NOTA BY MATT: Os que ainda não leram o 9, ou o 8, ou o 7 (=/), aproveitem as tardes de chuva em casa, na frente do computador, para fazer isso! =D Não vou falar como se pudesse recompensá-los materialmente por isso, mas saibam que o mínimo que obterão com esse gesto será fazer o Matt feliz (^^). E reza a lenda que, cada vez que um gay fica feliz, em algum lugar nasce um unicórniozinho. Então, crianças, contribuam para salvar esta espécie em extinção (os unicórnios, não os gays)!
O Season Finale já não está muito longe. Por isso, curtam o epi. Ou não.
— Esperem na sala.
O Season Finale já não está muito longe. Por isso, curtam o epi. Ou não.
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— Esperem na sala.
— Mas, Pedro...
— Você ouviu o que ele disse, Amália. Vai. Vocês também, guris.
Estavam de volta à sede, e o clima no lugar era de tensão, somado ao gosto amargo do fracasso. Os mais feridos (basicamente Galarza e o Negão de Tapa-Olho) foram direto para a Enfermaria, onde Lydia fez um telefonema (Para nosso médico particular, ela disse. Atende sempre que preciso e não costuma fazer perguntas) e passou a cuidar deles como podia. Em poucos minutos, Amália e os demais trouxeram sua conversa desesperada (“Onde está o Matt?”, “Vocês estão bem?”, “O que vamos fazer?”, etc) do corredor lá fora para dentro da sala. A gritaria foi tanta que o Negão teve de interrompê-los com um grito mais furioso do que o normal e ordenou àqueles que não precisavam de cuidados médicos que permanecessem longe.
— Você fica responsável por eles, Pedro. — determinou olhando diretamente para o garoto — Quando o médico chegar, abra a porta para ele e o mande até aqui. O resto que ESPERE.
— Eu não preciso de cuidado médico...
— Shh. Cala a boca, Galarza. — disse Lydia administrando outra dose de morfina direto na veia dele, que já estava bastante grogue.
— Assim como a bala entrou, ela saiu...
— Shut up. Garotos, já é hora de vocês se mandarem daqui. VÃO.
Na falta de uma opção mais reconfortante, Amália, Pepito, Grilo e Pinguin foram para a sala sob a vigilância de Pedro. Ainda no corredor, ouviram Galarza balbuciando:
— É o que eu sempre digo: se você leva um tiro na cabeça... Não é porque você levou um tiro na cabeça que a sua vida tem que acabar. Digo... deixa a bala passar! Entrou por um buraco, saiu pelo outro... Valeu, moça, mas eu não gosto de unicórnios.
.......NA SALA:
— Fizemos tudo errado!
Pedro andava sem parar em volta do sofá, ao invés de sentar-se nele como os outros, pois estava agitado demais para isso. Pepito e Amália eram os que tentavam acalmá-lo, enquanto os outros limitavam-se a roer unhas, balançar as pernas e olhar para o relógio.
— A culpa é toda minha! Ao invés de fazer algo, eu fiquei parado! Por que eu fiquei parado??? D=
— Pedro...
— Devia ter atirado na cabeça daquele viado quando tive chance... Não, eu não iria atirar! Eu arrancaria a cabeça dele com minhas próprias mãos! É, isso seria interessante...
— PEDRO!
— Que é, Pepito?
— Não foi sua culpa, nem de ninguém em particular. Eu também vacilei em detectar se havia alguém nos observando. — disse o garoto do All Star vermelho.
— É, mas eles já deviam estar esperando a gente, porque tudo correu bem até o Negão fechar as portas. — argumentou Amália — No fim, nenhum de nós teve totalmente culpa. Nós tivemos... mas não tivemos. Ah, sei lá. >.<
Gustavo levantou o dedo.
— O tempo que a gente tá empregando em discutir quem teve mais culpa seria o tempo de descobrir o que aconteceu com o Matt e possivelmente salvá-lo.
OWNED
Os outros concordaram. Pinguin levantou o dedo também, dizendo:
— Vocês contaram o que, mesmo? Que ele levou uns tiros, caiu e...?
— Catapimba. — completou Pedro.
— Oi?
— Ele meio que morreu.
— D=
— Mas acho que não morreu.
— Ahhh...
— Morreu, mas não morreu. Ele parecia respirar. Não deu pra ver direito, porque eu tive de puxar o Galarza depois que ele caiu também. Tenho que confessar, o Agente #1 ownou todo mundo essa noite...
Os outros concordaram, tristes. De repente, Amália teve uma ideia.
— Vamos fazer pipoca? =D
— Você tá pensando em pipoca numa hora dessas? — perguntou Gabriel, devagar e calmamente.
— Nha, não são nem nove horas ainda! u.u — replicou a garota.
