terça-feira, 13 de abril de 2010

Pondo ordem no barraco

Esta primeira enxurrada de episódios, se é que ainda não matou ninguém de susto, não deverá se repetir. Daqui pra frente, o ritmo de postagem será menos frenético, justamente para que quem estiver aí possa "digerir" as leituras mais facilmente. Além do mais, todos temos nossos RPG's pessoais durante a semana. ;)

Dito isso, não deixem de comentar, nem que seja para dizer PUDIM. Isto é realmente importante para o andamento da história.

Em breve, teremos mais updates. Além de um encerramento novinho em folha.

(1ª TEMPORADA) EPISODE 05 - Waffles

MUSIQUINHA FODONA DE ABERTURA
..................NOVO QUARTEL-GENERAL DO GOOGLE, EM POA:

Naquele dia em que tantas coisas aleatórias e sem sentido haviam acontecido na cidade, Bob andava nervosamente pela sala, seu formidável cérebro inteiramente focado no mais novo enigma, quando seu Agente #1 abriu a porta.

— Bob... acabei de voltar do local do tornado. — falou.

— E...? — indagou Bob se virando — O que tem para mim?

— Você vai achar interessante. *sorriso maléfico*

...................NA PORTA DO ZAFFARI:

Como vimos no episódio anterior, Matt, Pepito, Pinguin e Grilo estavam prestes a preparar waffles quando se deram conta de que não havia ovos (ui). Por causa disso, foram todos dar uma voltinha até o Zaffari mais próximo; é claro, equipados com suas novas backpacks recheadas de itens.

Os outros entraram, mas Gabriel parou do lado de fora, visivelmente cansado, e disse:

— Vão vocês, que eu fico aqui esperando.

— Por quê? — Matt.

— Um violão partido, um Fusca esmagado e cem elefantes correndo pra cima de mim já estavam de bom tamanho. ;)

— Okay...

Eles foram, e Gabriel ficou parado ao lado das portas automáticas, perto de um chihauha amarrado pela dona (não que ele tenha qualquer importância). Cerca de meio minuto depois, ele avistou um trio de punks vindo em sua direção — peraí, em sua direção? DE FATO, ESTAVAM VINDO ATÉ ELE! D= Pareciam certamente bêbados de alguma coisa misturada com Tang.




O primeiro deles, que devia ser o líder, se aproximou perguntando:
— Ow! Era você que estava no Marinha hoje?

— Depende. o-o

— Sentado num banco?

— Tem vários bancos lá.

— Com um violão?

— Tem vários... FUUUUU!

....................ENQUANTO ISSO, NO CORREDOR DO ZAFFARI:

— Como sempre, nós viemos apenas comprar ovos, mas um de nós tem que ir para o lado oposto procurar alguma coisa que não tinha nada a ver. ¬¬ — reclamou Matt ao notar que Pepito tinha sumido antes de eles chegarem à prateleira de ovos (ui) — Não é, Gustavo? Gustavo?

Gustavo também tinha escapado. Estava na seção de enlatados.

...................DE VOLTA À ENTRADA DO ZAFFARI:

Antes que ele respondesse à terceira pergunta, os Punks Bêbados de Tang já tinham cercado Gabriel, e era certo que ninguém iria fazer nada (como sempre), muito menos o chihauha (que não tem importância). Percebendo que tinha poucos segundos, Gabriel aproximou a mão direita do bolso onde guardara o LifeController. O Punk #1 sorriu com expressão de “Vai doer”.

— Algum problema aqui?

Pepito tinha acabado de sair do mercado com uma sacola quando presenciou a cena. Os Punks se viraram e o reconheceram.

— Ah, ele também estava no parque! — o Punk #2 avisou o primeiro — Foi o carinha que nos ofereceu o vinho.

— Ah, lembro de você. — disse o Punk #1 a Pepito — Era pra ser apenas um vinho vagabundo com Tang, não era? — perguntou com uma ironia maléfica de vilão de história em quadrinhos.

— Era, mas... DOW! >.< — Pepito xingou ao perceber o que tinha feito — Não era apenas um vinho vagabundo. =(

— Pois é... E agora temos superpoderes. — contou o Punk #3, seus amigos estendendo o círculo para encurralar Pepito e Pinguin ao mesmo tempo.

— E eu... — começou Pepito, tentando bolar alguma coisa menos amadora do que sair correndo para salvá-los — Eu tenho Waffer! — e tirou a bolachinha de dentro da sacola — E não tenho medo de usá-la!

Os Punks se entreolharam.

— Tá, vamos acabar com eles e depois pegamos os outros. — mandou o líder.

Eles se aproximaram quando...

Gustavo surgiu do nada acertando em cheio um dos Punks, que voou uns 5 metros e caiu sobre o asfalto do estacionamento. Gabriel e Pepito se viraram, surpresos, e viram também Matt vindo de dentro do supermercado, trazendo os ovos (ui).

— Vocês estão com algum problema? — perguntou Grilo calmamente em posição de guarda.

— Olha, como não dá tempo vou resumir: ELES, malvados. NÓS, bonzinhos. — gesticulou Pepito.

— Ah, bom.

Letras verdes apareceram no ar:

VOCÊ COMEÇOU UMA FIGHT!





— Matt, segura a Waffer! — Pepito jogou a bolachinha para ele, que a apanhou no ar.

READY?

Os grupos assumiram posição de combate.

FIGHT!

— Você pega o que caiu, que tá fácil! — falou Gustavo a Pepito enquanto os seis lutadores corriam em câmera lenta pra se matar.

— Fácil nada, ele deve estar com raiva de ter levado um na cara! Se entende lá com ele. — retrucou Pepito, e depois disso não tiveram mais tempo para conversar.

Pepito desviou um soco do Punk #2, conduziu seu braço e o fez cair de costas sobre o capô de um carro. O impacto amassou a lataria e fez o vidro dianteiro estourar; os caquinhos voaram em câmera lenta durante alguns segundos, o que foi realmente bacana, mas ninguém percebeu. O alarme do carro disparou, atraindo a atenção de alguns, erm, seguranças, que imediatamente correram para interromper a briga do jeito mais inteligente: juntando-se a ela.

— AUCH! — Pepito sentiu uma cacetada na nuca, desferida por um dos guardas — Você baixou meu HP, fdp! — agarrou o homem da Rudder pela cintura, rodopiando-o, e arremessou-o contra uma parede, de onde ele escorregou até o chão e não se mexeu mais.

