— Ao meu sinal, ‘cês invadem o cafofo. — berrou o Capitão do BOPE...
*******
Matt perguntou depressa ao Agente #1, que já estava para pegar o elevador:
— O que você vai fazer?
O homem deu de ombros.
— Eu trabalho pro GOOGLE. Não vai ser difícil inventar uma lorota.
*******
— Leve este traste daqui. — ordenou o Agente #4 a Norma. Esta fez Nikolai se levantar, para conduzí-lo a uma viatura próxima.
*******
— Estou prestes a trair a corporação mais poderosa do mundo, arriscando não só uma promissora carreira, mas talvez minha própria vida, simplesmente porque... eu amo você, seu miserável!!
Ela abaixou a arma e caiu de joelhos, mais confusa e atordoada que o próprio homem algemado.
*******
O elmo do Gigante a quem eles se dirigiam dividiu-se em dois no topo da cabeça, e uma mini-metralhadora apareceu apontada para Amália.
— É ISSO QUE VOCÊ QUER, ENTÃO? ME APAGA!
Amália abriu os braços.
— ME MATA, SEU PODREEE.
— Amália, não!
— ME MATA!
*******
Galarza olhou para o lado e viu uma porta ser arrancada fora. Procurou por sua arma, mas não a encontrou.
— Oh, shit!
Mãos fortes o arrastaram pelos cabelos para fora do jipe e por vários metros sobre a areia causticante do deserto. Ele gritou de dor. De repente as mãos o viraram de peito para cima sobre uma pedra, e ele reconheceu com horror a face de Pedro, seus olhos transfigurados num vermelho demoníaco.
— Você... — a voz dele soou como se houvesse duas pessoas falando ao mesmo tempo — tem ideia do que acabou de fazer?
— Eu... não... D=
— Então eu vou te explicar.
...
Era um quartinho simples, com cama, bidê, estante, televisão, o básico. Mas o que mais impressionava eram o fato de as cortinas serem cor-de-rosa e, nas paredes, haverem colado desenhos de todo tipo; pessoas, animais, veículos, árvores. Desenhos cujo traço denunciavam facilmente a natureza de quem os produzira: outra coisa que eles não conseguiram entender.
— Andrius — sussurrou Norma desconsertada —, alguém... alguém morou aqui?
Pinguin andou vacilante até um dos robôs petrificados em volta deles, ergueu um dedo e tocou-lhe o braço que era do tamanho de uma moto. A peça balançou como um pêndolo, sem que a máquina desse sinais de consciência.
— O que está fazendo? — ele ouviu Amália gritar, temerosa, atrás dele. Virou-se e respondeu: — Apenas checando os trecos gigantes. Aparentemente, eles não vão se mexer mais... Algo aconteceu ao seu mestre. ‘-‘
Houve um vácuo de respostas, até Amália apontar e gritar:
— Pedro!
Vinham ele e Galarza na direção dos dois. O queixo de Gabriel caiu de espanto por ver o SPY caminhar desarmado ao lado do seu amigo, mas Amália não ligou muito para isso e simplesmente correu para os braços de Pedro, que a pegou no colo como um soldado distante há muito tempo de casa. Seus olhos tinham voltado ao normal, assim como sua voz e a expressão tranquila e vaga de sempre.
— Amália! D= *.* Você está bem?? Não quebrou nada?
— VOCÊ é quem me surpreende por não ter quebrado nada! D= — respondeu a garota, voltando-se em seguida para Galarza: — E você!! O que faz aqui? Você trouxe ele pra nos vingarmos, né? — olhou esperançosa para Pedro — Lembrou dos amigos e deixou um pedaço pra gente. ^^
— Err... Não. Na verdade... — Pedro respirou fundo em tom de “Isso é muito difícil de dizer”; de fato, era — O Galarza ficou a par de toda a situação envolvendo a gente, o Jogo e os LifeControllers e resolveu permanecer do lado onde está a diversão. ^^
Todo mundo olhou para o SPY, que, meio sem-jeito, falou:
— É por aí. ‘-‘
Então, ele oficialmente entrara no Jogo. Seria um grande motivo para celebração àquela altura do campeonato, não fosse...
— Isso não faz sentido! — protestou Amália de uma hora para outra — Tipo, você... há cinco minutos você queria nos matar! Não existe ser humano NO MUNDO capaz de convencer uma pessoa determinada a MATAR outra pessoa a não fazer isso só na conversa, muito menos com uma justificativa furada como “Somos todos personagens de videogame”.
