segunda-feira, 28 de junho de 2010

(2ª TEMPORADA) EPISODE 06 - Ritos de Passagem

I like big butts
And I cannot lie

*SINTONIZANDO*

Left a good job in the city
Working for the Man every night and day

— Ah, é isso aí. *.*
— Negão, pode, por favor, abaixar o rádio? ¬¬

Estavam os três, Pedro, Amália e Pinguin, no compartimento traseiro de uma van preta junto a Galarza, que no meio do caminho, de tanto que lhe bombardearam com perguntas, resolveu falar sobre o lugar secreto aonde estavam indo, mas foi interrompido pelo volume das músicas que o Negão de Tapa-Olho escutava enquanto dirigia.

— É a única hora do dia que eu tenho pra dar uma relaxada ouvindo do GODDAMN bom e velho rock n’ roll! — protestou o homem indignado.
— Mas eles querem ouvir a história! — disse Galarza — Você sabe que eu perco o fio da meada quando fazem barulho.
— Você fez um banho de sangue lá em cima em questão de segundos, mas não consegue se concentrar com música alta?
— Não, não consigo. u.u
— #!@%%$...

O Negão abaixou o volume, de modo que o SPY pôde prosseguir com seu raciocínio.

— Onde eu estava?
— Quando descobriram que o Obama é um robô e que o Papa é mulher — lembrou-lhe Pedro.
— Ah, é. Pois é. Err... Depois disso pessoas começaram a se reunir na surdina, mas sem muito compromisso. A maioria eram intelectuais de esquerda (óbvio), mas também começou a aparecer gente mais “normalzinha”, como eu... Tá, nem tão “normalzinha”. O Negão já fazia parte da Doom Finger muito antes da organização se chamar Doom Finger, entendem? — nesse momento Galarza baixou a voz: — O que eu sei é que era um cara super normal, até que se formou em Engenharia da Computação e pirou da batatinha...
Eu to ouvindo, MUTHAFUCKA! — xingou Negão, lá do banco da frente.

Galarza voltou a falar normalmente.

— Foda-se, então... E depois ele se casou e ganhou na loteria.
— Estranha combinação, hein. — observou Pinguin.
— Muito estranha. — concordou Pedro.
— Depois disso ele meio que sumiu do mapa — Galarza continuou —, procurou um terreno super isolado em Little Waterfall e lá construiu o que hoje é a nossa sede, mas ninguém sabe disso (óbvio²). Aí ele convocou os membros de maior confiança, espalhados por todo o território nacional e mais algumas regiões da Europa, fundou a Doom Finger, e cá estamos. Perguntas?

Pedro levantou o dedo.

— Como é que você entrou pra organização? — perguntou.
— Eu fodi a cerca da casa do Negão (da outra casa que ele tem) com a bicicleta ^^ — respondeu o SPY — Ele ficou muito puto comigo, a ponto de quase me matar. Mas aí ele percebeu que seria interessante ter um membro jovem, porque isso é uma coisa que não dá muito na vista. Tipo, a LDM geralmente persegue adultos porque a maioria dos jovens são, sabe, burros e não querem se envolver em nada. Aí fui convidado, ganhei os relógios — mostrou o pulso direito todo orgulhoso — e tô aqui. Perguntas?²

Pedro levantou o dedo de novo.

— Onde fica a sede?
— Estamos indo para uma reserva natural particular em Little Waterfall. Fica a uns 11 km daqui.
— Lecal.
— Perguntas?³

Amália levantou o dedo.

— Posso brincar com o seu cabelo?
— Não. ¬¬

...........Quase uma hora depois, o ruído das buzinas e dos caminhões da rodovia foi substituído pelo suave cri-cri dos grilos e o barulho das rodas sobre o chão batido — deviam estar entrando na região que Galarza descrevera. Mais alguns minutos de subida, e estacionaram. Galarza abriu as portas, e todos puderam descer.

Pisavam sobre um vasto campo cheio de elevações cobertas por pastagem, de onde, sem a costumeira poluição visual da cidade constituindo obstáculo, dava para ver a lua e o ceu todo pontilhado de estrelas.

— Isso é... tão bonito. *.* — Pedro.
— Olhem pra trás, noobs. — Galarza.

Eles olharam e deram com uma tremenda construção de aço em três andares, culminando numa cúpula de observação de onde emergia um grande telescópio. Suas bocas abriram-se de espanto.

— Tem proteção automatizada 24 horas, sala de comando informatizada, sala de reuniões, sala de videoconferência, sala de armas, tatame, dormitórios, sala de TV, biblioteca e... ping-pong. — detalhou o Negão de Tapa-Olho, cheio de orgulho.

...........Antes de ultrapassar a fita de isolamento, o Agente #1 identificou-se para o policial que resguardava a entrada do local do crime como mais um detetive da Civil. O nome que ele forneceu foi Nikolai, o que sempre gerava confusão na mente das pessoas, pois ele não tinha cara de Nikolai. Estava mais pra Ivan.

Acontecera no 4º andar. Era lá que estavam examinando, fotografando e empacotando os corpos para a “viagem” até o laboratório. Norma e Rodney já estavam à sua espera. Para sua surpresa, o último não estava histérico nem gritando. Pelo contrário, exibia aquele tipo de calma que só uma situação muito desesperadora provoca numa pessoa.

— Nikolai... — veio até ele segurando um saco plástico com evidência dentro: um pé de All Star cano-alto todo dilacerado — Sabemos o nome dela.

O Agente #1 recebeu o objeto e o examinou a olho nu.

— Da garota?
— Isso. Se chama Amália, e, Deus, pelo sobrenome já teríamos sacado muito antes quem ela era!
— Que sobrenome?

Rodney lhe disse qual era o sobrenome, e o Agente #1 concordou com ele: era óbvio demais para deixarem passar, mas deixaram. Agora eles tinham seis soldados do BOPE mortos, quatro feridos e um helicóptero abatido. Perguntou-se por que o presidente ainda não pintara por lá em pessoa para xingá-lo.

Quando remoía sua desgraça, Norma entrou na conversa para lhe falar:

— Essas mortes só podem ser obra de um profissional. Os garotos estavam cercados e fracos. O que pensa disso?
— Não sei. — confessou o Agente #1 pela primeira vez, angustiado — A impressão que tenho é que cada vez entra mais gente não-identificada nesse grupo e que estamos em um beco sem saída. Mas vejamos... — começou a andar pelo ambiente — O desempenho dos garotos no Jogo não deve estar muito diferente de quando lavamos suas memórias. Têm que estar seguindo a orientação de um novo líder, neste caso essa garota... Amália. Ao que parece, ela entrou agora...
— Em que sentido está dizendo isso? — indagou Rodney.
— Têm que raciocinar pela lógica do Jogo. — disse o chefe a ambos os subordinados que o ouviam — Amália definitivamente entrou mais tarde, e eles não podem ter recuperado as memórias sozinhos, o que quer dizer que ela os ajudou, o que quer dizer que o Jogo chegou de alguma forma até ela enquanto os garotos estavam inativos. É como se o Jogo fosse uma inteligência superior que toma decisões sozinho... Ééé! Por isso é que Bob não conseguiu se apoderar dos LifeControllers, e pelo mesmo motivo não conseguimos usá-los em laboratório! Vêem o que eu vejo? Esses jovens foram escolhidos...
— Faz sentido. — murmurou Rodney — Mas como procederemos?
— Já jogou RPG, Rodney? Tem que ser criativo e pensar várias jogadas à frente... pensar nas diferentes possibilidades...

O Agente #1 ficou quieto, pensando, e repentinamente estalou os dedos com vigor no rosto.

— Nem tudo está perdido! — falou — Rodney, supervisione os trabalhos da perícia. Norma, você vem comigo ao escritório. Vamos dar alguns telefonemas.

Prontamente a mulher o acompanhou, e Rodney permaneceu sozinho, mas não tão irritado como nas outras vezes.

— Só espero que saiba o que está fazendo...

...........O gigantesco telão da Sala de Comando acendeu-se com um clique, e viu-se a face ultramaquiada do âncora feminino do telejornal noturno. Pedro, Amália, Pinguin, Galarza e o Negão puseram-se a olhar:

Boa noite. A Interpol divulgou uma Lista de Adolescentes Retardados extremamente perigosos que estão sendo atualmente procurados em Gay Harbor após causarem a morte de seis oficiais do Batalhão de Operações Especiais, além de deixarem quatro feridos e destruírem um helicóptero. Estes jovens, cujas fotos podem ser visualizadas agora, são extremamente perigosos e podem estar armados. O grupo também foi associado a atividades como os eventos de anime e música japonesas, proibidas desde a Reforma Religiosa promovida no país pelos seguidores do Pastafarianismo. A presidente da República, Ruth Lemos, pronunciou-se a respeito do assunto:

“É preciso saber-saber... que a redução-ão da idade-ade limite para a pena-ena de morte dos 17 para os 14 anos no Brasil-sil... surge como uma soluçããão-ão... ao problema-ema da violência entre os jovens-ovens... Sem contar que, sem a quantidad-dade de fiiibras...”

