segunda-feira, 15 de novembro de 2010

(2ª TEMPORADA) EPISODE 15 - Seguros?

..............ANDRIUS não percebeu o que tinha feito até se aproximar do corpo e tocar-lhe a fronte ensaguentada. A flecha tinha atravessado a cabeça do Agente #3 e ainda cravado-se na parede atrás dele, que, morto na hora, conservou-se de pé com braços e pernas pendendo molemente na direção do chão; como um bonequinho de palha pregado num pedaço de madeira.

O sobrevivente pôs a besta no chão (por que diabos se usaria uma besta como artigo decorativo?) e perguntou-se por que sentia um calor estranho um pouco acima do ventre, acompanhado por tonteira. Antes que ele descobrisse por que, Norma veio correndo com a faca na mão, deu de cara com o homem morto, depois com ele e, fitando-o com terror, disse:

— Você está machucado!

Confuso, Andrius olhou para o ferimento de bala no seu abdôme — um buraquinho quase imperceptível —, apalpou a parte baixa das costas e descobriu um buraco três vezes maior, do qual vertia muito sangue. Olhando novamente para Norma, disse em tom vago:

— Ah, é verdade. ‘-‘

E depois caiu de costas sobre o piso. Ela veio correndo para ele, ficou de joelhos e amparou-o.

— Andrius, não! Reaja, olhe pra mim! — ela deu tapinhas no rosto dele — Você não pode fechar os olhos, entendeu? NÃO FECHE OS OLHOS!
— Está tudo bem... — respondeu Andrius baixinho, para desespero da parceira, que o via empalidecer rapidamente — O projétil entrou e saiu... Eu quase não senti nada...

Norma apenas chorou. O homem ferido continuou falando em tom simples e despreocupado, apesar da fraqueza, como se os dois estivessem sentados numa varanda com limonada:

— Eu peguei o filho da puta... Ele nunca foi mais rápido que eu... mas ainda assim... ele era rápido...
— Não fala — pediu Norma baixinho, como se não gritar fosse diminuir a gravidade da ferida — Fique quietinho e olhe pra mim... — ele de fato olhou — Estou aqui, está vendo? Eu vou pedir socorro, e você vai ficar bem...
— Não precisa... não tem como... Eu fiz o que eu tinha que fazer... — ela chorou mais — Liebert vai levar o arquivo... e eu serei poeira... Mas você tem que viver... Norma... Se você for boa, talvez você possa entrar...
— Do que está falando??
— Do game... Pegue o máximo de provas que puder... e entregue ao Liebert... O Liebert precisa... o Pedro precisa... saber...

Ela mordeu os lábios com força e sacudiu a cabeça em negação.

— Eu não vou sair daqui! — avisou, trêmula. Ele tentou afastá-la, mas Norma o manteve junto a si com determinação — Andrius! É meu direito ver você morrer. Eu trabalhei pra você.

Ele fez uma cara de tédio.

— Então está bem... Tá demitida. Feliz? Agora vai embora... Temos pouco tempo...
— Não! Eu vou ficar, queira você ou não... até o... até o fim.

Andrius suspirou, derrotado. Não valia a pena discutir mais. Ciente de que era um vencido (pelo menos em relação a Norma), acariciou o rosto dela e pediu desculpas.

— Por quê? — ela indagou.
— Por eu nunca ter conseguido te amar, mesmo agora — disse o homem que morria — Se eu mentisse... Morrer mentindo seria pior do que tudo...

Norma deu uma risadinha e disse:

— Me desculpe por não poder parar, então.

Ele morreu cinco minutos depois.

..............MATT olhou adiante e gritou para os amigos que corriam junto com ele:

— Estou vendo o PDB, gente!
— O que você quer no PDB?? D= — perguntou Pepito como se fosse a coisa mais absurda do mundo.
— Precisamos de um computador para usar o pen-drive e pegar o Atalho de volta ao lar do Imperador!
— Tá ok, mas vai ser difícil com aquele treco atrás de nós...

Outra bola de fogo passou como um meteoro à direita deles e abriu uma cratera no chão. Eles tiveram todos que parar, aos tropeços, e sair da calçada, onde não eram os únicos fugindo — o GlassAss tinha atraído a curiosidade e o espanto de dezenas de curiosos na rua, até aquilo parar de parecer divertido para tornar-se realmente perigoso, fazendo um sem-número de pessoas correr gritando por suas vidas ou pela polícia, que, nesse ínterim, também corria.

