero que os noobs lá em cima consigam alguma coisa.

...........O jipe parou cantando pneus no último andar, e desceram Matt, Galarza, Amália e Pedro. O SPY sacou as duas glocks e disse aos outros três:

— Vocês sabem o que fazer.
— Vem, Matt! — disse Amália empolgada.

Ela, Matt e Pedro abriram o porta-malas e tiraram um lança-foguetes de uso militar, pesado, de modo que os três tiveram de carregá-lo até o parapeito do prédio, de onde se visualizavam as janelas do nono andar do Hotel de 8 (MIL!) Estrelas de Gay Harbor.

— É esse o nosso alvo, Matt! — disse Amália — Manda ver!
— Por que eu?
— Porque você é gay! Agora vai, atira!
— Tem que...
— Pronto, tá carregado. Atira!
— Não dá! Galarza, por que eu??
— PORQUE VOCÊ É GAY! AGORA ANDA! OOOPA...

A porta de acesso às escadas escancarou-se e duas pessoas entraram (ou saíram, já que é ao ar-livre... enfim...): Nikolai e Norma. Logo que os viu, o SPY abriu fogo e a dupla se abrigou atrás de um carro qualquer. Galarza abrigou-se atrás do jipe, e os três iniciaram uma gunfight.

— Eu sabia que não daria certo! D= — disse Matt, em pânico, para Amália e Pedro — Vamos parar com isso!
— VAMOS PARAR COISA NENHUMA! VOCÊ TEM QUE EXPLODIR A PORRA DO NONO ANDAR!
— Calma, Amália...
— VAI!
— PESSOAS VÃO MORRER, PORRA!
— VÃO, NADA!

*BLAM!*

— AHHH!
— Yuhuuu! — Galarza vibrou. Atingira o braço de Norma. — Querem mais?? — recarregou — I’m a SPYYYY!
— A guerra muda as pessoas, Amália... — disse Matt à amiga — Mas não deveria mudar a gente. Olha o que nós estamos fazendo.
— Acho que ele tá meio certo, Amália. — disse Pedro, que andara observando as coisas atentamente.
— Meio certo? Nós temos uma MISSÃO! — bradou a garota indignada — E VOCÊS — tapa no Pedro — NÃO ESTÃO — tapa no Matt — CUMPRINDO! MATT, SE VOCÊ É HOMEM, ATIRA NESSA PORRA LOGO, QUE EU TO COM FOME E QUERO IR PRA CASA!

Com uma cara de profundo desgosto, Matt pegou o lança-foguetes, mirou na janela do hotel e apertou o gatilho. Subitamente, o mundo virou uma tela em Widescreen e uma música fodônica tocou no cenário. Um rápido videozinho mostrou o míssil viajando no ar até que *KABUM!* o nono andar do hotel ardeu em chamas.

*FIM DO FILMEZINHO*

— Vem, vamos embora!

Pedro sacudiu Matt até ele sair do estado de choque em que se encontrava.

— Hã?
— Temos que ir embora! Vem, não faz essa cara de pastel!

Amália e Pedro pularam para dentro do jipe enquanto Galarza mantinha o casal de agentes sob fogo cerrado. Liebert não se mexeu. Ainda olhava para o prédio pegando fogo.

— Entra no carro, Matt! — berrou Galarza, parando de atirar por um instante.
— Não posso. D=
— Entra!
— Deixem-me aqui! Salvem-se!

Nikolai encontrou a chance e aproveitou-a. Num movimento rápido, saiu de trás do esconderijo e atirou três vezes contra Liebert. Atingido no peito, ele caiu.

— NOOOOOOO! — Amália e Pedro.
— FUCK! — Galarza.

Galarza fez menção de se virar para vingá-lo, mas o Agente #1 foi mais rápido.

*BLAM!*

O tiro seguinte acertou-o no estômago, mas ele não caiu de primeira. Ao contrário, parecia não ter nem percebido a bala entrar e sair de seu corpo.

*BLAM!*

O segundo tiro foi na perna.

— AAAAAAAAAAAAAAAUCH!
— Isso ele sente? — Pedro ergueu as sobrancelhas.
— Eu cansei desses filhos da mãe!
— Amália?

Num movimento dramático, Amália puxou o revólver da cintura de Pedro e apontou-a para Nikolai.

— DIEEEEEEEEEEE!

Ela atirou seis vezes... e errou todas. Naquele instante, todas as pessoas lá em cima (até Matt, que estava meio-morto no chão) pararam e olharam para Amália com cara de... “Amália, que é isso?”.

— Er... xD.

Galarza caiu de joelhos próximo ao jipe. Pedro arrastou-o para dentro do carro, fechou a porta e disse a Amália:

— Você dirige.
— Hã? *Amália surdinha*
— Anda!
— Ah, tá.

Amália deu a partida no jipe e desceu a rampa.

— Norma! — o Agente #1 correu primeiro até a colega — Norma! Consegue me ouvir? AI! *tapa*
— É claro que consigo, foi só meu braço. ¬¬ Dá uma olhada no Liebert!

..........O jipe descendo a rampa era o sinal que eles esperavam.

— VAZANDO, CAMBADA! — berrou o Negão, amparado por Pinguin, que lhe oferecia um ombro como apoio.

Os quatro — Pinguin e o Negão, mais Grilo e Pepito — correram até a van, dando tiros a esmo pelas costas para ganhar tempo. Logo em seguida Lydia se juntou a eles, mais preocupada com o marido do que com qualquer outra coisa. O Negão de Tapa-Olho, mesmo ferido, ocupou o banco do motorista e acelerou antes mesmo que Gustavo terminasse de fechar a porta.

*KABLAM!*

Destruíram a cancela e a grade de ferro ao passar. Em seguida saiu o jipe. Rodney e seu badguy tentaram correr, mas alcançá-los agora seria estupidamente impossível.

— Filhos da putaaaaaaaaa! — Rodney gritou, o mais alto que pôde, e ainda assim a raiva não foi totalmente embora. — Assassinos! Porcos! — seu celular tocou e ele atendeu: — Porra, que ééé??... Nikolai!
Chama o reforço. Tenho algo pra você aqui em cima.

...........O Agente #1 desligou antes que o outro perguntasse qualquer coisa. Chegou perto de Norma, cujo braço estava amarrado com um torniquete improvisado, e disse:

— Segura firme.
— Não sou eu quem precisa de ajuda agora. — ela disse feliz, apesar da dor.

Os dois baixaram o olhar para Matt, vivo e algemado no chão. Seu colete, agora à mostra, exibia os três projéteis nos pontos onde o inimigo tentara alvejá-lo. Ele encarou de volta os dois agentes e levou um sidekick de Norma.

— Ninguém te deu permissão para olhar pra mim!

O Agente #1 se afastou dos dois sem dizer nada, sentou no parapeito e acendeu um cigarro. A noite ia ser looooonga.