Agora todo mundo olhou para Amália, desejando firmemente que ela não tivesse dito aquilo.
— Você quer mesmo discutir o sentido da vida? — perguntou Pinguin entre dentes.
— Não, só quis levantar a questão. u.u
— Vamos só dar o fora daqui! — pediu Galarza exausto.
De repente uma sombra precipitou-se entre o chão e o sol, assustando-os. Era a sombra de um helicóptero militar procurando o melhor local para pouso. Por todos os flancos do terreno entravam caminhões trazendo na carroceria soldados de alto HP, prontos para chutar os traseiros de quem quer que passasse por eles: a Google Police efetivamente entrara em ação.
Mal Pedro, Amália, Pinguin e Galarza terminaram de perceber a fria em que se encontravam, uma porta de aço veio ao chão com um estrondo que os assustou soberbamente. Por detrás dela, emergindo de uma nuvem de poeira, saíram Matt, Pepito e Grilo. Andavam em slow-motion, cercados cada um por uma estranha aura dourada, um pequeno (+) tridimensional pairando sobre suas cabeças. Os outros os olharam um tanto embasbacados, da mesma forma que alguém olharia seu par romântico casual após ele voltar do toalete do restaurante só de cueca, com uma boina verde na cabeça e uma rosa na boca.
— What... — Pedro.
— ... the... — Galarza.
— ... fuck? — Pinguin.
— *vácuo* — Amália.
Pepito respondeu antes dos outros dois, cheio de um orgulho assumidamente nerd:
— Nós demos um UP!
Matt falou em seguida, segurando o pen-drive que brilhava.
— Acabou, pessoal. — anunciou — Temos o Backup. Enviei uma mensagem ao Agente #1, e ele vai dar um jeito de nos encontrar. Ainda há um passo largo a ser dado, mas creio que com perseverança e união conseguiremos... O QUE ELE TÁ FAZENDO AQUI???
O olhar dele vidrou-se, fulminante, em Galarza, e os outros tiveram que dar um giro de 180 graus para olhá-lo também. Incerto sobre a melhor maneira de explicar o que acontecera, Pinguin levantou a mão e ficou: “Errr...”.
— Ele entendeu. — apressou-se Pedro — Ele tá mesmo no Jogo agora.
— o-o... Okay. ^^ — disse Matt, enfim — Vocês vão ter que me dar os detalhes depois. Agora, vamos tratar de dar o fora daqui antes que comam nosso cu.
— Acho que eu posso cuidar disso. — disse Galarza.
— Você tem outro segredinho? u.u
— Esse vai nos ajudar. Eu prometo. Mas pra isso, vocês têm que correr. Run! Run to the hills!
E eles correram. Como formigas embaixo de uma lupa gigante, ah, eles correram...
Pararam na elevação de onde o jipe de Galarza havia rolado, ofegantes e apavorados pela horda de homens armados até os dentes que subia o morro e pelo helicóptero que dava voltas sobre eles à guisa de um mosquitão.
— Vocês pararam! Por que pararam aqui?? — perguntou Galarza aparvalhado.
— Porque você mandou: "Run to the hills!" — respondeu Pedro veementemente — Este ponto não é suficientemente "hill" pra você? u.u
— Eu não pedi que fosse uma "hill" exatamente, mas agora já foi. Alguém me empresta um celular COM crédito!
Todos se entreolharam, e ninguém respondeu. Apenas Matt disse:
— Gastei os últimos mandando o torpedo pro Nikolai. ^^
— Ahh, seu viado! u.u — xingou o SPY.
— Aqui, usa o meu — Pepito disse, entregando-lhe o aparelho.
Galarza digitou alguns números e esperou. Enquanto isso, viu os soldados correndo colina acima e indagou:
— Alguém vai lá cuidar deles?
— OMG! — berraram todos.
— Eu to com baixa Life e to desarmado. D= — disse Pinguin, tirando o seu da reta.
— Idem! — Amália.
Pepito olhou para Matt e Gustavo, os três ainda emitindo aquele brilho dourado, e pediu:
— Alguém compra Magic Wall? Ou compro eu. '-' Sei lá...