Galarza apertou o “MUTE” no controle remoto. Pedro pôs as mãos na cabeça, à lá Macauley Culkin, e gritou:

— OMFG, estamos na TV! D=
— Isso não é foda? Olha como eu apareci. *.* — disse Amália.
— Você fumou orégano?? — ralhou Pinguin — O Matt, o Pepito e o Gustavo ainda estão na rua, provavelmente atrás da gente, e nem devem estar sabendo disso! Se pegarem eles, fudeu!
— E o que você quer que eu faça? D=

O Negão de Tapa-Olhou pigarreou.

— Nada temam, KIDS. Aqui. — ele entregou um celular a Pedro — Ligue para seus amigos e diga para irem ao endereço que eu vou ditar. Pela manhã dou um jeito de buscá-los.
— Mas... — Pedro.
— Faça o que eu digo, MUTHAFUCKA. Depois sigam o Galarza, vocês todos. Ele vai mostrar as outras instalações.
— Okay.

Pedro digitou um número no celular e encostou-o no ouvido.


Uma rua vazia. Um magnetismo estranho que atraiu folhas secas e latinhas vazias para um só ponto do calçamento. Um raio e um clarão, e voilà. Lá estavam os três novamente, deitados no chão e um tanto enjoados.

— Ahhhhh... D=

Matt foi o primeiro a se sentar. Percebeu que estava agarrado ao cogumelo e cutucou Gustavo, que também se sentou.

— Ei, não era você que tinha apanhado isso?

Gustavo pegou o cogumelo. Pepito se sentou também, ao lado dele.

— Auch. >.< Onde estamos, pessoal?

Matt olhou a placa e disse:

— Rua Antes da Rua Que Não é A da Amália.

Ouviu-se “PI-PI-RI-PI-PI”, e Pepito atendeu o celular:

— Oi! =D
Pepito! Cadê vocês? É o Pedro.
— A gente tá na... a gente tá. A gente tá na Rua Antes da Rua Que Não é A da Amália.
Er... Certo. O Matt e o Gustavo estão com você?
— Estão.
Tá, vão imediatamente para o endereço que eu vou dizer.
— Por quê?
Porque a Interpol tá atrás de vocês!! D=
— A banda????
Q...? NÃÃÃO, a polícia internacional, seu polaroide.
— Ah, tá.
Por que eu te chamei de polaroide?... Enfim, anota aí o endereço.

Pepito anotou as indicações, desligou o celular com um “Aham” e se levantou.

— Pessoal, temos missão — digo, não missão no sentido que conhecemos... ah, vocês entenderam. O Pedro nos disse pra ir a um tal lugar.
— Por quê? — Matt perguntou, se levantando também.
— Porque a Interpol tá atrás da gente.
— A banda?? =D
— Não, a polícia.
— Ahh. Que merda. o-o
— É. Vamo lá, Gustavo.

Gustavo se levantou, estranhou uma coisa e disse:

— Lembram o que o Imperador falou sobre viajar desta dimensão para a outra e voltar?
— Que teriam de desintegrar e reintegrar toda a matéria que trazemos no processo? — Matt.
— Isso.
— Que que tem?
— Eles esqueceram minhas calças.

...........*BOOONG*

— Muito bem, seu bandinoob, prestem atenção. — ordenou Galarza depois de dar uma porrada no gongo chinês.

Estavam ele, Pedro, Amália e Pinguin no grande pavilhão de treinamento. Já tinham espiado todos os cômodos da casa e o certo era que fossem dormir, mas como Amália estava hiperativa, Galarza arrastou todo mundo pro tatame.

— Meu dever, a partir de agora, é ensinar-lhes noções básicas de defesa pessoal até que estejam prontos para a prova de iniciação. — explicou o SPY com absoluta seriedade.
— Por que... pr-proooova de iniciação? — bocejou Pedro morrendo de sono.
— Porque a Doom Finger não aceita qualquer um. Para entrar efetivamente, você precisa provar que não é um chinelão covarde.
— E como nós vamos provar isso?
— Pela prova de iniciação (óbvio³).
— Mas como é essa prova?
— PORRA, EU NÃO SEI! PODEM SIMPLESMENTE SE ABAIXAR E FAZER FLEXÕES?

Pinguin e Pedro obedeceram, mas Amália continuou de pé com os braços cruzados.

— Você não vai fazer nada? — perguntou Galarza.
— Eu? Eu não preciso de treinamento. — riu-se a garota.
— Como não? u.u
— Já desenvolvi minhas Skills muito mais do que esses noobs em menos tempo.
— Não interessa. Sob as minhas ordens, você vai... AAAI!

Ele tinha apontado o dedo para o rosto de Amália enquanto falava, e ela subitamente o mordera. Galarza se esquivou, e eles começaram uma lutinha.

TRAINING MODE!

*PUNCH!*
*SOC!*
*POW!*

— Amália, para de perder tempo... e vem se exercitar... — reclamou Pedro, respirando com esforço por causa das flexões.

Ela não escutou. Estava ocupada demais bloqueando e desviando os ataques de Galarza, que demonstrava um sucesso mais ou menos parecido ao fazer o mesmo. Conforme se mexiam e acertavam um ao outro, números iam pipocando no ar (+ 5 FORÇA, +10 AGILIDADE, +4 RESISTÊNCIA). Por fim, numa esquivada à lá Matrix, Galarza completou com um gancho de direita e Amália voou longe.

K.O!

— Haaaa, é por isso que não se derrota um... CADÊ MEUS RELÓGIOS?

Ainda no chão, Amália riu da cara dele e exibiu os três relógios de pulso que tinha afanado. Galarza deu um berro de raiva e partiu pra cima dela outra vez.

ROUND #2!

Cansados, Pinguin e Pedro pararam com as flexões.

— Tá afim de jogar ping-pong? — perguntou o primeiro.
— Vamo lá. — respondeu o segundo.

Quando saíram da sala, Galarza foi o segundo a voar longe.

...........O dia seguinte veio como uma bênção para os três novos hóspedes da fortaleza. Cansados e lanhados do trabalho da noite anterior, iriam reunir-se a seus colegas foragidos. Segundo Negão, seria extremamente fácil transportá-los do esconderijo até ali, mas eles insistiram em buscar Matt, Pepito e Grilo pessoalmente. Assim, todos embarcaram na van e, em uma hora e uns quebrados, chegaram a uma casa simples e pacata do subúrbio, da qual ninguém jamais suspeitaria, e estacionaram na garagem, onde também havia um carro vermelho.

Depois que se abriram as portas, Pedro, Amália e Pinguin deram de cara com os três amigos, e o grupo inteiro partiu para um abraço coletivo de arrebentar costelas. Negão e Galarza desceram do banco da frente e se dirigiram a uma nona pessoa (nona? — porra, quanta gente), uma mulher bastante jovem, parada na porta que dava para o interior da casa.

— Love of my life. *.*

O Negão de Tapa-Olho/Nick Fury/Por-Favor-Não-Levem-Esse-Nome-A-Mal beijou sua esposa e esperou os adolescentes pararem de gritar para fazer uma apresentação formal.

— Senhores, senhores... e garota... whatever... Esta é Lydia, minha esposa. Lydia, você já conhece os senhores Pepito, Matt e Grilo... Err... PRESTEM ATENÇÃO, PORRA! Os outros três são Pedro, Amália e Gabriel.
— Oiii. ^^ — Amália.
— Bem-vindos à nossa casa. — disse a mulher cortesmente — É aqui que meu marido e eu fingimos ser cidadãos, digamos assim, comuns quando não estamos cuidando dos negócios da Organização. Eu sou operadora de Telemarketing.
— Eu sou professor de Física em uma escola primária. — Negão.
— Alguém está com fome? =D
— Não dá tempo, querida. Eles precisam voltar imediatamente à sede, por questões de segurança. E acho que eu também vou ficar por lá preparando as coisas para o encontro oficial de amanhã.
— Está bem. Até amanhã, pessoas.

...........A viagem de retorno foi rápida e sem maiores desvios. Curiosos em descobrir mais sobre a intrigante Doom Finger, nem Pepito, nem Matt nem Gustavo tocaram no assunto delicado do encontro com o Imperador dos Cibernéticos. Achavam até mais prudente, pois, ver quem era o Negão de Tapa-Olho e o que tinha a lhes oferecer.

...........— Pois bem: bem-vindos à Doom Finger. — disse o líder quando finalmente reuniram-se na Sala de Comando — Saibam que é uma honra e um privilégio estar entre nós. Nossa missão é nobre: trata-se de livrar o mundo da sujeira e das mentiras propagadas pela empresa GOOGLE e seus associados, a serviço, não podemos esquecer, da mesquinha Liga de Dominação Mundial. Se por tempo demais planejamos, conversamos e repensamos estratégias, é hora de pôr as pautas em prática. Não será nada fácil. O inimigo tem recursos para nos esmagar facilmente, se dermos bobeira. Mas temos uma coisa que ele não têm: NÓS ESTAMOS CERTOS, GODDAMNIT!