— Parem um pouco! — pediu Pepito, atraindo todo mundo para trás de um carro estacionado — Aqui, aqui! Eu tenho uma ideia...
— O mais traumatizante é você ter que OLHAR pra ele pra poder enfrentá-lo! — reclamou Pedro às lágrimas.
— Vamos nos separar — propôs Pepito — O Matt, o Gustavo e eu vamos atrás de uma lan-house ou coisa do tipo pra pegar o Atalho pro Mundo Cibernético e acabar logo com essa Quest. O resto despista o GlassAss e se esconde até tudo acabar. O que acham?

A polêmica foi geral...

— Eu não vou mexer naquele coiso arregaçado! — protestou Amália.
— Eu tive que ver duas vezes antes de hoje! DUAS VEZES! — chorou Pedro puxando Pepito pela gola da camiseta — Sendo que uma foi no computador DELE! — ele apontou para Galarza em tom acusatório.
— Ei! Você quis olhar, eu não forcei ninguém! — defendeu-se o SPY.
— Eu pensei que aquilo era montagem! D=

Então Pedro desabou nos braços de Amália, demasiado traumatizado. Os outros continuaram o debate:

— Eu tenho uma ideia: Matt, Grilo e Pepito vão atrás da lan-house, eu vou junto com eles pra evitar que algo de ruim aconteça e... e o resto que se foda. ^^
— Muito legal, Galarza. u.u — ironizou Pinguin.
— Não temos tempo a perder, gente! Vamos juntos ou separados? — disse Matt com pressa.
— Tá bom, o Pinguin, o Pedro e eu damos conta! — anunciou Amália — Mas vão logo e nos liguem assim que possível!
— OKAY — disse o resto ao mesmo tempo.

Pepito, Matt, Grilo e Galarza esperaram abaixados. Enquanto isso, Amália, Pedro e Pinguin levantavam-se e gritavam para atrair a atenção do monstro, que era, apesar de toda a horripilância, lerdo.

— HEY, DUDE! AQUI, Ó. EU TÔ COM SORTE!

Finalmente ele se virou e precipitou-se sobre eles cuspindo fogo de maneira aleatória. Os três correram para o lado oposto da rua, de modo que Matt, Pepito, Gustavo e Galarza se viram livres para continuar rumo ao outro extremo.

— Feito, cambada. Para o PDB! — ordenou Matt.

====OPENING====

..............ELES correram mais rápido do que pensavam que podiam aguentar, Matt à frente segurando o Pen-drive tão forte que parecia que o objeto tinha se fundido à sua mão direita. Quando chegaram a uma bifurcação, da qual não se lembravam muito bem, Galarza sugeriu que tomassem a rota esquerda; Pepito sugeriu a outra, Matt chamou ambos de idiotas e Gustavo ficou sentado numa árvore assistindo os três brigarem entre si.

Repentinamente eles ouviram um som. Vinha de um matinho próximo de onde eles estavam. Algo como um gemido (no sentido não-sexual da coisa) vindo do interior das árvores. Apesar de terem muito a perder naquele dia, não resistiram ao impulso de curiosidade e se aproximaram para olhar.

Uma mão anormalmente pálida "saltou" de dentro de um arbusto, completando-se com um braço, um tronco, um par de pernas... e finalmente eles tinham um Zumbi completo à sua frente. Aproximava-se do grupo com ambas as mãos estendidas, sangrando por todos os orifícios, num andar lento e não-Resident-Evil.

— Era só o que me faltava... — disse Matt extremamente puto.
— Que foi? — perguntou-lhe Pepito.
— Eu esperava por qualquer coisa, menos... um Zumbi '-' — ele falou aquilo como se fosse a coisa mais patética da face da Terra.
— Ahh, coitado dele. D= Ele é tão tri, olha como se move...
— Ele me parece levemente familiar — observou Gustavo.
— Tipo... com quem? — Matt.
— Sei lá, essa cabeleira... Esse olhar de peixe-morto...
— Ele não tem olhos. '-'
— Ah, é. Mas não deixa de ser parecido. Ei, ci pah ele é o...
— Quem? '-'
— Roberto Carlos!

