Ao pisar na rua, Amália teve a visão momentaneamente ofuscada pelas luzes dos farois da polícia. O helicóptero ainda sobrevoava a área, sem perder um instante. Snipers nos telhados apenas aguardavam a ordem final. O capitão do BOPE, abrigado atrás de um camburão, segurava um megafone: era sua a voz que acabara de anunciar o cerco. Vendo a adolescente sair, aparentemente desarmada, tornou a se comunicar com ela:
— Muito bem, com cuidado agora e sem movimentos bruscos...
— Mas que putaria é essa? — Amália.
— ... ponha as mãos onde eu possa ver.
Amália já tinha erguido as mãos, mas para se proteger da luz. Vendo que ela não trazia nenhum objeto ameaçador, o capitão procedeu com as ordens:
— Agora, lentamente, deite-se no chão com as mãos nas costas!
— Você sabe com quem está falando? — ela ficou ligeiramente histérica.
— Não vou falar outra vez!
— Você tem ideia de onde veio parar, pra começar?
— Obedeça!
— Isso é uma escola de karatê. u.u E eu to morrendo de dor nas costas. Tudo que eu queria era uma bolsa de água quente e um cobertor, mas aí eu piso na calçada e dou de cara com uma tropa de elite.
— Deita, porra!
— Tá se achando porque tem um megafone? Espera até eu arrumar um...
— Puta que p...
Amália deu-lhe as costas com o mais profundo desprezo e retornou ao interior do ginásio, onde Pedro e Pinguin ocupavam-se em se borrar de medo.
— Onde é que tem um megafone? — a garota perguntou a eles.
— Amália, você viu quem está lá fora??
— Cala a boca, Pinguin. Eu tenho que achar um megafone.
— Mas Amália...
— Você também, Pedro! Nunca tem um megafone quando a gente precisa de um... u.u
Naquele momento, uma granada de fumaça voou porta adentro e caiu aos pés deles. Amália surtou.
— Porra, não dá nem pra conversar em paz!
Ela chutou a granada de volta para a rua, e em poucos segundos eles ouviram homens tossindo, xingando e tropeçando uns sobre os outros.
— Err, não tem megafone, mas tem isso aqui, ó. o.o
Pedro mostrou um aparelho de som que tinha achado entre os objetos random espalhados pelo cenário. Amália olhou pra ele e murmurou um “Hmmm...”.
— Você teve uma ideia? — perguntou o garoto com um salto de esperança.
— Não. T.T
— DOW! Acho que vamos... Ei, tem uma coisa que nós podemos tentar. =D
...........Matt tratou o discurso do Imperador com desconfiança. Para ele já bastavam as vezes em que fora perseguido, metralhado, pisoteado, amassado, desmemoriado e passado para trás na fila do sorvete; não queria que uma cabeça gigante mergulhada em um líquido sanitário azul o fizesse de bobo (again).
A Pepito também ocorreu, naquele momento, que talvez não tivesse sido uma boa ideia entrar em contato com os badguys para uma happy hour (e note-se que já usamos três termos em inglês, ou seja, o capítulo está ficando cada vez mais sofisticado –n).
Gustavo, por sua vez, ficou irritado com uma coceira horrível que se originara na ponta de seu nariz e que não havia maneira de coçar estando imóvel daquele jeito.
O Imperador continuou de onde havia parado:
— A oposição entre nossos interesses nesta guerra é bastante clara, portanto não tentarei discutí-la. O que interessa é que, no ponto em que estamos, não há como negar que o GOOGLE representa uma ameaça forte tanto para nós quanto para vocês.
Os três pensaram e viram que aquilo fazia sentido. Matt apenas disse “Prossiga”, e assim o Cibernético fez:
— Desde que eles se apoderaram de parte do Código-Fonte que rege este Universo, nossas ações sobre o planeta Terra ficaram muito limitadas. Isso deve ter se refletido nas Quests que vocês receberam: uma reação automática do Jogo é adaptar-se às circunstâncias de vida dos jogadores.
