http://www.youtube.com/watch?v=thMm-7RFsm0
......................CONSULTÓRIO DA DRA. ONEIDA:
— Então, Matt, como foi esta última semana? — perguntou a antiguíssima psiquiatra sentada numa poltrona xadrez.
— Bem... bem ativa. — murmurou Matt sem realmente saber o que dizer — Sabe quando você começa bem uma coisa, mas depois de algum tempo vê que não era tão bom assim?
— Não. Eu sou perfeccionista. *cof, cof* Mas continue.
— Não sei mais se estou com vontade de salvar o mundo. Tipo, sexta-feira passada meus amigos e eu quase morremos, e um agente secreto do GOOGLE, que o Gustavo descobriu que quer dominar o mundo, tentou nos levar para o “lado negro da Força” ou coisa do tipo. E não é só salvar o mundo, sabe! A gente tem que comer, dormir, estudar, quem sabe grudar alguém de vez em quando... Não é tão simples ser... superherói.
....................ENQUANTO ISSO, NA ESCOLA:
Pepito e Gustavo estavam sentados a um canto qualquer na hora do intervalo, ambos ainda bastante quebrados pelo combate da semana anterior.
— Cara, to achando que esse emprego de personagem de RPG não é muito bom. — Pepito.
— Pq? — Gustavo.
— Tipo, no início era legal, mas agora que nós podemos ser atacados a qualquer momento, ficou meio chato.
— Hum... Não acho. A gente pode usar poderzinho e tudo.
— Me chutaram nas bolas!
— Exatamente. Eu não posso discutir logicamente com um cara que recentemente levou um chute nas bolas. Um chute nas bolas muda todos os nossos princípios. Repare que eu falei “bolas” três vezes, o que significa que o nível do episódio realmente baixou agora.
Houve um silêncio. Gustavo soltou um bocejo. Pepito estalou o pescoço.
...
— I’m bored.
.....................NOVO QUARTEL-GENERAL DO GOOGLE EM POA:
Naquele exato momento, o poderoso Bob, que nunca dorme, estava exercitando seu cérebro do tamanho de um continente... em frente à TV, vendo Rede Globo.
— Agente #1! — chamou, invisível para todos em sua poltrona, exceto pelo chapéu (o que leva a pensar, embora ele não seja um ser corpóreo, que ele estava nu; de chapéu; vendo tv — é, bizarro).
O Agente #1 entrou na sala de comando de Bob obedientemente.
— Sim, senhor?
— Onde você esteve estes últimos dias? O que conseguiu para mim com aqueles garotos?
— Pareciam relutantes. Não sei se faria sentido tentar de novo. E eu estava no Youtube fazendo o serviço que era seu, de apagar contas que violem direitos autorais.
— Ah, sim. Deixe-o de lado. Não funciona mesmo... Venha cá, parece que há uma notícia interessante aqui.
Ele aumentou o volume do telejornal matutino, e o Agente #1 se aproximou da TV para ver o apresentador falar com expressão muito tensa:
“Hoje pela madrugada, o presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, se reuniu novamente com o polêmico presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, conhecido mundialmente por sua insistência perigosa num programa de armas nucleares, por negar o holocausto judeu e nunca aparar aquela barba horrível. Durante a conferência, que teve tradução simultânea, o presidente do país árabe alegou ter ouvido Lula dizer ‘Quero que aquele lixo humano và à merda’. O furor foi imediato, os representantes de ambos os países tiveram de deixar a sala, e o presidente americano Barrack Obama afirmou posteriormente ter ficado ofendido por Lula ter usado uma frase que deveria ser sua. Agora mesmo, ficou-se sabendo por um comunicado oficial que o Irã declarou guerra ao Brasil. Isso gerou grande preocupação nos demais países, pois sabe-se que se fosse com qualquer outra nação, não haveria o que temer, mas por ser justamente o Brasil, dá pra dizer que vamos levar uma baita coça. Os EUA declararam que irão ajudar sua putin... erm, seu aliado comercial, o Brasil, usando todo o seu arsenal nuclear. E se você ainda não gritou, saiba que é uma boa hora pra fazer isso.”
E a TV explodiu. Bob brincou de girar o controle remoto entre os dedos invisíveis (o efeito disso foi apenas o objeto sacudindo no ar), pensativo, enquanto o Agente #1 deixou escapar uma expressão de horror.
— Isso é pior do que imaginávamos! — apavorou-se — Os Cibernéticos copiaram nossa ideia de provocar uma guerra nuclear!
— Descaradamente... — completou Bob calmamente — Bem, o maior feito do Google para este século terá de ficar apenas com o Fazenda Feliz do Orkut, se o novo Google Earth não for terminado até 2100.
— O que vamos fazer, Bob?
— O que qualquer supervilão faz — Bob girou a cadeira e olhou ameaçadoramente na direção de um mapa-múndi digital projetado na parede —: esperar pela ação dos mocinhos.
...................DE VOLTA À ESCOLA:
O recreio terminou. Vagarosamente, as turmas começaram a se dirigir de volta às salas — pelo menos as que estavam a fim de estudar. Não tão vagarosamente, logo após que o alarme terminou de tocar, muitas coisas aconteceram ao mesmo tempo. Uma van estacionou, vários árabes com roupas camufladas e metralhadoras saltaram de dentro dela, a porta do saguão tombou, uma garota Random fez bolinha com o chiclete uma última vez antes de jogá-lo na lixeira... e fez-se o silêncio.