— Deixa comigo — falou Matt calmamente, apertando alguns botões em seu LifeController. O inimigo estava cada vez mais próximo, no entanto ele não se abalou. Esperou, e dentro de poucos segundos um letreiro verde indicou:
MATT LIEBERT ADQUIRIU: MAGIC WALL
-$1000
— OMG, usem isso de uma vez! — gritou Pinguin, histérico.
Uma latinha de Coca Cola apareceu no ar com um *PLOP!*, e Matt a apanhou e a abriu com um *TSS*. Imediatamente vários fios dourados fluíram de dentro da lata, envolvendo um largo perímetro ao redor deles e se entrelaçando, em linhas verticais e horizontais, como uma espécie de redoma. No instante seguinte, quando os soldados os alcançaram e abriram fogo, nada foi capaz de atravessá-la; nem mesmo as bombas que o helicóptero começava a lançar simultaneamente.
— WTF foi isso? — perguntou Pinguin.
— O Magic Wall, ué — respondeu Matt.
— Numa lata?
— É uma edição compacta, estamos em 2010, porra. u.u
— De Coca Cola? '-'
— Merchandising...
De repente, Galarza gritou "CONSEGUI!", e todos olharam para ele tentando prestar-lhe atenção e não ficar aflitos com os choques ensurdecedores dos projéteis e das bombas contra a redoma mágica.
— O que, o que foi dessa vez? — indagou-lhe Matt.
Galarza devolveu o celular a Pepito com um "Thanks" e explicou a todos:
— Nosso socorro chega em 5, 4, 3, 2...
*ZUUUUUM* Uma aeronave maior que o helicóptero riscou o ceu naquele momento, abrindo-se abaixo dela um compartimento quadrado com uma rampa, da qual escorregou um caixote de 2x3m envolvido por cordas. Ele veio caindo, veloz e ameaçadoramente, até que com um *FLOP* um pequeno paraquedas se abriu, suavizando sua queda até ele atravessar a redoma e pousar levemente no chão arenoso perto dos adolescentes.
— Perfect! — comemorou Galarza — Se o meu ataque não deu certo, pelo menos o plano de fuga vai funfar. *.*
— Que ser isso? — ingadou-lhe Matt.
— Vocês todos vão ver agora — ele disse, fazendo com um chute o caixote abrir-se em seis partes como um cubo desmontável, revelando...
— Eu não acredito nisso!
— Eu sei, Pedro, é exótico...
— E estúpido! Vamos morrer se usarmos isso!
— Eu já cansei de utilizá-lo na Academia SPY u.u Vamos lá, nossas vidas dependem disso. Façam fila!
Incertos, todos se enfileiraram atrás do Canhão da ACME, Galarza ajustando as coordenadas geográficas.
— Isso é insano e estúpido! — protestou Matt, bem à frente da fila — E acho que todo mundo concorda comigo, né, pessoal...? Pessoal?
— Aí ele parou um coroinha que tava passando e perguntou: "Quanto o padre dá por uma chupada?". E o coroinha respondeu: "Um Chokito e uma jujuba!".
— Pepito!
— Que foi?
Ele estava contando uma piada a Pinguin, Gustavo e Amália.
— Esquece. u.u — disse Matt dando um tapa na própria testa.
— Terminei! — berrou Galarza — Primeiro as damas — ele disse a Matt, que mostrou-lhe o dedo médio e simplesmente entrou no canhão. Simultaneamente, o Magic Wall aguentava a porradaria externa, firme e forte. Entretanto, a qualquer momento o poder da folha de coca poderia cessar e eles seriam peneirados por balas e reduzidos a fumaça se não agissem rápido.
— Aonde exatamente você estará nos mandando, Galarza? — perguntou Matt com desconforto na voz, devido ao aperto do compartimento em que se colocara.
— Ao lugar mais Random e inlocalizável possível... — Galarza virou-se dramaticamente completando: — A Casa do Beckmann!
*TAN-TAAAN*
GO TO BECKMANN'S HOUSE!
Todo mundo olhou para Grilo, que estava meio ==> '-'.
Então Galarza acendeu o pavio do Canhão ACME, que disparou o gay Matt a quilômetros de distância. Enquanto percorria um trajeto incomensurável a uma velocidade de borrar as calças, Matt via o score do lançamento subir (+ 100, + 150, +200, + 250...) sobre um fundo das mais belas paisagens da Terra, do ponto de vista de quem explora o mar no Google Earth, até cair violentamente sobre um... LOADING.
