http://www.youtube.com/watch?v=thMm-7RFsm0
..................................VOLTANDO AO LOCAL INICIAL DO EPISÓDIO ANTERIOR: A PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO DO PDB! É... A PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO DO PDB:
— Pepito!
— Eu! Pepito. Sou eu. =D
Ele veio novamente até Matt, que perguntou:
— Onde você deixou o Instruction Book?
— Não lembro... Oi! *vai cumprimentar um conhecido Random a quilômetros de distância*
— >.<
Na ausência de Pepito, que estava ocupado pepitando, Matt foi procurar sozinho seu exemplar do Instruction Book para conferir uma passagem extremamente importante. Antes de mais nada, é preciso explicarmos como ele e seu amigo que acabara de ouvir a inacreditável história do robô conseguiram achar o livro.
...................................DE VOLTA AO DIA DO ATAQUE DO ROBÔ, NA SARAIVA MEGA STORE:
— Pode estar ou na sessão de Informática, ou na prateleira de RPG, Pepito... Pepito?
— E aí, cara, tudo bem? — Pepito estava a alguns metros atrás, perto da porta, cumprimentando um segurança random com um abraço de quem se conhece há séculos.
— WTF? — indagou Matt logo depois que seu amigo voltou. — O que era aquilo?
— Presta atenção. — mandou Pepito, e quando o segurança virou as costas para fazer mais uma ronda em torno da loja, pensando “Esses garotos estão cada vez mais atrevidos”, Matt viu uma folha escrito “FAÇA SEXO COM SEGURANÇA” colada nas costas do guarda.
— Skasoaksoaksoaks. Não acredito que tu fez isso!
E o segurança continuou andando, sem perceber o porquê dos risos contidos dos funcionários por quem passava. Enquanto isso, Matt e Pepito chegaram à prateleira de Informática, mas tudo que encontraram foram programas de curso de inglês à distância e joguinhos importados caríssimos para Wii. Ao procurarem na seção de manuais de RPG, também não encontraram. Por toda a livraria, não havia sinal do Instruction Book; nem debaixo de um exemplar de Crepúsculo que estava calçando uma mesa bamba.
— Merda. — disse Mat. — Ele falou que estava nas melhores livrarias.
— Ah, ele disse nas melhores? Nunca que a gente ia encontrar na Saraiva. ==> TU DUN TSS
“Vamo embora”, disse Pepito, mas Matt forçou-o a voltar e pediu a um funcionário que procurasse o livro no “incrível” sistema da livraria.
— Esta edição você não vai conseguir aqui, não, nem por encomenda. — disse o estagiário virando o monitor do PC para ele ver. — Está esgotada.
— Porra, esgotada?!
— Sim. Acho que a parte do nome que diz “Edição Limitada” é bastante autoexplicativa. ;)
— Mas em que época isso foi lançado?
— 1986. A última publicação foi em 2002. Se não me engano, essa editora aqui foi à falência.
— Ótimo. ¬¬
— Você pode tentar nos sebos. — explicou o estagiário. — Eles têm vários livros que nós, porcos capitalistas, não vendemos mais, ou, se vendemos, cobramos um preço exorbitante por eles. Mas eu não deveria estar dizendo isso, é claro. o-o — E foi embora.
— Matt, você vai mesmo ao perigoso e sombrio Centro de Porto Alegre *dramático* apenas para encontrar esse livro? — perguntou Pepito.
— É o que dá pra fazer. A não ser que eu baixe em PDF. Mas é um saco ler em PDF. Vamos lá!
E Matt e Pepito pegaram um buzão para o Centro, enfrentando horas e horas de pé sendo encoxados por desconhecidos (em dia de passe-livre!), e percorreram praticamente todas as lojas de livros usados daquela zona da cidade, mas nenhuma possuía o lendário Instruction Book. O último vendedor que eles consultaram, um senhor bastante idoso de barba grande e grisalha que, apesar da aparência óbvia, nada tem a ver com essa história, disse:
— Eu lembro do autor desse livro. Costumava ser um cientista sério, até converter-se à Ufologia e perder toda a credibilidade. Terminou esquecido, mas esta com certeza foi sua obra mais interessante. Ele parecia acreditar que o mundo em que vivemos, as coisas que fazemos e sentimos, são uma grande brincadeira dos deuses ou, como ele preferia dizer, extraterrestres, que se revezam nos controlando como peões no tabuleiro da vida. Uma década depois, nós já temos esses programas de computador que vocês adoram, onde é possível criar e controlar pessoas em miniatura e fazer o que quiser com elas. Esse livro que vocês procuram teoricamente dizia como escapar desse jogo cruel, como ser LIVRE.
— Parece que o senhor sabe UM MONTE, né. — falou Pepito.
— DOW! >.< Justamente por isso que eu estou saindo da página. — E saiu.
Inconformados em não cumprir a missão, Pepito e Matt foram a uma lan-house e, entre partidas de Counter Strike, Halo (não é o da Beyonce) e Quake, acessaram a página do Ebay, onde milagrosamente um usuário tinha postado uma oferta com fotos do Instruction Book.
