quarta-feira, 16 de junho de 2010

(2ª TEMPORADA) EPISODE 04 - Assumindo Riscos

Matt Liebert veio a perceber, depois de uns dias, que uma consequência inevitável de se dormir na casa da Amália era acordar com a sensação de que o café da manhã já tinha começado SEM VOCÊ. Uma outra consequência inevitável desse hábito era abrir os olhos enquanto cinco, seis ou mais pessoas caíam em cima de você gritando “MONTINHOO” — Matt descobriu isso depois da segunda noite; na próxima seria sua vingança.

Quanto já estavam lá fazia uma semana, o ócio que de início lhes parecera benéfico (Amália era a única que ainda tinha de ir à escola, o que fazia com absoluta má-vontade) começou a prejudicá-los. A começar por Pinguin, que, já cansado do videogame e da música 24 horas por dia, passou a reclamar do isolamento de modo a fazer os outros saírem; em vão, pois os outros estavam indispostos demais para inventar uma programação.

O único que não deu uma palavra sobre o assunto foi Pedro. Talvez pelos anos de cativeiro sob a vigilância do GOOGLE, já estivesse acostumado a esse tipo de condição. O que ninguém notou foi que ele estava estranho — quieto, ocupado em encarar as paredes, dormindo menos que o normal. As razões para isso também eram desconhecidas pelos demais, e ele não as expunha a ninguém para não preocupá-los.

Mas nosso foco, no momento, não é esse. É, na verdade, o início de uma manhã que significou muita coisa para todos eles. Começou com Gustavo preparando um omelete.

+ 5 EM CULINÁRIA!

— Yuhuu, vejam o que eu fiz!
— Hmm. O cheiro é interessante — falou Matt parando na porta da cozinha — Descobriu que pode cozinhar?
— Exato. =D Esse é um horizonte pouco explorado nas skills dos outros — orgulhou-se Gustavo, ainda com a frigideira na mão.
— NÃO FODE, QUE EU TAMBÉM COZINHO!! — berrou Pinguin do sofá da sala.
— Tá bom, mas você também vai gostar de provar isto — Gustavo berrou de volta.

Matt foi à geladeira, serviu-se de água e observou:

— Só não entendi o porquê desse avental florido gay.

Gustavo encolheu os ombros.

— Eu sei lá. Apareceu quando eu iniciei a tarefa.

Naquele momento Amália chegou, cansada, bufando, atirando a mochila em cima de Pepito, que estava também sentado no sofá.

— CHEGAY! u.u
— As aulas acabam tão cedo pra você. — comentou Matt olhando para ela do hall.
— A professora de Matemática morreu — improvisou Amália enquanto tirava as botas.
— Que eu me lembre, ela morreu ontem — disse Pepito.

Houve um silêncio, durante o qual os olhares convergiram para a garota.

— Remorreu — soltou Amália.

Ela jogou as botas para o lado (Pinguin aparou-as), estalou a coluna e seguiu falando com eles enquanto se deslocava do banheiro para o quarto, do quarto para o banheiro, trocando a maquiagem:

— Hoje é dia do meu treino, que é onde eu aprendo a matar NPC’s de forma econômica, então vocês vão ter que vazar daqui.
— Por quê? — Matt.
— Já usamos demais essa casa. Mais do que isso não seria justo com meus pais enquanto eles estão em Cingapura.
— Seus pais também foram pra Cingapura? — Grilo veio trazendo a bandeja com o super-mega-prato de omelete.
— Onde fica Cingapura? — Pepito.

Amália voltou do banheiro amarrando o cabelo, deu de cara com Gustavo e pareceu congelar-se por um momento.

— O q-que é... isso? o.O
— Err... omelete? — Grilo.

A resposta veio através de um Roundhouse Kick que desestabilizou Gustavo, lançando a bandeja e o prato para o alto. Felizmente ou não, o omelete pousou sobre o prato, que pousou sobre a bandeja, que caiu no colo de Pepito, e sobreviveu. Gustavo, por sua vez, tombou de costas contra a parede com o lábio superior sangrando.

— Por que você fez isso? — perguntou Matt calmamente.
— Ovos são galinhas abortadas! — respondeu Amália como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Houve outro momento de “WTF, Amália?”, até que Pepito sugeriu:

— Que tal um cinema, pessoal?

