segunda-feira, 7 de junho de 2010

(2ª TEMPORADA) EPISODE 02 - LifeControllers

Um aviso luminoso de “LOADING” apareceu no escuro diante deles e ficou piscando por alguns segundos. Depois, um foco de luz se abateu sobre o solo, revelando a figura de uma menina em seus 8 ou 9 anos de idade, trajando um vestidinho branco. Ela tinha cor e traços de anime — literalmente, really, ela ERA um anime. A menina começou a falar:

— Bem-vindos à seção de SPECIAL FEATURES do seu jogo. Por favor, tentem não fazer ruídos de surpresa durante a exposição. A seguir, lhes mostrarei um resumo de tudo o que aconteceu até aqui, a fim de que estejam preparados para o início da segunda rodada. A história começa... — sua voz e sua imagem foram se afastando no espaço, enquanto o cenário ganhava luz, cores e texturas novas. Estavam agora numa rua muito familiar com carros estacionados. — ... com um garoto e um robô gigante.

..........O Agente #1 deixou a sala que ocupavam por um momento e voltou com um pacote de amendoins. Recostou-se novamente na cadeira confortável em frente a seu PC e começou a brincar de atirar a comida para o alto e apará-la com a boca. Sentada do outro lado da mesa, de pernas cruzadas e postura séria, a agente Norma apenas observava, à espera de alguma ordem ou alguma lição; exatamente como seu protocolo mandava.

— É chato, não é? — disse o Agente #1 depois de algum tempo. — Ter de esperar porque depende das máquinas e da imbecilidade de alguns homens? Eu sei muito bem o que é isso. — jogou outro amendoim para o alto e comeu-o na queda — Diga-me uma coisa: por que você se interessou em ser uma agente secreta do mal? Pelo contrário, podia estar na CIA investigando sobre nós.
— Não sei ao certo. — confessou a moça — Venho de uma antiga tradição militar acostumada à obediência.
— Entendo. Não interessa para você se a ordem é certa ou errada, tampouco se há milhões de pessoas sendo escravizadas pelo sistema. Você apenas faz o que lhe disseram.
— Meu trabalho é o de um militar, Agente #1. Tenho de agir como tal. Escolhi isso para mim, e farei o possível para ser boa no que faço.
— Hum.

O Agente #1 olhou para o teto sem realmente vê-lo, pensando em inúmeras outras coisas, e lançou mais um amendoim para o alto a fim de devorá-lo no ar. Errou. Nessa hora o Agente #3 entrou mancando no escritório.

— Rastreamos algumas das pessoas que estiveram com Matt Liebert hoje. — anunciou.
— E isso nos trouxe...?
— Não sabemos o atual paradeiro de Matt Liebert nem o de nenhum de seus amigos próximos, tampouco o de Pedro, senhor. — havia vergonha e raiva contidas na voz do rapaz ao admitir aquilo.

O outro agente exclamou alguma coisa que eles não entenderam.

— O que significa isso? — indagou Norma.
— É “Ferrou” em hebraico. — explicou o Agente #1 se levantando — Não serve pra nada saber disso, na verdade. Nem do que você acabou de me contar. — acrescentou por último ao Agente #3, só para retaliar um pouco — É inútil.
— Então, o que quer que façamos? — questionou o subordinado com irritação.
— Nada. Está claro agora que Pedro e o grupo de Liebert reuniram-se uma vez mais e, se ainda não os encontramos, é porque não pretendem ser encontrados. Só não posso imaginar como os garotos foram se lembrar dele, se é que suas memórias já voltaram. Se voltaram, como isso se deu? E até onde vai a percepção de Pedro sobre seus poderes? Ouviram o que eu falei? — gritou para os dois energicamente — É nisso que temos de nos concentrar agora! Perguntas, suposições! É só o que temos. Usem a inteligência.

Ele ficou em silêncio por um momento, pensativo, e depois soltou:

— Sei do que precisamos: pesquisa!

E foi pegar seu casaco no cabideiro atrás da porta.

— Norma, me acompanhe.
— Aonde vamos?
— Pesquisar no Google.