— Este é um privilégio que personagens de ficção não têm. — disse Pepito. — Se o Frodo tivesse pensado em vender o Anel pela Internet, teria sacaneado o Sauron bonito.
— Custa 12 dólares + o frete. — calculou Matt. — Quantos reais são 12 dólares? o.O
*MUITO TEMPO DEPOIS*
— Tá, eu preciso de 35 contos, mais ou menos. Merda, como é que eu vou conseguir?
— Dá a bunda.
— ¬¬
— Vamo procurar essa MERDA no 4shared? — sugeriu Pepito, já irritado.
— Duvido que a gente ache.
— Ou no Orkut.
No Orkut, acharam uma comu: “Eu Li o Instruction Book.”
— Ah, viu, Matt??
— Tem apenas um tópico nela. E diz “I’m so horny...”.
— Merda. Vamos no google mesmo.
“Procurando Instruction Book? Compare e encontre ótimos preços de Instruction Book no BuscaPé em até 6x. Confira!”
— Ah, toma no cu!
— Espera. — disse Matt clicando no 4shared.
Enfim achou um arquivo em PDF, em bom estado, o que era raro, do Instruction Book Edição Limitada, acompanhado do aviso de “Os arquivos deste site são apenas para consulta. Em 24 horas, o usuário deverá deletá-los do seu comp...
— Pronto, baixei. Quero ver imprimir essa bosta agora.
E, assim, Matt foi a uma gráfica acompanhado por seu amigo Pepito (cujo apelido é João Pedro, mas quase ninguém lembra) e mandou imprimir e encadernar a edição digital do Instruction Book. Meia hora depois, saíram de lá com o exemplar em mãos (que tinha custado metade do preço do original, diga-se de passagem, e isso, minha gente, é Brasil) e viram um letreiro brilhante acima de suas cabeças que lia-se: “QUEST CUMPRIDA. VOCÊ RECEBEU O INSTRUCTION BOOK.”
E, de repente, uma luz azul-pálida desceu dos céus, e o tempo pareceu parar, e bla, bla, bla, e o Ruleador reapareceu.
— Matt Liebert, você cumpriu sua primeira Quest. Você conseguiu o Instruction Book.
— É, deu pra ver pelo letreiro gigante, champz.
— Agora você deve lê-lo e se preparar para os próximos eventos, que não serão tão fáceis como o que você presenciou hoje.
— “Fáceis”?? Quase comeram o meu cu!
— Se se sentir vulnerável ou indeciso, isto deverá te ajudar... — ele tirou uma garrafa do sobretudo e ofereceu-a ao Matt.
— Que é isso?
— Um Vinho Vagabundo Comprado no Nacional.
— Ah...
— Mas contém propriedades químicas que irão aumentar suas forças e te deixarão mais concentrado no seu objetivo, o que para os outros parecerá apenas um porre comum.
— Certo. — Matt recebeu a garrafa. — Eu não bebo, mas foda-se.
— Agora eu preciso voltar para minha dimensão.
— Meu pênis azul! Garanto que, se você se for agora, vai aparecer outra coisa querendo me matar!
— Asseguro que não. Pelo menos ainda. — disse o Ruleador com um sorrisinho.
— E eu tenho uma dúvida: se você vem do futuro, por que não altera o passado você mesmo e salva os humanos?
— Porque não pertenço a esta dimensão temporal, logo só posso orientar as ações dos humanos escolhidos. E também porque não sou humano. Sou um andróide projetado especificamente para esta função. Inclusive, eu não tenho partes íntimas e foi bastante ofensivo o que você falou segundos atrás.
— O que ele falou? Pênis azul? — Pepito.
Ruleador — ¬¬. Você, que é amigo de Matt Liebert e deve se preocupar com ele, ajude-o a entender o manual e a lutar contra os Cibernéticos.
— Olha, na verdade eu podia estar em casa jogando Play, mas isso aqui tá bem mais interessante. ==> TU DUN TSS
— Enfim, até logo, Matt Liebert.
O Ruleador desapareceu, e tudo voltou à normalidade. Matt e Pepito pegaram mais um ônibus para voltar pra casa; desta vez foram sentados, porém com um coro de seis adolescentes nos bancos de trás, que entoavam um antigo poema da mitologia nórdica:
Wo-oh-oh...............................VOLTANDO AO PRESENTE:
Wo-oh-oh-wo
Wo-oh-oh-oh
Aposto um beijo que você me quer
Até o momento em que nossa história se passa (e eu prometo parar de ir e voltar no tempo, pra não doer a cabeça de vcs), Matt já tinha lido boa parte do Instruction Book, e Pepito já tinha pegado mais gurias numa semana do que Matt em sua vida inteira (o que é uma comparação muito estranha, dado as preferências dele, mas não deixa de ser engraçada).