— o.O
Alguém tocou a campainha. Pedro espiou quem era e abriu a porta para um homem semi-nu, de fralda, com uma valise médica debaixo do braço, que entrou sem fazer muita cerimônia.
— Boa noite, boa noite... Eu sou o dr. Bebê. Desculpem, que eu estou com pressa. Onde estão os doentes?
Com cara de “Hã?”, todos apontaram ao mesmo tempo o caminho da Enfermaria. Ele agradeceu e foi para lá.
— Err... Tá, né. G.G — Gabriel.
— O que foi aquilo? o-o — Pepito.
Pedro fechou a porta e disse:
— Não faço ideia, mas Lydia falou que ele conserta um cara partido ao meio em 30 segundos e que é melhor fazer o que ele mandar, pois é impossível processá-lo. Anyway... Dependemos dele agora. O Negão só vai nos dizer o que fazer depois que ele e o Galarza forem atendidos.
Ele olhou significativamente para os outros, na espera de um “Ora, vamos lá”, de um certo movimento de rebeldia, mas tudo que aconteceu foi Gustavo dizer, melancólico:
— Pois é... Houve um tempo em que nós não esperávamos por uma ordem de alguém.
...........— Não posso fazer nada sem uma ordem de meu superior! — disse o policial prostado à frente da porta.
O Agente #1 exclamou, indignado:
— Eu fiz a captura e não posso falar com o prisioneiro! Impressionante como a empresa vem tratando seus funcionários...
— Desculpe, senhor. Ordens do Agente #3...
— Fuck off.
Uma outra porta se abriu e o próprio Agente #3 veio falar com ele. Ao seu lado estava o Agente #4, um tipo carrancudo e monossilábico.
— Perdeu alguma coisa aqui, Nikolai?
— Ah, nada. Apenas um adolescente algemado. — respondeu o homem barrado pelo guarda — Escute aqui, por que eu não posso entrar na cela de Matt Liebert?
— Ordens do presidente. — falou Rodney com um diabólico triunfo no olhar — Ele acabou de ligar. Oficialmente, eu tenho total controle sobre a célula de inteligência secreta do GOOGLE instalada em Gay Harbor. Isso faz de você meu... ex-chefe.
Acostumado a moderar suas emoções (em vez de atirar o fdp pela janela), o Agente #1 meramente ergueu uma sobrancelha.
— “Ex-chefe”? Quer dizer que você está no... comando? — pronunciou a última palavra com repugnância.
— Completamente. — falou o outro homem, orgulhoso — E estou dispensando você por essa noite, assim como Norma. Ela foi para o hospital. Vá para casa, descanse e... — fez um olhar de desprezo — se eu precisar de você, chamo.
Ele fez menção de passar por Nikolai, que pôs-lhe um pé à frente para bloqueá-lo e disse baixinho:
— E nenhum sinal da bicha louca que pedia socorro na garagem, não é mesmo?
O Agente #3 não respondeu (nem tinha como).
— Não vai demorar muito — o Agente #1 continuou no mesmo tom de voz, calmo, pausado — pra você precisar de mim novamente. Mas, dessa vez, eu vou pensar bastante se vale a pena te ajudar.
Dito isso, ele foi embora sem olhar para trás. Rodney não pôde ignorar um calafrio a lhe percorrer a espinha. Virou-se, viu o Agente #4 parado em postura de sentido e pigarreou, retomando a atitude austera de antes.
— Err, Agente #4!
— Sim, senhor!
— Vamos interrogar o prisioneiro agora.
— Sim, senhor!
O Agente #4 foi até o guarda, que prestou-lhe continência e saiu do caminho. Os dois agentes entraram na cela.
===========PAUSA PRO VÍDEO FODA===========
......LITTLE WATERFALL. SEDE DA ORGANIZAÇÃO DOOM FINGER. 20h30.
Pedro, Pepito, Amália, Grilo e Pinguin só pararam de roer unha na sala quando ouviram os passos de alguém voltando da Enfermaria. Logo após vieram o Negão de Tapa-Olho, com seu braço novinho em folha, e o dr. Bebê. Este foi conduzido cortesmente até a porta pelo dono da casa, que apertou-lhe a mão várias vezes agradecendo.
— Infalível como sempre, doutor! Pela manhã farei o depósito. Boa noite.
— Boa noite, YAL. Até mais pessoal!
O doutor tirou o chapeu para o grupo de jovens no sofá, que acenou de volta enquanto ele ia embora.
Assim que o Negão fechou a porta, Pedro o abordou:
— O que vamos fazer agora? O GOOGLE pegou o Matt! Exigimos que nos dê alguma luz...