— Err, realmente — disse Matt —, as missões mudaram bastante de uns tempos pra cá. Só não entendo como... tipo, vocês não podem controlar essas coisas?
— Na verdade, não.
— WHAT THE...?
— Nós não controlamos o RPG. Essa é uma tarefa que cabe... a uma “terceira força” que não conseguimos compreender. Se em algum momento você pensou que nós, Cibernéticos, éramos os “autores” das Quests e regras, pensou errado.
O choque provocado pela revelação foi particularmente alto nos três amigos — se nem um lado nem o outro escolhia as provas, quem fazia isso?
— Por favor, voltemos ao assunto principal. Se tentássemos alterar as coisas ao mesmo tempo em que o Google Earth promove as mudanças no mundo humano, haveria caos. E, ao mesmo tempo em que concorrem conosco, os homens do GOOGLE perseguem vocês até a morte.
— Éé, era com isso que estávamos lidando antes de você nos arrastar para cá. u.u — Pepito.
— Ainda não acabei. u.u
— Alguém, por favor, coça meu nariz? — Gustavo.
Ninguém lhe respondeu.
— Existe uma forma de deter e eliminar o GOOGLE para sempre, e nós a conhecemos bem.
— Weee. — Pepito.
— Só não podemos usá-la.
— DOW!
— E foi para isso que trouxemos vocês aqui.
— O que você propõe? — perguntou Matt de forma bem objetiva.
— Uma trégua por tempo indeterminado.
— Indeterminado quanto?
— Indeterminado.
— u.u
— Explicarei melhor: a Nova Terra em que vocês vivem é uma projeção do real controlada pelo Google Earth. Sem os devidos recursos, é impossível para qualquer ser humano fora do círculo de confiança do GOOGLE sair de dentro dela. Enquanto conversamos, milhões de pessoas em seu mundo mal se dão conta de que tudo é uma ilusão. No entanto, a Antiga Terra como a conheciam não se perdeu para sempre. Nada se perde realmente. Ela continua armazenada num arquivo de Backup, fortemente guardado no Data Base central do GOOGLE em Oregon. Para fazer o mundo voltar ao que era, seria preciso encerrar a nova versão e reativar a antiga.
— Como se faria uma coisa dessas?
— Invadindo essa central de dados, reavendo o arquivo e crackeando-o com um recurso que nós mesmos desenvolvemos, um programa que apagaria para sempre qualquer vestígio do GOOGLE, seus sites, serviços, propagandas e planos diabólicos.
Conforme ia proclamando as últimas frases, o Imperador empolgou-se tanto que o líquido de seu cilindro borbulhou mais uma vez. Falava como se tivesse descoberto a cura para o câncer. No entanto, para os únicos humanos ali presentes (Matt, Pepito e Gustavo), a ideia de uma vida sem GOOGLE soou tanto plausível quanto “wtf, tira isso daqui!” — qualquer ideia é assim, na verdade.
— Err... Não ocorreu a... a Vossa Majestade que... muitas pessoas... precisam desse site? — perguntou Pepito discretamente.
— Não é do interesse deste debate entrar nos pormenores dos desejos e justificativas morais humanas. — respondeu o Imperador — Nossos motivos, ao contrário dos seus, são puramente lógicos: todas as coisas encerram luz e trevas em seu interior, mas quando as trevas se sobrepõem à luz é preciso acabar com elas. O problema de vocês, humanos, é pensar que todos merecem uma segunda chance.
Matt pensou ter ouvido Pepito resmungar “Nazista...”, mas não deu muita atenção a isso, pois estava mais preocupado em perguntar:
— Então, supondo que concordemos em afanar o Backup da Terra antiga, crackeá-lo e tudo mais, o que ganhamos com isso?
— Como eu já disse, paz entre humanos e Cibernéticos.
— Por quanto tempo? — Liebert tornou a levantar a questão.