Naquela sexta-feira em que eles estavam vegetando na praça de alimentação, todos ouviram fortes trovoadas seguidas do ruído uivante do vento lá fora. De um instante para outro, numa tarde ensolarada, começara a cair a maior tempestade que Porto Alegre já vira. E eis que veio Pepito dizendo:
— Matt, lembrei onde estava o Instruction Book!
— Onde?
— No banco do Marinha, onde a gente sentou pra ouvir Faroeste Caboclo, mas não aguentou esperar até a parte do “Jeremias, eu sou homem, coisa que você não é.”
— Que merda, Pepito! Agora eu vou ter que correr até lá nesse toró pra pegar, se é que o vento já não levou!
Matt saiu correndo por entre as mesas, pulou a faixa da escada rolante que dizia “em manutenção” (o que é realmente uma coisa bastante retardada, uma vez que, se o mecanismo rolante não funciona, as pessoas ainda podem descer com as pernas mesmo), desceu ao primeiro piso e correu em direção a uma das saídas para o Marinha, aquela sem faixa de pedestres, que todo mundo prefere para atravessar ao invés da que tem faixa. u.u
E lá viu pessoas correndo na direção contrária, para dentro do shopping, para se proteger do tempo, e as criaturas míticas do Marinha pulando de dentro das árvores aos gritos de “Minha chapinha! Minha chapinha!”. E, depois disso, o mais foda do dia: um tornado de proporções épicas tinha acabado de se formar, e estava com fome de destruição. Próximo ao enorme cone de vento, agarrado ao banco com um violão, Matt avistou seu amigo Gabriel (ou Pinguin, ou tanto faz) e correu em seu auxílio.
GABRIEL:
— FUUUUUU! — by Gabriel.
No momento em que Matt pisou na grama do parque, Gabriel, o violão e o banco eram erguidos do chão (não necessariamente nessa ordem) e rodopiados como na musiquinha do Dead or Alive. Ao lado de Matt, de repente, surgiu Pepito, falando alto para que o ruído do vento não abafasse sua voz:
— Oi, Matt!
— Pepito, o que eu devo fazer?? O Gabriel tá dentro daquele tornado!
— Não sei!
— Então o que tá fazendo aqui??
— Sei lá. É que o shopping agora tá cheio de emo.
— Me ajude a bolar algum plano, qualquer coisa!
Eis que a lâmpada acendeu sobre a cabeça de Matt — de fato, literalmente, uma pequena lâmpada em 3D surgiu em cima da cabeça dele, piscou e sumiu.
— O vinho! Cadê o vinho?
— Tá aqui. — Pepito mostrou-lhe a garrafa, parcialmente vazia.
— Você bebeu??
— Não. Mas eu cedi um pouco pros caras misturarem com Tang.
— Anyway... — Matt pegou a garrafa com desgosto e aproximou-a da boca. — Pelo bem da humanidade, vou ter que ingerir álcool uma vez na vida...
— Espere. — Pepito fez com que ele parasse segurando a garrafa. — Eu faço isso.
— PEPITO!
— Segundo o que o cara lá disse, é uma bebida intelectualmente benéfica. — E entornou o que ainda havia na garrafa.
Por um momento, seu corpo brilhou fortemente, e em seguida aumentou três vezes de tamanho, como Mario quando come um cogumelo.
— Pelos poderes de TÓQUIO... VÁ À MERDAAAA! VÁÁÁÁÁÁ À MERDAAAAAAAA! VÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!
E Pepito aproximou-se do tornado, ignorando sua força destruidora, e apanhou-o pela raíz como quem arrancasse uma planta do chão (contrariando todas as leis da física), fazendo o cone girar no sentido contrário. Consequentemente, o ar foi se dissipando, as árvores, pedaços de madeira e telha pararam de flutuar, e Gabriel caiu sentado sobre o banco, no ponto exato onde estivera antes, com o que sobrara do violão numa das mãos. Estava p*to da cara.
O clima começou a acalmar-se, até, em questão de poucos minutos, não se ver mais nenhuma nuvem no céu. Matt aproximou-se de Pinguin, fazendo a pergunta megaóbvia:
— Você tá bem?
— CALA A BOCAAAA! — gritou Pinguim, meio rindo, meio histérico.
O efeito do vinho passou, e Pepito voltou ao normal, exceto por... er... os demais efeitos de qualquer vinho...
— Cara, isso foi massa!
— CALA A BOCA, PEPITO! EU TO NERVOSO PRA CARALHO, FURIOSO PRA CARALHO, QUEBREI MEU VIOLÃO!
— Pudim!
— CALA A BOCAAA!
— SKAOSKAOSKOSKSASK.
Mais tarde, dentro de um arbusto um pouco distante dali, Matt encontrou o Instruction Book ainda intacto. Muitas das suposições do autor em seu livro estavam certas. Muito brevemente, o mundo inteiro estaria falando daqueles acontecimentos. E muita coisa ia mudar. Mas qual seria o próximo passo daquele inimigo tão bem equipado?
CONTINUA...
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