— Shh, shh, hey, hey, hey, boy, take it easy! u.u — o homem do tapa-olho observou cada um dos rostos ansiosos e tomou uma decisão: — Venham todos comigo à Sala de Comando.
Todos o obedeceram e, chegando lá, ele mostrou-lhes um mapa da cidade no telão LCD conectado ao computador. Digitou alguns códigos, a porra toda fez “BIP”, “CLACK” e “CLUNK” e o sistema aplicou um zoom sobre uma área que eles reconheceram como...
— O Museu de Tecnologia? — Amália piscou os olhos, confusa — Que está querendo nos mostrar?
— É lá que Matt está. — falou o Negão, indicando um pontinho vermelho dentro da planta do prédio — Pus rastreadores em cada um antes de sairmos.
— Você diz no...?
— NÃO, PEPITO. Nos sapatos! Sabia que a missão de hoje à noite seria complicada e perigosa, por isso tomei essa providência. Pelo que sei, o GOOGLE esconde salas abarrotadas de artefatos secretos nos porões do seu Museu. Justamente por ser um local discreto e bem vigiado, é lá que os filhos da mãe vão interrogar Matt Liebert... se é que já não começaram.
Todos fizeram “Auch” ao mesmo tempo, arrepiados pelo mesmo pensamento de Matt estar sendo #@#%@%! por algum guarda grandalhão, truculento e mal cheiroso (ou por dois, ou por três, ou por... OMG!).
— Então, não temos tempo a perder! — exclamou Pedro olhando para o povo com jeito de “Vamos lá! Yahow!”, mas ninguém se mexeu — Pessoal? Vocês estão mortos?? Vamos resgatá-lo!
— É... muito arriscado, Pedro. — murmurou o Negão sem encará-lo, sua cabeça abaixada em sinal de vergonha — Seria mais prudente deixarmos...
— O quê?
— E abandonarmos o QG enquanto...
— Você enlouqueceu?? — Pedro olhou para os amigos — Vocês não podem estar no jogo dele!
Pepito levantou a mão.
— Nem a pau. — disse.
— Nem eu. — falou Grilo.
— [3]. — Gabriel.
Os guris olharam para Amália, esperando. Distraída, ela coçou a orelha, bocejou, arrumou o cabelo, viu os quatro encarando-a e perguntou:
— Quê? o-o Auch! *pisão do Gustavo* Ah, é! É! D= Não, não, eu quero que o Matt seja salvo!
Ela ergueu a mão como os outros fizeram. Pedro pressionou o Negão:
— E então, cara? A maioria votou, a maioria venceu. Vamos fazer o serviço ou não?
O chefe permaneceu um tempo em silêncio, meditando, depois disse:
— Eu não chamei nenhuma votação. u.u
— AHHHH, NEGÃÃÃÃO!
Todo mundo começou a falar ao mesmo tempo, o Negão sacudiu as mãos pedindo silêncio — “shh, já deu, já deu, shut up, muthafuckers” —, mas não foi o bastante. Eis que entraram Lydia (trajando um uniforme de enfermeira que ela tirou sabe-se lá de onde) e Galarza, que fora rapidamente “remendado” pelo dr. Bebê, mas ainda estava abobado pelo efeito da anestesia.
— Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia...
Os que discutiam ouviram a voz do SPY cantando, viram que era mesmo ele e se perguntaram “WTF?”.
— Tudo passa, tudo sempre passará...
Ele tentou imitar um 4 equilibrando-se num pé só e caiu. Bem ou mal, isso ajudou a encerrar a gritaria.
— Está tudo bem aqui, querido? — perguntou Lydia se aproximando toda sexy do marido.
— Tenho tudo sob... Jesus Christ! — o Negão de Tapa-Olho ficou hipnotizado pela roupa branca, olhando a mulher dos pés à cabeça como um cão babão. — Onde você arrumou isso, baby? *.*
— Sei lá. Você estava discutindo com os garotos? Sabe que odeio quando faz isso... u.u
— Desculpa, meu amor. É que eles queriam ir atrás do Liebert, que agora está provavelmente nas mãos de um ou dois guardas grandalhões, truculentos e mal cheirosos, sendo #$#@!% repetidamente. Mais cedo ou mais tarde ele vai contar tudo sobre a gente, por isso a gente tem que vazar, entendeu? Ahh, não faz esse biquinho, vem cá...
Lydia se soltou dele e afastou-se empinando o nariz. No fundo, quem estava sóbrio percebia que aquilo era só teatro, mas ninguém disse nada a respeito, é claro.
— Não quero saber! — a voz poderosa da mulher retumbou como trovão na câmara fechada — Se pretende se dar bem esta noite, seja justo com seus aprendizes. Mostre que é um homem decente e dê-lhes todo o apoio para resgatar o amigo deles!
— Mas...
— AGORA!