Nesse meio-tempo, Gabriel desviava-se várias vezes de uma corrente que o Punk #3 não parava de girar. Finalmente, conseguiu agarrá-la e puxou o inimigo em sua direção, dando-lhe uma cabeçada. Os dois se afastaram cambaleando, igualmente atordoados, e depois voltaram a se atracar. Gabriel desvencilhou-se do grab com um chute, a tempo de acertar um soco — NA MENTEEEEE. O Punk se afastou um pouco e, em modo RAGE, voltou correndo atrás dele apenas para colidir de cabeça com uma luminária, que caiu em cima de outro automóvel. Gabriel aproveitou que ele estava semidesmaiado e, com um puxão de braço, lançou-o através da porta de vidro para o interior do Zaffari. Coberto de cacos, a barra de energia vazia flutuando em cima dele, não se mexeu mais.

Por último, Gustavo teve dificuldade com o Punk #1, que além de estar com raiva como Pepito previra, parecia mais resistente que os demais, ainda intacto apesar da dúzia de pancadas, enquanto Gustavo já estava de olho roxo e cansado.

— Pessoal, acho que esse é um boss!

Pepito e Gabriel se aproximaram cerrando os punhos, e o Punk #1 riu. Os seguranças tinham desistido, talvez chamado a polícia, as pessoas se refugiavam dentro do supermercado. Matt comia waffer ao lado do chihauha. Eram só eles quatro na arena agora.

— Não vai ser tão fácil assim. — disse o Punk cuspindo sangue no chão — Eu sei dar COMBO, seus filhos da mãe!

— Eu te desprezo... — disse Pepito com os dentes cerrados — Você traiu o movimento, véio.

— ARRRRRRRRRRRRRRRRRHHHHHHHHH!

— ARRRRRRRRRRRRRRRRRHHHHHHHHH!

Pepito partiu com um clássico roundhouse kick, mas ele se abaixou e chutou-o onde homens honrados não devem nunca ser chutados. Pepito voou longe e caiu ao lado de Matt, que perguntou:

— Quer waffer?

Foi a vez de Gustavo, cuja força foi suficiente para quebrar o nariz do Punk, que no entanto não pareceu sentir muita coisa e respondeu com um golpe dez vezes mais forte. O garoto caiu de lado, quase nocauteado, e o boss virou-se sorrindo para Gabriel. Este estalou os dedos, alongou o pescoço e tirou o guarda-chuva da mochila, empunhando-o como se fosse uma espada. O boss riu histericamente.

— Vamos lá, seu sem-futuro!! — bradou Pinguin pronto pro fight.

— Valeu pelo elogio.

O Punk correu com um grito bárbaro na direção dele e, no momento final da colisão, Pinguin acertou-lhe a ponta do guarda-chuva em cheio no estômago. Finalmente alguma coisa pareceu surtir efeito no boss, que deu um grande grito de dor e cambaleou vários passos para trás. Sua barra de energia, que até então era roxa, mudou para o vermelho comum.


— O efeito... do vinho... deve ter acabado! — berrou Pepito, com esforço, caído no chão.

— Tang filho da puta! — xingou o Punk com as mãos na barriga — Mas eu ainda tenho condições para...

PUNCH!

Um gancho de esquerda quebrou seus dentes e o ergueu do chão. Pepito, Matt e Gustavo aplaudiram enquanto ele caía pela última vez, fora de combate.
K.O!



— SE FUUUUUUUU! — Gabriel gritou, vitorioso, e quebrou o guarda-chuva ao meio.

Matt se levantou e tocou o pacote vazio de bolachas no lixo. Ouviram-se sirenes de polícia se aproximando.

— O que nós vamos fazer agora? — perguntou Pinguin.

— Vazar daqui o mais rápido possível. — respondeu Gustavo se apoiando na parede para ficar de pé.

Então, exatamente como eu esperava...

Todos eles olharam para o lugar de onde tinha saído a voz e viram o Agente #1 de Bob parado na saída.

— Existe um grupo — ele veio andando devagar — realmente capaz metido nessa briga. Vocês fizeram um trabalho e tanto com esses imbecis.

— Quem é você? — perguntou Matt.

— Represento alguém que poderia ajudá-los muito em troca de alguma lealdade.

Ele começou a rodeá-los enquanto falava.

— Vocês não são os únicos interessados em destruir o Mundo Cibernético.

— Sabemos disso. — disse Matt com os olhos semicerrados.

— Ora, isso é uma surpresa pra mim. Mas, vendo o que foram capazes de fazer aqui, não duvido que já tenham descoberto os interesses do GOOGLE.

— Pode acreditar, e não estamos interessados em seja o que for que tiver para nos oferecer.

— O que pretende fazer, então? — o Agente parou de andar e o encarou com olhar de tédio — Continuar até ambos sermos esmagados? Meu lado é forte. Se se juntassem a nós, não haveria nada que pudessem temer no futuro. Nós sabemos jogar.

— O fato é que... nós também. ;)

Frustrado e sem tempo para argumentar, pois as viaturas estavam muito próximas, o Agente deu as costas a eles e sumiu de vista.

— Rápido, recomponham-se e vamos embora! — gritou Matt.

Pepito se levantou, e os quatro entraram no supermercado em busca da saída dos fundos sem esquecerem de levar os ovos (ui).
CONTINUA...

(1ª TEMPORADA) EPISODE 04 - Inventários

MUSIQUINHA FODONA DE ABERTURA

......................DE VOLTA À REUNIÃO EMERGENCIAL DA LIGA DE DOMINAÇÃO DO MUNDO:

Como Gustavo contava, o perigoso e invisível Bob falava aos homens mais poderosos do mundo sobre os planos dos Cibernéticos:

— “Mesmo assim, enviaremos agentes até os locais dos incidentes para analisar a ação do inimigo. Ao que parece, o tornado foi neutralizado por alguém ou alguma coisa que não foi criação dos próprios Cibernéticos. Estou disposto a acreditar na existência de um terceiro lado nesta batalha, e é com ele que devemos nos preocupar mais. Quem seriam? De onde vieram? O que pretendem ganhar com isso? Sugiro que fiquem atentos daqui pra frente ao administrarem suas organizações, senhores, principalmente os que são responsáveis pela repressão aos negros, gays e mulheres. Aos desenvolvedores do H1N1, peço que peguem leve no contágio este ano. Já temos problemas demais evitando que descubram que Obama é um robô e Bento XVI é mulher. Manterei todos informados dos avanços das investigações através de suas contas no Gmail. Alguma dúvida?”