Ela se levantou e começou a seguí-lo corredor afora. Quando Agente #3 fez menção de acompanhá-los, o Agente #1 o fez parar com um sinal.

— Não, você fica aqui.
— O quê??
— Alguém tem de ficar no escritório. Nunca se sabe.
— Eu sou um veterano na profissão! — protestou, escandalizado, o jovem agente — Você está levando uma... uma estagiária!
— Exatamente. Ela está em treinamento, enquanto você já sabe tudo — embora não aplique nada disso.

E saíram os dois, deixando o terceiro membro do grupo sozinho e muito aborrecido.

...........Estrelas brilharam intensamente no cenário — aquele era o espaço sideral —, que em seguida escureceu, e a música de fundo — David Glen Eisley, para surpresa da plateia — parou de tocar. O filmezinho acabara. Viram-se outra vez na rua, perto de sete Tchuntchás caídos (um deles morto) e da estranha garota com o controle remoto. Sentiam-se esquisitos.

— Cara... — Matt se apoiou no muro de uma casa — eu estou tonto. Tem coisas tensas aparecendo na minha cabeça agora! Coisas que eu sinto que são muito minhas, mas que pareço nunca ter visto na vida. o-o
— É a memória que está voltando. — explicou Amália — Vai passar em questão de minutos.
— Cara... — Pepito repetiu o início da frase de Matt, já que estava igualmente tonto — eu fiz tudo aquilo ali?
— Eu sou o mais sem-noção. o-o — comentou Grilo — Legal. =D

A garota estava satisfeita.

— Muito bem, crianças. Vocês voltaram ao que eram antes. Enfim podemos trabalhar.
— Espera aí, quem é você? — perguntou Pinguin — Como é que chegou até nós?
— Ah, é, o pau no c* que fez o flashback não colocou a minha parte. — lembrou Amália — Eu sou a Amália. — disse em tom óbvio — Isso não é suficiente?
— Como ficou sabendo do jogo? — perguntou Matt.
— Olha, foi complicado. Eu fui simplesmente... tipo, alguém apontou pra mim e disse “É você, vai lá”, sabe. Desde o dia do eclipse eu não vinha me sentindo muito bem. Ao contrário de todo o mundo, eu tinha a leve impressão de que as coisas não deveriam ser assim, tá ligado, GOOGLE por todo lado. Até que eu recebi um pacote pelo correio. Continha um CD e este treco aqui — mostrou o controle de Wii —, o LifeController. É com ele que eu vejo as minhas missões, mapas, skills e itens. O CD explicava tudo, Cibernéticos, Google Earth, Ruleador...
— Ruleador! — exclamou Matt de repente — Como fui esquecer? Aquele... infame! Traidor! Viado!... Tá, isso eu não posso dizer... Mas como ele foi fazer isso com você, Pedro? — olhou para o amigo, a quem reconhecia novamente como se nada tivesse acontecido.
— Sei lá. Ele pirou assim que assistiu ao vídeo do dr. Sebastian no meu computador. — disse Pedro.
— Wow, wow, aí tem outra coisa que tá dando um nó na minha cabeça! — assinalou Pinguin — Você... é o Bob?

Todos os olhares convergiram para Pedro, que, inseguro, respondeu:

— Sim e não.
— Como faz? — Pepito.
— Ele está em alguma parte do meu subconsciente. Pelo menos é o que eu acho, sabe. Tipo, eles me puseram pra dormir, no COMA, há três meses. De repente eu acordo deitado num beco de Porto Alegre!
— Gay Harbor. — Gustavo.
— Isso. Eu fugi do meu cativeiro, mas não sei como!
— Talvez ainda estivesse entorpecido pelo estágio de antes. — opinou Matt.
— Pode ser. Ou isso tem a ver com o Bob. Se ele pode controlar minhas ações sem que eu saiba... sei lá, é algo a se pensar.

Seguiu-se um silêncio tenso. De repente, Amália berrou:

— Tá, caralho, vamos sair daqui! Vocês perceberam que tem um morto aqui ao lado? Se ainda não entenderam algum detalhe, eu tenho o CD comigo e posso mostrá-lo a vocês. Mas agora temos de chegar o mais rápido possível a um Savepoint.
— E onde fica um? — perguntou Gustavo.
— Na minha casa.