O Negão suspirou, cabeça baixa, ombros encolhidos.
— Sei que sou um homem derrotado. Muito bem, garotada, vocês têm permissão para salvar o Liebert. — antes, porém, que eles comemorassem, ele ampliou a voz para acrescentar: — Mas lamento informá-los que a pessoa mais qualificada para o serviço encontra-se totalmente dopada... e dançando a Macarena?
Ele olhou para Galarza e os jovens fizeram o mesmo: de fato, ele estava dançando a Macarena. Lydia, contudo, não se abalou.
— Don’t panic! Dêem isto aqui a ele — ela atirou um frasco com pílulas e Pedro o apanhou —, que o cara vai estar pronto pra outra em um minuto.
— Tá certo, tá certo. — falou Pedro excitado (ui) em agir (ahhh) — Pepito e Pinguin, preparem as coisas.
— Ahh, e eu? D= — Gustavo.
— ... Ajude-os a preparar as coisas.
— E eu? o-o — Amália.
— ... ... Ajude o Gustavo a ajudá-los.
— Tá. =]
— Okay, pessoal, keep going enquanto eu fico um pouco... íntimo... com a minha esposinha. — falou o Negão, saindo em companhia de Lydia mais rápido que um papaleguas no cio (existe).
Pedro fez Galarza engolir alguns comprimidos, o garoto ficou sessenta segundos parado com cara de House quando usa dorgas e voltou a conversar em tom normal. Perguntou a Pedro como tinham chegado ali e onde estava todo mundo. Quando o amigo lhe disse, ele pôs as duas mãos na cabeça e surtou. Tão alto que atraiu Amália, Pepito, Pinguin e Gustavo de volta à Sala de Comando.
— Que foi isso, gente? — perguntou Pinguin surpreso.
— O Galarza acha que fez merda. — respondeu Pedro calmamente.
— Eu tenho CERTEZA de que fiz merda! D= — corrigiu o SPY aos berros, estado em que era raro os outros o enxergarem — O Negão disse pra mim em alto e bom tom “Cuide da Equipe 2”, e eu deixei o Matt lá! Eu o deixei! E ainda levei um tiro!
— Galarza...
— NÃO! Foram dois! Eu queria poder dizer “FOOODA-SE”, como faço em tudo na minha vida, mas isso é demais!
— Galarza...
— O que pensariam de mim na Academia de SPIES? Eu treinei tanto, apertei a mão do Diretor na formatura... — ele mostrou um retrato de si mesmo em traje de formando, apertando a mão de um careca de terno escuro — Por essa pequena grande falha — deixar um soldado para trás! — eu hoje sou um fracasso!...
— Affeeee.
Pedro abriu o frasco, tirou mais um comprimido e enfiou-o na boca dele. Galarza engoliu, deu uma tossidinha e adquiriu de novo o tom vago habitual.
— Ah, oi, Pedro. ^^ Vamos lá salvar o Matt? Me parece uma boa ideia no momento... É, acho que vou salvar o Matt. E depois vou comer um hambúrguer.
Ele passou pelos outros sem notar os olhares que faziam, naturalmente preocupados que sua saúde mental estivesse falhando, e entrou na Sala de Armas ao lado.
Amália chegou perto de Pedro e cochichou:
— Já que vamos sair de novo, eu quero dar uma treinada. Me ajuda?
Mesmo sem entender por que, o garoto sacudiu a cabeça afirmativamente e a acompanhou até o ginásio.
— Tá, o que você quer fazer? — perguntou quando já estavam lá — Podemos experimentar alguns golpes, ou quer ir direto pro tiro-ao-alvo?
— Nada disso. Só queria ficar longe daquela sala. — confessou a garota.
— Por quê? o-o
— Sei lá. A última hora foi tão tensa que só ficando sozinha com você eu me sentiria melhor.
— Err... Tá bom. ‘-‘
— Mas, já que estamos aqui...
Amália abriu um armário metálico, pegou um estojo de couro preto e abriu-o sobre a mesa onde ficava o cd-player.
— Quer brincar com a sua coleção de facas? — perguntou Pedro vendo a fileira de objetos afiados que ela guardava no estojo.
— Não. — Amália pegou um punhal e o pôs na mão de Pedro — Você vai atirá-las em mim e eu vou tentar me defender.
— Amália! o-o
— Apenas faça isso. Vou me posicionar.
TRAINING MODE!
Ela caminhou até a outra ponta do tatame, parou de frente para a mira de Pedro e abriu os braços.
— Bora, Pedro.
— Amália, eu acho que...
— ANDA!
O grito foi tão forte que deu eco. Pedro sacudiu a cabeça sorrindo.
— Se não fosse assim, não seria a Amália... Bom, lá vamos nós. ^^ Espera só um pokito...
