segunda-feira, 2 de agosto de 2010

(2ª TEMPORADA) EPISODE 11 - Mudança de Método

..................LITTLE WATERFALL. UMA CHÁCARA PARTICULAR.

O som de pneus sobre o chão batido quebrou o silêncio perto do galpão externo à casa principal. Parou um carro preto, de quatro portas. O motorista desembarcou, tirou um molho de chaves grossas do bolso e com uma delas abriu o cadeado que encerrava a entrada do pavilhão.

*CLANK*

Removeu o cadeado, empurrou a porta deslizante para o lado, entrou, acendeu uma lâmpada que pendia do teto por um fino cabo preto enrolado com fita isolante. A luz oscilou um pouco antes de se acender, iluminando o que era um velho depósito para mesas, cadeiras e ferramentas coberto de poeira por todos os lados.

O homem arrastou uma cadeira até o centro do barracão, saiu para fora e abriu o porta-malas de seu automóvel sem preocupar-se em olhar para os lados, já que ninguém passaria por aquela propriedade.

O prisioneiro ergueu a cabeça imediatamente, deitado de bruços com as mãos e pernas amarradas e uma fita adesiva tapando-lhe a boca, para absorver com os olhos o novo ambiente. Seu captor o ergueu sobre as costas sem titubear, carregou-o para dentro do galpão, onde o colocou sentado sobre a cadeira, e depois voltou para perto do carro para apanhar mais um rolo de cordas, com o qual atou-o firmemente ao assento. Feito isso, foi até o carro fechar o porta-malas, desligar o motor e os farois. Regressando ao galpão, cerrou a porta.

O garoto cativo encarou-o quando ele se aproximou, num misto de apreensão e curiosidade. O homem analisou-o por alguns segundos, então levou a mão ao bolso e dele sacou uma pistola, cujo cano frio pressionou contra a sua testa. O refém começou a suar frio, seu olhar revelando pavor.

— Diga-me agora — falou o Agente #1 — se devo te matar ou não.

Matt Liebert olhou para ele, depois para a arma, e sacudiu freneticamente a cabeça em sinal de “Não”. O Agente #1 afastou a arma de sua cabeça e arrancou-lhe a fita adesiva da boca (“AUCH!”).

— É bom me dar um ÓTIMO motivo. — avisou em seguida, guardando a pistola e se sentando em outra cadeira, de frente para ele.

Já com os nervos um pouco mais calmos e a respiração normalizada, Matt indagou-lhe:

— Onde estamos?
— Por que isso te interessa? — devolveu-lhe o homem de terno.
— Se morrerei mais tarde, tanto faz você me contar ou não.

O agente pensou um pouco sobre o que ele dissera e declarou:

— Verdade. Esta é uma chácara de minha propriedade, que adquiri há muitos anos. Situa-se em Little Waterfall.

Matt teve de reprimir uma careta de surpresa, o que o olhar treinado de Nikolai não deixou passar.

— Que foi? Diz alguma coisa pra você?
— Talvez.
— Escute, eu já fiz o esforço louco de te tirar de lá e trazê-lo até aqui. Somos só você e eu. Se existe um momento certo para ser sincero, o momento é agora.

Matt ponderou as palavras dele e viu que não havia outro jeito. O que mais poderia perder?

— Antes, me diga por que resolveu confiar em mim. — exigiu.
— O homem a quem eu me esforçava em obedecer e agradar dispensou meus serviços como se eu não prestasse para nada. Tecnicamente, eu não sirvo mais a ninguém, por isso mesmo posso me dar ao luxo de perseguir uma curiosidade pessoal. — explicou o Agente #1 pausadamente.
— Nada mau. — reconheceu Matt genuinamente admirado — Por onde quer começar?
— Por que entregou o plano do atentado à Feira?
— Não queria que gente inocente morresse por minha causa! Mesmo que custasse a minha vida... queria que alguém o impedisse.
— Por que veio a MIM, em vez de procurar a polícia?
— Temos acesso a um banco de dados sobre os agentes do GOOGLE. É secreto, obviamente, mas não impede que fucemos. Andei fuçando e reconheci você por sua ficha. É verdade que abandonou uma missão para resgatar feridos em um terremoto?
— Eu era um jovem militar cheio de ideias loucas, estávamos num país inóspito e... O que isso tem a ver com a conversa?
— Pensei que, por ter feito uma coisa dessas, você seria diferente. Que de alguma forma entenderia que isso não se tratava de cumprir ordens, mas de salvar vidas.

