sábado, 9 de outubro de 2010

(2ª TEMPORADA) EPISODE 13 - Oregon [Parte III]

Quando a luz piscar duas vezes

— E aí, quando é que vai falar?

Rodney fez a pergunta com sincera impaciência: estava farto de ficar em pé naquela sala, de frente para um prisioneiro insolente, enquanto a verdadeira ação (os demais agentes disponíveis tinham sido escalados para resolver o homicídio do casal de terroristas) acontecia em outro lugar.

Nikolai Pavel, ou Agente #1, ou (como apenas os mais chegados agora sabiam que ele se chamava) Andrius não disse nada, como era de se esperar. Movido pela forte angústia de ter que ficar ali mais um dia, Rodney pegou uma cadeira, bateu-a com força no chão, na frente do prisioneiro, e sentou-se, os dois separados apenas por uma mesa de metal.

— Me diga uma coisa, “salvador” — disse em tom de deboche —: o que lhe faz confiar cegamente naqueles fedelhos? E se eles não estiverem interessados em jogar limpo, hein? E se tiverem alguma carta muito suja na manga, que possa acarretar em milhões de mortes, e por isso mataram os chefes da organização? Porque, se for, o caso, se eles causarem algum grande estrago, pior do que aquele do hotel, a culpa vai ser toda sua!

O outro o olhou de volta, pela primeira vez com semblante de dúvida: o discuro fizera-o se interrogar se, de fato, agira imprudentemente confiando nos adolescentes...

— Você se lembra — ele começou a perguntar, rouco pela falta de água — de quando o Projeto BOB foi abandonado pelo Sebastian? Pensaram (ou inventaram) que ele estivesse morto. Agora... o GOOGLE está por um fio porque quem tinha o trabalho de resolver esse mistério (como você, por exemplo) não fez seu trabalho direito. Então, me responda: quem agiu mais estupidamente?
— O que você quer dizer com “por um fio”? — um olho do agente tremia de nervosismo — Nikolai! O que você quer dizer com “por um fio”?

Neste momento as lâmpadas oscilaram duas vezes, escurecendo a cela por dois momentos rápidos. Rodney virou o rosto para a porta pensando “Malditos técnicos, nem para manterem as luzes acesas...”. Ouviu um clique, o que achou estranho, e voltou-se para o prisioneiro.

Levou duas bifas nas orelhas. Depois Andrius pegou a luminária de cima da mesa que os separava e acertou-lhe na cabeça com ela. Rodney deitou-se de lado, atordoado.

O Agente #1 esticou o braço para abrir as algemas que lhe imobilizavam as pernas — usava um pino de metal que escondera entre os dedos, discreto o suficiente para seus intentos —, levantou-se e usou o cartão magnético de Rodney para abrir a porta.

...........Norma tamborilou os dedos pelo volante do carro preto, esperando. Na tela do celular ainda se via a mensagem que Andrius pedira para ela receber, a mensagem de Liebert, que determinaria todas as suas ações daquele momento em diante: “Entramos. Conseguimos o arquivo”. Depois disso, ela teve que chamar a atenção de Andrius diminuindo as luzes um pouquinho. Assim ele saberia que era a hora certa para dar no pé.

...........Enquanto luzes vermelhas piscavam e uma voz de secretária eletrônica repetia “Homem em fuga, homem em fuga”, Andrius precipitava-se de porta em porta, de setor em setor, chutando bundas e o que mais lhe aparecesse no caminho para chegar às escadas. Quando alcançou o lugar, olhou para cima e viu várias portas se abrindo: homens de terno nem um pouquinho amigáveis e armados vinham descendo para agarrá-lo.

Ele correu para baixo, dois, três degraus de uma só vez, esquivando-se dos disparos que vinham de cima. Quase à porta do térreo, faltando um lance inteiro de escadas, viu um agente entrando por onde ele deveria sair. Sem pensar duas vezes, deu um salto e caiu com os dois pés por cima do coitado, que não viu mais nada por uma semana. Na brincadeira, machucou seriamente o tornozelo direito e saiu mancando pelo estacionamento, onde um carro preto parou e abriu uma de suas portas para ele.

Era Norma. Tinham conseguido.

Atirou-se no banco de trás a tempo do veículo acelerar e escapar de mais uma saraivada de tiros que vinha do outro lado da cancela na entrada da garagem. Foi naquela direção que o carro acelerou em seguida, forçando todos os agentes que atiravam (menos um) a sair do caminho. O que não saiu saltou sobre o capô, girou no ar e caiu do outro lado com o pescoço quebrado num ângulo estranho. O carro quebrou a cancela, saltou do subsolo para a rua como um golfinho fazendo acrobacias na água e freiou.

De dentro do carro, Norma e Andrius olharam para trás, na direção do agente que tivera um infeliz destino. Andrius o reconheceu como o número 4. Norma engatou a quinta, arrancou e depois de alguns minutos eles não ouviram mais sirenes, tiros ou palavrões de qualquer tipo. Estavam, com tornozelo ou sem tornozelo, salvos.

— Deus, Norma! — exclamou Andrius, deitado de costas no assento de trás por causa da dor no pé — Eu não acredito... que isso aconteceu...
— Eu também não. — disse ela aflita — Se bem que eu nunca gostei muito daquele sujeito...
— Não me refiro a ele. A mensagem: cadê ela?

Norma entregou-lhe o celular, onde ele viu com seus próprios olhos o “Conseguimos” de Liebert.

— Então é isso? Acabou? — ele perguntou em voz alta, mais para si mesmo do que para outra pessoa.
— Era você quem tinha de me dizer isso. — replicou Norma espiando-o pelo retrovisor, ao mesmo tempo em que vigiava a estrada — Liebert ter invadido o Data Center significa que... estamos livres?
— Não sei ao certo. Não ainda. O GOOGLE ainda vai descobrir e reagir. E quando reagir, será violento.
— E nós, o que acontece conosco? Quando a realidade for restaurada, aonde a gente vai parar?
— Não sei. D= Preciso... falar com Liebert. — ele endireitou-se no assento com dificuldade — Mas, antes, precisamos de um lugar seguro. Onde é que estamos, afinal?

O Agente #1 tentou ver através do vidro escuro, mas não teve muito sucesso.

— Perto de Morro dos Altos. — esclareceu Norma, sempre vigilante.
— Morro dos Altos... — ele repetiu — Outra Rua Random... Aquela casa. o-o
— O quê?
— Aquela maldita casa! Passei tanto tempo prospectando o lugar, e no fim nem entrei pra ver o que tinha. Acho que... é isso que temos que fazer.
— Mas, Andrius...
— Talvez seja nossa última chance, Norma! Talvez traga alguma luz sobre o que está acontecendo. Antes que nos encontrem, antes que algo extraordinariamente doloroso aconteça... eu quero ir àquela casa.

CONTINUA...

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