...

Todos indagaram-se ao mesmo tempo:

— ROBERTO CARLOS??

Então vieram outros. Dezenas deles. Emergiam do chão batido, dos bueiros, das casas, campos, construções.... Pessoas que nunca haviam morrido, até onde eles sabiam; e essa era a parte doida. Homens e mulheres famosos (José Luiz Datena, Jô Soares, Carlos Massa, Silvio Santos, Carlos Alberto de Nóbrega, Hebe Camargo, Fábio Júnior, Nelson Nedi...) que jamais haviam morrido de alguma forma tinham virado zumbis e agora tratavam de fechar um cerco em torno dos quatro adolescentes para comer os seus cérebros ou...

Pen-drive... — Matt ouviu Raul Gil gemer — Pen-drive?? Por que diabos eles querem isso?
— Deve ser mais uma artimanha do GOOGLE — presumiu Gustavo conforme eles se apertavam uns contra os outros no centro do círculo — Estas são todas as celebridades que o Orkut já alegou mentirosamente terem morrido em comunidades de fãs sendo que nenhuma notícia mostrou-se verdadeira até então.
— Você diz que as lendas urbanas do Orkut viraram realidade e estão vindo contra nós? — Galarza.
— Algumas delas, sim. E isso faz sentido, eles têm um puta programa de computador...
— Okay, gente, estamos numa posição desvantajosa aqui — interrompeu-lhes Matt, observando que a distância entre eles e o perímetro de mortos-vivos era assustadoramente pequena então — O que vocês sugerem??
— Bom, todo mundo aqui já jogou Resident Evil 1, 2, 3 ou 1000 — disse Pepito.
— Eu, não '-'
— Okay, o Matt não... Mas você viu Walking Dead, certo?

*BAZZINGA!*

Gustavo — melhor dizendo, o pé de Gustavo — tomou a iniciativa em lugar de todos e arrancou a cabeça de Susan Boyle fora. Ela nunca mais cantaria Les Miserables. Foi a fagulha que fez o paiol zumbi explodir — literalmente. Eles ficaram doidinhos e famintos, o que deu início a uma grande pancadaria na qual ele mesmo, Grilo, além de Matt, Pepito e Galarza ficaram soterrados temporariamente pela massa de defuntos e não puderam se mexer. Felizmente, a confusão era tanta que ninguém foi mordido — ninguém que ainda fosse humano, pelo menos.

Então uma aura vermelha começou a "vazar" por baixo do montinho de mortos-vivos, uma aura vinda dos quatro Players juntos, que se levantaram simultaneamente em modo RAGE arremessando umas duas dúzias presuntos para o ar (incluindo Paul McCartney, mas não é certo que fosse o próprio, já que é possível que ele tenha morrido há muito tempo; leia-se o seu sósia).

— AHHHHHHH! EU NÃO VOU SER COMIDO VIVO PELA JOELMA, NEM PELO FAUSTÃO! — gritou Pepito.

Os dois famosos supracitados vieram grunhindo para cima dele, que foi defendido por Matt, que foi defendido por Gustavo, e aí sim o pau comeu.

SLAUGHTER THE ZOMBIES!

Um rock oitentista começou a tocar, e alguns itens de primeira necessidade apareceram brilhando no ar, acima das cabeças deles: machados, espadas, raquetes, uma TV...

— Here we go, kids! Mostrem do que vocês são feitos! — berrou Matt apanhando uma motosserra (não é serra-elétrica!).

Cada um fez sua escolha (Gustavo pegou um martelo e uma torradeira; Galarza, um iPhone — para escutar música —; Pepito, a TV) e partiu para a porrada.





— WOW! — Gustavo deu uma rasteira em dois zumbis ao mesmo tempo, e eles quebraram a espinha ao caírem — Que tri que eu escolhi vir com vocês. *.* As coisas no outro grupo devem estar tão chatas!
— O QUE VOCÊ DISSE? — perguntou Galarza, aos berros por causa do volume dos fones de ouvido. Com uma mão ele selecionava as músicas no iPhone, enquanto com a outra afastava um zumbi pressionando a sua testa; a criatura parecia muito estúpida sacudindo os braços e agitando o corpo sem, no entanto, sair do lugar.