— Não posso lhe garantir nada, pois o Jogo é imprevisível.
— Mas como espera que a gente aguente? Tipo, recusando as missões para sempre?
— Dou-lhe minha palavra de honra de que, se o plano der certo e o GOOGLE for destruído, farei o possível para não jogar. Mas esse é um compromisso que os dois lados devem assumir.
Jogar ou não jogar? — eis a questão. Ocorreu aos três Players, na mesma hora, que apesar dos riscos absurdos, das horas perdidas naquela atividade (e do vandalismo), estava sendo DIVERTIDO cumprir as Quests. Tão divertido que nem sequer haviam se incomodado em perguntar para que, afinal, tinham que fazer aquelas coisas. É como um jogador de golfe repentinamente se perguntar por que é que ele tem de ir atrás da bolinha, lançá-la para longe com o taco e ir atrás dela de novo. Esse tipo de coisa não faz sentido — ou faz?
— Matt...
— Sim, Pepito?
— Ele quis dizer o que eu pensei que ele quis dizer?
— Acho que sim.
— Matt...
— Sim, Gustavo?
— Ele quis dizer o que eu pensei que ele quis dizer?
— É, acho que sim.
Houve um silêncio tenso, e Pepito confessou em voz alta:
— Na boa, eu não queria parar de jogar. Sei lá, é... eletrizante, te faz sentir fodão e... Quem tem videogame sabe. T.T
— Eu também não queria. — disse Gustavo — Mas faz sentido, se enxergarem de outro ângulo: quanta destruição já causamos!
— É, tipo, desde que eu comecei a jogar RPG, minha vida pessoal, tipo, ficou totalmente messed up. — disse Matt — Minha própria terapeuta disse uma vez que tanto tempo empregado numa atividade como essa pode ser... sabem... não é saudável. Mas é... divertido.
Houve um suspiro coletivo de quando se abre mão de uma coisa muito legal.
— Bem, Majestade, pelo bem da nação, do Universo, ou whatever — falou Matt —, nós aceitamos o trato.
— Que assim seja, então.
Com um audível “PLOP!”, um objeto pequeno em formato de cilindro apareceu girando no ar: era um Pen-drive. O item piscou e desapareceu.
MATT LIEBERT RECEBEU:
PEN-DRIVE.
— Este é o dispositivo que usarão para extrair o Backup do sistema do GOOGLE. Será como uma grande Quest, então não esperem que seja fácil.
— Não tem problema, nunca jogamos no EASY. — Pepito.
— É, EASY é coisa de gay. — Matt.
— Para abrir o Backup precisarão de um Keygen. Isso nós podemos fornecer depois que tiverem cumprido sua parte do trato.
— Não tem como baixar? — Gustavo.
— Não. u.u O Keygen gera um serial que abre o arquivo. Abrindo o arquivo, insere-se o Cracker, que já está no Pen-drive, e este trata de substituir a Nova Terra pela Antiga, desta vez sem GOOGLE, 50% mais livre, 50% mais higiênica. Alguma pergunta?
— Podemos ficar com o Pen-drive? — Pepito.
— NÃO.
— =(.
Um rock eletrizante começou a tocar: era hora de ação.
— Bom, pessoal, já que é nossa última Quest — disse Matt Liebert —, vamos mostrar do que somos capazes.
— É! NAURENBANGER! — Pepito o apoiou.
Gustavo arriscou mais uma vez, só pra ver se alguém se habilitava:
— Alguém coça meu nariz?
====>OPENING CREDITS<====
Corriam desenfreadamente, sem paradas, quase sem respirar direito. Nada mais importava a não ser sobreviver. Por que o plano teve de dar perigosamente errado?
Bom, para quem está aí se perguntando, minutos antes Pedro, Amália e Gabriel estavam sob o cerco do BOPE quando Pedro teve a brilhante ideia de pôr para rodar no aparelho de som uma certa musiquinha que costumava ouvir nos tempos de cativeiro...