Ela pôs um par de Rayban originais e falou:

— Sigam-me.

============>OPENING CREDITS<============

— Vamos ter que andar muito ainda? Minhas pernas estão doendo. D= — queixou-se Matt.
— Sem ser esta rua, é a próxima. — berrou Amália logo à frente, meio que liderando o sexteto.

Eles atravessaram correndo uma rua antes que o sinal abrisse de novo, e nisso Matt enxergou uma placa indicando “Rua Que Não é A da Amália”.

— LoL.

Uma quadra adiante, chegaram a um prédio residencial alto com playground nos fundos (como era nos fundos, eles não podiam ver lá da frente, mas isso foi apenas um detalhe pra enriquecer a frase).

— Esse lugar me parece levemente familiar. — comentou Gustavo.
— Pra mim também. — disse Matt.
— Shh, quietos! Já é noite. — avisou Amália se aproximando do portão, que fez BZZZ, e eles puderam entrar.

...........ENQUANTO ISSO:

No terreno acima do velho Quartel-General do GOOGLE fora construído recentemente um grande Museu de Tecnologia, que, segundo Norma dissera ao Agente #1 enquanto dirigiam para lá, era visitado diariamente por um público variado que incluía famílias-curiosas-de-fim-de-semana, professores de Física e geeks aficcionados por Informática. Bem abaixo, nos porões, fora do alcance dos visitantes, ficavam as “Stuff Rooms” — literalmente, locais onde se guardavam quinquilharias que não serviam mais para nada, mas das quais ninguém podia ficar sabendo. Grandes segredos da História, melhor dizendo, dentre eles: a cabeça de Tiradentes, aviões da Segunda Guerra desaparecidos no Triângulo das Bermudas, o cérebro de Hitler, etc. Mas a mais recente aquisição era a única que tinha a ver com os propósitos investigativos do Agente #1, e ele estava disposto a estudá-la mais a fundo...

— O que espera ver nesses rolos velhos?
— Estes “rolos velhos”, Norma — disse o investigador olhando-a com desprezo — são simplesmente os esboços iniciais do projeto de construção de BOB.
— DOW! >.<

A agente ficou quieta e permitiu que o chefe trabalhasse.

— Pelo que relatam os documentos, o “célebre” dr. Sebastian começou a trabalhar para a GOOGLE pouco após sua fundação, em 1998. — explicava ele enquanto desenrolava desenhos de peças mecânicas e placas de processamento de dados, ainda muito rudimentares para a época atual — Como você sabe, isso foi o início do grande plano da Liga de Dominação Mundial para... dominar o mundo (dã). Mas o doutor já vinha se interessando por Engenharia Robótica há muito tempo. Foi mais do que conveniente sua contratação, porque além de ter um talento inigualável, ninguém sabia de sua existência.
— Como assim? — indagou Norma.
— Ele teve um período de fama na comunidade científica, até enveredar pelos caminhos da Ufologia e do ocultismo e perder todo o crédito dos colegas. Parece que publicou uma tese em livro, mas sei pouca coisa a respeito. O que interessa agora, no entanto, mais do que o homem por trás da ideia, é a própria ideia.

O Agente #1 tirou os óculos de leitura, massageou os olhos cansados e soltou um bocejo.

— God, não durmo há horas. — murmurou consigo mesmo — Providencie um café, por favor.

Norma se levantou prontamente e foi atender seu pedido. Não entendia nem se interessava muito pelo assunto robótica, mas isso não fazia muita diferença no momento. Sozinho por alguns minutos, foi mais fácil para o Agente #1 concentrar-se na árdua tarefa de decifrar os números e a caligrafia do cientista que elaborara aqueles esboços. Era mesmo inovador para a época e naturalmente incompreensível para mentes atrasadas.

...........— POR QUE QUE ESSA BOSTA NÃO QUER SALVAR?