Galarza cutucou-o e cochicou:

— Podia ter reservado isso pra reunião de amanhã. AUCH! — levou uma pisada.

O Negão de Tapa-Olho afastou-se do monitor gigante onde aparecia o emblema da Doom Finger — o contorno de um dedo (dã) indicador branco em riste contra um fundo preto — e foi até Matt, Pepito e Gustavo, encarando-os com olhar penetrante.

— Amanhã será um dia muito especial para a Organização. Os membros mais honorários virão de diversas partes do mundo para darmos a largada oficial nas atividades de... protesto público. Portanto, esta noite mesmo vocês devem passar por um teste de iniciação. E, para verem o quanto eu valorizo novos membros, será algo de muita importância para nossa causa. Em seguida a essa tarefa, sucederão uma série de trabalhos com o fim de ameaçar e desequilibrar o inimigo. Por fim, se tudo der certo, daremos o golpe de misericórdia...

O emblema na tela foi substituído por um mapa.

— ... aqui. — apontou — O Data Base Center de Oregon.
— o-o. — Matt.
— o-o. — Pepito.
— Fudeu. o-o — Grilo.
— Uhuuul. — Pedro.
— Éééé. — Amália.
— Filma nóis, Galvão! — Pinguin.

CONTINUA...

domingo, 27 de junho de 2010

Mini-Pocket Update #2

O episódio 6 só sai dentro de algumas horas, mas por ora temos algumas informações novas nas seções de Skills e Classes. Para completar, abaixo estão os títulos preliminares dos episódios seguintes da 2ª temporada, a qual, se nada mudar, terá ao todo 16. Ci pah, usando a imaginação vcs prevejam o que vai acontecer, ou apenas fiquem mais ansiosos (ou as duas coisas).

2x07 - "Começando a Incomodar"
2x08 - "Trabalho de Detetive"
2x09 - "Ponto de Virada"
2x10 - "Chame um SPY"
2x11 - "Mudança de Método"
2x12 - "Não é o Fim"
2x13 - "Oregon"
2x14 - "Caos"
2x15 - "Estamos seguros?"
2x16 - "Nada é Para Sempre"

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Olha, eu queria chorar...

Eu queria chorar porque eu não tenho, assim, a condição de prever o meu futuro além do abvulês se tornando uma outra língua brasileira. Porque eu acho que o futuro ao Bob pertence. E Aton... Então, o PDB pertence ao ponto Aton. Porque eu acho que o Magic Games é muito reluzente, que no Magic Games a gente pira. Não vai ter mais a casa de ninguém onde dormir, então as Amálias, elas são constantes. Você não pode adequar que a Amália um dia foi uma inocência, né? Então... os coloridos são aquelas crianças que vão defender o futuro Aton. Aí eu vou explicar o porquê do Aton... Porque você nunca sabe de onde vem o Gustavo.

Às vezes você pode estar na cozinha junto com o Pedro... e achar que aquele lugar não existe mais, porque você não pode voltar, mas o lugar existe. Ninguém vai derrubá-lo. Então, você nunca sabe de onde vem o Pepito. O Marinha reside em relutar, em fazer uma revolução interna e conduzir até o George's Pastel todo esse sacolejo dos amigos que vêm. Por enquanto, à Redenção digo nada. Adeus. Te amo, Naurenbanger.

PRA QUEM NÃO ENTENDEU PORRA NENHUMA:
http://www.youtube.com/watch?v=M8M6ps2WRho

segunda-feira, 21 de junho de 2010

(2ª TEMPORADA) EPISODE 05 - Backup

Ao pisar na rua, Amália teve a visão momentaneamente ofuscada pelas luzes dos farois da polícia. O helicóptero ainda sobrevoava a área, sem perder um instante. Snipers nos telhados apenas aguardavam a ordem final. O capitão do BOPE, abrigado atrás de um camburão, segurava um megafone: era sua a voz que acabara de anunciar o cerco. Vendo a adolescente sair, aparentemente desarmada, tornou a se comunicar com ela:

Muito bem, com cuidado agora e sem movimentos bruscos...
— Mas que putaria é essa? — Amália.
... ponha as mãos onde eu possa ver.

Amália já tinha erguido as mãos, mas para se proteger da luz. Vendo que ela não trazia nenhum objeto ameaçador, o capitão procedeu com as ordens:

Agora, lentamente, deite-se no chão com as mãos nas costas!
— Você sabe com quem está falando? — ela ficou ligeiramente histérica.
Não vou falar outra vez!
— Você tem ideia de onde veio parar, pra começar?
Obedeça!
— Isso é uma escola de karatê. u.u E eu to morrendo de dor nas costas. Tudo que eu queria era uma bolsa de água quente e um cobertor, mas aí eu piso na calçada e dou de cara com uma tropa de elite.
Deita, porra!
— Tá se achando porque tem um megafone? Espera até eu arrumar um...
Puta que p...

Amália deu-lhe as costas com o mais profundo desprezo e retornou ao interior do ginásio, onde Pedro e Pinguin ocupavam-se em se borrar de medo.

— Onde é que tem um megafone? — a garota perguntou a eles.
— Amália, você viu quem está lá fora??
— Cala a boca, Pinguin. Eu tenho que achar um megafone.
— Mas Amália...
— Você também, Pedro! Nunca tem um megafone quando a gente precisa de um... u.u

Naquele momento, uma granada de fumaça voou porta adentro e caiu aos pés deles. Amália surtou.

— Porra, não dá nem pra conversar em paz!

Ela chutou a granada de volta para a rua, e em poucos segundos eles ouviram homens tossindo, xingando e tropeçando uns sobre os outros.

— Err, não tem megafone, mas tem isso aqui, ó. o.o

Pedro mostrou um aparelho de som que tinha achado entre os objetos random espalhados pelo cenário. Amália olhou pra ele e murmurou um “Hmmm...”.

— Você teve uma ideia? — perguntou o garoto com um salto de esperança.
— Não. T.T
— DOW! Acho que vamos... Ei, tem uma coisa que nós podemos tentar. =D

...........Matt tratou o discurso do Imperador com desconfiança. Para ele já bastavam as vezes em que fora perseguido, metralhado, pisoteado, amassado, desmemoriado e passado para trás na fila do sorvete; não queria que uma cabeça gigante mergulhada em um líquido sanitário azul o fizesse de bobo (again).

A Pepito também ocorreu, naquele momento, que talvez não tivesse sido uma boa ideia entrar em contato com os badguys para uma happy hour (e note-se que já usamos três termos em inglês, ou seja, o capítulo está ficando cada vez mais sofisticado –n).

Gustavo, por sua vez, ficou irritado com uma coceira horrível que se originara na ponta de seu nariz e que não havia maneira de coçar estando imóvel daquele jeito.

O Imperador continuou de onde havia parado:

A oposição entre nossos interesses nesta guerra é bastante clara, portanto não tentarei discutí-la. O que interessa é que, no ponto em que estamos, não há como negar que o GOOGLE representa uma ameaça forte tanto para nós quanto para vocês.

Os três pensaram e viram que aquilo fazia sentido. Matt apenas disse “Prossiga”, e assim o Cibernético fez:

Desde que eles se apoderaram de parte do Código-Fonte que rege este Universo, nossas ações sobre o planeta Terra ficaram muito limitadas. Isso deve ter se refletido nas Quests que vocês receberam: uma reação automática do Jogo é adaptar-se às circunstâncias de vida dos jogadores.
— Err, realmente — disse Matt —, as missões mudaram bastante de uns tempos pra cá. Só não entendo como... tipo, vocês não podem controlar essas coisas?
Na verdade, não.
— WHAT THE...?
Nós não controlamos o RPG. Essa é uma tarefa que cabe... a uma “terceira força” que não conseguimos compreender. Se em algum momento você pensou que nós, Cibernéticos, éramos os “autores” das Quests e regras, pensou errado.

O choque provocado pela revelação foi particularmente alto nos três amigos — se nem um lado nem o outro escolhia as provas, quem fazia isso?

Por favor, voltemos ao assunto principal. Se tentássemos alterar as coisas ao mesmo tempo em que o Google Earth promove as mudanças no mundo humano, haveria caos. E, ao mesmo tempo em que concorrem conosco, os homens do GOOGLE perseguem vocês até a morte.
— Éé, era com isso que estávamos lidando antes de você nos arrastar para cá. u.u — Pepito.
Ainda não acabei. u.u
— Alguém, por favor, coça meu nariz? — Gustavo.

Ninguém lhe respondeu.