.................................................*FLASHBACK*........................................................
— Caramel o quê? — Amália *surdinha*
— Caramelldansen. — Pedro.
— Credo, que é isso?
— É aquele negócio sueco?
Pinguin ficou todo empolgado ao ouvir o nome.
— É, sim, você conhece? — perguntou-lhe Pedro.
— Claro, é viciante! =D Ouço toda hora no youtube.
— Como é que uma musiquinha sueca vai nos salvar do BOPE? — questionou Amália completamente cética.
— O segredo não é a musiquinha, é a coreografia. ;)
Amália estranhou a última frase e aproximou os olhos da face de Pedro para examiná-lo melhor. Deu pancadinhas em sua testa.
— Matt? É você aí dentro? o-o
— Deixe eu tentar pra ver o que acontece.
Pedro colocou a dita música e... bom... quando os primeiros soldados deram entrada no local, uns pelos portões dianteiros, outros pelos fundos, alguns pelas janelas, deram de cara com três adolescentes, dois deles trajando cosplays e orelhinhas de gato postiças, dançando CARAMELLDANSEN...
................................................*FIM DO FLASHBACK*.........................................
— PORRA!
Pinguin tropeçou e torceu o tornozelo (o outro, porque um já estava torcido), gritou de dor e não correu mais. Pedro voltou, também mancando (tivera de saltar de telhado em telhado por alguns metros, e o amortecedor de seu tênis não era muito bom), e tentou puxá-lo para que se levantasse. Logo à frente, Amália gritava-lhes “CONTINUEM!” sem parar de correr. De todos, ela era a que mais sangrava.
— Arrgh, levanta, Pinguin!
— Não dá, Pedroo...
Pinguin soltou o braço que Pedro lhe oferecia e se deitou no chão, exausto.
— A gente tava indo tão bem... — lamentou-se.
Muito mais à frente que eles, Amália percebeu que estava sozinha e voltou apenas para dar um chute em Pinguin, que mesmo assim não se levantou.
— Porra, Pinguin, deixa de ser molenga! Dá pra ouvir os carros atrás da gente!
— Deixa ele, Amália! — protestou Pedro se ajoelhando ao lado do ferido — Todos já corremos demais.
— Por isso a nossa Life tá baixa! Se não nos mexermos, vamos morrer!
.............................................*OUTRO FLASHBACK*............................................
Do lado de fora do ginásio, o capitão e o restante do contingente em prontidão esperava um sinal daqueles que tinham invadido o local. No entanto, pelos rádios não se ouvia nada.
— Mas que merda eles foram fazer lá dentro? 02, vai dar uma olhada!
O capitão mandou, 02 teve de cumprir. Cautelosamente aproximou-se da porta, resguardado por mais um colega, e tentou ouvir o que se passava. Estranhou: parecia música. Fez um sinal para o soldado atrás de si, que fez outro sinal, que foi respondido com outro sinal. E no fim o 02 fez “HÃ??”, porque não tinha entendido nada. O outro soldado aplicou-lhe um pedala, e os dois entraram. Tiveram uma puta surpresa.
Uh-uh, uah-uah
Uh-uh, uah-uah-ahhh
Pedro, Amália, Pinguin e todos os soldados que tinham entrado antes no ginásio dançavam juntos sobre uma espécie de pista cobrindo o tatame de karate. Com as mãozinhas na cabeça e tudo mais, os soldados pareciam hipnotizados enquanto os jovens tentavam acompanhar, com seus movimentos, as setas em 3D que iam se enfileirando em pleno ar, à sua frente. A cada acerto de cada um, números pipocavam acima deles (+25, +50, +75, +100 — PERFECT!).
O 02 tateou o rádio com uma mão trêmula.
— Capitão, temos um problema.
.............................................*FIM DO FLASHBACK*............................................