— Calma, Amália. Quem sabe clicando aqui...
— Cala a boca, Guilherme.
— Meu nome é Pedro.
— Whatever.

Há algumas horas atrás, Amália tinha ligado o computador para usar o software de salvamento do Jogo, conservando assim as ações de todos os seis Players ali presentes. Mas, por alguma razão, os perfis de Matt, Pepito, Gabriel e Gustavo estavam sendo sistematicamente ignorados.

TUM!

— De novo essa janelinha de erro, olha! — apontou Amália irritada, e Matt se aproximou para ler.
— Tá em inglês. Diz que nós não temos os nossos “devices”. Devices... — ele pensou um pouco — Ah, não estamos com nossos dispositivos de jogo. =D
— E isso quer dizer o quê? — perguntou Pinguin estirado no sofá.
— Só podem ser os LifeControllers. — disse Pedro.
— Ah, tá brincando comigo... — Amália protestou e começou a dar voltas pela sala — Eu fiz tudo direitinho! >.< Dei Start no meu game, cumpri o objetivo de achar vocês, exibi o filmezinho...
— Talvez o Jogo não nos reconheça sem os controles. — observou Matt — Tipo, gerenciamos tudo com eles: mapas, skills, quests. Sem eles não podemos jogar.

Pedro mexeu em algo no PC e disse:

— Meu perfil ele já reconhece. Mas cadê o...?

Amália deu um pulo.

— Puta merda!

Ela foi correndo até o quarto e voltou com outro LifeController, que entregou a Pedro.

— Esqueci o seu. — disse — Mas isso não resolve totalmente o problema. Nós temos que achar os LifeControllers de vocês quatro! — ela falou olhando para Matt, Pepito, Pinguin e Grilo. — E, só pra constar, eu não tenho a mínima ideia de onde eles estejam.
— O Bob pegou e enfiou na bunda. — Pepito.
— Ei! — Pedro.
— Foi mal. — Pepito.
— Só por curiosidade, Amália — disse Matt —, o pacote que você recebeu tinha o nome do remetente?
— Dã, claro que não. Foi anônimo.
— É que o Gustavo já recebeu um pacote com instruções uma vez, e descobrimos que vinha...

Matt olhou para os outros, que fizeram sinal de que compreendiam; ele estava falando do Ruleador.

— Isso eu sei. — replicou Amália — Tava tudo explicado no CD. O problema é saber o que o GOOGLE fez com os LifeControllers de vocês.
— Pensem bem — começou Gabriel —: soltaram a gente com nossas memórias apagadas por alguma razão. E essa razão seria...?
— Não se preocuparam em tirar mais informação de nós porque já tinham todas as evidências que precisavam? — sugeriu Matt.
— Ou não queriam nos matar porque isso seria suspeito. O Google Earth novo pode transformar a paisagem, mas não tem poder para deletar pessoas. — falou Pepito — Tipo, alguém ia dar pela falta de nós, não?
— Sim. — concordou Matt. — Pode ter sido pelas duas razões. O que acha, Amália?... Amália?

A garota estava no chão brincando com uma gata.

— Você ouviu o que nós falamos, Amália? — perguntou Matt lentamente.
— Não, gente, foi mal, eu tava viajando. o.O

Os demais gemeram “Deus...”. Matt retomou o fio da meada:

— Tá, pessoal, vamos supor que o GOOGLE guardou nossos LifeControllers, mas pôde usar, porque são nossos (dã). Qual seria o lugar menos improvável para escondê-los?

De repente, eles ouviram um VUUUM, e Pedro e Amália perceberam que eram seus controles vibrando. Ela pegou o seu e apertou um botão aleatório, no que surgiu...


— Opa. — ela apertou outro botão, e a imagem desapareceu — Foi mal, é que às vezes eu gosto de olhar de novo. *.*
— Legal. =D — Pedro.
— Tá, parece que temos objetivos aqui...

PEDRO & AMÁLIA TÊM UMA NOVA QUEST
1 – Entrar no Museu de Tecnologia da Google
2 – Recuperar os LifeControllers

— Er... parece que isso já responde um porrilhão de perguntas nossas, não? — Matt.
— Minha primeira quest! =D — Pedro.
— Vamos rápido, que esse Museu fica longe e só tem ônibus até a meia-noite!