— Os líderes da mesa sacudiram negativamente as cabeças, e Bob disse: “A reunião, então, está encerrada.” E foi isso. Todos foram embora, eu saí do prédio, peguei o primeiro táxi como ordenado e achei o dinheiro e as roupas no banco de trás mesmo. Voltei pra cá sem o terno e apenas guardei a maleta com as coisinhas “secretas”. Em algumas partes, o evento foi bem monótono, mas a parte do Bob foi bem que divertida...

O “filmezinho” acabara, pois as tarjas pretas tinham sumido. Matt se levantou e começou a andar de um lado para o outro, pensando.

— Isto torna tudo mais complicado. Tanto nós como o GOOGLE queremos salvar o mundo, mas o segundo quer o mundo só para si. E esse Bob é perigoso...

— É, já escreveram ali em cima. — Gabriel.

— Shh.

Neste momento, surgiu @?**2.0, fazendo os quatro amigos pularem de susto.

— Seu puto! Agora tu aparece, quando podia ter explicado tudo pra nós! — xingou Pepito.

— Eu não determino as quests. — disse o Ruleador, sempre inflexível. — Vim aqui pois há coisas que precisam saber, agora que Gustavo fez aquele servicinho para nós.

— Pra vocês? — perguntou Gustavo dando um giro completo com a cadeira na direção dele — Você tem alguma coisa a ver com o que aconteceu comigo hoje?

— Meus mestres me incumbiram de achar alguém para se infiltrar na reunião da GOOGLE e descobrir o que estavam tramando. Pensei em chamar o Jason Bourne, mas você se sairía mais despercebido como filho do Bill Gates, que veio no lugar do pai.

— ¬¬.

— Além do mais, você conhece Matt Liebert e seus outros dois amigos. As informações que registrou foram extremamente válidas para nós, e agora temos noção da existência de outro rival poderoso. Mas não iremos enfrentá-lo abertamente, não por enquanto. É mais interessante observar o que ele faz para combater o Mundo Cibernético, o que vem até como um favor para nosso lado.

— Espere um pouco. — disse Matt. — Ainda não entendo certos pontos dessa história. Você e seus “mestres” parecem estar sempre a par de todos os momentos catastróficos que acontecem por aqui. Se você é do futuro, por que não pode fazer nada?

— Já disse, só posso guiar aqueles que foram “escolhidos” para proteger o mundo dos humanos. — explicou @?**2.0 — Venho de um futuro em que o inimigo venceu e acabou com quase tudo que podíamos reconhecer como natural, transformando o Universo num Caos da Grande Salada. No entanto, alguns poucos humanos se reuniram para desenvolver um dispositivo do tempo e, munidos de alguns fragmentos do código secreto, ajudar as pessoas desta época a evitarem a destruição. Se conseguirem, se cumprirem sua missão, aí então esse esforço nunca terá sido necessário, e eu não sei o que vai acontecer com o tempo por causa disso, mas por enquanto FODA-SE. Posso ensinar na prática os diferentes recursos que você leu no Instruction Book, posso lhe emprestar um lenço quando estiver ensanguentado e morrendo, mas não posso prever as quests. Não tenho o Detonado.

Gabriel ergueu uma sobrancelha.

— Você disse... pipoca Detonado?

— Ah, é uma lenda boba, disse o Ruleador, mas os outros não se contentaram com a resposta.

— Diga. — mandou Pepito.

— Dizem que em algum lugar do Universo, talvez neste planeta, esteja escondido um Detonado descrevendo todas as fases da guerra e como passar por elas. Enfim, como derrotar o inimigo. Mas não vão se empolgando, pois o final do jogo é relativo, além do que não existe evidência de um tal Detonado.

— Mas todo mito parte de um fato, não? — Pepito.

— Realmente.

— Por que não podemos dizer que alguém alguma vez o elaborou, mas por algum motivo o descartou, ou preferiu que ninguém soubesse dele?

— Você tem certa razão, mas não é hora de nos preocuparmos com isso. Há um caminho prático pela frente que envolve observar o que o Bob faz sem ser observado por ele.

— O Ruleador tem razão. — disse Matt. — À esta altura, Bob já deve saber da baleia e da manada de elefantes. De um jeito ou de outro, não estamos livres de combater em outra quest sem chamar atenção, e isso pode nos custar a vida.

— Que merda, disse Gabriel.

O Ruleador prosseguiu dizendo que havia meios de evitar ser detectado e, com isso, deu a cada um deles uma mochila, que chamou de “Inventário”.

— De agora em diante, é preciso que não saiam sem eles, com quest ou sem quest. — recomendou. — Cada um contém — e foi mostrando os itens, um a um — objetos de auxílio que vocês podem ir renovando ao longo do... ao longo da coisa:

1) Repositores de HP

Nunca percam esses de vista, em qualquer espelunca tem. Se estiverem com a barrinha baixa e encontrarem um Tchuntchá, não quero nem pensar no que pode acontecer...



2) Weapons
Indispensáveis, é óbvio, e já estava na hora de vocês trazerem algumas.
 










3)Itens especiais
Alguns são realmente importantes, mas a maioria são caros demais e, por vezes, inúteis, então vejam bem o que vão fazer com eles.

4) Por último, e talvez o mais indispensável de todos, que vocês não podem perder nunca, nunca mesmo, e se perderem eu castro cada um pessoalmente: o LifeController. Com ele podem acessar mais facilmente seus Inventários, conferir seus Status, Mapas e Objetivos, além de, no caso de a situação apertar... o RESET.
A última palavra teve um efeito dramático sobre eles, que ficaram se perguntando.


— Não recomendo que usem este botão com frequência. — o Ruleador teve de acrescentar imediatamente — Faz muita sujeira, e vocês podem ir parar em qualquer lugar.



— Mas supondo que eu use — perguntou Gabriel —, o que vai acontecer?



— Já fez tanta besteira em tão poucas horas que desejou que a primeira delas nunca tivesse acontecido?



— Er... Acho que sim.



— Funciona parecido.