A esperança deles foi estar perto de um prédio em construção, alto, enorme e perfeitamente vazio. Com Pedro e Amália, um de cada lado, ajudando Pinguin a se manter de pé, os três foram lá para dentro; a tempo de os camburões do BOPE visualizarem a fuga. Estacionaram erguendo poeira, sirenes a pleno vapor, e desembarcaram seus homens. Iniciaram um novo cerco, este sem o helicóptero, que tinha sido destruído por Amália momentos depois de cortarem a luz do ginásio, o que acabou com a música e com o Mini-Game e fez os soldados voltarem a si. A maneira como isso aconteceu foi peculiar: bastou arremessar um All Star de cano alto contra as hélices. Isso foi Pedro quem fez, com o tênis DA AMÁLIA, que então atribuiu a si mesma a genialidade da coisa, apesar das opiniões em contrário.
— Chega, eu não aguento mais!
Amália largou Pedro, que acidentalmente largou Pinguin, e os dois caíram. Ouviam-se agora os passos assustadores dos homens subindo a escada — os três estavam no quarto andar.
— Alguém tenha uma ideia, por favor! D= — berrou Amália — Eu perdi a criatividade depois do helicóptero.
— Não foi você quem destruiu o helicóptero. u.u — corrigiu Pedro — E eu não sei o que fazer! Tudo que eu tenho na minha backpack é... um treco de pelúcia. o.O
— Ahh, é meeeu! — Amália pegou o bicho da mão dele e o abraçou — Eu o enfiei dentro da sua porque não tinha espaço na minha mochila.
BLAM! A porta veio abaixo, e Amália gritou. Muitas coisas aconteceram em seguida, mas não na velocidade que um professor de Física esperaria, pois um efeito que não se via há muito tempo (há muitos episódios, melhor dizendo –q) voltou a acontecer: tudo ficou em slow-motion.
Quando a rajada de uma metralhadora estava para atingir Amália, alguém saltou do escuro e jogou-se contra ela, tirando-a do caminho. Em seguida levantou-se e jogou algo contra o soldado que atirava. Devia ser afiado, pois ele emitiu um “UGH!” abafado e caiu de costas beeeeeeem lentamente. Antes mesmo que o primeiro atingisse o chão, a figura desconhecida pôs para fora do bolso duas glock’s, apontou-as para os outros homens fardados e abriu fogo.
Preocupados em rolar para o lado e cobrir o rosto, respectivamente, Pedro e Pinguin perderam o belíssimo espetáculo visual que se desenrolava. Era possível apreciar cada explosão, cada faísca e cada tiro seguindo sua trajetória até arrebentar a cabeça de um soldado de elite — quando isso acontecia, o sangue espirrava para todo lado à lá Sin City. Para acompanhar o momento, soava uma música vinda de sabe-se-lá-onde; muito bonita, na verdade, apesar da violência da cena.
Enfim, o último corpo fez “TUM” ao colidir com o piso, os gatilhos das glock’s, já sem munição, fizeram “CLICK” e tudo voltou ao normal. A música cessara. Só restou um silêncio.
Estatelada no chão, Amália torceu o pescoço para enxergar o que acontecera, notou que os soldados haviam morrido e soltou um “AHH” de surpresa. Pedro e Gabriel, já com coragem para olhar, observaram a mesma coisa que ela e ficaram curiosos para entender quem tinha feito aquilo. Foi fácil, porque a pessoa ainda estava ali arrancando a faca da testa do capitão morto.
— Quem é você? — perguntou Pedro.
O assassino olhou para trás; era um adolescente, talvez não muito mais velho que Gabriel. Usava um terno preto à lá Hitman e os cabelos um pouco compridos. Ele ficou de pé e se afastou do homem morto enquanto limpava a lâmina com uma flanela.
— Pra vocês agora? Sou como Jesus Cristo. u.u
GALARZA JOINED THE GAME.
Ele guardou a faca e dobrou a manga direita do paletó, deixando à mostra três relógios de pulso em cores diferentes (azul, preto e vermelho, respectivamente). Cutucou o visor do do meio, murmurando algo sobre “Precisa de carga”, então deu as costas aos três amigos e ficou olhando a rua pela janela. Aguardando.