Amália o puxou pelo braço e levou-o porta afora, berrando para os outros antes de pegar o elevador:

— Alimentem a Mimi!
— Quem é Mimi? — perguntou Matt.
— É a que está brincando com os seus cadarços. — respondeu Pepito apontando para a gata aos pés dele.

...........— Aqui está o que você pediu... pela terceira vez.

Norma trouxe mais uma xícara de café forte para o Agente #1, que agradeceu, e sentou-se à mesa de estudos junto com ele um tanto compadecida por sua insônia.

— Não dorme há quanto tempo?

O Agente #1 estalou o pescoço com um gemido de dor e lhe respondeu:

— Eu tinha dito horas? Na verdade não prego o olho há dias. Quando penso que o presidente vai me deixar em paz, ele me chama mais uma vez. Sabe, se eu seguisse à risca o manual, jamais deveria ter tentado aquela manobra de hoje à tarde no shopping, indo atrás de Pedro às cegas e sem nenhum reforço. Mas é que eu queria acabar logo com isso. Já vi colegas na P.F e na Inteligência morrendo cedo por causa de pequenos descuidos. Cheguei à conclusão de que esta vida não é pra mim.
— Quer dizer que pretende fazer deste serviço o seu último?
— Mais ou menos isso.

Uma longa pausa depois, Norma disse:

— Por que não descansa um pouco e deixa que eu lido com isto? — ela se referia aos rolos de projetos sobre a mesa.
— Ah, você não vai querer fazer isso. Se nem mesmo eu sei o que estou procurando aí...
— Deixe-me tentar, é minha obrigação.
— OK. Estarei na sala ao lado.

O homem deixou o café e foi curtir seu zzzzzZZZzzz.

...........— Shh! Pula e pega a minha mão!

Depois de pular o muro sem fazer ruído, Amália ajudou Pedro a subir, mas não sem alguma dificuldade. No fim, os dois caíram embolados no estacionamento do Museu.

— Beleza, beleza. Agora sai de cima de mim, Pedro.
— Foi mal.

Levantaram-se e correram furtivamente até uma porta nos fundos, que não tinha vigilância. Estava trancada. Amália disse “Pera um minutinho”, tirou uma chave de fenda da mochila e começou a trabalhar na fechadura.

UNLOCKING DOOR


...


DOOR UNLOCKED!

Uma moedinha dourada surgiu no ar, e Pedrou apanhou-a para ver.

— Que massa!
— Guarda isso aí e vem comigo. — sussurrou Amália empurrando a porta lentamente.

Ele guardou a moeda e a seguiu por um estreito corredor até uma porta escrito “Setor de Manutenção”. Esta abriu-se sem problema. Pedro pressionou TAB em seu LC para visualizar o mapa.

— Estamos bem longe das Stuff Rooms. Nossa Stuff Room é a 12. Temos que pegar o elevador no lobby.

Os dois seguiram cautelosos pelo interior da construção até chegarem ao dito lobby — um amplo saguão com acesso a banheiros e elevadores, onde um vigilante fazia ronda andando de um extremo a outro do ambiente.

— Merda! — xingou Amália em voz baixa — Logo que ele se virar, você sai correndo e entra naquele elevador.
— Mas tem uma câmerazinha lá em cima. — apontou Pedro — Ela gira para um lado e para o outro.
— Tá, foda-se. Quando a câmerazinha e o guarda não estiverem olhando, você vai.

Foi complicado, uma vez que, quando o guarda dava as costas para eles, a câmera de segurança virava para aquele lado. Entre um momento e outro, Pedro teve poucos segundos para chegar ao elevador. Conseguiu, e depois foi a vez de Amália. O elevador fez “PLIM!” ao fechar as portas, o que fez os dois se borrarem de medo, mas aquilo não atraiu a atenção do vigia — era puro detalhe de jogabilidade.