O Agente #1 demorou a encontrar a resposta certa para aquela.

— Você... Você tomou um grande e estúpido risco baseado em um... chute de que eu seria “mais bonzinho”?
— Não tive outra saída.
— Quem está com você agora?
— Hum... Pepito, Gabriel, Gustavo, Amália... e Pedro.
— Quem protege vocês?
— Não sabemos o nome dele, mas ele tem muito dinheiro e recursos. Se autodenomina... erm... Negão de Tapa-Olho.

Nikolai ergueu as sobrancelhas ao ouvir o nome e resolveu pegar um bloco de papel para anotar as informações. O garoto seguiu falando:

— Há ainda um garoto que trabalha pra ele, fora sua esposa. A equipe morta do BOPE... foram eles. Salvaram meus amigos, e agora cumprimos ordens suas. Qualquer coisa.
— Onde se escondem?
— Ele tem uma propriedade aqui mesmo, em Little Waterfall.

Mais surpreso ainda, o Agente #1 fez outra anotação. Enquanto ele rabiscava, Matt apressou-se em perguntar algo que estava lhe matando por dentro:

— Você me promete que não fará nada com meus amigos, não promete? Eu juro, eles não têm nada a ver com... com a organização nem nada. Fomos apenas arrastados pra isso!

O Agente #1 parou de escrever e olhou para ele com cara de “Tá, e aí, meu?”. Matt implorou:

— Por favor! Diga-me algo.

O homem fechou o bloco, guardou-o no bolso e cruzou as mãos em cima do joelho.

— Aqui, meu rapaz: mesmo ele sendo seu amigo, o que acredito que seja, Pedro representa para o mundo lá fora um enorme risco enquanto está à solta.
— Como tem certeza? — questionou Matt, desconfiado.
— É tão certo como o sol nascer de manhã. Meu interesse em saber desse seu chefe de tapa-olho consiste unicamente em evitar que pessoas morram. Ninguém sofreu sequer um arranhão na explosão desta noite apenas por um golpe de sorte.
— Peraí... Ninguém... morreu? o-o
— Não.

Matt sentiu o maior alívio de sua vida.

— Mas, quanto a Pedro e Bob — disse Nikolai, retomando a conversa —, não posso garantir coisa nenhuma.
— Mas tem que haver um modo de negociarmos! Eu vejo Pedro todos os dias e posso jurar que ele está perfeitamente sob controle!
— Você se surpreenderia... Bem, você falou em “organização”. Pode explicar isso melhor?

=============OPENING CREDITS============

...........GAY HARBOR. AVENIDA RANDOM.

O carro corria depressa pela pista escorregadia. Quem cometia a imprudência era Galarza, que por precaução apagara todos os arquivos de vídeo da segurança do Museu, assim ninguém descobriria que ele e seus amiguinhos estiveram lá dentro. Por outro lado, qual era a identidade da pessoa que entrara ali antes deles e removera Liebert de sua cela ainda era uma incógnita, por esse motivo todos estavam nervosos, o que levava Galarza a correr pra caralho.

*WASH, WASH*

— Galarzaaaa.
— Quê? *furioso*
— Desliga o limpa-brisa.
— Não dá, Amália.
— Mas eu quero cochilar! Isso faz barulho! =S
— Fooooda-se!

Amália irritou-se e atirou um tênis na nuca dele, que perdeu momentaneamente o controle do volante e fez o carro escorregar de maneira perigosa pela pista.