Gustavo irritou-se e arrancou-lhe o aparelho e os fones.

— Comece a trabalhar! u.u
— Okay... u.u Não precisa ficar todo alvoroçadinho.

Galarza chutou o zumbi no espaço entre as pernas dele. O pobre morto caiu, encolhido, e não se mexeu mais. Um pouco atrás deles, Matt e Pepito batalhavam furiosamente contra William Bonner, Edson Celulari e Dercy Gonçalves... wait. o.o

*BLAM!*

Pepito quebrou a TV na cabeça da velha, e Matt removeu o nariz de Celulari com a motosserra. Felizmente Bonner ficou assustado em perder o brilho da própria aparência e deu alguns passos pra trás.

— Caras... eu to cansado! — exclamou Pepito.
— Eu também! — disseram os outros unissonamente.
— Ataque Porra-Louca: cada um avança numa direção, acerta onde der pra acertar, e vamos dar o fora daqui! — ordenou Matt.

Os outros disseram "OKAY!" e atacaram, cada um na direção para a qual estava voltado, sem se preocupar em calcular os movimentos. Após derrubar Ronnie Von cortando-o ao meio, Matt apalpou os próprios bolsos e gritou:

— Perdi a porra do Pen-drive!

Os outros disseram "WHAT??".

— ARRRRGH! — as atenções se desviaram momentaneamente de Matt para Pepito, que acabara de ser mordido no ombro por um morto com uma jaqueta brilhosa e um black-power.

Sangrando em profusão e com bastante dor, o garoto se virou a tempo de reconhecer a face do famoso que o atacara.

— O quê? Você não deveria estar aqui também!

*KATAPUM!*

Um carro preto veio do nada, atravessou o acostamento e atropelou o zumbi de black-power, acertou uma placa de "Pare" e esmagou alguns outros tantos zumbis na hora de dar a ré. Assim que freiou, a janela do motorista se abriu e uma mulher enfiou a cabeça para fora.

— ENTREM! — gritou Norma.

Sem hesitar mais um instante, os quatro jovens se enfiaram como puderam dentro do veículo, que arrancou em seguida por um caminho random. Muito rapidamente Matt viu a ruazinha tomada por zumbis tornar-se distante pela janela de trás. Imediatamente virou-se para a mulher ao volante, perguntando-lhe:

— O que você faz aqui?
— Perdoem-me se nunca tivemos uma apresentação formal ou que não fosse dolorosa. Eu sou Norma. Costumava trabalhar com Andrius, que vocês já conheceram como Agente #1.
— Você esteve com o Agente #1? Então vocês receberam a mensagem! =D Ele está bem? Está escondido?
— Ele está morto.
— DOW! >.<
— Eu vim porque tenho de escoltá-los até o Backup da Terra Antiga estar em mãos que possam cuidar dele. Era o que ele queria.
— O que você vai fazer?
— Qualquer coisa, bitch. u.u

Gustavo, que estava no banco de trás também, esticou a cabeça por sobre o assento de Norma, para ver melhor como era a moça, além de ver Pepito, que estava sangrando sozinho no banco de carona.

— Como você nos achou? — indagou.
— O GOOGLE soltou as 7 Pragas atrás de vocês. A tendência é que elas persigam quem estiver com o objeto de valor roubado: quem estiver com o Backup. Pelo estado das coisas, não vai demorar muito até o mundo evoluir para algo semelhante à Grande Salada, por isso, quanto antes restaurarmos a configuração da Terra, melhor para o equilíbrio do planeta — explicou Norma com rapidez.
— Está dizendo que não podemos chegar à Sétima Praga?
— Os danos que ela causaria são inimagináveis.
— Nossos amigos estão ocupados com um GlassAss — Matt disse — Eles vão ficar bem?
— É só teclar ESC.
— E quanto a mim??? D= — gritou Pepito, angustiado, pressionando a ferida que sangrava.
— Não sei dizer.

..............VÁRIAS quadras away...

Ao alcançarem o prédio, Amália foi a primeira a rastejar desesperadamente até o portão, para interfonar o porteiro, que a deixou entrar junto com Pedro e Pinguin, vindo esbaforidos logo atrás dela.

Enfim entraram no elevador, e a sensação de estar com a faca no pescoço diminuiu um pouco, apesar de ainda poderem ouvir os guinchos do monstro rodeando o prédio, cuspindo bolas de fogo em vão.