Ele pôs pra tocar uma música aleatória e atirou a primeira faca. Amália saltou e desviou-a com um roundhouse kick.
GOOD!
Pedro lançou outra. Ela a defendeu com o punho.
EXCELLENT!
Não sou o melhor dos homens, mas ainda sou um homem
E você desperta algo dentro de mim
Um pequeno diamante
Uma frágil chamazinha
Você é tudo que há de bom no mundo para mim
Ele parou por um instante, apenas olhando para ela. Amália acenou com a cabeça (“Manda ver!”). Pedro arremessou uma shuriken, que arrancou um fiozinho de cabelo da cabeça da garota quando ela se abaixou e enterrou-se fundo na parede.
MISS!
EXCELLENT!
Eu quero te proteger
(Eu quero te proteger)
Eu quero que esteja sã e salva à noite
No mundo em que vivemos,
Uma pessoa tão delicada precisa de alguém
Que a mantenha longe dos lobos
Eu quero te proteger
Amália estranhou ("O que há com você?"), mas ele continuou com aquele sorriso enquanto lançava mais facas.
..........Galarza pôs o último item que precisava em cima da mesa, observou o conjunto inteiro e disse:
— É... Acho que é só isso.
— SÓ?? — indagou Gabriel boquiaberto.
O SPY havia separado seis pistolas automáticas (fora as duas glocks de seu próprio uso), seis submetralhadoras, quatorze pentes com munição, doze granadas, um canivete-suíço, detonadores portáteis, alguns gramas de C4, duas cordas, um kit com sinalizadores, um bote-inflável, um arco com flechas, dois tubarões empalhados e um patinho de borracha.
Grilo cutucou Galarza e disse:
— Temos um pequeno problema, não acha?
— Ah, é...
Galarza abaixou-se e pegou uma minúscula mochila da Hello Kitty.
— Pronto.
Grilo deu um tapa na própria testa.
— Que foi? Não tenho tempo pra comprar itens de camping!
Dali se podia ouvir a música que vinha do ginásio.
Muitos não entendem
Mas eu sou seu maior fã
Esses tolos e selvagens não sabem apreciar
O milagre que é você
Como pode ser verdade?
Você é tudo que há de bom no mundo
Foda-se, usamos as backpacks, sussurrou Pinguin ao ouvido de Gustavo, que concordou e disse a Galarza para esperar.
— Vou buscar nossas mochilas.
Eu quero te proteger
(Eu quero te proteger)
Eu quero que esteja sã e salva à noite
No mundo em que vivemos,
Uma pessoa tão delicada precisa de alguém
Que a mantenha longe dos lobos
Eu quero te proteger
...........Suspenso por correntes que lhe apertavam os pulsos, com uma luminária forte pra *a*alho apontada para seu rosto, tudo que Matt Liebert conseguia enxergar era a sombra difusa do homem que o espancava. Havia também outro presente na sala, pois entre um tabefe e outro ele ouvia um segundo sujeito tossir ou fungar de tédio à sua esquerda.
*PUNCH!*
Matt cuspiu sangue em slow-motion.
— Quer mais? — perguntou o Agente #3 em voz alta.
Matt olhou sua barrinha de Life suspensa ao lado e riu.
— Estou me perguntando quando é que você vai me bater.
O interrogador desceu-lhe outro murro, mais forte que o anterior, o que deixou-o bem tontinho por alguns segundos. Mesmo quando você é um personagem de videogame, apanhar de um cara mais velho e provido de mais massa muscular do que você... DÓI.
Ele desmaiou. Acordaram-lhe com água fria. Matt ouviu o balde vazio sendo posto no chão e sentiu a mão forte do torturador se fechar em torno da sua traqueia. O homem forçou o prisioneiro a olhar para cima, e aquele foi o primeiro contato visual que tiveram.
— Até que você é espertinho, Matt Liebert.
— Não gasta meu sobrenome... *estrangulamento* Ugh! >.<
— Você está certo, a diversão verdadeira mal começou. — falou o Agente #3 suavemente — Esta palhaçada, pra mim, é mais uma distração antes do trabalho. Porque ambos sabemos que você vai abrir o bico. Foi assim da última vez.
— Só falei... porque... — a voz de Matt saiu abafada por causa do aperto — ... você ia matar um dos meus.
— E com certeza farei isso dessa vez. =) Só preciso de alguns nomes, talvez uns números de telefone, um endereço... que você vai me fornecer.
— Sonha... u.u
*POW!*
Matt levou uma no estômago e perdeu o ar. O Agente #3 o largou, tentou dar uma voltinha na sala como um badguy, mas tropeçou no balde.
— Porra! Acende a merda da luz??