Por fim, um celular fez “VRUUM” em algum lugar. Era o dele.
— Alô. — atendeu prontamente — Sim. Acabei de fazer isso. Você está subindo?... Ótimo. — desligou e se dirigiu aos outros: — Vocês só vão ter que esperar três segundos...
BLAM! A porta se abriu (era outra porta, é claro, porque a primeira já tinham derrubado; enfim, foi por uma porta que entraram — blé)... A porta se abriu, e um negão de tapa-olho com cara de sério entrou no andar. Imediatamente Pedro gritou:
— OMG, é o Nick Fury!
— Quem? — Amália.
— Nick Fury, o carinha que aparece no Homem de Ferro 2.
O homem respondeu exaltadamente, no jeito mais Samuel L. Jackson possível:
— Hey, MUTHAFUCKA, eu não sou o GODDAMN Nick Fury! >.< Eu sou apenas um Negão de Tapa-Olho que acaba de salvar o seu ASS, então ponha-se no seu lugar e espere sua vez de falar, como um bom menino. u.u
Pedro recolheu-se à sua insignificância (sentiu-se insignificante; quem não se sentiria diante de uma resposta daquelas?), e o Negão de Tapa-Olho foi até Galarza, que se prostara diante dele como se fosse seu chefe. De fato, era.
— GALARZA!
— Sim, senhor.
— Vá lá embaixo buscar meu computador enquanto falo com eles.
— Sim, senhor.
— E não me chame de senhor, MUTHAFUCKA.
— Mas consta no manual, senhor.
— Você nem leu o manual, MUTHAFUCKA.
— É verdade, skoaksaoskaosk
— Então, devia saber que eu sou só um Negão de Tapa-Olho! Algum problema em me chamar assim, ASSHOLE?
— NÃO!
— Então fala: “Negão de Tapa-Olho”!
— NEGÃO DE TAPA-OLHO!
Furioso, Galarza saiu para cumprir a ordem do homem. Segundos depois, ouviram-no tropeçar nas escadas e xingar ainda mais por causa disso. O Negão de Tapa-Olho sacudiu a cabeça e aproximou-se de Pedro, Amália e Pinguin, encolhidos no mesmo lugar com apreensão.
— Pois bem, acho que ainda não me apresentei. Eu sou...
— Nick Fury? — interrompeu Pedro, sendo beliscado por Amália.
— Não. u.u Eu sou o Negão de Tapa-Olho. Comando uma organização secreta surgida há pouco tempo que investiga as ações diabólicas do GOOGLE através de seus serviços virtuais. Vocês devem saber do que estou falando, já que estavam sendo procurados por estarem na Lista Internacional da Interpol.
— Er... Sabemos? — disse Pinguin sem muita certeza.
— O eclipse. Vocês viram o eclipse?
Fizeram que “Sim” com as cabeças.
— Mas não como o resto do mundo viu, certo? As coisas mudaram pra vocês. Não é como se a vida sempre tivesse sido assim. — continuou o Negão de... ah, cansei de escrever, com um olhar maroto — Não foram só vocês que se deram conta disso. Há três meses o GOOGLE tenta silenciar aqueles que sabem de seu plano maligno de dominação mundial. Mas, quanto mais nos atacam, mais forte ficamos. Nossa organização se chama Doom Finger. Os membros reconhecem-se uns aos outros pelo cumprimento secreto. Vou lhe mostrar...
E, nesse momento, Galarza chegou com um laptop. O Negão de Tapa-Olho ficou na frente dele, de modo que Pedro, Amália e Gabriel também pudessem ver, e espetou seu olho com o dedo indicador.
— AUCH! — Galarza cobriu o olho com as duas mãos, enfurecendo-se outra vez — Porra, já não pedi pra mudar essa bosta de saudação? Além de ser óbvia, DÓI! Por que você não faz como os maçons?