................EM CHICAGO, o presidente tampouco se deu o trabalho de ouvir a contagem de danos feita pelo Agente LoL. Havia acabado de tomar uma decisão sumária, que envolvia chutar as bundas de milhares de pessoas.
— Pode tirar essa merda da minha frente — falou rispidamente ao guarda-costas, referindo-se ao computador com as imagens em tempo real do DataCenter arruinado. Pôs-se de pé e falou bem alto, para que todas as câmeras e microfones da Sala de Conferência captassem sua mensagem e a transmitissem aos Senhores da L.D.M, que o assistiam, cada um de sua própria residência, a quilômetros de distância: — Estou decretando estado de emergência! Código 8866... seja lá o que isso signifique!
— Err, sir... — o Agente LoL cochichou ao ouvido dele — O Código 8866 aciona o mecanismo de Denúncia do GOOGLE, ativando as... — seu tom de voz revelou medo ao completar: — 7 Pragas.
*CHAN-CHAAAN*
— É disso que eu preciso! — exclamou o chefe satisfeito — Agente LoL, denuncie os fugitivos ao sistema e ative as 7 Pragas. O resto de vocês — dirigiu-se aos que estavam “presentes” via videoconferência —, iniciem o processo de evacuação conforme a nossa operação secreta D.O.F.
— D.O.F... Não me recordo dessa, senhor. — falou LoL.
— Operação Dar-O-Fora.
— Ah, certo...
— Os mais importantes e leais membros da L.D.M, incluindo você, virão comigo para a dimensão de segurança criada pelo Google Earth, onde esperançosamente aguardaremos pela eliminação dos fugitivos e o resgate do Backup roubado. Que o Monstro de Espaguete Voador esteja conosco.
— Mèma! — pronunciaram todos em atitude de reza.
Em seguida, abandonaram a reunião.
...........ENQUANTO tudo isso acontecia, nossos amigos (já podemos chamá-los assim?) Norma e Andrius punham-se a executar com grande destreza o seu plano de fuga do prédio da GOOGLE Inc. em Gay Harbor. Exatamente naquela ocasião, minutos antes de encontrar seu violento destino, o Agente #4 recebeu um recado da secretária. Alguém o esperava do lado de fora do edifício. Depois que desceu pelo elevador e viu de quem se tratava, seu coração deu um pulo para a garganta.
— Como você se atreve a vir aqui? Está louco?? — indagou à pessoa, puxando-a consigo pelo braço para o mais longe possível das portas giratórias, de modo que ninguém os visse conversando — Ninguém pode saber que você existe. Eu falei para esperar num lugar seguro!
Para seu desapontamento, a visita disse que não era mais possível manter-se no mesmo esconderijo de antes, pois alguém andara rondando o lugar. Alguém que o agente conhecia.
— Ora, quem? — deu uma risada — Não há por que temê-los a essa altura. Um está no meio do interrogatório, e a outra está lá dentro trabalhando. Não sei por que você saiu de lá. Os dois não oferecem mais... — ele ouviu tiros e gritos — perigo?
Distraído pelo que estava acontecendo lá embaixo, na garagem, ele abandonou a conversa, sacou sua arma e foi até a entrada da rampa. Subitamente, um carro preto veio em sua direção... e ele não viu nem sentiu mais nada.
Se alguém lembrasse depois que o Agente #4 recebera uma visita muito importante na entrada do prédio, provavelmente não dariam muita atenção a esse detalhe.
...........VÁRIOS MOMENTOS DEPOIS:
O homem e a mulher ficaram sentados no chão do sótão mobiliado, com as pernas cruzadas como fazem os índios, sem falar um com o outro, cada um bolando a própria teoria sobre a verdade que haviam acabado de desenterrar. De repente, depois de muito silêncio, Andrius disse:
— Não é possível. Não é nem um pouco crível. No entanto, faz certo sentido. Por que ele se preocuparia tanto com a casa se os saberes mais valiosos estavam o tempo todo na sua cabeça? Tinha de haver algo que ele não pudesse levar consigo na fuga, uma coisa preciosa demais para ser posta em risco. Et voilá!