Existe uma forma de deter e eliminar o GOOGLE para sempre, e nós a conhecemos bem.
— Weee. — Pepito.
Só não podemos usá-la.
— DOW!
E foi para isso que trouxemos vocês aqui.
— O que você propõe? — perguntou Matt de forma bem objetiva.
Uma trégua por tempo indeterminado.
— Indeterminado quanto?
Indeterminado.
— u.u
Explicarei melhor: a Nova Terra em que vocês vivem é uma projeção do real controlada pelo Google Earth. Sem os devidos recursos, é impossível para qualquer ser humano fora do círculo de confiança do GOOGLE sair de dentro dela. Enquanto conversamos, milhões de pessoas em seu mundo mal se dão conta de que tudo é uma ilusão. No entanto, a Antiga Terra como a conheciam não se perdeu para sempre. Nada se perde realmente. Ela continua armazenada num arquivo de Backup, fortemente guardado no Data Base central do GOOGLE em Oregon. Para fazer o mundo voltar ao que era, seria preciso encerrar a nova versão e reativar a antiga.
— Como se faria uma coisa dessas?
Invadindo essa central de dados, reavendo o arquivo e crackeando-o com um recurso que nós mesmos desenvolvemos, um programa que apagaria para sempre qualquer vestígio do GOOGLE, seus sites, serviços, propagandas e planos diabólicos.

Conforme ia proclamando as últimas frases, o Imperador empolgou-se tanto que o líquido de seu cilindro borbulhou mais uma vez. Falava como se tivesse descoberto a cura para o câncer. No entanto, para os únicos humanos ali presentes (Matt, Pepito e Gustavo), a ideia de uma vida sem GOOGLE soou tanto plausível quanto “wtf, tira isso daqui!” — qualquer ideia é assim, na verdade.

— Err... Não ocorreu a... a Vossa Majestade que... muitas pessoas... precisam desse site? — perguntou Pepito discretamente.
Não é do interesse deste debate entrar nos pormenores dos desejos e justificativas morais humanas. — respondeu o Imperador — Nossos motivos, ao contrário dos seus, são puramente lógicos: todas as coisas encerram luz e trevas em seu interior, mas quando as trevas se sobrepõem à luz é preciso acabar com elas. O problema de vocês, humanos, é pensar que todos merecem uma segunda chance.

Matt pensou ter ouvido Pepito resmungar “Nazista...”, mas não deu muita atenção a isso, pois estava mais preocupado em perguntar:

— Então, supondo que concordemos em afanar o Backup da Terra antiga, crackeá-lo e tudo mais, o que ganhamos com isso?
Como eu já disse, paz entre humanos e Cibernéticos.
— Por quanto tempo? — Liebert tornou a levantar a questão.
Não posso lhe garantir nada, pois o Jogo é imprevisível.
— Mas como espera que a gente aguente? Tipo, recusando as missões para sempre?
Dou-lhe minha palavra de honra de que, se o plano der certo e o GOOGLE for destruído, farei o possível para não jogar. Mas esse é um compromisso que os dois lados devem assumir.

Jogar ou não jogar? — eis a questão. Ocorreu aos três Players, na mesma hora, que apesar dos riscos absurdos, das horas perdidas naquela atividade (e do vandalismo), estava sendo DIVERTIDO cumprir as Quests. Tão divertido que nem sequer haviam se incomodado em perguntar para que, afinal, tinham que fazer aquelas coisas. É como um jogador de golfe repentinamente se perguntar por que é que ele tem de ir atrás da bolinha, lançá-la para longe com o taco e ir atrás dela de novo. Esse tipo de coisa não faz sentido — ou faz?

— Matt...
— Sim, Pepito?
— Ele quis dizer o que eu pensei que ele quis dizer?
— Acho que sim.
— Matt...
— Sim, Gustavo?
— Ele quis dizer o que eu pensei que ele quis dizer?
— É, acho que sim.

Houve um silêncio tenso, e Pepito confessou em voz alta:

— Na boa, eu não queria parar de jogar. Sei lá, é... eletrizante, te faz sentir fodão e... Quem tem videogame sabe. T.T
— Eu também não queria. — disse Gustavo — Mas faz sentido, se enxergarem de outro ângulo: quanta destruição já causamos!
— É, tipo, desde que eu comecei a jogar RPG, minha vida pessoal, tipo, ficou totalmente messed up. — disse Matt — Minha própria terapeuta disse uma vez que tanto tempo empregado numa atividade como essa pode ser... sabem... não é saudável. Mas é... divertido.

Houve um suspiro coletivo de quando se abre mão de uma coisa muito legal.

— Bem, Majestade, pelo bem da nação, do Universo, ou whatever — falou Matt —, nós aceitamos o trato.
Que assim seja, então.

Com um audível “PLOP!”, um objeto pequeno em formato de cilindro apareceu girando no ar: era um Pen-drive. O item piscou e desapareceu.

MATT LIEBERT RECEBEU:
PEN-DRIVE.

Este é o dispositivo que usarão para extrair o Backup do sistema do GOOGLE. Será como uma grande Quest, então não esperem que seja fácil.
— Não tem problema, nunca jogamos no EASY. — Pepito.
— É, EASY é coisa de gay. — Matt.
Para abrir o Backup precisarão de um Keygen. Isso nós podemos fornecer depois que tiverem cumprido sua parte do trato.
— Não tem como baixar? — Gustavo.
Não. u.u O Keygen gera um serial que abre o arquivo. Abrindo o arquivo, insere-se o Cracker, que já está no Pen-drive, e este trata de substituir a Nova Terra pela Antiga, desta vez sem GOOGLE, 50% mais livre, 50% mais higiênica. Alguma pergunta?
— Podemos ficar com o Pen-drive? — Pepito.
NÃO.
— =(.

Um rock eletrizante começou a tocar: era hora de ação.

— Bom, pessoal, já que é nossa última Quest — disse Matt Liebert —, vamos mostrar do que somos capazes.
— É! NAURENBANGER! — Pepito o apoiou.

Gustavo arriscou mais uma vez, só pra ver se alguém se habilitava:

— Alguém coça meu nariz?

====>OPENING CREDITS<====

Corriam desenfreadamente, sem paradas, quase sem respirar direito. Nada mais importava a não ser sobreviver. Por que o plano teve de dar perigosamente errado?

Bom, para quem está aí se perguntando, minutos antes Pedro, Amália e Gabriel estavam sob o cerco do BOPE quando Pedro teve a brilhante ideia de pôr para rodar no aparelho de som uma certa musiquinha que costumava ouvir nos tempos de cativeiro...

.................................................*FLASHBACK*........................................................

— Caramel o quê? — Amália *surdinha*
— Caramelldansen. — Pedro.
— Credo, que é isso?
— É aquele negócio sueco?

Pinguin ficou todo empolgado ao ouvir o nome.

— É, sim, você conhece? — perguntou-lhe Pedro.
— Claro, é viciante! =D Ouço toda hora no youtube.
— Como é que uma musiquinha sueca vai nos salvar do BOPE? — questionou Amália completamente cética.
— O segredo não é a musiquinha, é a coreografia. ;)

Amália estranhou a última frase e aproximou os olhos da face de Pedro para examiná-lo melhor. Deu pancadinhas em sua testa.

— Matt? É você aí dentro? o-o
— Deixe eu tentar pra ver o que acontece.

Pedro colocou a dita música e... bom... quando os primeiros soldados deram entrada no local, uns pelos portões dianteiros, outros pelos fundos, alguns pelas janelas, deram de cara com três adolescentes, dois deles trajando cosplays e orelhinhas de gato postiças, dançando CARAMELLDANSEN...

................................................*FIM DO FLASHBACK*.........................................

— PORRA!

Pinguin tropeçou e torceu o tornozelo (o outro, porque um já estava torcido), gritou de dor e não correu mais. Pedro voltou, também mancando (tivera de saltar de telhado em telhado por alguns metros, e o amortecedor de seu tênis não era muito bom), e tentou puxá-lo para que se levantasse. Logo à frente, Amália gritava-lhes “CONTINUEM!” sem parar de correr. De todos, ela era a que mais sangrava.

— Arrgh, levanta, Pinguin!
— Não dá, Pedroo...

Pinguin soltou o braço que Pedro lhe oferecia e se deitou no chão, exausto.

— A gente tava indo tão bem... — lamentou-se.

Muito mais à frente que eles, Amália percebeu que estava sozinha e voltou apenas para dar um chute em Pinguin, que mesmo assim não se levantou.

— Porra, Pinguin, deixa de ser molenga! Dá pra ouvir os carros atrás da gente!
— Deixa ele, Amália! — protestou Pedro se ajoelhando ao lado do ferido — Todos já corremos demais.
— Por isso a nossa Life tá baixa! Se não nos mexermos, vamos morrer!

.............................................*OUTRO FLASHBACK*............................................