— PORRA, AMÁLIA! — xingou o motorista após o momento tenso.
— Nhaaaa. D=
— PODIA TER NOS MATADO!
— Calma, gente. — Pepito.
— MAS ESSA GURIA É DOIDA! — Galarza.
— Magoou. =( — Amália.
— Galarza, continua dirigindo. Nós sabemos que você tá puto apenas porque perdeu o alvo da missão. — falou Pedro de olhos fechados, massageando a testa. Estava exausto e com enxaqueca, mas ainda conseguia ser paciente com as pessoas.

Mesmo com o aviso, Galarza continuou berrando:

— EU TÔ PUTO PORQUE OUTRA PESSOA RESGATOU O MEU REFÉM DO CATIVEIRO! É A SEGUNDA BOLA FORA QUE EU DOU ESSA NOITE!
— Não entendo todo esse estardalhaço. — bufou Amália — Ci pah a gente nem precisa do Matt.

Ao ouvirem isso, todos no banco de trás fizeram “o.O”, e Amália, não satisfeita, soltou mais uma:

— Em matéria de líder, nós temos pessoas muito mais qualificadas. Tipo, EU poderia ser líder!

Gustavo ergueu o dedo para falar, mas Galarza roubou sua vez:

— WTF??? Nem nos mais terríveis pesadelos, Amália! Por outro lado... a situação não é tão desesperadora. Tecnicamente, Matt não está mais preso. Tecnicamente, ele está bem. Tecnicamente, estamos bem sem ele... EU poderia ser líder. =D

Gustavo notou que Pinguin olhava para ele com a mesma expressão de “Tá tudo errado nessa porra” e lhe disse confidencialmente:

— É... Precisamos do Matt.

Então Pinguin entrou com sua opinião:

— Olha, gente... Deve haver uma boa razão pra isso. *otimista* Matt às vezes faz coisas sem-noção e desaparece sem avisar, mas ele sempre acaba voltando.

...........ENQUANTO ISSO:

— YUHUUU!

Matt jogava videogame na sala do casarão de Nikolai, já livre das cordas e mordaças, enquanto o agente vasculhava a cozinha em busca de algo para comer. Quando Liebert fez seu primeiro FATALITY no Mortal Kombat, o Agente #1 reapareceu com dois sandubas de queijo e sentou-se ao lado dele no sofá.

— Aqui, coma. É o que deu pra preparar nessas condições.
— Yummy! — Matt comeu, e sua barrinha de Life aumentou sensivelmente.
— *MUNCH, MUNCH* Voltando à descrição da sede que você estava me fornecendo — falou o Agente #1 comendo também —, o Negão passa as noites em outra casa?
— Sim, mas não todas as noites. Ele e a esposa moram em outra casa, sim, mas não lembro o endereço agora.
— Tudo bem. Tendo as descrições de ambos, conforme você me deu, não vai ser difícil encontrá-los. Algo mais?
— Ah, sim. — Matt parou de mastigar um pouco, depositou o meio-sanduíche no prato e limpou as mãos — A Doom Finger possui uma vasta rede de comunicação internacional. Temos pessoas na França, em Portugal e talvez no Japão.
— Japão?
— Japão.
— JAPÃO?
— Japão.
— Porra. o-o No fim, tinha coisa no Japão mesmo... Anyway, eu vou adorar ver esses loucos atrás das grades. u.u

Nikolai interrompeu as perguntas para dar mais uma mordida no lanche. Nisso, Matt aproveitou para ressuscitar um assunto:

— Err, sobre Pepito, Grilo e...
— Vá diffe, Mibert! — resmungou o Agente #1 com a boca cheia de comida. Fez uma pausa pra engolir, soltou um arroto e repetiu: — Já disse, Liebert: não posso prometer nada!
— Não prometa. Apenas faça.

OWNED!

— Tá, o que foi isso?
— O quê?

O Agente #1 jurava ter visto um objeto surreal brotar do nada e desaparecer num milésimo de segundo.

— Como “o quê”? As letrinhas verdes!

*COF, COF*

Matt quase se engasgou com um naco de pão. Vendo aquilo, Nikolai dirigiu-lhe um olhar suspicioso.