=====> OPENING CREDITS<====

Acabou que todos concordaram em ir ao cinema na primeira sessão da tarde, para evitar a lotação. Mas, nas horas antes de saírem, alguém lembrou que Pedro não poderia sair à rua vestido de qualquer jeito, pois, se houvesse algum espião do GOOGLE à paisana, ele obviamente seria reconhecido. Teria, então, de ir disfarçado, e eles o disfarçaram. No entanto, meia hora antes de Amália abrir a porta do apartamento, outro alguém lembrou-os de que não fazia sentido resguardar apenas Pedro se todos eles estavam sendo procurados. E foi mais uma eternidade para escolher os outros disfarces...

— O que você tem nesse armário que sirva em nós? — perguntou Matt vendo Amália abrindo as portas do móvel.
— Não se preocupe, Matt, vou arrumar algo que esconda completamente a sua gayzice.
— ¬¬.

Ela foi puxando algumas peças e logo jogando-as para o lado, dizendo “Não”, “Não” e “Não” várias vezes, até parar e dizer:

— Olha, gente, eu só tenho itens de cosplay.
— Serve. Andem logo, ou nós vamos perder a sessão. — falou Pinguin alarmado.
— Tá bom... Para todos os efeitos, a gente está retornando de um evento.

E eles vestiram os cosplays, mas isso não fez muita diferença, pois chegaram atrasados ao cinema de qualquer forma. Mas que pareceu engraçado num primeiro momento, pareceu.

..........ALGUM TEMPO DEPOIS, estavam deixando a sala com os olhares de espanto das pessoas seguindo-os a cada passo. Tudo indicava que o dia seria perfeito: tinham abandonado a monotonia entre quatro paredes, aproveitado para tirar a barriga da miséria e ainda assustado um monte de gente com suas aparências.

— Cara... eu não curti muito. o-o — disse Gustavo a Pepito, sobre o filme.
— Why? — Pepito.
— O personagem do Johnny Depp é sem dúvida o mais fodão do filme, sendo que no livro ele nem recebe tanta atenção assim.

Os dois pararam perto do cartaz de Johnny Depp no País das Maravilhas, o filme que haviam acabado de assistir, enquanto os outros falavam de coisas random sentados nos bancos de madeira do shopping.

— Da próxima vez a gente experimenta Fúria de Johnny Depp. — falou Pepito apontando para o cartaz ao lado, no qual o ator de Edward Mãos-de-Tesoura erguia a cabeça decepada de uma Medusa.
— Já vi. — resmungou Gustavo sem ânimo — É pior que Johnny Depp da Pérsia...

Nisso veio Matt falar com eles.

— Por acaso algum de vocês pode me comprar uma água? D= — implorou — O sal da pipoca colocou minha Life em CRITICAL.

Pepito esvaziou os bolsos, e só saíram duas peninhas voando.

— Bah, cara, tô mal. =/
— Eu também. — disse Grilo.

Matt gritou desesperado:

— Ninguém aqui tem dinheiro??
— Você falou em dinheiro? — Amália se virou imediatamente — Que tem o dinheiro?
— Eu não tenho dinheiro. D=
— Como não, retardado? Olha tuas Skills. Embaixo tem teu Money.
— Eu tenho... Eu tenho Money???
— Claro que tem. Todo mundo tem. Como acha que eu comprei aquela comida? u.u

Houve um silêncio por parte de Matt, Pepito e Grilo, e no instante seguinte os três deram um salto à lá High School Musical, gritando “WEEEE”.

MATT, PEPITO E GRILO DESTRAVARAM UM NOVO RECURSO!

— OMG *.* Eu vou comprar... agora eu vou comprar... O que eu vou comprar?? o.O — Pepito.
— A minha mente tá fervilhando agora. *.* Eu tô vendo mangás e... jogos, e... comida... — Grilo.
— *babando* Capitalismo é... tão booom... *babando* — Matt.
— Meu Deus, vocês parecem meninas no Natal. u.u — Amália.
— Pessoal... — Pepito cutucou os dois para que prestassem atenção — A Saraiva está a uma escada rolante de distância...

VRUUUUM, os três subiram correndo para o segundo andar e desapareceram das vistas dos outros.

...........Sozinho e sem fazer nada em seu gabinete, o Agente #1 brincava de rodopiar com sua cadeira de rodinhas. Parou quando o Agente #3 entrou na sala, já livre da tipoia e da bengala.

— O presidente me intimou. Quer saber o que você anda fazendo. — disse, com sinais de irritação.
— Ultimamente eu tenho ouvido Bach. Lindo. *.* — respondeu o outro.
— Não se faça de espertinho. Estamos parados há uma semana praticamente. Por que não estamos lá fora indo atrás de pistas, interrogando pessoas?
— Essa é uma pergunta que você deveria fazer a si mesmo.