— Pronto, estamos nos porões. — disse Pedro com seu mapa aberto, ao pararem de descer — Tem uma pessoa na Stuff Room 12... e outra na 11. Como é que a gente faz?
— Eu vou na frente. Você vigia o corredor.

Foi assim que eles fizeram. Pé ante pé, passaram pela sala 11, cuja porta estava fechada, e pararam ao lado da entrada da 12, por onde Amália deu uma espiadinha.

— Tem uma mulher lá dentro trabalhando. — disse ao Pedro — Deve ser uma NPC. Deixa ela comigo...
— Espera. — o garoto a segurou pelo casaco antes que fosse — Você tá com uma arma, um item, qualquer coisa?
— Sou contra o uso de armas.
— E tá jogando RPG??
— Não se usa armas contra as pessoas, Pedro! — ela falou em tom de bronca — A gente só quebra o pescoço delas. Agora se esconda aí e espere.

Amália entrou, abrigou-se atrás de uma estante e estudou o cenário: seria muito mais cômodo ir pela esquerda, resguardada pelas estantes de arquivos, e surpreender a mulher pelas costas. Foi assim que ela fez. Quando estava prestes a estender a mão para tocá-la, uma voz muito próxima a fez pular de susto.

Acho que terminamos por hoje, Norma.

Tudo aconteceu muito rápido. O homem, assim que entrou na sala, viu a garota e sacou sua arma. Amália deslizou para baixo de uma escrivaninha, fugindo do primeiro disparo. No momento seguinte, a mulher já estava de pé com a arma em punho. A dupla não se comunicou verbalmente, mas pelas expressões faciais um do outro já sabia o que fazer.

Amália empurrou a escrivaninha contra a sua frente, ergueu-se do chão e saltou — um pé apoiou-se na parede, o outro foi direto no rosto da mulher. Ela caiu. O Agente #1 disparou. Num segundo Amália estava a seus pés, intacta, desequilibrando-o com uma rasteira. Ele bateu com a nuca no piso e desmaiou.

— Pedro! — chamou a garota se levantando — PEDRO!

O garoto entrou correndo. Amália chutou a arma de Norma para longe, e a agente se levantou tentando agarrá-la. Amália torceu-lhe o braço e chutou seu rosto; ela caiu sangrando contra a parede.

— Quê? — Pedro.
— Os controles. Ache-os. — Amália.

A mulher tentou ficar de pé, mas Amália empurrou sua cabeça contra a parede de novo. Ela caiu, dessa vez neutralizada. Pedro usou o TAB e localizou os LifeControllers: estavam dentro de uma caixa em uma das inúmeras prateleiras.

— Ponha eles aqui. — Amália passou-lhe um saco de lixo preto — E vamos embora, rápido.
— Espera. — Pedro já tinha enfiado a caixa no saco, mas parou para observar os projetos dispostos sobre uma das mesas — Essa mulher... Eu a reconheço. Estava atrás de mim no shopping. E esse cara... ele estava com ela. É o Agente #1. Mas... Ela estava estudando... o Bob?
— Depois você pensa nisso. Vamos! >.<

Pedro assentiu, e eles saíram correndo por onde haviam entrado. Logo que se viram no estacionamento, luzes fortes se acenderam por toda parte e um alarme forte soou. A porta de uma garagem ao lado (pelo menos parecia uma garagem) se abriu automaticamente, e os dois ouviram o ronco de um motor. Era um Monster Truck vindo em sua direção. Só não havia... motorista (?).

— Estamos fodidos. o.o Amália, onde... Amália?

Pedro olhou para trás e viu Amália fazendo ligação direta em um carro.

VRUUUUM.

— Entra, Pedro!
— o-o.

O teto do Truck se abriu e uma mini-metralhadora apareceu.

— EEEENTRA, PEDRO!

A arma começou a disparar, e Pedro saiu correndo, perseguido por uma trilha de faíscas. Com sorte pulou intacto para o banco de trás do veículo. Amália imediatamente pisou o acelerador. E lá foram eles, com o Monster Truck atrás.

— Amália, tem um portão lá na frente.

KABRUM!

— Tá, tinha um portão.

CONTINUA...