segunda-feira, 27 de setembro de 2010

(2ª TEMPORADA) EPISODE 13 - Oregon [Parte II]

Coca-Cola

...........UM HOTEL EM THE DALLES, OREGON. (SEM QUALQUER PREOCUPAÇÃO COM FUSO-HORÁRIO):

Amália entrou bufando no quarto carregando uma valise de maquiagem, que depositou em cima da cômoda antes de se jogar sobre uma das camas.

— Eu tô exausta!

A seguir vieram Matt, Pepito, Grilo e Pedro, estes sim puxando, cada um, duas malas de viagem tamanho família, abarrotadas de itens; desde os de primeira necessidade até armas portáteis de destruição em massa. Eles deitaram a bagagem no carpete de luxo, suando, e olharam para Amália, esparramada no colchão como se tivesse cruzado um deserto.

Pepito e Matt compartilharam caretas de “Eu mereço...”.

Um rock altíssimo quebrou a acústica silenciosa da suíte quando Galarza (fones no ouvido e celular na mão) e Pinguin (trazendo mais uma mala, a última: grande, muito bem lacrada, a qual o primeiro se referira como “Meu segredinho” e que seria usada na missão que realizariam mais tarde) entraram no quarto, completando o grupo.

— Okay, chegamos! — *SLAM!* Galarza bateu a porta e disse a todos com rapidez: — Peguem suas coisas, escolham seus cantos preferidos, tomem banho ou comam, sei lá... fooda-se... e estejem preparados para a reunião desta noite.
— É “estejam”. — Matt.
— Whatever. E, Pinguin — deu um giro de 180 graus, de modo a estar de frente com quem estava falando naquele momento —, coloque “meu segredinho” num local onde ninguém vá xeretar até segunda ordem. É importante que o equipamento esteje bem conservado até ser utilizado.
— É “estejam”. — Matt²
— Não me lembro de ter perguntado!

Pinguin, então, fez o que o... chefe?... mandara, enquanto o próprio Galarza ocupava a cama mais confortável, próxima à janela, cruzando os braços atrás da cabeça e fechando os olhos.

— É só isso? — indagou Pepito um tanto confuso. — Ninguém lá embaixo (na recepção) levantou qualquer suspeita sobre um grupo de menores de idade cruzando o continente a bordo de um jatinho privado, portando artigos proibidos de finalidade bélica, sendo que seus nomes estão na lista da Interpol???

Galarza deu de ombros.

— Suspeitar, suspeitaram... mas eu já resolvi tudo.
— Como? — Gustavo.
— Matei eles. Okay, pessoal, antes que eu durma — ele pausou a música do celular antes de falar com eles —, por favor, não saiam do hotel. De preferência, não deixem o quarto. O Ralph quase teve de dar o cu pra encobrir nossa decolagem E aterrisagem. Vamos fazer jus ao... cu do Ralph... está bem?

Todos assentiram de forma solene. Galarza disse “Good” e tornou a ouvir música, cochilando em poucos minutos.

O grupo foi para o banheiro (único recinto de onde certamente ninguém os ouviria), Amália reclamando por ter que se levantar, e conversou:

— Pessoal, it’s now or never. — falou Matt, tremendo de nervosismo — Parecia que nunca chegaríamos a este lugar, mas cá estamos.
— No banheiro? — Pepito.
— No ban... no. ¬¬ Em Oregon! Galarza está disposto a cumprir os desígnios de seu chefe — explodir o GOOGLE — e, realmente, ele tem gênio e tecnologia pra isso. Mas nós temos... — esperou a resposta dos outros — Nós temos...?... Ei! =/
— Nós temos bottons? — perguntou Amália mostrando o seu do Nirvana.
— Acho que o Matt quis dizer que nós temos uma vantagem numérica em relação ao Galarza. — falou Gustavo ponderadamente, em seguida abrindo caminho a cotoveladas para chegar à pia — Dá licença, que meu olho tá coçando...

Enquanto a água corria e ele lavava o olho, a reunião continuou. Desta vez com Pepito tomando a frente...

— Por mais “One Piece” que isto soe, acho que é hora do motim, companheiros. o-o
— Pepito está certo. Ideias? — Matt.

Amália deu pulinhos com a mão levantada.