Tranquilo, o Agente#1 pegou uma borrachinha elástica amarela e começou a brincar com ela. Sentindo a provocação, o colega replicou:

— Eu?? Eu trabalhei muito mais que você e sua estagiária nos últimos dias!! Caso não saiba, alguém tem de fazer a contenção do público a cada vez que vocês, chefes, mandam desintegrar ou trocar coisas de lugar.
— Por isso que nós somos os chefes. =)
— Tenho de andar como um MIB por aí! E ainda falei com os pais dos garotos. Como policial, que desculpa acha que eu tive de inventar para as famílias de quatro adolescentes que desapareceram ao mesmo tempo? Bom, três deles, porque um dos casais...
— Você disse que foi até as famílias?
— Sim.
— Visitou as casas?
— Óbvio.
— Coletou alguma coisa?
— Espere.

O Agente #3 foi para a sala ao lado. O Agente #1 parou de brincar com a borrachinha e esperou, atento. O outro voltou com uma caixa de papelão, na qual havia pertences avulsos de Pepito, Matt, Gustavo e Gabriel — peças de roupa, tênis, palhetas, livros —, e depositou-a sobre a mesa do chefe. Este olhou os objetos um por um, interessando-se pelo exemplar surrado de um velho livro.

— “Instruction Book”. — ele leu o título — Lembra-se de qualquer coisa parecida? — virou a capa para o Agente #3, que negou com um aceno de cabeça. Pareceu, então, profundamente concentrado — Acho que ficarei incomunicável por um tempo, Rodney...
— Não me chame de... Incomunicável? o.O
— É. Enquanto estiver lendo.

O chefe levantou-se, disposto a retirar-se.

— Mas e o seu trabalho??
— Esta é uma evidência, e eu vou analisá-la.

E assim ele se foi, deixando o colega só e irritado pela enésima vez.

...........Os três amigos fizeram uma combinação: cada um sairia para comprar o que quisesse e onde quisesse, sendo que mais tarde se reencontrariam em frente à livraria chinela do segundo andar. Quando terminaram e de fato retornaram, começaram a comparar seus mais novos pertences. Matt veio com trinta livros pesadíssimos, um kit de skydiving (sabe-se lá para o quê), três sacolas abarrotadas de roupas estupidamente caras, um vinho importado (que ele não beberia, mas a garrafa era bonita) e um computador. Pepito, por sua vez, apareceu com dúzias de pares de pantufas (???), um carrinho de supermercado cheio de garrafas de Coca Cola, muitos, mas muitos quadrinhos do Homem Aranha e um cinto de rebite. Gustavo foi o último a chegar, trazendo um piano de cauda nas costas.

— Será que cabe tudo na backpack do Matt? — indagou, esforçando-se para suportar o peso do instrumento.
— Não sei...

Matt abriu a mochila, olhou lá dentro e disse:

— Acho que não vai sobrar espaço pras pantufas.
— DOW >.< — Pepito.
— Anoiteceu tão depressa... — Grilo constatou ao olhar pelas janelas — Alguém liga pra Amália.

Pepito pegou o celular, discou (melhor dizendo, teclou, porque não existem mais telefones com aquele disco) e esperou.

Alô?
— Amália? Cadê você?
Tô no meu treino, dã.
— Quê?
Eu falei que tinha treino hoje. u.u
— Mas... e o Pinguin e o Pedro?
Vieram comigo, ué. Mas eles vão ter que esperar. (— AUCH!). Falei pra largar isso, Pedro!! Que praga...
— Mas... mas... O Gustavo, o Matt e eu estamos sozinhos! =C
E eu estou me livrando de um cadeado com apenas uma mão disponível! (— WOOOOW! *tush*) Pronto, já deu. Venham pra cá, a gente sai em meia hora. Tchau. ^^

Ela desligou, antes que Pepito pudesse dizer outra coisa. Contrariado, ele guardou o celular e voltou-se para os amigos.

— Pessoal... estamos fucked up. — disse — Algum de vocês tem qualquer centavo sobrando?
— Err... Acho que não. — confessou Matt embaraçado.
— Parece que gastamos todo o nosso saldo com esses presentinhos. — constatou Grilo verificando os números pelo seu LC.
— E agora? — perguntou Pepito com expressão de pavor — Está escuro, frio... e tem Tchuntchás lá fora!

Um raio riscou o céu bem na hora em que ele disse a frase final. Matt falou:

— Bom, gente, sem dinheiro pra transporte e com pouco tempo pra achar a Amália — um reloginho em 3D apareceu num canto, fazendo “tic-tac” de forma alarmante —, bom, eu não sei...