— Já pode ir, Galarza!
O homem deu um puta pisão no pé dele, que pulou de dor enquanto ainda sentia o machucado no olho.
— Esse foi o “tchau, até logo”. — explicou o Negão de Tapa-Olho a Pedro, Amália e Gabriel.
— Quem é ele? — Amália.
— Eu sou um SPY! ¬¬ Satisfeita? Um SPYYY! E essa é a parte mais legal dessa profissão, além dos relógios: gritar “SPYYY!”. — Galarza.
O Negão de Tapa-Olho ignorou a reclamação do SPYYY e foi mexer em seu laptop.
— Eu tinha preparado uns slides para acompanhar minha apresentação, mas não esperava que o BOPE encontrasse vocês antes disso.
— Então, você vinha nos seguindo? o-o — Pedro.
— É claro. Galarza fez isso por mim durante uma semana.
— Chupa. — Galarza.
— Porra, todo mundo nos segue e a gente nem percebe. >.< — Gabriel.
— Pronto, achei.
O Negão trouxe o computador para perto deles. Uma foto com centenas de pessoas, incluindo ele mesmo e Galarza, reunidas num salão grande ocupava a tela.
— Esta é a Doom Finger em sua formação atual. — explicou.
— Outra coisa que dá muito na vista: essas fotos que ele tira. — apontou Galarza — Repassa pra todo mundo por e-mail. Não faz sentidoooo. >.< Mas ele quer me ouvir? Nãããão... AI! — levou um pedala na cabeça.
— Bem, poderíamos dizer que somos a antítese da LDM: — continuou o Negão — mais jovens, mais idealistas, mais pobres e, com certeza, muito menos comportados. Há pouco tempo nossa teoria de que o Google Earth pode transformar a paisagem natural foi confirmada. Temos planos de expôr a verdade ao público e acabar com essa puta falta de sacanagem muito em breve. Mas precisamos de ajuda. Quanto mais, melhor. Vocês tiveram o exemplo hoje — apontou para os soldados mortos — de que o GOOGLE faz mal pra saúde. Se todos nos ajudarmos, chegaremos ao nosso objetivo. Faremos do mundo um lugar melhor.
— Era assim que os nazistas falavam... — cochichou Pinguin no ouvido de Amália, mas ela não quis ouvir.
— Ô, tio! — a garota levantou a mão — Como é que se faz pra matar os carinhas tão rápido?
Isso foi Galarza quem respondeu:
— Tecnologia que nós mesmos desenvolvemos. — mostrou os relógios de pulso — O preto faz o tempo ficar mais devagar.
— Não é tão original assim. Me inspirei no F.E.A.R 2. — disse o Negão com modéstia — Enfim, devemos uma boa sova a esses filhos da mãe. Há anos perdi um bom amigo, um cientista formidável, para a ganância dos homens do GOOGLE. Sabia demais, por isso teve de desaparecer, e não duvido que já tenha morrido. Mas nosso próximo ato vingará todas as almas dilaceradas por esses capitalistas vorazes: vamos atacar o Data Base Center principal, em Oregon! É como sempre digo: arranque o mal pela raíz!
Encolerizado, espumando pela boca, ele ergueu um punho fechado.
— Estão comigo?? VÃO ME AJUDAR A FERRAR AQUELES PUTOS?
— Err... Sim. — disseram Pedro, Amália e Pinguin em uníssono.
— Beleza. =D
Calmo, o Negão passou o computador para as mãos de Galarza e disse:
— Ajude o cara ali — apontou para Pinguin — a se erguer, que os pés dele estão fucked up. Estou esperando todo mundo lá embaixo, ok? Ahh, novos membros, novos membros... — ele esfregou as mãos de empolgação — Tenho que atualizar nosso perfil no Orkut!
CONTINUA...
2 comentários:
SPYYYYYYYYYYYY
Tá ligado que para postar algum comentário agente tem que entrar na conta do -->GOOGLE<--
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