A sala toda iluminou-se. Matt piscou várias vezes até se acostumar com a nova visão.
— Valeu, Agente #4. — Rodney agradeceu e tornou a se aproximar de Matt — Vamos fazer o seguinte: eu te conto uma história, você me conta a sua. Deixa que eu começo. Você deve pensar — ele acendeu um cigarro — que o GOOGLE não tem acesso à mente das pessoas. Ah, mas nós já controlamos a geografia, o clima, fizemos aquela hipnose coletiva... Vocês, merdinhas, devem se sentir felizes por dentro, não? Devem rir da nossa cara porque “o GOOGLE não pode deletar pessoas e, mesmo quando deseja alterar o espaço, precisa se certificar de que ninguém percebeu a mudança”. Isso é um sorriso? É, vai sorrindo, viado, vai sorrindo. Eu tenho uma novidade pra você.
Ele tirou algo de dentro do paletó e mostrou a Matt, que fez esforço para enxergar devido ao tamanho minúsculo: era uma cápsula branca semelhante a um comprimido.
— Aqui. — o agente aproximou o objeto da vista dele — Vocês, geeks, que andam casados com a Internet, já devem ter lido aquela baboseira sobre o biochip produzido pela Microsoft, aquele que ajudaria a controlar informações de cartões de crédito. As pessoas ficaram espantadas, algumas com medo, e surgiram boatos realmente fantasiosos. Claro que era pura besteira. O interessante é que algumas besteiras podem se tornar ótimas fontes de inspiração. Adivinha o que nós fizemos, Matt?
Matt olhou do rosto do interrogador para o objeto que ele segurava, e vice-versa, demonstrando medo pela primeira vez.
— Ah, vocês não... Não!
— Anunciaremos o serviço no final do ano, e é ÓBVIO que TODO MUNDO vai querer! =D — disse o Agente #3 com cruel alegria — Com este microchip implantado no cérebro, pra que fazer o esforço de ir à loja de cd’s se você pode baixar suas músicas prediletas direto pro seu banco de dados mental? Claro que isso não sai de graça, não, não, então você iria ao caixa eletrônico pegar a grana? WRONG! O dispositivo na sua cabeça faz a conexão com o sistema do banco, você é identificado, faz a retirada virtual e o pagamento é computado. Mesma coisa com o plano médico, multas de trânsito, agendamento de encontros... wow, posso pensar numa infinidade de coisas! *.* Depois de um tempo, talvez nem precisemos de escolas! Mas sabe qual é a parte mais empolgante disso?... Qualquer pessoa na face da Terra, qualquer uma, estará conectada ao NOSSO banco de dados. Então, se o João está me causando problemas... quem precisa de João??
Ele deu uma longa gargalhada maligna, no que o Agente #4 imitou o chefe, e fez-lhe sinal para que saíssem. Deixaram Matt sozinho, no escuro, em pânico, e só no corredor pararam de rir. O Agente #4 perguntou a Rodney:
— De onde tirou essa merda?
— Sei lá. Veio pronto na minha cabeça. xD
— Isso não, a cápsula.
— Ah, isso aqui! É minha vitamina. *TU DUN TSS* Vamos tomar um café. Depois continuamos.
— Eu conheço um lugar ma-ra-vi-lho-so a algumas quadras daqui. *.*
— Really?
— Siim, eles fazem um expresso com chocolate tão cremoso que parece mousse!
— Belê, vamos lá.
— Yay! =D
...........HOSPITAL GERAL DE GAY HARBOR:
Pôs outro travesseiro atrás das costas dela e perguntou:
— Assim está bom?
— Claro, Nikolai, whatever. Não precisa tanto. — disse Norma estranhando toda a preocupação do chefe quanto a seu estado — Meu ferimento não é nada perto dos oficiais mortos esta noite. Seria melhor se VOCÊ relaxasse um pouquinho agora. Posso notar que está exausto.
O Agente #1 admitiu a verdade. O trabalho nunca exigira tanto dele como nos últimos dias.
— Estou com o ego ferido também. — acrescentou — Mas isso não vem ao caso agora... — puxou uma cadeira para se sentar perto da cama dela — Meu negócio é só jogar conversa fora, já que o Rodney está no comando.
Norma ficou muito, muito surpresa ao ouvir a última frase.
— Ele? No comando? É por isso que você está tão estressado?
— Mais ou menos. Ele pegou os créditos pela captura de hoje e deu um jeito de me banir do interrogatório. O mais estranho é que eu não estou chateado com o que ele fez, não diretamente, mas por ter terminado tão rápido.
— Do que está falando?
— Meu trabalho, desde o início, sempre foi capturar Pedro OU Liebert. Tendo este nas mãos, é muito provável que achem o primeiro, bem como o restante do grupo de fugitivos, rapidamente. Então é isso, não? Acho que pra mim acabou.