— Me! Me!
— Oi?
— Assim, ó: a gente enrola ele, com cama e tudo, usando fita adesiva, enfia uma meia na boca dele e... e... — ela olhou para Pedro, esperando uma sugestão.
— E coloca chantilly na orelha dele! — disse Pedro.
— Vocês acham que isso faz diferença para a salvação do mundo? — perguntou Pepito com paciência.

Os dois refletiram, e disseram:

— Sim!
— Não vamos fazer nada com chantilly ou fita adesiva. ¬¬ — resmungou Matt — Tipo, ele tem os mapas e planos no computador. Alguém viu esses arquivos?

Pinguin levantou o dedo.

— Eu hackeei o PC dele quando jogava The Duel. O plano é plantar explosivos no subsolo, danificando estruturas, áreas de refrigeração, processadores, tudo vai ser engolido pela terra.
— Ótimo. Agora sabemos o que NÃO fazer. — disse Matt — Os explosivos nós já vimos — carregamos aquela merda até aqui em cima —, mas e a outra mala? Aquela que ele não deixa mexerem?
— Só abre por senha. E eu não faço ideia do que seja.
— Okay, okay. De qualquer forma, mesmo se for algo muito feio ele não poderá usar, porque nós o teremos submetido antes. Seguinte: alguém tem de ficar aqui vigiando o Galarza enquanto o resto vai lá e... bem, faz a coisa. Pega o backup e talz. Quem se habilita?
— Eu posso fazer isso. — disse Pedro.
— Nem a pau, você vem comigo matar seguranças. u.u — protestou Amália imediatamente.
— Eu to cansado, Amália! D=
— Eu não vou matar ninguém sem você por perto. u.u
— Hey, hey! — Matt cortou a discussão antes que ela ofuscasse o verdadeiro assunto do debate — Ninguém vai precisar matar ninguém. Será um trabalho furtivo.
— Mas esses detalhes quem sabe é o Galarza. — argumentou Amália.

Os outros concordaram.

— Okay, okay, então nós esperamos a reunião de hoje à noite? Esperamos ele falar tudo? ‘-‘
Óbvio, Matt. u.u by todos. (-q)
— Está bem, está bem. Mas — Matt perguntou, meio que perdendo o fio da meada — e depois?

Pepito pigarreou, chamando todas as atenções.

— Eu tenho uma ideia.

...........Galarza acordou e pareceu surpreso em ver todo mundo devidamente vestido, acordado e silencioso na frente da TV. Não que isso fosse ruim. Porém, surpreendeu-se mais ainda ao constatar que Pedro e Pepito não estavam presentes.

— Cadê a “dupla P”? — perguntou ao grupo que assistia televisão.

Amália murmurou alguma coisa ininteligível — estava atenta a uma matéria sobre golfinhos-radioativos-fantasmas-zumbis no History Channel. Gustavo esclareceu por ela:

— Foram comprar Coca Cola.
— Comprar Coc... Porra, eu falei pra não saírem daqui! Temos tudo que precisamos aqui! — ralhou o SPY.
— É, menos Coca Cola. — disse Pinguin como se fosse extremamente ofensivo alguém não se lembrar desse detalhe.
— Mas eu... Ah, aí estão eles!

Pedro e Pepito tinham chegado com uma sacola.

— Yuhuu, sabiam que tem uma grocery store aqui perto que vende morangos orgânicos por metade do preço? — contou Pepito animado enquanto descobria a pet de 2 litros em cima da mesa. Ao verem a Coca Cola, Pinguin, Matt e Grilo começaram a babar, seus olhos brilhando (-Life potion... *.*), o que foi meio óbvio, pois a garrafa também ficou brilhando por um momento.
— Muuuuito bem, estou muito... PUTO!... e ao mesmo tempo... CONTENTE!... com vocês dois por terem violado a minha regra de não sair da porra do quarto pra comprar Coca Cola! — berrou Galarza.
— Ah, mas a gente...
— Nam, nam, shut, shut. Vou presidir a reunião. Digo, explicar a vocês, bem resumidamente (porque eu não to com saco pra falar muito), como nós vamos invadir aquela merda. E depois eu vou beber essa Coca. Desliga isso aí! — ele deu um chute de ninja contra um peso de papel em forma de caveira (sabe-se lá por que) que saiu voando até atingir o botão de ‘off’ da televisão, que apagou-se.

+ 1 AGILIDADE!

— Perfeito, agora ouçam-me.
— Mas... os golfinhos... =( — Amália.
— OUÇAM, porra!