— Tenso.



— Bem, por enquanto é só o que eu tenho a lhes dizer... — o Ruleador já foi se aproximando da porta — Parece que agora têm um objetivo final para esta missão. Cumpram-no, e quem sabe todos podemos ter uma boa tarde de folga. Tomar uma Coca, comer bolachinhas, quem sabe jogar Play...



E foi embora. Gustavo pegou seu LifeController e pressionou o botão de “Objectives”. Surgiu diante deles a lista da atual quest.

1 – OUVIR A HISTÓRIA DE GUSTAVO

2 – PREPARAR WAFFLES
— Para que precisamos de waffles??


— Eu sei lá. Mas vamos atrás dos ingredientes? — Matt.



Pepito — *feliz*



Eles foram à cozinha e acharam praticamente tudo, exceto por...



— Ovos! (ui) Faltam ovos. — avisou Gabriel fuçando num armário.



— Acho que não temos. Vamos ter de ir ao Zaffari. — Gustavo.



E todos olharam dramaticamente para Matt, que, muito sério, falou:



— Se também estou pensando que alguma coisa divertidamente horrível vai nos acontecer por causa desses waffles? Com toda a certeza!

CONTINUA...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

(1ª TEMPORADA) EPISODE 03 - Um Inimigo em Comum

MUSIQUINHA FODONA DE ABERTURA
http://www.youtube.com/watch?v=thMm-7RFsm0

..........................CASA DO MATT:

Depois da ocorrência com o tornado, Matt e Pepito resolveram contar ao Pinguin sobre o Instruction Book e a trama de destruição dos humanos levada a cabo pelo Mundo Cibernético.

— Quer dizer que escolheram você, como um Pokemon ou coisa parecida, pra ganhar a batalha pra eles? — Gabriel.

— Por aí. — Matt.

— Lol... Isso é tão...

— Gay?

— Cala a boca, Pepito.

Matt folheou o livro de instruções até uma certa página.

— Diz aqui que, uma vez que você tenha consciência de que é um personagem do jogo deles, eles não vão mais te deixar em paz, por isso existem locais onde se pode preservar a própria vida e tudo que você fez até aquele momento.

— Tipo...?

— Savepoints. Aparentemente, minha casa é um deles e não podem nos atacar enquanto estivermos aqui. Olha: “Para ativar esses recursos, bastaria acessar um dos inúmeros terminais espalhados pelo universo, que poderiam ser qualquer coisa: computadores, motores elétricos, máquinas de refrigerante, latas de lixo, etc.”

— Caralho, e como querem que a gente adivinhe onde estão esses lugares?

— Sei lá. O fato é que não podemos ficar aqui pra sempre — disse Matt deixando o livro de lado e se levantando. — O Instruction Book também diz que o “jogo” não pode ficar parado.

— Exatamente! — acrescentou Pepito. — Veja bem, “se você espera que o Pepito seja feito de ilusão, pode até ficar maluco ou morrer na solidão”... se é que você me entende.

— o-o.

— o-o²

— Tá, vamos sair ou não?

No momento seguinte ao que eles deixaram o prédio, um daqueles letreiros luminosos pairou sobre eles, onde lia-se: “VOCÊ TEM UMA NOVA QUEST”.

— Ah, meu saco. ¬¬ — xingou Matt, e disse: — Vamos lá, então.

O letreiro mudou para: “COMEÇAR TODAS AS FRASES COM ‘VEJA BEM’, TERMINANDO-AS COM ‘SE É QUE VOCÊ ME ENTENDE’.”

— WTF? Eu não vou fazer isso! — protestou Pinguin.

O letreiro mudou de novo: “OU AS CONSEQUÊNCIAS SERÃO DESAGRADÁVEIS...”, e desapareceu. Houve um silêncio, e Gabriel perguntou a Matt:

— Isso é sério, ou tem momentos em que eles estão apenas brincando?

No segundo seguinte, uma baleia cachalote de 10 metros de comprimento despencou diante deles, esmagando totalmente um Fusca azul ali estacionado. A comoção na rua foi geral: imediatamente, uma multidão de curiosos formou-se para ver o fenômeno. Os três jovens se entreolharam com expressões de “Err... Tá, né.”, e Matt tratou de dizer:

— Vejam bem, é melhor não dizermos outra coisa a não ser o que ele ordenou, se é que vocês me entendem.

Minutos mais tarde, enquanto eles corriam pelas ruas em busca de um lugar onde animais marinhos não caíssem sobre suas cabeças, Gabriel teve a ideia:

— Vejam bem, deveríamos parar em um lugar onde pudéssemos ficar horas no mais completo silêncio, sem fazer nada, até isso passar... se é que vocês me entendem!

— Veja bem, existem muitos lugares onde podemos fazer absolutamente nada, mas ficar SEM FALAR seria difícil demais pra nós, se é que você me entende. — falou Pepito.

— Vejam bem, poderíamos ir à casa de um amigo, se é que vocês me entendem. — sugeriu Matt.

Gabriel — Veja bem, essa é uma forma muito imbecil de conversar, se é que você me entende, mas...

Pepito — Que tal a casa do Gustavo?

Eles pararam repentinamente de correr, quase petrificados, à espera do efeito inevitável da frase. Um forte tremor sacudiu a terra, e eles pensaram tratar-se de um terremoto, porém em seguida viram que não era isso, mas uma manada de elefantes que se aproximava a toda velocidade em direção ao centro da avenida engarrafada na qual transitavam.

Foi um momento “WTF?” quando todas as pessoas começaram a correr aos gritos para todos os lados e os motoristas e passageiros abandonaram os veículos atravancados na pista para salvar suas vidas. Gabriel, Matt e Pepito abrigaram-se no espaço entre um prédio e outro e ali ficaram vendo os animais passarem como se aquilo não fosse mais terminar.

— Veja bem, NÃO FAÇA ISSO DE NOVO, se é que você me entende. — Matt disse a Pepito com a calma que só o desespero dá.

.................MINUTOS DEPOIS, EM FRENTE À PORTA DO GUSTAVO:

— Veja bem, alguém toque a campainha... se é que você me entende. — pediu Matt.

Pepito tocou a campainha, e depois de alguns segundos a porta se abriu. Era o Gustavo (o Grilo) — ou seria Grilo, o Gustavo? Anyway, ele apareceu e disse oi:

— Oi.