— Mas por que o assassino do Dodi a levaria também? — indagou Norma — Por que simplesmente não a destruiu? A não ser que tivesse vindo especialmente para conseguí-la. Assim, ele não queria encontrar O Schneider/Sebastian, mas a Coisa dele, talvez para usar como barganha em caso de Schneider/Sebastian não querer aparecer.
— Você acha que o assassino estava atrás do Schneider/Sebastian mundo afora e, sem poder apanhá-lo, apelou para o sequestro da Coisa?
— É o que me parece.
— E se o próprio Schneider/Sebastian voltou para resgatá-la e atirou em Dodi?
— Por que ele atiraria no próprio amigo?
— O crime todo pode ter sido uma farsa. Você se lembra de ter visto o corpo?
Ele olhou profundamente para Norma, como se dissesse “Pense nisso”, depois se levantou e foi até o alçapão.
— Eu vou vasculhar lá embaixo — avisou — Não saio daqui enquanto não tiver revirado a casa inteira.
— Estou com você — disse a agente ficando de pé também.
...........PEPITO foi o último a cair no asfalto feito um tatu-bola, abrindo uma sexta cratera no meio da rua. Enquanto ele reclamava de dor nas costas e era auxiliado por Matt, Pinguin e Gustavo a se levantar, uma figura preta caindo do ceu anunciava a chegada de Galarza, que ao cair fez um rolamento e levantou-se sem muitos estragos.
EXCELLENT!
Os outros o olharam com desprezo.
— OK, Galarza, aqui estamos na rua do Beckmann — anunciou Matt em voz alta —, e eis o prédio o dele. E sabe do que mais? É O MESMO PRÉDIO DA AMÁLIA, PORRA!
Todo mundo olhou para o Galarza, que protestou:
— Não joguem a culpa em mim! Perguntem pra Amália!
Ele apontou para a garota, a quem todos os olhares se dirigiram em seguida.
— Amália — perguntou Gustavo lentamente —, por que você mora na minha casa?
— Errr... — ela balbuciou.
— E por que vocês têm o mesmo sobrenome? — acrescentou Pepito.
— Errr... — ela tornou a balbuciar.
— É, e por que os seus pais e os pais dele estão viajando ao mesmo tempo para o mesmo lugar? — perguntou Matt.
— Well...
— Pensando bem, por que afinal vocês são parecidos? — indagou Gabriel impressionado com o que acabara de perceber.
Eles puseram ambos — Gustavo e Amália — lado a lado, de modo que todos pudessem ver a semelhança.
— Realmente, há um traço nórdico comum aos dois — observou Matt.
— Fora que tem fotos DELE na sala DELA, onde os dois aparecem quando eram pequenos! — denunciou Pepito.
— Realmente, gente. Se vocês dois pudessem explicar isso, a gente ficaria muito feliz ‘-‘ — falou Pinguin.
Nenhum deles soube responder, até que Pedro sugeriu bombasticamente:
— Talvez eles sejam irmãos!
Houve um silêncio.
Em seguida, todos fizeram “DÃÃÃÔ e riram da teoria absurda.
— Não viaja, Pedroo! — gritou Matt sacudindo a cabeça dele.
— Mas é claro — Amália riu também — Eu, irmã do Gustavo, tipo...
— É, eu irmão da Amália... — disse Grilo — Tipo... ‘-‘
— ‘-‘
*BOOOOM*
Uma explosão seguida de uma labareda chamou a atenção deles, que viram surgir no ar a coisa mais colossal e mais repugnante da face da Terra. E estava vindo para eles, flutuando devagar...
— O que é aquilo? — Amália.
— Oh, my fucking... — Matt.
— GOD! — Pinguin.
A coisa havia acabado de cuspir uma bola de fogo, que eles conseguiram evitar por pouco se abaixando ao mesmo tempo. Ela acertou uma árvore, reduzindo-a a cinzas em questão de segundos.
FUJA DA PRIMEIRA PRAGA!
— Vamos dar o fora daqui! Agora! — berrou Matt à frente do bando, que começou a correr na direção da avenida.
— Não, não! Não! Voltem! — gritou Amália sem ser ouvida.
Pedro deixou o grupo e voltou às pressas para puxá-la pelo braço, enquanto o “Treco Nojento Flutuante” completava um lento giro de 180 graus para visualizá-los melhor com seu... arrgh, era repugnante!