De repente, um ponto de exclamação azul brotou do nada em meio aos três com um “PLOP!”. Gustavo o cutucou, o que foi a mesma coisa que clicar, e ele fez “PLOP!” outra vez. Abriu-se um letreiro explicativo:

Realize uma Mini-Quest e fature Money!

— Ei, ele sempre tem as respostas, não? — falou Matt animado — Daqui a pouco vai dizer meu horóscopo. — brincou.

Terá um dia produtivo se trabalhar em equipe.
Procure viajar. Coma legumes.
Cor do dia: verde.

— o-o.
— Tá, anda logo, vamos fazer a Quest. — Pepito.

O texto do horóscopo desapareceu, dando lugar à ordem da missão:

Grab the Mushroom.

— Como é que é? — Grilo.
— CUIDADO! — Matt.

Um cogumelo voador gigante passou zunindo por eles e ficou fazendo círculos no ar como um balão furado.

— Rápido, vamos pegá-lo! — Pepito.

Gustavo lançou-se com tudo sobre o cogumelo, que desviou sua trajetória no momento certo, e mergulhou do outro lado do balcão de sorvetes quando a atendente ia dizer “O que deseja, moço?”.

— Imbecil. — xingou Pepito indo atrás do objeto voador — Seja esperto assim.

Ele deu um salto mortal para agarrar o cogumelo com estilo, mas errou o alvo e gritou “DOW!”, pousando normalmente.

— Merda!
— Er... Pepito...
— Que é, Matt? ¬¬
— Você está em cima do... er...

Pepito olhou pra baixo e viu que estava parado no ar — tinha saltado sobre o parapeito do segundo piso. Como nos desenhos animados, deu “Bye, bye” para a câmera e caiu lá embaixo.

Matt esfregou as mãos e fez pose de goleiro.

— Muito bem, mushroom, somos você e eu agora...

O cogumelo agitou-se no ar e investiu contra ele como uma bala de canhão. Matt atirou-se para pegá-lo e sentiu que encostava nas pontas de seus dedos, mas não foi perto o suficiente. Caiu de cara no piso.

— Cogumelo FDP. >.<

Eis que duas mãos emergiram de trás do balcão de sorvetes (TAN-TAN), depois um rosto, depois um tronco, e Matt viu que era Gustavo que se levantara. Tinha sujado o rosto com chocolate do mesmo jeito que os militares fazem com tinta. Estava sério desta vez.

— Muito bem, cogumelo... — cuspiu no chão — Acabou a brincadeira.

O garoto pulou para fora do balcão, pegou o cinto de rebites e agitou-o à guisa de chicote. Nisso, Matt se ergueu do chão e se posicionou na outra extremidade do andar, pronto para aparar o superfungo se este escapasse de novo.

— GLULULULULULU!

Gustavo agitou o chicote, erm, cinto e enlaçou o cogumelo. O tema de Indiana Jones começou a tocar, e ele vibrou orgulhoso:

— Mazaaa, Matt, eu consegui!
— Você tá se mexendo!
— O quê?
— AHHHHH!

Mesmo preso, o cogumelo teve força para arrastar Gustavo, que colidiu com Matt, que agarrou-se às suas pernas, e os dois saíram voando sobre o andar de baixo. O peso deles os puxou para perto do chão, de onde Pepito, já de pé, começou a sacudir os braços e a gritar “Eu! Eu! Me escolhe”, e conseguiu segurar a perna de Liebert.

Com o contato, o cogumelo brilhou intensamente e adquiriu um impulso descomunal que *VOOOSH* lançou-os para cima, atravessou o teto de vidro, a troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera, *I’MAFIRIN’MYLAZER*, o espaço e... LOADING.

...........— Amáliaaaa, sem querer incomodar, mas... Quando é que a gente vai embora? >.<

O treino de como matar NPC’s de forma econômica já tinha terminado, mas Amália ainda não saíra do vestiário. Agora Pedro viera pela terceira vez bater na porta para fazê-la apressar-se. Ouviu-a berrar “DAQUI A POUCO!” como resposta, mas o último “DAQUI A POUCO!” tinha sido há meia hora.

— Vamo, Amáliaaaa.
— ESPERA! u.u

Pinguin veio e cutucou Pedro.

— Eu já tinha que ter voltado há horas, sabe. *histérico*
— Eu também.
— Eu tinha que voltar seis e meia, manolooo.
— Mas tu não vai pra Amália também?
— EU... Ah, é. xD

Luzes fortes incidiram sobre todas as janelas do ginásio, um ruído forte de hélices indicou que um helicóptero estava sobrevoando a área, e uma voz mega-assustadora falou com eles, ampliada por um... megafone.