— Oh, YEAH! u.u — comemorou Amália — Estamos seguros agora!
— Tem certeza? G.G Será que o tempo é capaz de apagar aquelas horríveis imagens da minha cabeça? — dramatizou Pedro.
— Não seja mariquinha. u.u
— Ó, chegamos — anunciou Pinguin olhando para o número no mostrador digital.

*PING!*

As portas se abriram. Sétimo andar. Ao entrarem no apartamento vazio e silencioso, os três se sentiram de fato um pouquinho melhor. Depois de tantos chutes, socos, tiros, explosões, piadas de humor-negro e ameaças de morte, eles mereciam um descanso reparador.

Amália foi logo descalçando as botas e atirou-se no sofá.

— Vão salvando o jogo de vocês.
— É pra já! — Pinguin já ia ligando o computador, para que ele e Pedro salvassem seu progresso.

Foi o que eles fizeram, e logo em seguida foi a vez de Amália.

GABRIEL SAVED HIS GAME
PEDROBEAR SAVED HIS GAME
AMÁLIA SAVED HIS HER GAME

— Okay, acho que agora posso cochilar — disse a garota satisfeita, deixando o celular em cima da mesa com uma recomendação: — Aqui, para o caso de um deles ligarem. Avisem-me, por favor.
— Mm — Pedro e Pinguin murmuraram ao mesmo tempo, já concentrados num joguinho em Flash.

Amália deu alguns passos adentro pelo corredor e logo em seguida voltou com a cara branca feito gesso.

— P-pedro... o.o
— Mm?
— Ali, ó... — ela estendeu o dedo em direção à alguma coisa no fim do corredor. Confuso, Pedro largou o teclado e foi até o lado dela.
— O quê?...

Então, ele a viu. Parada à porta do quarto dos pais de Amália. Uma figura pequena e frágil, não devia medir mais que um metro e meio, e deveria ter entre 8 e 9 anos de idade. Loira. Seus olhos eram azuis e muito grandes. Trajava um vestido branco e tinha a pele... Não, não podia ser uma pele normal. Talvez ela toda não fosse real. Era como se alguém a tivesse desenhado.

Pinguin ficou curioso e veio olhar também. Apenas ele se lembrou:

— A mina dos SPECIAL FEATURES!
— O quê? — Pedro e Amália falaram ao mesmo tempo.
— Do Jogo, lembra? Você tinha acabado de nos reencontrar, Pedro. Foi quando a Amália apareceu e nos devolveu nossas memórias. Aquela garotinha apareceu pra nós — Pinguin apontou direto para a menina, que não pareceu muito feliz com isso.
— Não aponte pra mim! Eu odeio quando fazem isso! =(
— Aii *.* Você é tão kawaii, vem cá! — Amália ajoelhou-se e abriu os braços, no que Pedro tentou impedí-la, mas a menina veio correndo antes e a abraçou.

AMÁLIA CONHECEU: AIKO

— Aiko? o.O — repetiu Pedro confuso.
— Ounnnnn, ela é tão fofinha! *.* — Amália apertou a criança com lágrimas nos olhos — Vamos ficar com ela?
— Peraí, nem sabemos de onde ela veio... — Pedro ia dar um moralaite atack, mas foi mais uma vez surpreendido por Aiko, que largou Amália e dessa vez o abraçou dizendo "Maninho!".
— OMFG! o.o — o queixo de Pinguin foi até o chão.
— Quê? Hãn? Como é que...? — Pedro olhou para Gabriel e Amália, que o olhavam também como se ele tivesse escondido alguma coisa deles o tempo inteiro — Não, eu não...! Eu não sei... Eu sei?? o-o

A menina terminou de abraçá-lo, olhou pra cima e disse:

— O papai vivia dizendo que eu ia morar com você. Depois ele foi viajar, e o tio Dodi cuidou de mim. Ele também vivia me prometendo que eu ia te ver de novo, mas aí ele também foi viajar e só agora o moço do casaco preto veio me trazer aqui.
— O moço do... O quê? Dodi? — Pedro engoliu em seco — Você conheceu... Sebastian?
— Você não se lembra? '-' Você não era amigo dele? '-'

Imagens perturbadoras começaram a se formar na cabeça de Pedro. Se antes nada se encaixava, agora finalmente o quebra-cabeça estava se reconstituindo. E a verdade, ele presumia, não seria nada fácil de entender quando se desdobrasse à sua frente. Seria preciso olhar para ela duas, três, quatro vezes. Mas ele não queria mais esperar: era a sua vez de fazer as perguntas.