Do lado de fora do ginásio, o capitão e o restante do contingente em prontidão esperava um sinal daqueles que tinham invadido o local. No entanto, pelos rádios não se ouvia nada.

— Mas que merda eles foram fazer lá dentro? 02, vai dar uma olhada!

O capitão mandou, 02 teve de cumprir. Cautelosamente aproximou-se da porta, resguardado por mais um colega, e tentou ouvir o que se passava. Estranhou: parecia música. Fez um sinal para o soldado atrás de si, que fez outro sinal, que foi respondido com outro sinal. E no fim o 02 fez “HÃ??”, porque não tinha entendido nada. O outro soldado aplicou-lhe um pedala, e os dois entraram. Tiveram uma puta surpresa.

Uh-uh, uah-uah
Uh-uh, uah-uah-ahhh

Pedro, Amália, Pinguin e todos os soldados que tinham entrado antes no ginásio dançavam juntos sobre uma espécie de pista cobrindo o tatame de karate. Com as mãozinhas na cabeça e tudo mais, os soldados pareciam hipnotizados enquanto os jovens tentavam acompanhar, com seus movimentos, as setas em 3D que iam se enfileirando em pleno ar, à sua frente. A cada acerto de cada um, números pipocavam acima deles (+25, +50, +75, +100 — PERFECT!).

O 02 tateou o rádio com uma mão trêmula.

— Capitão, temos um problema.

.............................................*FIM DO FLASHBACK*............................................

A esperança deles foi estar perto de um prédio em construção, alto, enorme e perfeitamente vazio. Com Pedro e Amália, um de cada lado, ajudando Pinguin a se manter de pé, os três foram lá para dentro; a tempo de os camburões do BOPE visualizarem a fuga. Estacionaram erguendo poeira, sirenes a pleno vapor, e desembarcaram seus homens. Iniciaram um novo cerco, este sem o helicóptero, que tinha sido destruído por Amália momentos depois de cortarem a luz do ginásio, o que acabou com a música e com o Mini-Game e fez os soldados voltarem a si. A maneira como isso aconteceu foi peculiar: bastou arremessar um All Star de cano alto contra as hélices. Isso foi Pedro quem fez, com o tênis DA AMÁLIA, que então atribuiu a si mesma a genialidade da coisa, apesar das opiniões em contrário.

— Chega, eu não aguento mais!

Amália largou Pedro, que acidentalmente largou Pinguin, e os dois caíram. Ouviam-se agora os passos assustadores dos homens subindo a escada — os três estavam no quarto andar.

— Alguém tenha uma ideia, por favor! D= — berrou Amália — Eu perdi a criatividade depois do helicóptero.
— Não foi você quem destruiu o helicóptero. u.u — corrigiu Pedro — E eu não sei o que fazer! Tudo que eu tenho na minha backpack é... um treco de pelúcia. o.O
— Ahh, é meeeu! — Amália pegou o bicho da mão dele e o abraçou — Eu o enfiei dentro da sua porque não tinha espaço na minha mochila.

BLAM! A porta veio abaixo, e Amália gritou. Muitas coisas aconteceram em seguida, mas não na velocidade que um professor de Física esperaria, pois um efeito que não se via há muito tempo (há muitos episódios, melhor dizendo –q) voltou a acontecer: tudo ficou em slow-motion.

Quando a rajada de uma metralhadora estava para atingir Amália, alguém saltou do escuro e jogou-se contra ela, tirando-a do caminho. Em seguida levantou-se e jogou algo contra o soldado que atirava. Devia ser afiado, pois ele emitiu um “UGH!” abafado e caiu de costas beeeeeeem lentamente. Antes mesmo que o primeiro atingisse o chão, a figura desconhecida pôs para fora do bolso duas glock’s, apontou-as para os outros homens fardados e abriu fogo.

Preocupados em rolar para o lado e cobrir o rosto, respectivamente, Pedro e Pinguin perderam o belíssimo espetáculo visual que se desenrolava. Era possível apreciar cada explosão, cada faísca e cada tiro seguindo sua trajetória até arrebentar a cabeça de um soldado de elite — quando isso acontecia, o sangue espirrava para todo lado à lá Sin City. Para acompanhar o momento, soava uma música vinda de sabe-se-lá-onde; muito bonita, na verdade, apesar da violência da cena.

Enfim, o último corpo fez “TUM” ao colidir com o piso, os gatilhos das glock’s, já sem munição, fizeram “CLICK” e tudo voltou ao normal. A música cessara. Só restou um silêncio.

Estatelada no chão, Amália torceu o pescoço para enxergar o que acontecera, notou que os soldados haviam morrido e soltou um “AHH” de surpresa. Pedro e Gabriel, já com coragem para olhar, observaram a mesma coisa que ela e ficaram curiosos para entender quem tinha feito aquilo. Foi fácil, porque a pessoa ainda estava ali arrancando a faca da testa do capitão morto.

— Quem é você? — perguntou Pedro.

O assassino olhou para trás; era um adolescente, talvez não muito mais velho que Gabriel. Usava um terno preto à lá Hitman e os cabelos um pouco compridos. Ele ficou de pé e se afastou do homem morto enquanto limpava a lâmina com uma flanela.

— Pra vocês agora? Sou como Jesus Cristo. u.u

GALARZA JOINED THE GAME.

Ele guardou a faca e dobrou a manga direita do paletó, deixando à mostra três relógios de pulso em cores diferentes (azul, preto e vermelho, respectivamente). Cutucou o visor do do meio, murmurando algo sobre “Precisa de carga”, então deu as costas aos três amigos e ficou olhando a rua pela janela. Aguardando.

Por fim, um celular fez “VRUUM” em algum lugar. Era o dele.

— Alô. — atendeu prontamente — Sim. Acabei de fazer isso. Você está subindo?... Ótimo. — desligou e se dirigiu aos outros: — Vocês só vão ter que esperar três segundos...

BLAM! A porta se abriu (era outra porta, é claro, porque a primeira já tinham derrubado; enfim, foi por uma porta que entraram — blé)... A porta se abriu, e um negão de tapa-olho com cara de sério entrou no andar. Imediatamente Pedro gritou:

— OMG, é o Nick Fury!
— Quem? — Amália.
— Nick Fury, o carinha que aparece no Homem de Ferro 2.

O homem respondeu exaltadamente, no jeito mais Samuel L. Jackson possível:

— Hey, MUTHAFUCKA, eu não sou o GODDAMN Nick Fury! >.< Eu sou apenas um Negão de Tapa-Olho que acaba de salvar o seu ASS, então ponha-se no seu lugar e espere sua vez de falar, como um bom menino. u.u

Pedro recolheu-se à sua insignificância (sentiu-se insignificante; quem não se sentiria diante de uma resposta daquelas?), e o Negão de Tapa-Olho foi até Galarza, que se prostara diante dele como se fosse seu chefe. De fato, era.

— GALARZA!
— Sim, senhor.
— Vá lá embaixo buscar meu computador enquanto falo com eles.
— Sim, senhor.
— E não me chame de senhor, MUTHAFUCKA.
— Mas consta no manual, senhor.
— Você nem leu o manual, MUTHAFUCKA.
— É verdade, skoaksaoskaosk
— Então, devia saber que eu sou só um Negão de Tapa-Olho! Algum problema em me chamar assim, ASSHOLE?
— NÃO!
— Então fala: “Negão de Tapa-Olho”!
— NEGÃO DE TAPA-OLHO!

Furioso, Galarza saiu para cumprir a ordem do homem. Segundos depois, ouviram-no tropeçar nas escadas e xingar ainda mais por causa disso. O Negão de Tapa-Olho sacudiu a cabeça e aproximou-se de Pedro, Amália e Pinguin, encolhidos no mesmo lugar com apreensão.

— Pois bem, acho que ainda não me apresentei. Eu sou...
— Nick Fury? — interrompeu Pedro, sendo beliscado por Amália.
— Não. u.u Eu sou o Negão de Tapa-Olho. Comando uma organização secreta surgida há pouco tempo que investiga as ações diabólicas do GOOGLE através de seus serviços virtuais. Vocês devem saber do que estou falando, já que estavam sendo procurados por estarem na Lista Internacional da Interpol.
— Er... Sabemos? — disse Pinguin sem muita certeza.
— O eclipse. Vocês viram o eclipse?

Fizeram que “Sim” com as cabeças.

— Mas não como o resto do mundo viu, certo? As coisas mudaram pra vocês. Não é como se a vida sempre tivesse sido assim. — continuou o Negão de... ah, cansei de escrever, com um olhar maroto — Não foram só vocês que se deram conta disso. Há três meses o GOOGLE tenta silenciar aqueles que sabem de seu plano maligno de dominação mundial. Mas, quanto mais nos atacam, mais forte ficamos. Nossa organização se chama Doom Finger. Os membros reconhecem-se uns aos outros pelo cumprimento secreto. Vou lhe mostrar...