Atenção, elementos conhecidos como Pedrobear e Pinguin...

Os dois olharam para a mesma direção, mas isso foi muito inútil, pois a voz não vinha de nenhum ponto DENTRO do ambiente em que estavam.

Aqui é o BOPE, aquele do filme. Vocês foram identificados pela Lista Internacional da Interpol de Adolescentes Retardados. O prédio está cercado. Larguem suas armas, se tiverem, e saiam com as mãos para cima. Ou saiam com as mãos para cima e depois larguem suas armas. Fica a critério de vocês. Só não esqueçam dos dois pontos principais: 1) largar armas; 2) pôr as mãos para cima.

Pinguin e Pedro trocaram olhares tensos.

— E agora? — Pedro.
— Não sei. — Pinguin.

Nisso, a porta do vestiário se abriu e veio Amália assobiando, de mochila nas costas, esfregando uma toalha no cabelo molhado. Imediatamente os garotos a chamaram:

— Amália, a SWAT tá lá fora! — Pedro.
BOPE!
— O que vamos fazer?

Amália foi até uma janela, espiou a situação lá fora e soltou um suspiro.

— Logo agora, que eu já tomei banho... Segurem aí.

Ela atirou a mochila para Pedro, que a apanhou, e escancarou as portas do ginásio.

...........NUM PRIMEIRO INSTANTE, não entenderam onde estavam. Num segundo instante, também não. Somente no terceiro perceberam que estavam em movimento sem precisar mexer braços nem pernas. Isso porque estavam deitados sobre uma esteira. Viajavam tão rápido que mal discerniam as cores e as formas das coisas, mas, pelos rápidos vislumbres do ambiente, diriam que estavam dentro de uma espécie de fábrica. Ouvia-se cliques e rugidos de motores, ruídos de encaixe e sucção, rangidos de engrenagens... De repente algo os pôs de pé, e eles pararam, sem ainda poderem se mexer.

Matt, Pepito e Gustavo piscaram os olhos e perceberam estar diante de uma comprida e larga redoma de vidro, preenchida com um estranho líquido azulado e algumas dezenas de porcas, parafusos e fios de solda que boiavam em seu interior.

— Matt... Grilo... vocês estão aí? — perguntou Pepito sem poder olhar para os lados.
— Sim. — responderam os dois ao mesmo tempo.
— Pepito... Grilo... vocês estão aí? — perguntou Matt nas mesmas condições que o amigo.
— Sim. — responderam os outros.
— Matt... Pepito... Err, tá, isso seria retardado. — disse Grilo, calando-se em seguida.

O líquido azul borbulhou, a profusão de porcas, parafusos e fios se agitou e rodopiou, tomando a forma rudimentar de um rosto cujos olhos e boca eram desprovidos de fundo, o que lhe dava uma aparência fantasmagórica. A boca começou a se mexer, ao mesmo tempo em que uma voz vinda sabe-se lá de onde retumbou nos ouvidos dos três.

Bem-vindos à nossa Capital.
— Ele é um robô?
— Cala a boca, Pepito!
— Mas Matt, eu só queria perguntar... Grilo, ele é um robô?
— Acho que sim.
— Aqui só tem robô? Não sabia que o cogumelo abria um portal pra Tóquio...
Vocês não estão em Tóquio. O lugar em que estão agora não pertence a seu mundo.
— Tá, solta logo onde é que a gente tá, tio. — Pepito.
Bem-vindos... ao Mundo Cibernético.

CHAN-CHAN-CHAAAAAN.

— Cibernético? — o queixo de Pepito caiu com o espanto — Exatamente como na minha ideia, mas... Comofaz??
— Fuu, a gente vai morrer. D= — Matt.
Nada temam. O Jogo os trouxe até aqui por uma razão. Enquanto estiverem aqui, prometo tratá-los com respeito.
— E você é...? — Grilo.
Eu sou o Imperador.

CHAN-CHAN-CHAAAAAN.²

— Não creio. u.u — desdenhou Pepito.
Sou eu quem configuro as diretrizes de comando desta cidade. Minha forma atual é meramente um artifício...
— Prove que é o fodão Big Boss dessa porra aqui.

...

Está bem. Pense num número qualquer.
— Hmm... Dois!
Era pra pensar, imbecil.
— Ah, deixa. Eu acredito que é você.
Como dizia, minha forma atual é meramente um artifício visual para me dirigir a vocês. Gostaria, se acharem que fui convincente o bastante, de lhes propor um pequeno trato.

CONTINUA...


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