Ele bateu palmas para si mesmo, ironicamente.
— Daqui a pouco estou de volta a Chicago, onde me atirarei ao ócio. Você tem sorte. — Nikolai disse, apontando para Norma em sinal de advertência — Está apenas começando a função. Perdoe minha melancolia, de qualquer forma.
— Tudo bem. Foi uma noite pesada mesmo. Ainda bem que ninguém morreu na explosão.
— Pelo menos isso, mas apenas porque NÓS alertamos a segurança do evento a tempo de evacuarem o prédio.
— É. Só é estranho terem nos enviado um aviso um dia antes da coisa acontecer. Quer dizer, quem poderia saber de um plano como esse? Foi algo que fugiu totalmente do “padrão” de ação daqueles delinquentes.
— Você quer que eu diga o que sei? — questionou-lhe o chefe — Quer, não? — a pergunta obviamente fora retórica — Você SABIA que eu sabia, mas preferiu não mencioná-lo perto do Rodney. Bem, eu reconheci Matt Liebert pela voz porque já o tinha interrogado tempos atrás. Tudo que eu esperava esta noite era vê-lo face a face, e minhas expectativas provaram-se corretas. Mas, não sei como, outras pessoas entraram para o grupo: o Homem, a Mulher e um Garoto Random. Ou, talvez, o grupo tenha recorrido a essas pessoas. Se os três desconhecidos são Players, eu não sei. Porém, algo me diz que Liebert não queria estar ali. Por isso nos mandou a mensagem, por isso arriscou a si mesmo e seus próprios amigos. Esses... terroristas só podem ter recrutado os garotos em troca da coisa que mais precisam no momento...
— Proteção. — completou Norma seguindo seu raciocínio.
— Yes. Com seus nomes e rostos fichados na Interpol, só perto de alguém muito esperto e influente eles poderiam se esconder por um tempo: este é nosso Homem, o chefe da quadrilha. Se a Google Police realmente quiser manter as ruas seguras, precisa investigar esse sujeito. Então, seguindo ordens desse Homem, os jovens saem pelas ruas pichando e provocando incêndios e desabamentos. Seu aviso anti-Google (“GOOGLE LIES”) apenas serve de abertura para a verdadeira destruição; a que tentaram causar hoje. Teria dado certo, não fosse Liebert denunciar o crime de dentro dos próprios autores.
— Por que ele faria isso?
O Agente #1 entrou em silêncio meditativo, balançando-se sobre a cadeira para a frente e para trás, e então disse:
— Sei lá. Se eu pudesse conversar com o cara, perguntaria. Aliás, perguntaria muitas outras coisas.
...........EM FRENTE AO MUSEU DE TECNOLOGIA DO GOOGLE:
Um carro prateado parou no portão. Como os vidros eram escuros, o guarda noturno que monitorava as câmeras atrás de seu balcão, lá na recepção, não conseguiu enxergar quem ou quantos havia dentro dele. Isso foi muito bom, pois naquele momento estava rolando a maior bagunça a bordo do automóvel. Galarza tentava bloquear Pedro, que tentava impedir Pepito, Amália, Gustavo e Pinguin de abrirem as portas.
— FIQUEM-NO-CARRO! — grunhiu Galarza entre dentes. Viu o guardinha sair do prédio com uma lanterna na mão e gritou: — Agora chega, o homem tá vindo!
Todos puseram-se de volta em seus lugares e prestaram atenção no que ele dizia em seguida:
— Escondam-se como der aí atrás e deixem que eu cuide disso.
Prontamente Pedro passou uma perna do banco da frente para o de trás, onde ele, Amália, Pepito e os outros iriam se cobrir com um pedaço de lona preta, da mesma cor do estofamento. No entanto, ele ficou entalado no vão estreito entre os dois assentos da frente e não conseguiu mexer a outra perna.
— ARRRGH! Essa bosta é apertada demais! Devíamos ter usado a van ou o jipe.
— O jipe e a van dariam muito na vista depois do que aconteceu hoje. — lembrou-lhe Galarza, empurrando-o com força até ele se livrar do aperto — OK, escondam-se e fiquem quietos. Agora é sério!
Com Pedro lá atrás (deitado por cima de todo mundo), os garotos cobriram-se antes de o guarda chegar e bater no vidro do motorista. Galarza abaixou-o para conversar com a autoridade. A luz da lanterna incidiu exatamente sobre seus olhos. Mesmo assim ele sorriu, como um bom samaritano.
— Boa noite. ^^
...........Os outros dois seguranças que cuidavam da recepção àquela hora da noite trocaram risadinhas cúmplices no momento em que o vigia do balcão, um homem de barriga avantajada, voltou gingando vagarosamente do portão externo.