E, nesse momento, Galarza chegou com um laptop. O Negão de Tapa-Olho ficou na frente dele, de modo que Pedro, Amália e Gabriel também pudessem ver, e espetou seu olho com o dedo indicador.

— AUCH! — Galarza cobriu o olho com as duas mãos, enfurecendo-se outra vez — Porra, já não pedi pra mudar essa bosta de saudação? Além de ser óbvia, DÓI! Por que você não faz como os maçons?
— Já pode ir, Galarza!

O homem deu um puta pisão no pé dele, que pulou de dor enquanto ainda sentia o machucado no olho.

— Esse foi o “tchau, até logo”. — explicou o Negão de Tapa-Olho a Pedro, Amália e Gabriel.
— Quem é ele? — Amália.
— Eu sou um SPY! ¬¬ Satisfeita? Um SPYYY! E essa é a parte mais legal dessa profissão, além dos relógios: gritar “SPYYY!”. — Galarza.

O Negão de Tapa-Olho ignorou a reclamação do SPYYY e foi mexer em seu laptop.

— Eu tinha preparado uns slides para acompanhar minha apresentação, mas não esperava que o BOPE encontrasse vocês antes disso.
— Então, você vinha nos seguindo? o-o — Pedro.
— É claro. Galarza fez isso por mim durante uma semana.
— Chupa. — Galarza.
— Porra, todo mundo nos segue e a gente nem percebe. >.< — Gabriel.
— Pronto, achei.

O Negão trouxe o computador para perto deles. Uma foto com centenas de pessoas, incluindo ele mesmo e Galarza, reunidas num salão grande ocupava a tela.

— Esta é a Doom Finger em sua formação atual. — explicou.
— Outra coisa que dá muito na vista: essas fotos que ele tira. — apontou Galarza — Repassa pra todo mundo por e-mail. Não faz sentidoooo. >.< Mas ele quer me ouvir? Nãããão... AI! — levou um pedala na cabeça.
— Bem, poderíamos dizer que somos a antítese da LDM: — continuou o Negão — mais jovens, mais idealistas, mais pobres e, com certeza, muito menos comportados. Há pouco tempo nossa teoria de que o Google Earth pode transformar a paisagem natural foi confirmada. Temos planos de expôr a verdade ao público e acabar com essa puta falta de sacanagem muito em breve. Mas precisamos de ajuda. Quanto mais, melhor. Vocês tiveram o exemplo hoje — apontou para os soldados mortos — de que o GOOGLE faz mal pra saúde. Se todos nos ajudarmos, chegaremos ao nosso objetivo. Faremos do mundo um lugar melhor.
— Era assim que os nazistas falavam... — cochichou Pinguin no ouvido de Amália, mas ela não quis ouvir.
— Ô, tio! — a garota levantou a mão — Como é que se faz pra matar os carinhas tão rápido?

Isso foi Galarza quem respondeu:

— Tecnologia que nós mesmos desenvolvemos. — mostrou os relógios de pulso — O preto faz o tempo ficar mais devagar.
— Não é tão original assim. Me inspirei no F.E.A.R 2. — disse o Negão com modéstia — Enfim, devemos uma boa sova a esses filhos da mãe. Há anos perdi um bom amigo, um cientista formidável, para a ganância dos homens do GOOGLE. Sabia demais, por isso teve de desaparecer, e não duvido que já tenha morrido. Mas nosso próximo ato vingará todas as almas dilaceradas por esses capitalistas vorazes: vamos atacar o Data Base Center principal, em Oregon! É como sempre digo: arranque o mal pela raíz!

Encolerizado, espumando pela boca, ele ergueu um punho fechado.

— Estão comigo?? VÃO ME AJUDAR A FERRAR AQUELES PUTOS?
— Err... Sim. — disseram Pedro, Amália e Pinguin em uníssono.
— Beleza. =D

Calmo, o Negão passou o computador para as mãos de Galarza e disse:

— Ajude o cara ali — apontou para Pinguin — a se erguer, que os pés dele estão fucked up. Estou esperando todo mundo lá embaixo, ok? Ahh, novos membros, novos membros... — ele esfregou as mãos de empolgação — Tenho que atualizar nosso perfil no Orkut!

CONTINUA...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

(2ª TEMPORADA) EPISODE 04 - Assumindo Riscos

Matt Liebert veio a perceber, depois de uns dias, que uma consequência inevitável de se dormir na casa da Amália era acordar com a sensação de que o café da manhã já tinha começado SEM VOCÊ. Uma outra consequência inevitável desse hábito era abrir os olhos enquanto cinco, seis ou mais pessoas caíam em cima de você gritando “MONTINHOO” — Matt descobriu isso depois da segunda noite; na próxima seria sua vingança.

Quanto já estavam lá fazia uma semana, o ócio que de início lhes parecera benéfico (Amália era a única que ainda tinha de ir à escola, o que fazia com absoluta má-vontade) começou a prejudicá-los. A começar por Pinguin, que, já cansado do videogame e da música 24 horas por dia, passou a reclamar do isolamento de modo a fazer os outros saírem; em vão, pois os outros estavam indispostos demais para inventar uma programação.

O único que não deu uma palavra sobre o assunto foi Pedro. Talvez pelos anos de cativeiro sob a vigilância do GOOGLE, já estivesse acostumado a esse tipo de condição. O que ninguém notou foi que ele estava estranho — quieto, ocupado em encarar as paredes, dormindo menos que o normal. As razões para isso também eram desconhecidas pelos demais, e ele não as expunha a ninguém para não preocupá-los.

Mas nosso foco, no momento, não é esse. É, na verdade, o início de uma manhã que significou muita coisa para todos eles. Começou com Gustavo preparando um omelete.

+ 5 EM CULINÁRIA!

— Yuhuu, vejam o que eu fiz!
— Hmm. O cheiro é interessante — falou Matt parando na porta da cozinha — Descobriu que pode cozinhar?
— Exato. =D Esse é um horizonte pouco explorado nas skills dos outros — orgulhou-se Gustavo, ainda com a frigideira na mão.
— NÃO FODE, QUE EU TAMBÉM COZINHO!! — berrou Pinguin do sofá da sala.
— Tá bom, mas você também vai gostar de provar isto — Gustavo berrou de volta.

Matt foi à geladeira, serviu-se de água e observou:

— Só não entendi o porquê desse avental florido gay.

Gustavo encolheu os ombros.

— Eu sei lá. Apareceu quando eu iniciei a tarefa.

Naquele momento Amália chegou, cansada, bufando, atirando a mochila em cima de Pepito, que estava também sentado no sofá.

— CHEGAY! u.u
— As aulas acabam tão cedo pra você. — comentou Matt olhando para ela do hall.
— A professora de Matemática morreu — improvisou Amália enquanto tirava as botas.
— Que eu me lembre, ela morreu ontem — disse Pepito.

Houve um silêncio, durante o qual os olhares convergiram para a garota.

— Remorreu — soltou Amália.

Ela jogou as botas para o lado (Pinguin aparou-as), estalou a coluna e seguiu falando com eles enquanto se deslocava do banheiro para o quarto, do quarto para o banheiro, trocando a maquiagem:

— Hoje é dia do meu treino, que é onde eu aprendo a matar NPC’s de forma econômica, então vocês vão ter que vazar daqui.
— Por quê? — Matt.
— Já usamos demais essa casa. Mais do que isso não seria justo com meus pais enquanto eles estão em Cingapura.
— Seus pais também foram pra Cingapura? — Grilo veio trazendo a bandeja com o super-mega-prato de omelete.
— Onde fica Cingapura? — Pepito.

Amália voltou do banheiro amarrando o cabelo, deu de cara com Gustavo e pareceu congelar-se por um momento.

— O q-que é... isso? o.O
— Err... omelete? — Grilo.

A resposta veio através de um Roundhouse Kick que desestabilizou Gustavo, lançando a bandeja e o prato para o alto. Felizmente ou não, o omelete pousou sobre o prato, que pousou sobre a bandeja, que caiu no colo de Pepito, e sobreviveu. Gustavo, por sua vez, tombou de costas contra a parede com o lábio superior sangrando.

— Por que você fez isso? — perguntou Matt calmamente.
— Ovos são galinhas abortadas! — respondeu Amália como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Houve outro momento de “WTF, Amália?”, até que Pepito sugeriu:

— Que tal um cinema, pessoal?

=====> OPENING CREDITS<====

Acabou que todos concordaram em ir ao cinema na primeira sessão da tarde, para evitar a lotação. Mas, nas horas antes de saírem, alguém lembrou que Pedro não poderia sair à rua vestido de qualquer jeito, pois, se houvesse algum espião do GOOGLE à paisana, ele obviamente seria reconhecido. Teria, então, de ir disfarçado, e eles o disfarçaram. No entanto, meia hora antes de Amália abrir a porta do apartamento, outro alguém lembrou-os de que não fazia sentido resguardar apenas Pedro se todos eles estavam sendo procurados. E foi mais uma eternidade para escolher os outros disfarces...