O sonho, ele recordou-se do sonho. A casa, o jardim, a árvore. Sebastian. A menina na janela. Não foi apenas um sonho, afinal. Era uma memória. Bob tentara mostrar a ele resquícios do próprio passado. Então, Pedro visitara Sebastian e Aiko anos atrás. Por quê?

— Eu lembro, claro! — disse à menina tentando ocultar da própria voz o nervosismo que o consumia — Lembro muito bem a casa e aquela árvore fodástica. =D
— A árvore secou. =( — contou Aiko com tristeza — Ninguém mais cuidava dela. E eu não podia mais descer pro jardim. Tinha de ficar o tempo todo no sótão.
— Isso foi depois que o seu... papai foi embora?
— Sim. '-'
Pedro, que diab...?
— Shh, Amália. Escuta, Aiko, como é que você entrou aqui? Quem te trouxe até aqui?
— O amigo do tio Dodi!
— Não foi o dr. Sebastian?
— Nããão! — ela pareceu que ia chorar quando ele mencionou o cientista sumido — O papai foi a um país distante trabalhar. Quem me trouxe foi o amigo do tio Dodi. Ele bateu na nossa parte naquele dia, e o tio Dodi foi viajar e quem ficou cuidando de mim foi ele.
— Onde é que ele está neste momento? — perguntou Pedro devagar.
— Ele tá aqui. '-' Ele quer falar com você...

Aiko apontou com o dedinho o final do corredor, para onde todos olharam imediatamente. A última porta se abriu, e da penumbra em que o cômodo se encontrava surgiu um homem. Alguém que eles nunca imaginaram encontrar novamente.

O sobretudo, o colete e os cabelos continuavam a mesma coisa. A diferença era que então ele mancava.

— É bom te ver, Pedro.

O garoto sussurrou entre Pinguin e Amália: "Não se mexam" e encarou o recém-chegado.

— Ruleador... Difícil dizer a mesma coisa de você, mas que eu estou surpreso, estou.
— Finalmente — o homem andou calma e lentamente até eles, até onde podiam ver, desarmado — podemos conversar como pessoas civilizadas. Por que não se sentam?

Pedro fez um sinal discreto a Amália e Pinguin para que obedecessem, e os dois não tiveram outra escolha. Sentaram no sofá os três, contando com Aiko, enquanto Pedro ficou de pé, de frente para o Ruleador, no meio da sala.

— Então, Pedro, tem se divertido muito? Foi interessante, instigante, ir atrás das suas origens?
— Só eu sei as merdas que eu passei, Ruleador — Pedro disse friamente — Vamos direto ao ponto: o que está tramando? Por que trouxe a menina?

Ruleador olhou de soslaio para Aiko e disse:

— Seria melhor se a menina fosse para um ambiente menos adulto, menos estressante, se é que me entende. Amália, por que é que você não vai para o quarto com a Aiko e mostra a ela os seus mangás?
— Ela não vai querer ver hentai '-' — replicou Amália indignada.
— Só vai, Amália — falou Pedro entre dentes.

Amália mostrou a língua pra ele e pegou Aiko pela mão, conduzindo-a amigavelmente até seu quarto. Eles só continuaram depois que ouviram a porta bater.