Sem saber como encaixar “Veja bem” e “Se é que vc me entende” num simples cumprimento, os três visitantes apenas acenaram com a cabeça.

Mais um letreiro de game, porém menor, surgiu à esquerda de Gustavo naquele momento. O texto dizia: “GUSTAVO JOINED THE GAME” e, com a mesma rapidez que apareceu, desapareceu.

— Er... O que foi isso? — ele perguntou aos amigos.

Gabriel olhou para Matt, mas mesmo ele não sabia o que significava.

— Veja bem, não faço a mínima ideia, seéquevocêmentende. — disse ele rapidamente, para apressar as coisas.

— Hã? – Gustavo.

— Veja bem, vamos entrar, se é que você me entende. — falou Pepito, e eles entraram na sala de estar, que pareceu desfocar por uma fração de segundo, mas depois voltou ao normal. Ninguém entendeu também o que isso queria dizer, mas Matt jurava que tinha visto um quadradinho de “LOADING” no ar.

Depois que se sentaram, Gabriel suspirou e falou lentamente:

— Veja bem, quero ver agora nós contarmos toda a história desde o início ao Gustavo sem esquecer de falar assim... se é que você me entende.
De fato, eles contaram. Mas, enquanto eles fazem isso, para não entediar vocês, deixem-me falar-lhes um pouquinho sobre a lagosta.

**************************************

De acordo com a Wikipédia, “lagosta é o nome genérico dado aos crustáceos decápodes marinhos da subordem Palinura, caracterizados por terem as antenas do segundo par muito longas e os urópodes em forma de leque. Podem atingir tamanho e peso grandes (mais de um kg) e têm uma grande importância económica, uma vez que são considerados alimentos de luxo”. Não sabemos exatamente o que é um crustáceo decápode marinho, nem o que são urópodes, mas não deixa de ser interessante. =)

**************************************

Quando Matt, Pepito e Gabriel terminaram de falar, quase uma hora depois, Gustavo meramente disse LoL, e então um novo letreiro gigante no ar informou:


WELL DONE, VC TERMINOU A QUEST



VEJA SEUS NOVOS OBJETIVOS


— Veja bem, quer dizer agora que… — começou Pepito com cautela. — eu já posso não terminar minha frase com “se é que você me entende”, se é que você me entende?

Gabriel deu um pedala nele.

— Peraí, tem novo objetivo. — disse Matt.

Os letreiros mudaram:


1 – OUÇA A HISTÓRIA DE GUSTAVO



2 – PREPARE WAFFLES


Todos olharam para Gustavo.

— O quê? Eu não sei de nada... Sei? o.O

— Sei lá, fale alguma coisa. — Gabriel.

— Não sei o que você está... O que é essa tarjinha preta aqui embaixo?

Havia uma tarja preta cobrindo parte do cenário.

— Tem ali em cima também. — apontou Pepito.

Havia duas tarjas pretas no cenário, de fato. E uma música começou a tocar em volume bem baixo.

— Deve ser um filmezinho em Widescreen. — Matt.

— Não tem como apertar Enter e pular? — Pepito.

— Shh.

Gustavo encolheu os ombros.

— Bem, hoje eu saí para buscar um terno na loja de roupas, e descobri que...

— Não, não, volta. Conte de forma mais visual.

— Er... Tá. Eu saí para buscar meu terno na loja. Peguei o caminho do shopping, fui a pé, entrei no shopping, subi até o andar da loja, fui à seção de trocas e encomendas, mostrei uma nota fiscal ao funcionário, ele saiu e voltou com um terno. E eu saí. Mas, quando cheguei em casa e desembrulhei a coisa, percebi que era completamente diferente do que eu tinha pedido. Era num tom mais puxado pro púrpura, e do lado de dentro da gola do paletó estava bordado “Produto by GOOGLE. Não extravie.” De início eu pensei que era uma brincadeira, mas então meu telefone tocou. Eu atendi, pronto pra dizer “Não enche, que eu acabei de receber um terno do GOOGLE”, quando uma voz me disse “Você recebeu o terno do GOOGLE.”

— Eu pensei “Porra”. A voz, que era de homem, falou: “Siga precisamente minhas instruções: vista o terno. Abra sua caixa de correio lá embaixo e retire a maleta. Dentro do bolso do paletó tem uma chave. Use-a para abrí-la e encontrará a primeira parte do pagamento e um celular. Ele vai tocar em questão de minutos. Atenda-o para confirmar que fez tudo, e aguarde o táxi. Ele irá levá-lo até a sede, onde você assistirá à reunião em silêncio enquanto o microchip instalado na maleta grava tudo para nós. Depois que ela terminar, desça ao lobby do prédio e pegue o primeiro táxi que avistar. Vai receber a segunda parte do dinheiro e um cupom de desconto no Corte Zero como cortesia. Livre-se do terno, guarde bem a maleta e aguarde novas comunicações pelo celular. É bom que tenha entendido tudo. Caso contrário... bem, vai acabar se danando de qualquer maneira.” E desligou.

— O que você fez? — Matt.

— Exatamente o que ele mandava, ué. Não tinha nada na TV, e eu tava num puta tédio. Quando peguei o tal táxi, já de terno e maleta de empresário, ele me levou a um desses prédios enormes no Centro, e me disseram para pegar o elevador até o subsolo. Quando desci, muito abaixo do estacionamento, entrei num corredor cheio de pessoas. Homens, quase todos muito velhos e de ternos idênticos ao meu, esperando por alguma coisa. Uma porta ao fundo se abriu, e um homem mais jovem disse para entrarmos. Era uma sala com uma grande mesa circular. Sentaram todos e ficaram olhando para a cadeira maior, que estava vazia. De repente outro homem entrou, e todos aplaudiram, menos eu que tava meio com sono e ainda sem entender nada. Ele agradeceu os aplausos e começou a falar:

— “Senhores, enquanto eles providenciam a tela do data-show para minha apresentação de slides, sejam bem-vindos à Reunião Emergencial da Liga de Dominação do Mundo. Vejo aqui membros das maiores empresas do planeta, chefes religiosos, judeus e maçons. Infelizmente, nosso amigo Bill Gates não pôde vir. Está numa depressão criativa profunda. Mas nós, da Google, não podemos parar, ainda mais no que consiste em dominar o mundo. Segundo o primeiro gráfico que poderão ver no data-show — ah, o data-show! Finalmente, agora podem ver. Alguém apaga a luz, aí. Segundo este gráfico, cerca de 90% das pessoas hoje dependem dos nossos serviços. Temos uma rede imensa de tráfego de informações, muitas dessas guardadas a sete chaves. Códigos de lançamento de mísseis, fontes de água jamais exploradas, plantas da Área 51, o roteiro do próximo filme da Saga Crepúsculo. Informações preciosíssimas, pelas quais muitas pessoas morreriam, e é isso que nos interessa. Mas 90% é o bastante, senhores? Óbvio que não, ainda mais quando descobrimos que o Mundo Cibernético — mostre o slide aí, ui que lindo —, do qual perdemos controle há um ano, está preparando um ataque material contra a nossa realidade.”