— O que você tem nesse armário que sirva em nós? — perguntou Matt vendo Amália abrindo as portas do móvel.
— Não se preocupe, Matt, vou arrumar algo que esconda completamente a sua gayzice.
— ¬¬.

Ela foi puxando algumas peças e logo jogando-as para o lado, dizendo “Não”, “Não” e “Não” várias vezes, até parar e dizer:

— Olha, gente, eu só tenho itens de cosplay.
— Serve. Andem logo, ou nós vamos perder a sessão. — falou Pinguin alarmado.
— Tá bom... Para todos os efeitos, a gente está retornando de um evento.

E eles vestiram os cosplays, mas isso não fez muita diferença, pois chegaram atrasados ao cinema de qualquer forma. Mas que pareceu engraçado num primeiro momento, pareceu.

..........ALGUM TEMPO DEPOIS, estavam deixando a sala com os olhares de espanto das pessoas seguindo-os a cada passo. Tudo indicava que o dia seria perfeito: tinham abandonado a monotonia entre quatro paredes, aproveitado para tirar a barriga da miséria e ainda assustado um monte de gente com suas aparências.

— Cara... eu não curti muito. o-o — disse Gustavo a Pepito, sobre o filme.
— Why? — Pepito.
— O personagem do Johnny Depp é sem dúvida o mais fodão do filme, sendo que no livro ele nem recebe tanta atenção assim.

Os dois pararam perto do cartaz de Johnny Depp no País das Maravilhas, o filme que haviam acabado de assistir, enquanto os outros falavam de coisas random sentados nos bancos de madeira do shopping.

— Da próxima vez a gente experimenta Fúria de Johnny Depp. — falou Pepito apontando para o cartaz ao lado, no qual o ator de Edward Mãos-de-Tesoura erguia a cabeça decepada de uma Medusa.
— Já vi. — resmungou Gustavo sem ânimo — É pior que Johnny Depp da Pérsia...

Nisso veio Matt falar com eles.

— Por acaso algum de vocês pode me comprar uma água? D= — implorou — O sal da pipoca colocou minha Life em CRITICAL.

Pepito esvaziou os bolsos, e só saíram duas peninhas voando.

— Bah, cara, tô mal. =/
— Eu também. — disse Grilo.

Matt gritou desesperado:

— Ninguém aqui tem dinheiro??
— Você falou em dinheiro? — Amália se virou imediatamente — Que tem o dinheiro?
— Eu não tenho dinheiro. D=
— Como não, retardado? Olha tuas Skills. Embaixo tem teu Money.
— Eu tenho... Eu tenho Money???
— Claro que tem. Todo mundo tem. Como acha que eu comprei aquela comida? u.u

Houve um silêncio por parte de Matt, Pepito e Grilo, e no instante seguinte os três deram um salto à lá High School Musical, gritando “WEEEE”.

MATT, PEPITO E GRILO DESTRAVARAM UM NOVO RECURSO!

— OMG *.* Eu vou comprar... agora eu vou comprar... O que eu vou comprar?? o.O — Pepito.
— A minha mente tá fervilhando agora. *.* Eu tô vendo mangás e... jogos, e... comida... — Grilo.
— *babando* Capitalismo é... tão booom... *babando* — Matt.
— Meu Deus, vocês parecem meninas no Natal. u.u — Amália.
— Pessoal... — Pepito cutucou os dois para que prestassem atenção — A Saraiva está a uma escada rolante de distância...

VRUUUUM, os três subiram correndo para o segundo andar e desapareceram das vistas dos outros.

...........Sozinho e sem fazer nada em seu gabinete, o Agente #1 brincava de rodopiar com sua cadeira de rodinhas. Parou quando o Agente #3 entrou na sala, já livre da tipoia e da bengala.

— O presidente me intimou. Quer saber o que você anda fazendo. — disse, com sinais de irritação.
— Ultimamente eu tenho ouvido Bach. Lindo. *.* — respondeu o outro.
— Não se faça de espertinho. Estamos parados há uma semana praticamente. Por que não estamos lá fora indo atrás de pistas, interrogando pessoas?
— Essa é uma pergunta que você deveria fazer a si mesmo.

Tranquilo, o Agente#1 pegou uma borrachinha elástica amarela e começou a brincar com ela. Sentindo a provocação, o colega replicou:

— Eu?? Eu trabalhei muito mais que você e sua estagiária nos últimos dias!! Caso não saiba, alguém tem de fazer a contenção do público a cada vez que vocês, chefes, mandam desintegrar ou trocar coisas de lugar.
— Por isso que nós somos os chefes. =)
— Tenho de andar como um MIB por aí! E ainda falei com os pais dos garotos. Como policial, que desculpa acha que eu tive de inventar para as famílias de quatro adolescentes que desapareceram ao mesmo tempo? Bom, três deles, porque um dos casais...
— Você disse que foi até as famílias?
— Sim.
— Visitou as casas?
— Óbvio.
— Coletou alguma coisa?
— Espere.

O Agente #3 foi para a sala ao lado. O Agente #1 parou de brincar com a borrachinha e esperou, atento. O outro voltou com uma caixa de papelão, na qual havia pertences avulsos de Pepito, Matt, Gustavo e Gabriel — peças de roupa, tênis, palhetas, livros —, e depositou-a sobre a mesa do chefe. Este olhou os objetos um por um, interessando-se pelo exemplar surrado de um velho livro.

— “Instruction Book”. — ele leu o título — Lembra-se de qualquer coisa parecida? — virou a capa para o Agente #3, que negou com um aceno de cabeça. Pareceu, então, profundamente concentrado — Acho que ficarei incomunicável por um tempo, Rodney...
— Não me chame de... Incomunicável? o.O
— É. Enquanto estiver lendo.

O chefe levantou-se, disposto a retirar-se.

— Mas e o seu trabalho??
— Esta é uma evidência, e eu vou analisá-la.

E assim ele se foi, deixando o colega só e irritado pela enésima vez.

...........Os três amigos fizeram uma combinação: cada um sairia para comprar o que quisesse e onde quisesse, sendo que mais tarde se reencontrariam em frente à livraria chinela do segundo andar. Quando terminaram e de fato retornaram, começaram a comparar seus mais novos pertences. Matt veio com trinta livros pesadíssimos, um kit de skydiving (sabe-se lá para o quê), três sacolas abarrotadas de roupas estupidamente caras, um vinho importado (que ele não beberia, mas a garrafa era bonita) e um computador. Pepito, por sua vez, apareceu com dúzias de pares de pantufas (???), um carrinho de supermercado cheio de garrafas de Coca Cola, muitos, mas muitos quadrinhos do Homem Aranha e um cinto de rebite. Gustavo foi o último a chegar, trazendo um piano de cauda nas costas.

— Será que cabe tudo na backpack do Matt? — indagou, esforçando-se para suportar o peso do instrumento.
— Não sei...

Matt abriu a mochila, olhou lá dentro e disse:

— Acho que não vai sobrar espaço pras pantufas.
— DOW >.< — Pepito.
— Anoiteceu tão depressa... — Grilo constatou ao olhar pelas janelas — Alguém liga pra Amália.

Pepito pegou o celular, discou (melhor dizendo, teclou, porque não existem mais telefones com aquele disco) e esperou.

Alô?
— Amália? Cadê você?
Tô no meu treino, dã.
— Quê?
Eu falei que tinha treino hoje. u.u
— Mas... e o Pinguin e o Pedro?
Vieram comigo, ué. Mas eles vão ter que esperar. (— AUCH!). Falei pra largar isso, Pedro!! Que praga...
— Mas... mas... O Gustavo, o Matt e eu estamos sozinhos! =C
E eu estou me livrando de um cadeado com apenas uma mão disponível! (— WOOOOW! *tush*) Pronto, já deu. Venham pra cá, a gente sai em meia hora. Tchau. ^^

Ela desligou, antes que Pepito pudesse dizer outra coisa. Contrariado, ele guardou o celular e voltou-se para os amigos.

— Pessoal... estamos fucked up. — disse — Algum de vocês tem qualquer centavo sobrando?
— Err... Acho que não. — confessou Matt embaraçado.
— Parece que gastamos todo o nosso saldo com esses presentinhos. — constatou Grilo verificando os números pelo seu LC.
— E agora? — perguntou Pepito com expressão de pavor — Está escuro, frio... e tem Tchuntchás lá fora!

Um raio riscou o céu bem na hora em que ele disse a frase final. Matt falou:

— Bom, gente, sem dinheiro pra transporte e com pouco tempo pra achar a Amália — um reloginho em 3D apareceu num canto, fazendo “tic-tac” de forma alarmante —, bom, eu não sei...

De repente, um ponto de exclamação azul brotou do nada em meio aos três com um “PLOP!”. Gustavo o cutucou, o que foi a mesma coisa que clicar, e ele fez “PLOP!” outra vez. Abriu-se um letreiro explicativo:

Realize uma Mini-Quest e fature Money!