Todos fizeram um círculo em torno de Galarza, que abriu o computador para lhes mostrar imagens aéreas e plantas com informações minuciosas sobre o Data Base do GOOGLE. Por algum motivo, o Windows não parava de dar pau e pop-up’s com anúncios de sexo saltavam constantemente na tela.

— DOW! Ah, enchi o saco! — Galarza “encheu o saco” (dã) e desligou a máquina, virando-se para seus comandados, que observavam sem dar um pio. — Vocês entenderam, né? =/

Houveram “Sim”s e “Aham”s sem muita convicção em resposta.

— Perfeito! — ele se levantou e foi abrir a garrafa, já cansado de palestrar — Às 5 todo mundo acorda, para que chegamos...
— “Cheguemos” — Matt.
— ... às 7 na entrada de turistas.
— Por que de turistas? — Pepito.
— Porque nós vamos nos infiltrar e render todo mundo, imbecis! A segurança é fraca, porque ninguém espera um ataque desses, fora que lá só tem... técnicos... gordos... Enfim, alguém quer Coca Cola? Ninguém quer, né? Porque eu vou beber agora. u.u

Quando ele estava a ponto de tomar um gole, Grilo levantou a mão.

— Ô, sor...
— Fala. ¬¬
— O que que tem naquela mala ali? É tão grande... — falou Gustavo em tom um pouco infantil, o que irritou profundamente seu interlocutor, que respondeu: — É só uma mala. É... o meu plano B.
— E qual é o plano B? — indagou Pepito.
— O que não é o A. — disse Galarza, e imediatamente bebeu metade da Coca Cola antes que lhe interrompessem com mais perguntas. — Ahhhhhhh... É tão gelado. *.* Okay, onde eu estava?... Ah, pois é: Pepito e Pedro — mas isso também vale pros outros —, NÃO SAIAM OUTRA VEZ DO QUARTO!

Pinguin levantou a mão.

— Mas como a gente vai cumprir o trabalho de amanhã?
— Não saiam do quarto ATÉ EU MANDAR, criança. =)
— E se acontecer, por exemplo — Pepito entrou na conversa (again) —, de golfinhos-radioativos-fantasmas-zumbis entrarem pela janela ANTES de você nos autorizar a sair do quarto... e tentarem nos devorar? Espera que nós fiquemos aqui? u.u

Os outros disseram “Éééé”, esperneando e fazendo barulho.

— Aí seria uma emergência. — respondeu Galarza — E, sim, acho que vocês poderiam sair do quarto sem minha permissão, mas apenas nesse caso.

Grilo levantou a mão.

— E se forem esquilos?
— Er... também. — Galarza.
— E mariposas? — Amália.
— Mariposas não atacam pessoas! — Pinguin.
— Naquele filme que eu vi, sim... — Amália.
— AHH, CALEM A BOCA! — Galarza *dor de cabeça* — Vejam só — foi até a porta com a chave —: eu estou trancando — trancou — a merda da porta! E a única chave disponível se encontra agora no meu cu. Satisfeitos?

Ninguém respondeu. Nem foi preciso, porque ele desmaiou em seguida: ao todo, a droga levara 6 minutos para surtir efeito.

Os outros se levantaram e se aproximaram do corpo inerte.

— Alguém aí checa o pulso dele? — Pedro.

Amália o fez.

— Tá normal.
— Merda, sempre falta alguma coisa! >.< — xingou Pepito, decepcionado consigo mesmo (fora sua a ideia da bebida), e foi pegar a televisão para quebrar na cabeça dele.
— YAL, o que você vai fazer??? — indagou Matt exasperado.
— Terminar o serviço? ‘-‘
— Quando nós concordamos em “Botá-lo pra dormir”,  foi “dormir” no sentido de poder acordar depois, Pepito.
— Oh.

Pepito repôs a TV no lugar, desanimado.

— Temos de desarmar os explosivos. — disse Matt.
— Eu cuido disso. — falou Pedro indo fazer sua parte.
— E a maleta misteriosa? — perguntou Pinguin.

Matt olhou para o objeto, refletiu e disse:

— Não é importante agora. Tratem de pôr o Galarza onde ele não incomode.

Grilo, Pinguin e Amália carregaram o SPY inconsciente até o banheiro. Pepito ajudou, com a condição de que não tivesse de tocar naquela chave.

CONTINUA...

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