— Vem logo, o que está esperando?? D=
— É que a minha casa é um savepoint. ‘-‘
— Não temos tempo para savepoints, precisamos sobreviver... ABAIXA!
Outra bolo de fogo passou acima deles, desta vez destruindo um carro.
— Ai, tá bom. u.u — resmungou Amália começando a acompanhá-lo — Mas se for pra detonar esse treco, eu é que não vou tocar nele. G.G
...........No banco de trás da limusine, o Agente LoL evitou mostrar o computador ao chefe com medo de levar outra cortada, mas mesmo assim lhe avisou:
— Presidente, soltamos o GlassAss. Parece estar surtindo efeito.
O homem sorriu e deu uma tragada num charuto caro.
— Excelente.
...........Andrius olhou para a quantidade de papeis contendo consideráveis pistas, que havia “cavocado” de dentro das gavetas empoeiradas do escritório, e suspirou de cansaço. Trabalho de escritório nunca fora o seu forte, e agora depender dele para desvendar um enigma, o maior da sua vida, era extremamente torturante. Passados quinze minutos desde que Norma descera para buscar-lhe uma bebida, ele estranhou a demora da parceira e desceu até o hall, onde viu seu corpo desmaiado perto da porta.
Mal ensaiou um “Ah!” de surpresa, sentiu a pressão de um cano de pistola contra sua nuca e uma mão tateando seu bolso em busca da arma de Norma, que àquela altura estava com ele.
— Não se mexa — falou a pessoa que o surpreendera, cuja voz soou horrendamente familiar. Apreendida sua arma, Andrius recebeu permissão para se virar devagar e viu-se diante do rosto duro e encolerizado do Agente #3.
— Ah... Bom te ver. ^^ — disse Andrius em tom irônico, levando uma bofetada em resposta.
— O que está fazendo aqui com aquela vadia? — quis saber Rodney — Eu entendo que esteja interessado em fugir, ainda mais depois da MERDA que você fez lá no escritório, mas por que para cá?
— Isso já não importa, Rod. O GOOGLE não quer saber sobre o passado do homem que eu investigo.
— O GOOGLE está à beira da ruína, Andrius. Os Senhores da Liga correram para o esconderijo. Mandaram as 7 Pragas atrás dos moleques, a internet saiu do ar, todo mundo está APAVORADO, Andrius!...
— Então, Rodney, não vê que acabou? — perguntou-lhe o ex-agente com simplicidade — De que adianta todo o nosso poder se virar poeira cósmica?
— Por culpa da SUA incompetência e da SUA traição!
Eles foram se rodeando, de forma que Andrius terminou parado onde antes estivera Rodney.
— Os agentes que estavam comigo souberam do Código 8866 e fugiram, os covardes. Para você e o resto desse mundo ingrato, pode ter acabado. Mas, pra mim, não! O GOOGLE precisa de um heroi, e é o que ele vai ter.
— Herois não vivem muito tranquilos, Rod — lembrou-lhe Andrius em tom complacente — Não vai querer isso pra você, amigo.
— Chega de conversa. Cadê o Liebert?
— Lieb...?
— Eu sei que vocês se comunicam. Você sabe onde ele está, e vai me dizer, ou este é o fim da sua corrida. Já deixei você passar por mim intacto por tempo demais...
— Não posso te ajudar nessa, Rod, sinto muito.
— Não minta para mim outra vez! Você quer que a vadia morra? É isso? — ele olhou para Norma, imóvel no chão, depois novamente para Andrius.
— Você não vai tocar nela — disse Andrius em tom grave.
— Não sei, quem sabe a minha mão escorregue e eu exploda a cabeça dela. Você vive fazendo merda; por que eu não posso fazer também?
— Isto é somente entre nós dois, Rod...
— Não fale em “nós”, seu filho da p*! Não existe “nós”, apenas o seu corpo numa vala se não me disser o que eu quero saber... AHHHH, FUCK!
Norma acabara de enfiar uma faca na perna dele, que deixou de mirar em Andrius para chutar sua cabeça. Naquele momento Andrius saiu correndo do hall para a sala, por pouco evitando um tiro, que acertou a parede.
— SON OF A BITCH!
Rodney arrancou a lâmina fora e foi mancando o mais rápido que pôde até o outro cômodo, onde Andrius pegava uma besta de cima da lareira.
Os dois atiraram ao mesmo tempo.
CONTINUA...

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