— Os membros da Liga começaram a cochichar entre si, preocupados, mas o chefe continuou falando: “Não é hora para ter medo, senhores. Já começamos a agir. Nosso Exército Particular de Hackers Sedentários destravou um código que os Cibernéticos estão usando para alterar as leis da realidade. Descobrimos recentemente, por meio de uma pesquisa secreta, que se usarmos este código a benefício da GOOGLE, em breve TUDO no mercado será GOOGLE. Os alimentos serão GOOGLE, as roupas serão GOOGLE, camisinhas serão GOOGLE. O problema – passa o slide, aí – é passarmos por cima dos Cibernéticos.” Ele começou a andar em volta da mesa, e os senhores sentados o seguiram com o olhar, falando em tom de fodão: “Destruindo os Cibernéticos, salvamos o mundo. Salvando o mundo, salvamos a GOOGLE. Imaginem, senhores, reservas de petróleo, fontes de água potável, governos poderosos, exploração de outros planetas, religiões, tudo na min... na nossa mão.” E voltou para a frente da tela de slides. “Vamos lá, eu mereço um hip-hip-urra.”
— E, assim, ele explicou como estavam desenvolvendo uma superpoderosa, megafodona, motherfucker nova versão do Google Earth, que controlaria tudo que se passasse no planeta, baseada no código secreto. “Porém, para crackear os Cibernéticos, precisamos de uma máquina realmente poderosa. Uma que neutralize e até preveja as ações desses vândalos virtuais. Será esta máquina um sonho?... Senhores e... senhores, eu lhes apresento o BOB!” Naquele momento, uma parede se abriu, e estendeu-se uma plataforma onde havia um cabideiro com um casaco pendurado. Todo mundo estranhou, até que o casaco foi agarrado por alguma mão invisível e envolveu a forma de uma pessoa. O mestre da reunião ofereceu-lhe óculos escuros e um par de botas, e então percebemos que estávamos na presença de um homem invisível. Ele tomou a cadeira maior, que estava vazia, e se apresentou.

— “Boa tarde, senhores”, ele falou com voz de psicopata fdp de anime policial. “Desculpe fazê-los esperar, mas nunca resisto a uma apresentação chamativa. Temos que ir direto ao ponto: até então a GOOGLE não sabia o que fazer comigo, mas recentemente perceberam que meus poderes ultrasensoriais são mais úteis do que para descobrir quem viola os direitos autorais de exibição de vídeos no Youtube. Fui produzido e estruturado de forma a me adaptar a qualquer ambiente sem ter de levar muita coisa comigo a não ser meu precioso cérebro, que, como podem notar, não é concreto nem sólido. Por acaso sou uma espécie de Deus? Talvez... Se existe, é muito provável que Se pareça comigo. O primeiro ataque dos Cibernéticos, que envolveu um robô gigante, ocorrido há aproximadamente três meses, foi seguido agora por um imenso tornado que devastou um parque no Sul. Foi por ocorrerem justamente em Porto Alegre e nenhum outro lugar do mundo que decidimos nos reunir neste local e estabeler nossas investigações. A mídia já começou a falar, e é provável que haja um interesse especial do Mundo Cibernético por esta região. Por quê? É uma coisa que podemos ainda apenas supor...”
CONTINUA...

(1ª TEMPORADA) EPISODE 02 - O Instruction Book

MUSIQUINHA FODONA DE ABERTURA
http://www.youtube.com/watch?v=thMm-7RFsm0
..................................VOLTANDO AO LOCAL INICIAL DO EPISÓDIO ANTERIOR: A PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO DO PDB! É... A PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO DO PDB:
— Pepito!

— Eu! Pepito. Sou eu. =D

Ele veio novamente até Matt, que perguntou:

— Onde você deixou o Instruction Book?

— Não lembro... Oi! *vai cumprimentar um conhecido Random a quilômetros de distância*

— >.<

Na ausência de Pepito, que estava ocupado pepitando, Matt foi procurar sozinho seu exemplar do Instruction Book para conferir uma passagem extremamente importante. Antes de mais nada, é preciso explicarmos como ele e seu amigo que acabara de ouvir a inacreditável história do robô conseguiram achar o livro.

...................................DE VOLTA AO DIA DO ATAQUE DO ROBÔ, NA SARAIVA MEGA STORE:

— Pode estar ou na sessão de Informática, ou na prateleira de RPG, Pepito... Pepito?

— E aí, cara, tudo bem? — Pepito estava a alguns metros atrás, perto da porta, cumprimentando um segurança random com um abraço de quem se conhece há séculos.

— WTF? — indagou Matt logo depois que seu amigo voltou. — O que era aquilo?

— Presta atenção. — mandou Pepito, e quando o segurança virou as costas para fazer mais uma ronda em torno da loja, pensando “Esses garotos estão cada vez mais atrevidos”, Matt viu uma folha escrito “FAÇA SEXO COM SEGURANÇA” colada nas costas do guarda.

— Skasoaksoaksoaks. Não acredito que tu fez isso!

E o segurança continuou andando, sem perceber o porquê dos risos contidos dos funcionários por quem passava. Enquanto isso, Matt e Pepito chegaram à prateleira de Informática, mas tudo que encontraram foram programas de curso de inglês à distância e joguinhos importados caríssimos para Wii. Ao procurarem na seção de manuais de RPG, também não encontraram. Por toda a livraria, não havia sinal do Instruction Book; nem debaixo de um exemplar de Crepúsculo que estava calçando uma mesa bamba.

— Merda. — disse Mat. — Ele falou que estava nas melhores livrarias.