— Você sabe de alguma coisa...
— Quem, eu?
— Não te faz, Liebert! u.u Você viu o que eu vi: “OWNED!”.
— Ai, tá, eu desisto. Isso acontece quando eu ou um de meus amigos recebe um objetivo ou conquista uma coisa nova no Jogo. Nem todo mundo consegue ver.

Nikolai ficou tão assombrado com a explicação que esqueceu o assunto da Doom Finger.

— Eu sabia! — exclamou — Mais cedo ou mais tarde, minha percepção teria de mudar!
— Do que você tá falando?
— Tenho lido aquele seu livrinho. O Instruction Book.

Ele parecia muito animado com aquilo, mas Matt não entendeu por quê.

— Aquele treco velho? Onde você achou?
— Na sua casa, oras.
— Ah, é. Quase esqueci que eu tinha casa. xD Mas você tem saco pra ler tudo aquilo? Confesso que eu quase dormi antes do final.
— O quê? A obra é genial, mas sim, o Sebastian enrola muito...
— Ma-ma-ma... Sebastian??

Matt deixou o sanduíche cair a caminho da própria boca. Dessa vez foi o agente quem não entendeu sua reação.

— Você não sabia que o Sebastian era autor do livro?
— Cara, eu nunca parei pra... Sebastian, autor do livro??
— É uma história complicada. Sebastian foi um nome falso que um cara chamado Damião F. Schneider escolheu antes de vir trabalhar para nós.
— o.O
— Não acredito que você não sabia!
— Cara... to boiando total...
— Vou te contar a história.

E contou.

...........LITTLE WATERFALL. SEDE DA ORGANIZAÇÃO DOOM FINGER.

*BUM*

A porta da sala escancarou-se, e os seis adolescentes entraram podres de cansaço.

— Pepito e Grilo. — chamou Galarza.
— Humm. — resmungaram os dois de volta.
— Guardem as armas na Sala de Armas (dã). Pinguin, certifique-se de que as portas e janelas estão trancadas e o alarme, acionado.
— Tá, tá. — disse Pinguin, e foi cumprir o favor.
— Amália...
— Nem tenta.

Amália subiu direto para o dormitório. Galarza emitiu um rosnado e virou-se para a última pessoa livre, Pedro.

— Por gentileza, Pedro...
— Desculpa, não vai dar.

Ele parecia muito perturbado.

— O que é que...?
— Foi mal, eu não posso. Preciso me deitar.

E Pedro subiu também, sem dizer mais nada. Galarza olhou para Pepito e Gustavo, que ainda não tinham terminado de reunir os equipamentos usados, e perguntou:

— O que será que ele tem?
— TPM. — respondeu Pepito na hora.
— Cala a boca, Pepito. — Grilo.
— James Brown!
— Ele só deve estar com dor de cabeça, Galarza. Ele lê demais.
— Hum. Anyway.

Galarza saiu. Gustavo interrompeu momentaneamente o que estava fazendo e puxou Pepito até um canto.

— Tipo assim, Pepito. Nós temos que conversar...
— É só um tique nervoso, tá. Não é como se eu estivesse viciado!
— Hã?
— Ah... penseiqueerasobreoJamesBrown... Enfim, o que você ia dizer? =D
— o-o... Agora que o Matt está fora de ação por tempo indeterminado, alguém precisa tomar uma providência a respeito do Backup. Já arrastamos isso por tempo demais!
— Escuta, eu tenho tudo sob controle. Hoje mesmo, ele me procurou...........................*FLASHFORWARD*...............................e me deu a Pen-drive.
— Porra, isso quer dizer que... Meu Deus, será que...
— O quê? D=
— Sei lá. ‘-‘
— Ah, você está pensando que o Matt nos caguetou?
— Esse é um termo forte, mas... É!
— Por que ele faria isso?
— Sei lá. Ele não é o heroi da coisa toda? Herois fazem isso.
— Mas o Matt? Ele é tão...
— Gay?
— Eu ia dizer calmo.
— Oh.
— Ele só faria uma coisa dessas se não tivesse outra saída. Caramba, ele realmente se preocupou em salvar as pessoas.