— Cansou de erguer essa bunda gorda pra longe da cadeira? — gritou um deles, fazendo o outro cair na gargalhada.
O vigia gordo ignorou-o e apenas passou reto por eles. Disposto a fazer notar sua masculinidade, o segurança o seguiu e tentou puxá-lo pelo ombro em tom mais valentão...
— Ô, cara!
O outro se virou com uma faca sem dar-lhe tempo de reagir.
FRONT STAB!
O segurança caiu instantaneamente. Na mesma hora o seu parceiro, que estava a uns dez metros de distância, sacou a pistola. O assassino, porém, foi mais veloz.
HEADSHOT!
Porra, foi fácil demais, pensou o SPY guardando a glock e a faca. Despiu-se do disfarce do vigia morto, revelando o terno que usava por baixo, foi até o balcão e acionou o botão que liberava a entrada de veículos. Ficou sentado, esperando. Logo entraram Pedro, Amália, Pepito, Gustavo e Pinguin, armados até os dentes (não com pistolas de mulherzinha, mas com metralhadoras, tacos de beisebol e... chapeus?).
— Então, meus drugues, a nótchi vai ser boa! — falou Pedro com o taco apoiado no ombro.
— Metade desce, metade fica aqui. — determinou Galarza sacando as duas glocks dessa vez.
— Por quê? — Pepito se queixou — Sempre alguém fica no banco!
— Lá embaixo há mais guardas do que aqui em cima. Não podemos dar bandeira de novo. Usaremos rádios comunicadores desta vez. Estão com os seus?
— O que, esse fonezinho aqui? — Pepito colocou-o no ouvido e falou em tom mais alto que o normal — TO OUVINDO UM CHIADO!
— SHHHH. — fizeram os outros.
— Tá, acho que todo mundo entendeu. Quem desce? — Galarza.
Todos levantaram a mão ao mesmo tempo. Com um “AFF”, Galarza puxou Pedro e Amália e disse aos outros para “ficarem alertas”. Depois chamou o elevador, os três entraram e começaram a descer.
*MUSIQUINHA DE SUSPENSE*
*PING!*
O elevador fez seu barulhinho característico ao parar. Durante aquele microssegundo de expectativa antes de as portas se abrirem, um letreiro verde surgiu no ar, na frente de Galarza.
ENCONTRE MATT LIEBERT!
— Ô, tira isso.
Galarza espantou as letrinhas verdes, que voaram e desapareceram como mosquinhas. Nem sequer as lera.
As portas finalmente se abriram, e os três saíram de armas em punho... apenas para terem uma puta, puta surpresa.
— Mas... WTF??? ²³²²³ — Pedro.
Uma fileira de soldados GOOGLE tombados estendia-se corredor adentro até perder de vista. Por alguma razão, alguém já tinha passado por ali. o-o
— Isso é tão broxante. — disse Amália, desconsertada, abaixando seu rifle — Logo agora que eu comecei a gostar de armas!
Pedro andou um pouco e recolheu um recipiente vazio em forma de cilindro.
— Ora, é uma SMOKE GRANADE. — reconheceu — O gás já deve ter se dissipado. Mas será que é letal?
Amália checou a pulsação de dois dos homens caídos.
— Acho que não, viu, Pedro. Eles estão vivinhos ainda.
Ela olhou para Galarza esperando que ele fosse dizer algo. O SPY coçou a cabeça, confuso, e falou:
— Isso nunca aconteceu comigo. Mas ei, ainda não olhamos a cela do Liebert. — tirou o GPS do bolso — O sinal indica aquele lugar!
Ele estava apontando para o fim do corredor.
Os três moveram-se imediatamente ao ponto que descobriram ser a Stuff Room 09. Pedro chutou a porta, que veio abaixo, e eles entraram. Havia uma pessoa presa por correntes no teto, mas seu rosto estava coberto por um capuz e não era possível dizer se estava viva ou morta. Usava o mesmo par de tênis de Matt.
Os três moveram-se imediatamente ao ponto que descobriram ser a Stuff Room 09. Pedro chutou a porta, que veio abaixo, e eles entraram. Havia uma pessoa presa por correntes no teto, mas seu rosto estava coberto por um capuz e não era possível dizer se estava viva ou morta. Usava o mesmo par de tênis de Matt.
Pedro, Amália e Galarza se entreolharam, um esperando o outro tomar a iniciativa. No fim a garota chegou perto dele e puxou o seu capuz.
— OMG o-o
— Mas que porra é essa? — Galarza.
— Mas que porra é essa? — Galarza.
— Quem teria feito isso?? — Pedro.
Em lugar de Liebert, estava apenas mais um homem do GOOGLE desacordado.
CONTINUA...