— Ah, ele disse nas melhores? Nunca que a gente ia encontrar na Saraiva. ==> TU DUN TSS

“Vamo embora”, disse Pepito, mas Matt forçou-o a voltar e pediu a um funcionário que procurasse o livro no “incrível” sistema da livraria.

— Esta edição você não vai conseguir aqui, não, nem por encomenda. — disse o estagiário virando o monitor do PC para ele ver. — Está esgotada.

— Porra, esgotada?!

— Sim. Acho que a parte do nome que diz “Edição Limitada” é bastante autoexplicativa. ;)

— Mas em que época isso foi lançado?

— 1986. A última publicação foi em 2002. Se não me engano, essa editora aqui foi à falência.

— Ótimo. ¬¬

— Você pode tentar nos sebos. — explicou o estagiário. — Eles têm vários livros que nós, porcos capitalistas, não vendemos mais, ou, se vendemos, cobramos um preço exorbitante por eles. Mas eu não deveria estar dizendo isso, é claro. o-o — E foi embora.

— Matt, você vai mesmo ao perigoso e sombrio Centro de Porto Alegre *dramático* apenas para encontrar esse livro? — perguntou Pepito.

— É o que dá pra fazer. A não ser que eu baixe em PDF. Mas é um saco ler em PDF. Vamos lá!

E Matt e Pepito pegaram um buzão para o Centro, enfrentando horas e horas de pé sendo encoxados por desconhecidos (em dia de passe-livre!), e percorreram praticamente todas as lojas de livros usados daquela zona da cidade, mas nenhuma possuía o lendário Instruction Book. O último vendedor que eles consultaram, um senhor bastante idoso de barba grande e grisalha que, apesar da aparência óbvia, nada tem a ver com essa história, disse:

— Eu lembro do autor desse livro. Costumava ser um cientista sério, até converter-se à Ufologia e perder toda a credibilidade. Terminou esquecido, mas esta com certeza foi sua obra mais interessante. Ele parecia acreditar que o mundo em que vivemos, as coisas que fazemos e sentimos, são uma grande brincadeira dos deuses ou, como ele preferia dizer, extraterrestres, que se revezam nos controlando como peões no tabuleiro da vida. Uma década depois, nós já temos esses programas de computador que vocês adoram, onde é possível criar e controlar pessoas em miniatura e fazer o que quiser com elas. Esse livro que vocês procuram teoricamente dizia como escapar desse jogo cruel, como ser LIVRE.

— Parece que o senhor sabe UM MONTE, né. — falou Pepito.

— DOW! >.< Justamente por isso que eu estou saindo da página. — E saiu.

Inconformados em não cumprir a missão, Pepito e Matt foram a uma lan-house e, entre partidas de Counter Strike, Halo (não é o da Beyonce) e Quake, acessaram a página do Ebay, onde milagrosamente um usuário tinha postado uma oferta com fotos do Instruction Book.

— Este é um privilégio que personagens de ficção não têm. — disse Pepito. — Se o Frodo tivesse pensado em vender o Anel pela Internet, teria sacaneado o Sauron bonito.

— Custa 12 dólares + o frete. — calculou Matt. — Quantos reais são 12 dólares? o.O

*MUITO TEMPO DEPOIS*

— Tá, eu preciso de 35 contos, mais ou menos. Merda, como é que eu vou conseguir?

— Dá a bunda.

— ¬¬

— Vamo procurar essa MERDA no 4shared? — sugeriu Pepito, já irritado.

— Duvido que a gente ache.

— Ou no Orkut.

No Orkut, acharam uma comu: “Eu Li o Instruction Book.”

— Ah, viu, Matt??

— Tem apenas um tópico nela. E diz “I’m so horny...”.

— Merda. Vamos no google mesmo.

“Procurando Instruction Book? Compare e encontre ótimos preços de Instruction Book no BuscaPé em até 6x. Confira!”

— Ah, toma no cu!

— Espera. — disse Matt clicando no 4shared.

Enfim achou um arquivo em PDF, em bom estado, o que era raro, do Instruction Book Edição Limitada, acompanhado do aviso de “Os arquivos deste site são apenas para consulta. Em 24 horas, o usuário deverá deletá-los do seu comp...

— Pronto, baixei. Quero ver imprimir essa bosta agora.

E, assim, Matt foi a uma gráfica acompanhado por seu amigo Pepito (cujo apelido é João Pedro, mas quase ninguém lembra) e mandou imprimir e encadernar a edição digital do Instruction Book. Meia hora depois, saíram de lá com o exemplar em mãos (que tinha custado metade do preço do original, diga-se de passagem, e isso, minha gente, é Brasil) e viram um letreiro brilhante acima de suas cabeças que lia-se: “QUEST CUMPRIDA. VOCÊ RECEBEU O INSTRUCTION BOOK.”

E, de repente, uma luz azul-pálida desceu dos céus, e o tempo pareceu parar, e bla, bla, bla, e o Ruleador reapareceu.

— Matt Liebert, você cumpriu sua primeira Quest. Você conseguiu o Instruction Book.

— É, deu pra ver pelo letreiro gigante, champz.

— Agora você deve lê-lo e se preparar para os próximos eventos, que não serão tão fáceis como o que você presenciou hoje.

— “Fáceis”?? Quase comeram o meu cu!

— Se se sentir vulnerável ou indeciso, isto deverá te ajudar... — ele tirou uma garrafa do sobretudo e ofereceu-a ao Matt.

— Que é isso?

— Um Vinho Vagabundo Comprado no Nacional.
— Ah...

— Mas contém propriedades químicas que irão aumentar suas forças e te deixarão mais concentrado no seu objetivo, o que para os outros parecerá apenas um porre comum.

— Certo. — Matt recebeu a garrafa. — Eu não bebo, mas foda-se.

— Agora eu preciso voltar para minha dimensão.

— Meu pênis azul! Garanto que, se você se for agora, vai aparecer outra coisa querendo me matar!

— Asseguro que não. Pelo menos ainda. — disse o Ruleador com um sorrisinho.

— E eu tenho uma dúvida: se você vem do futuro, por que não altera o passado você mesmo e salva os humanos?

— Porque não pertenço a esta dimensão temporal, logo só posso orientar as ações dos humanos escolhidos. E também porque não sou humano. Sou um andróide projetado especificamente para esta função. Inclusive, eu não tenho partes íntimas e foi bastante ofensivo o que você falou segundos atrás.