Houve uma Pausa Dramática¹ depois disso, e eis que Pepito viu se formar em sua mente uma ideia totalmente nova. Ele sabia o que precisava fazer, e — pela Não-tão-Virgem Maria! — dessa vez ia dar certo! Tanto que uma lampadinha brihou acima de sua cabeça.

— Tive uma ideia! *.*
— Lol.
— Não, sério. Temos que... temos que contar aos outros. O Pinguin já sabe, então... Pra Amália e pro Pedro. É. Era o que o Matt gostaria que acontecesse. E pro Galarza também. É hora de falarmos com ele!
— Tem certeza?
— Uma hora ele tem que descobrir que é Player, e não NPC. u.u
— Tá, tá. Continua, depois que falarmos com o Galarza, a gente...
Que tem o Galarza?

Galarza voltara a tempo de ouvir a última frase. Sem ter o que responder, Gustavo olhou para Pepito, que pegou a lampadinha e entregou ao SPY dizendo:

— Feliz aniversário! =D
— Uma... lâmpada?
— Era pra ser uma surpresa, mas você descobriu.
— Caras, meu aniversário já passou. ‘-‘

...

— OUNNNNNN!

Pepito abraçou Galarza com tanta força que ele perdeu o ar. Gustavo esticou um pé, tentando sair de fininho, mas João Pedro agarrou-o pela gola e o trouxe à força para junto do abraço.

— TÁÁ, PEPITO, JÁ DEEEEU!

...........Pedro lavou o rosto, secou-se e olhou o espelho. Sentia muita raiva de si mesmo.

— Qual é a sua, agora? — sussurrou para o próprio reflexo — Vai me transformar num Harry Potter? Tenho que tomar Tylenol cada vez que você estiver agitado?

*KNOCK, KNOCK*

Pedro, tá tudo bem aí?

Era Amália do lado de fora do banheiro.

— Sim, eu to bem, já to saindo! — berrou o garoto em resposta.

Quando abriu a porta, deu de cara com o olhar investigativo de Amália.

— Er... Tudo bem? — perguntou meio assustado, e isso o fez esquecer por um momento a dor de cabeça.
— Comigo, sim, mas com você parece que não. — disse ela olhando-o como se pudesse adivinhar seus pensamentos.
— Deixa quieto, Amália. Eu só to cansado como todo mundo. ^^
— Hummm... Tá, boa noite, deixa eu usar o banheiro.

Ela tirou o garoto do caminho, entrou e fechou a porta.

— Boa noite. ‘-‘

...........MAIS TARDE:

O silêncio do dormitório masculino foi interrompido pela musiquinha dos Power Rangers, que repetiu-se três vezes até Pepito acordar de um sonho com marshmallows para atender o telefone celular.

— Alô? *grogue*
Pepito, sou eu, Matt. NÃO FALA NADA! Apenas diga “Uhum”, ok?
— Uhum...
Preciso que um de vocês me encontre amanhã, no Centro, às duas da tarde. Anota o endereço.
— Hã?
ANOTA O ENDEREÇO!
— Tá, tá.

Pepito acendeu o abajur da cabeceira, descolou papel e caneta e anotou.

— Uhum, uhum... Que mais?
Vá sozinho. É muito importante. Confio em você.
— Uhum.

A ligação terminou. Pepito desligou o celular, guardou o papel no bolso e caiu no ronco outra vez.

...........DIA SEGUINTE. CENTRO DE GAY HARBOR.

— É bom que isto dê certo, Liebert. — rosnou Nikolai tragando seu cigarro na sacada de um apartamenro random do Edifício Dois Irmãos.
— Vai dar, Nikolai. Prometo. — falou Liebert.
— Tá, isso soa gay. Chega.

Ouviram batidas na porta. Matt encaminhou-se para abrí-la, mas o Agente #1 pigarreou alto. Aquele olhou para trás e viu este apagando o cigarro no parapeito.