— Por que matou Dodi? — perguntou Pedro agitado.
— Depois que nossos rumos se separaram, ficou impossível chegar perto de você enquanto estivesse sob custódia da GOOGLE. Fora que não faria sentido tentar entender Bob sem antes procurar seu criador. Portanto, eu fui atrás de Sebastian. Paguei um agente de confiança da L.D.M para me ceder as informações necessárias sobre o caso. Muito recentemente ele morreu, mas não foi culpa minha. Eu queria rastrear todas as pistas possíveis para o paradeiro de Sebastian, ou melhor, D. F. Schneider. Para minha surpresa, quase todo lugar em que eu me infiltrava vocês também estavam.
— O Negão e a esposa — disse Pinguin — Você também pegou eles, não?
— Eu queria apenas informações sobre a convivência dele com Sebastian. Mas ele achou que deveria descambar para a agressão comigo, então... Mas isso foi muito depois que eu tinha descoberto a antiga residência de Sebastian, então em propriedade do amigo, Dodi. O assassinato foi deliberado. Meu interesse era invadir a casa e vistoriá-la com calma. Foi aí que eu descobri Aiko.
— De onde veio essa garota? O que ela tem a ver comigo?
— Você precisa entender, Pedro, que Sebastian era um homem muito sozinho. Sendo um gênio incompreendido, era difícil para ele estabelecer relações de afeto com qualquer pessoa. Apenas uns poucos ganhavam sua afeição, por motivos muito peculiares. Você foi cobaia dele, por exemplo. De alguma forma, isso fez com que ele gostasse tanto de você quanto gostava da filha.
— Filha? A Aiko é um anime! o.O
— Você não é capaz de entender a complexidade dos fatos por trás da existência de Aiko. Pelo menos não enquanto estiver preso numa forma humana, enquanto se recusar a deixar Bob agir junto com você.
— O que o Bob tem a ver com ela? E por que você está tão interessado nessa história?

O Ruleador suspirou.

— Sebastian tem mais a ver comigo do que você imagina, Pedro. Depois que eu me libertei, entendê-lo tornou-se minha maior prioridade, porque entendendo-o eu entendo a mim mesmo. Você não pode deixar de participar disso!
— Eu estou tentando, mas você não me explicou nada!
— Sebastian teve essa filha muito tempo antes de desenvolver o Projeto Bob. Parte da tecnologia utilizada neste originou-se naquela que concebeu Aiko. Por isso vocês estão tão ligados. Ao que parece, Sebastian fez que com se conhecessem enquanto você ainda era cobaia. Levou-o até a mansão. Você não se lembra, é claro.
— Lembro. Ao menos alguns trechos.
— Ele disse tanto a Aiko quanto a você, constantemente, que um dia ele teria de "viajar". Obviamente estava falando da fuga. Você demoraria algum tempo para juntar-se a Aiko, é claro, estando sob domínio da empresa. Por isso ele deixou a menina e a casa nas mãos de Dodi e pôs aquela mensagem no seu computador.
— Mas por que ele não mencionou Aiko no vídeo? Teria sido muito mais fácil se...
— Ninguém sabia da existência dela, ninguém além do próprio Sebastian e de Dodi. Por que acha que ela foi mantida escondida até então? Se o GOOGLE descobrisse o que a mantém viva, sua ambição seria devastadora.

Pedro caminhou angustiado pela sala.

— Isto é impossível. É inaceitável.
— Mas serve, não acha? Cumprimos um dos desejos de Sebastian hoje: pôr você ao lado de Aiko mais uma vez.
— Por quê??
— Acho que ele esperava que você tomasse conta dela.
— Tomar conta? A guria é um anime, e eu nem sei cuidar de mim mesmo!
— Está esquecendo do outro desejo.

O Ruleador ficou à frente de Pedro e tocou sua testa.

— Você guarda o poder de Bob — ele sussurrou — Você e mais ninguém. Se tivesse a coragem para acessá-lo, nenhuma dessas coisas ruins teriam acontecido, ninguém teria morrido e nós teríamos entendido tudo!
— Não ouse me culpar pelo que você fez! — Pedro se afastou dele, enojado — Você escolheu ser um assassino entre um monte de outras possibilidades!
— Temos um grande presente nas mãos! *.* Até agora Bob só te mostrou menos da metade dos fatos porque você não deixou que ele fosse mais longe. Mas, se você tentasse, se o deixasse falar através de você... a verdade viria. Por favor, Pedro.

O garoto pôs as mãos na cabeça. Havia chegado à encruzilhada: de um lado, as respostas que tanto sofrera para conseguir, às custas do perigo de perder a própria alma; de outro, uma vida simples em que ele se conformava em não saber de tudo.

Pedro olhou para Gabriel, procurando um conselho, um sinal, qualquer coisa, mas ele sacudiu a cabeça e disse:

— A escolha é sua.


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Stay on para o Season Finale + um especial natalino gay, em dezembro! 8)

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