— O que ele falou? Pênis azul? — Pepito.

Ruleador — ¬¬. Você, que é amigo de Matt Liebert e deve se preocupar com ele, ajude-o a entender o manual e a lutar contra os Cibernéticos.

— Olha, na verdade eu podia estar em casa jogando Play, mas isso aqui tá bem mais interessante. ==> TU DUN TSS

— Enfim, até logo, Matt Liebert.

O Ruleador desapareceu, e tudo voltou à normalidade. Matt e Pepito pegaram mais um ônibus para voltar pra casa; desta vez foram sentados, porém com um coro de seis adolescentes nos bancos de trás, que entoavam um antigo poema da mitologia nórdica:



Wo-oh-oh


Wo-oh-oh-wo


Wo-oh-oh-oh


Aposto um beijo que você me quer
...............................VOLTANDO AO PRESENTE:

Até o momento em que nossa história se passa (e eu prometo parar de ir e voltar no tempo, pra não doer a cabeça de vcs), Matt já tinha lido boa parte do Instruction Book, e Pepito já tinha pegado mais gurias numa semana do que Matt em sua vida inteira (o que é uma comparação muito estranha, dado as preferências dele, mas não deixa de ser engraçada).

Naquela sexta-feira em que eles estavam vegetando na praça de alimentação, todos ouviram fortes trovoadas seguidas do ruído uivante do vento lá fora. De um instante para outro, numa tarde ensolarada, começara a cair a maior tempestade que Porto Alegre já vira. E eis que veio Pepito dizendo:

— Matt, lembrei onde estava o Instruction Book!

— Onde?

— No banco do Marinha, onde a gente sentou pra ouvir Faroeste Caboclo, mas não aguentou esperar até a parte do “Jeremias, eu sou homem, coisa que você não é.”

— Que merda, Pepito! Agora eu vou ter que correr até lá nesse toró pra pegar, se é que o vento já não levou!

Matt saiu correndo por entre as mesas, pulou a faixa da escada rolante que dizia “em manutenção” (o que é realmente uma coisa bastante retardada, uma vez que, se o mecanismo rolante não funciona, as pessoas ainda podem descer com as pernas mesmo), desceu ao primeiro piso e correu em direção a uma das saídas para o Marinha, aquela sem faixa de pedestres, que todo mundo prefere para atravessar ao invés da que tem faixa. u.u

E lá viu pessoas correndo na direção contrária, para dentro do shopping, para se proteger do tempo, e as criaturas míticas do Marinha pulando de dentro das árvores aos gritos de “Minha chapinha! Minha chapinha!”. E, depois disso, o mais foda do dia: um tornado de proporções épicas tinha acabado de se formar, e estava com fome de destruição. Próximo ao enorme cone de vento, agarrado ao banco com um violão, Matt avistou seu amigo Gabriel (ou Pinguin, ou tanto faz) e correu em seu auxílio.

GABRIEL:

— FUUUUUU! — by Gabriel.

No momento em que Matt pisou na grama do parque, Gabriel, o violão e o banco eram erguidos do chão (não necessariamente nessa ordem) e rodopiados como na musiquinha do Dead or Alive. Ao lado de Matt, de repente, surgiu Pepito, falando alto para que o ruído do vento não abafasse sua voz:

— Oi, Matt!

— Pepito, o que eu devo fazer?? O Gabriel tá dentro daquele tornado!

— Não sei!

— Então o que tá fazendo aqui??

— Sei lá. É que o shopping agora tá cheio de emo.

— Me ajude a bolar algum plano, qualquer coisa!

Eis que a lâmpada acendeu sobre a cabeça de Matt — de fato, literalmente, uma pequena lâmpada em 3D surgiu em cima da cabeça dele, piscou e sumiu.

— O vinho! Cadê o vinho?

— Tá aqui. — Pepito mostrou-lhe a garrafa, parcialmente vazia.

— Você bebeu??

— Não. Mas eu cedi um pouco pros caras misturarem com Tang.

— Anyway... — Matt pegou a garrafa com desgosto e aproximou-a da boca. — Pelo bem da humanidade, vou ter que ingerir álcool uma vez na vida...

— Espere. — Pepito fez com que ele parasse segurando a garrafa. — Eu faço isso.

— PEPITO!

— Segundo o que o cara lá disse, é uma bebida intelectualmente benéfica. — E entornou o que ainda havia na garrafa.

Por um momento, seu corpo brilhou fortemente, e em seguida aumentou três vezes de tamanho, como Mario quando come um cogumelo.

— Pelos poderes de TÓQUIO... VÁ À MERDAAAA! VÁÁÁÁÁÁ À MERDAAAAAAAA! VÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!

E Pepito aproximou-se do tornado, ignorando sua força destruidora, e apanhou-o pela raíz como quem arrancasse uma planta do chão (contrariando todas as leis da física), fazendo o cone girar no sentido contrário. Consequentemente, o ar foi se dissipando, as árvores, pedaços de madeira e telha pararam de flutuar, e Gabriel caiu sentado sobre o banco, no ponto exato onde estivera antes, com o que sobrara do violão numa das mãos. Estava p*to da cara.

O clima começou a acalmar-se, até, em questão de poucos minutos, não se ver mais nenhuma nuvem no céu. Matt aproximou-se de Pinguin, fazendo a pergunta megaóbvia:

— Você tá bem?

— CALA A BOCAAAA! — gritou Pinguim, meio rindo, meio histérico.

O efeito do vinho passou, e Pepito voltou ao normal, exceto por... er... os demais efeitos de qualquer vinho...

— Cara, isso foi massa!

— CALA A BOCA, PEPITO! EU TO NERVOSO PRA CARALHO, FURIOSO PRA CARALHO, QUEBREI MEU VIOLÃO!

— Pudim!

— CALA A BOCAAA!

— SKAOSKAOSKOSKSASK.

Mais tarde, dentro de um arbusto um pouco distante dali, Matt encontrou o Instruction Book ainda intacto. Muitas das suposições do autor em seu livro estavam certas. Muito brevemente, o mundo inteiro estaria falando daqueles acontecimentos. E muita coisa ia mudar. Mas qual seria o próximo passo daquele inimigo tão bem equipado?
CONTINUA...