— Deixa que eu espio.

Ele terminou de se livrar do cigarro, saiu da sacada e atravessou a sala de estar até a porta. Com uma mão no cabo da arma, verificou pelo olho-mágico quem era pessoa no corredor.

— Tudo bem, é ele mesmo. Abra.

Liebert destrancou a porta, e Pepito entrou de braços abertos.

— MATT! =D
— Shhhh. Cala a boca, Pepito! — falou Matt com medo, olhando para os dois lados do corredor antes de trancar a porta novamente.

O sorriso de Pepito desmanchou-se ao ver o Agente #1 como um avulso, encostado na parede.

— WTF ele tá fazendo aqui?
— Tudo tem uma explicação, Pepito, mas isso fica pra mais tarde. — disse Matt depressa — Apenas saiba que ele está aqui para ajudar.
— Ow, ow, calma aí, garoto. — advertiu-lhe o agente com o dedo apontado na sua direção — Não sou a Fada Farol de ninguém. Em primeiro lugar, eu quero o Negão.

Pepito olhou pro agente, depois pra Matt, e perguntou:

— Vocês estão se comendo?
— SÓ ESCUTA, PEPITO. — falou Matt com menos paciência que antes — A Doom Finger é uma organização criminosa que precisa ser levada à Justiça. O Negão de Tapa-Olho é um terrorista.
— Isso eu sabia. Te liga, Marcelinho.
— MAS EU TÔ FALANDO QUE, em troca de aliviar nossa barra com a polícia (pelo menos por enquanto), o Agente #1 aqui pediu informações suficientes para desmantelar a Doom Finger.
— E você deu?
— Claro.
— MATT LIEB... Ah, okay. =D

Neste momento, o Agente #1 deu três passos em direção a Pepito e, com uma sinceridade nunca antes vista, estendeu-lhe a mão dizendo:

— Trégua.

Mesmo um pouco desconfiado, Pepito apertou-lhe a mão.

— Se é o que o meu amigo quer... trégua.

De repente, eles ouviram...

Atenção, Matt Liebert: aqui quem fala é o Capitão do BOPE (aquele do filme). Você está preso por uma penca de crimes que eu não tenho saco de citar agora, mas são suficientes para preencher várias páginas. Você está cercado. Apresente-se com as mãos na cabeça e as pernas depiladas!

Matt disse “Ih, fodeu”. Pepito foi até a janela, de onde viu vários camburões e soldados de farda preta bloqueando a entrada do alto edifício, deu um baita xingão e voltou-se para o Agente #1 com raiva.

— Seu filho da mãe, sabia que não dava pra confiar em você!
— Eu juro que não tenho nada a ver com isso. — disse Nikolai, o que era verdade.

Mas Pepito já tinha sacado a Magnum e apontado para o rosto dele.

— Não quero saber. Se tiver que usar você de escudo, vou usar!
— Meu rapaz... — o homem chegou bem perto do cano (ui) sem sequer arrepiar-se — Eu tive todas as chances de entregar Matt Liebert outra vez. Eu o tive amarrado na minha frente e depois o soltei. Acha mesmo que eu tenho qualquer coisa a ver com aqueles soldados lá fora?
— Pepito, não viaja. O cara tá falando a verdade! — gritou Matt, de pé à esquerda do amigo, pronto para tirar-lhe a arma se fosse necessário. No fim não foi, pois Pepito baixou-a sozinho.
— Tá bom, então. Mas agora, como vamos sair daqui?
Este é o seu último aviso, Liebert: abandone suas armas e saia com as mãos visíveis, ou mandarei invadir!

Matt olhou para Pepito, que olhou para o Agente #1, que olhou para Matt... e este tomou sua decisão.

— Eles que venham. OUVIRAM BEM?? — foi até a sacada e berrou: — PODEM VIR, CACHORROS!

Nikolai engatilhou sua glock e disse:

— Bem, pode ser que eu morra hoje... Mas nunca me senti tão vivo!

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