— Ei, ele sempre tem as respostas, não? — falou Matt animado — Daqui a pouco vai dizer meu horóscopo. — brincou.

Terá um dia produtivo se trabalhar em equipe.
Procure viajar. Coma legumes.
Cor do dia: verde.

— o-o.
— Tá, anda logo, vamos fazer a Quest. — Pepito.

O texto do horóscopo desapareceu, dando lugar à ordem da missão:

Grab the Mushroom.

— Como é que é? — Grilo.
— CUIDADO! — Matt.

Um cogumelo voador gigante passou zunindo por eles e ficou fazendo círculos no ar como um balão furado.

— Rápido, vamos pegá-lo! — Pepito.

Gustavo lançou-se com tudo sobre o cogumelo, que desviou sua trajetória no momento certo, e mergulhou do outro lado do balcão de sorvetes quando a atendente ia dizer “O que deseja, moço?”.

— Imbecil. — xingou Pepito indo atrás do objeto voador — Seja esperto assim.

Ele deu um salto mortal para agarrar o cogumelo com estilo, mas errou o alvo e gritou “DOW!”, pousando normalmente.

— Merda!
— Er... Pepito...
— Que é, Matt? ¬¬
— Você está em cima do... er...

Pepito olhou pra baixo e viu que estava parado no ar — tinha saltado sobre o parapeito do segundo piso. Como nos desenhos animados, deu “Bye, bye” para a câmera e caiu lá embaixo.

Matt esfregou as mãos e fez pose de goleiro.

— Muito bem, mushroom, somos você e eu agora...

O cogumelo agitou-se no ar e investiu contra ele como uma bala de canhão. Matt atirou-se para pegá-lo e sentiu que encostava nas pontas de seus dedos, mas não foi perto o suficiente. Caiu de cara no piso.

— Cogumelo FDP. >.<

Eis que duas mãos emergiram de trás do balcão de sorvetes (TAN-TAN), depois um rosto, depois um tronco, e Matt viu que era Gustavo que se levantara. Tinha sujado o rosto com chocolate do mesmo jeito que os militares fazem com tinta. Estava sério desta vez.

— Muito bem, cogumelo... — cuspiu no chão — Acabou a brincadeira.

O garoto pulou para fora do balcão, pegou o cinto de rebites e agitou-o à guisa de chicote. Nisso, Matt se ergueu do chão e se posicionou na outra extremidade do andar, pronto para aparar o superfungo se este escapasse de novo.

— GLULULULULULU!

Gustavo agitou o chicote, erm, cinto e enlaçou o cogumelo. O tema de Indiana Jones começou a tocar, e ele vibrou orgulhoso:

— Mazaaa, Matt, eu consegui!
— Você tá se mexendo!
— O quê?
— AHHHHH!

Mesmo preso, o cogumelo teve força para arrastar Gustavo, que colidiu com Matt, que agarrou-se às suas pernas, e os dois saíram voando sobre o andar de baixo. O peso deles os puxou para perto do chão, de onde Pepito, já de pé, começou a sacudir os braços e a gritar “Eu! Eu! Me escolhe”, e conseguiu segurar a perna de Liebert.

Com o contato, o cogumelo brilhou intensamente e adquiriu um impulso descomunal que *VOOOSH* lançou-os para cima, atravessou o teto de vidro, a troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera, *I’MAFIRIN’MYLAZER*, o espaço e... LOADING.

...........— Amáliaaaa, sem querer incomodar, mas... Quando é que a gente vai embora? >.<

O treino de como matar NPC’s de forma econômica já tinha terminado, mas Amália ainda não saíra do vestiário. Agora Pedro viera pela terceira vez bater na porta para fazê-la apressar-se. Ouviu-a berrar “DAQUI A POUCO!” como resposta, mas o último “DAQUI A POUCO!” tinha sido há meia hora.

— Vamo, Amáliaaaa.
— ESPERA! u.u

Pinguin veio e cutucou Pedro.

— Eu já tinha que ter voltado há horas, sabe. *histérico*
— Eu também.
— Eu tinha que voltar seis e meia, manolooo.
— Mas tu não vai pra Amália também?
— EU... Ah, é. xD

Luzes fortes incidiram sobre todas as janelas do ginásio, um ruído forte de hélices indicou que um helicóptero estava sobrevoando a área, e uma voz mega-assustadora falou com eles, ampliada por um... megafone.

Atenção, elementos conhecidos como Pedrobear e Pinguin...

Os dois olharam para a mesma direção, mas isso foi muito inútil, pois a voz não vinha de nenhum ponto DENTRO do ambiente em que estavam.

Aqui é o BOPE, aquele do filme. Vocês foram identificados pela Lista Internacional da Interpol de Adolescentes Retardados. O prédio está cercado. Larguem suas armas, se tiverem, e saiam com as mãos para cima. Ou saiam com as mãos para cima e depois larguem suas armas. Fica a critério de vocês. Só não esqueçam dos dois pontos principais: 1) largar armas; 2) pôr as mãos para cima.

Pinguin e Pedro trocaram olhares tensos.

— E agora? — Pedro.
— Não sei. — Pinguin.

Nisso, a porta do vestiário se abriu e veio Amália assobiando, de mochila nas costas, esfregando uma toalha no cabelo molhado. Imediatamente os garotos a chamaram:

— Amália, a SWAT tá lá fora! — Pedro.
BOPE!
— O que vamos fazer?

Amália foi até uma janela, espiou a situação lá fora e soltou um suspiro.

— Logo agora, que eu já tomei banho... Segurem aí.

Ela atirou a mochila para Pedro, que a apanhou, e escancarou as portas do ginásio.

...........NUM PRIMEIRO INSTANTE, não entenderam onde estavam. Num segundo instante, também não. Somente no terceiro perceberam que estavam em movimento sem precisar mexer braços nem pernas. Isso porque estavam deitados sobre uma esteira. Viajavam tão rápido que mal discerniam as cores e as formas das coisas, mas, pelos rápidos vislumbres do ambiente, diriam que estavam dentro de uma espécie de fábrica. Ouvia-se cliques e rugidos de motores, ruídos de encaixe e sucção, rangidos de engrenagens... De repente algo os pôs de pé, e eles pararam, sem ainda poderem se mexer.

Matt, Pepito e Gustavo piscaram os olhos e perceberam estar diante de uma comprida e larga redoma de vidro, preenchida com um estranho líquido azulado e algumas dezenas de porcas, parafusos e fios de solda que boiavam em seu interior.

— Matt... Grilo... vocês estão aí? — perguntou Pepito sem poder olhar para os lados.
— Sim. — responderam os dois ao mesmo tempo.
— Pepito... Grilo... vocês estão aí? — perguntou Matt nas mesmas condições que o amigo.
— Sim. — responderam os outros.
— Matt... Pepito... Err, tá, isso seria retardado. — disse Grilo, calando-se em seguida.

O líquido azul borbulhou, a profusão de porcas, parafusos e fios se agitou e rodopiou, tomando a forma rudimentar de um rosto cujos olhos e boca eram desprovidos de fundo, o que lhe dava uma aparência fantasmagórica. A boca começou a se mexer, ao mesmo tempo em que uma voz vinda sabe-se lá de onde retumbou nos ouvidos dos três.

Bem-vindos à nossa Capital.
— Ele é um robô?
— Cala a boca, Pepito!
— Mas Matt, eu só queria perguntar... Grilo, ele é um robô?
— Acho que sim.
— Aqui só tem robô? Não sabia que o cogumelo abria um portal pra Tóquio...
Vocês não estão em Tóquio. O lugar em que estão agora não pertence a seu mundo.
— Tá, solta logo onde é que a gente tá, tio. — Pepito.
Bem-vindos... ao Mundo Cibernético.

CHAN-CHAN-CHAAAAAN.

— Cibernético? — o queixo de Pepito caiu com o espanto — Exatamente como na minha ideia, mas... Comofaz??
— Fuu, a gente vai morrer. D= — Matt.
Nada temam. O Jogo os trouxe até aqui por uma razão. Enquanto estiverem aqui, prometo tratá-los com respeito.
— E você é...? — Grilo.
Eu sou o Imperador.

CHAN-CHAN-CHAAAAAN.²

— Não creio. u.u — desdenhou Pepito.
Sou eu quem configuro as diretrizes de comando desta cidade. Minha forma atual é meramente um artifício...
— Prove que é o fodão Big Boss dessa porra aqui.

...

Está bem. Pense num número qualquer.
— Hmm... Dois!
Era pra pensar, imbecil.
— Ah, deixa. Eu acredito que é você.
Como dizia, minha forma atual é meramente um artifício visual para me dirigir a vocês. Gostaria, se acharem que fui convincente o bastante, de lhes propor um pequeno trato.

CONTINUA...