..................CASA DE MATT LIEBERT:
Minutos após chegar da sessão com Dra. Oneida, Matt atirou-se quase morto na cama, esperando que aquele dia não trouxesse novas quests. Mais uma vez a doutora não o entendera muito bem que quando ele dizia “Sou um superherói”, aquilo queria dizer “Sou um superherói”. Mas o que ele podia fazer? Sua TV estava ligada porque assim ele a esquecera antes de sair. De olhos fechados e de costas para ela, ouviu a música do Plantão Urgente da Globo, aquela que sempre trazia más notícias.
“Novo informe referente à guerra do Irã contra o Brasil.”
— WTF??
Ele pulou da cama, lançando lençóis e travesseiros para todo lado, e grudou os olhos na tela.
“Um grupo de terroristas iranianos — ou seriam soldados oficiais? Dane-se, pra eles são tudo a mesma coisa — acabou de tomar a Escola Presidente Roosevelt, aquele da ‘vara grande’, em Porto Alegre, fazendo como reféns os professores, funcionários e detentos. Ainda não pediram resgate e, segundo testemunhas que estão se comunicando do celular via twitter, eles têm granadas, metralhadores e aqueles cintos maneiros cheios de explosivos. Ou seja, se você ainda não gritou... Ah, essa já foi. Enfim, vai chover adolescente pra todo lado.”
— Humm... Pepito e Gustavo devem estar lá dentro, o que significa...
..........................NA ESCOLA PRESIDENTE “VARA GRANDE” ROOSEVELT:
Por detrás da parede onde estava escondido, Gustavo espiou a outra ponta do corredor. Havia um Terrorista ali, com uma UZI, usando uma bandana. Suspirando, Gustavo escondeu-se novamente.
“Eu tinha que me esconder, né. ¬¬”, pensou consigo mesmo. “Ao invés de gritar e ir apanhando pro cativeiro como todas as pessoas normais, eu tinha que me esconder!”
Olhou novamente para o Terrorista, que fazia ronda andando da ponta ao meio do corredor, alheio à sua presença, e viu o que não era muito de surpreender num momento daqueles:
VOCÊ TEM UMA NOVA QUEST
— É isso aí, vamo lá! — sussurrou para o letreiro.
SAVE THE SCHOOL
— Hã?? Mas que m...?
SEUS OBJETIVOS:
1) Passar pelo Terrorista sem ser notado;
2) Entrar no duto de ventilação.
Cautelosamente, Gustavo esperou até o momento em que o Terrorista deu-lhe as costas e foi andando a passos de ninja em direção à primeira saída de ventilação que avistou na parede, como nos filmes (não sabia que era possível fazer esse tipo de coisa no mundo real, mas enfim, fuck it). De repente, quando estava no meio do caminho, uma porta se abriu rapidamente e ele foi puxado para dentro, a tempo de o Terrorista não ver quem era, mas não a tempo de evitar que ele visse a porta bater.
......................DO OUTRO LADO DA PORTA:
Pepito o arrastara para o banheiro com uma esmagadora chave de braço.
— Pepito!
— Shh.
Gustavo livrou-se da chave, tossindo para respirar, e indagou em voz baixa:
— Que merda foi essa???
— Meu objetivo dizia: “NOCAUTEIE O TERRORISTA QUANDO ELE PASSAR PELA PORTA”.
— ¬¬.
— Estou ouvindo passos. Rápido!
Pouquíssimos segundos depois que eles se esconderam, a porta se escancarou e o homem com a metralhadora entrou decidido. Olhou desconfiado em cada centímetro do banheiro, depois escancarou os boxes, porta por porta, até parar diante do último. Certo de que ali haveria alguém, soltou o ferrolho da arma para poder atirar de uma vez.
— BAZZINGA!
Pepito caiu com tudo do teto em cima dele, e os dois quebraram a porta ao cairem sobre ela. A metralhadora voou para um canto distante, e houve uma rápida e desajeitada luta corpo-a-corpo que terminou com um tremor abaixo deles; o piso estava se desfazendo em milhares de fragmentos. Eles caíram numa espécie de vazio do espaço, mas Pepito conseguiu se segurar na borda do que ainda era o “mundo real”, enquanto seu inimigo sumia de vista para sempre.
Gustavo desceu do teto, onde também tinha se escondido no último instante, e estendeu a mão para que o amigo se levantasse. Eles se afastaram do buraco, que parecia tornar-se maior a cada momento, devorando o cenário, e então preencheu-se de novo. As “peças” voltaram a seus lugares, e o banheiro voltou a ser um banheiro.
— O que acabou de acontecer? — perguntou Gustavo tenso.
— Não faço ideia. — respondeu Pepito, igualmente surpreso.
PEPITO FOI SALVO!
PEPITO GANHOU 1 EXTRA LIFE.— Que massa! =D
— Vamos lá, vamos continuar.
— Aperta Enter.
— Não dá.
VOCÊ TEM NOVOS OBJETIVOS...
— Vamos lá, vamos continuar.
Eles recolheram a metralhadora e saíram para o corredor. Certificando-se de que não havia ninguém, abriram a tela de ventilação e esgueiraram-se com dificuldade pelos dutos de ar até o momento em que ouviram vozes rápidas e exasperadas dialogando em árabe. Estavam sobre o refeitório. Gustavo espiou pelas grades e enxergou os reféns amontoados no chão sob a mira das armas — eram mais ou menos seis Terroristas armados, fora um líder que falava ao celular. Pepito pediu para que ele fosse um pouco mais para a frente, assim poderiam descer, mas Gustavo disse “Shh! Acho que um filmezinho acabou de começar.”
— Não dá.
O Líder Terrorista falava ao celular em seu idioma natal, ao mesmo tempo em que legendas traduziam tudo:
— Allah está nervoso. Se não derem a Ele o que Ele quiser, sofrerão as consequências.
Houve uma pausa. Ele então gritou um palavrão e desligou o aparelho. Um de seus comparsas se aproximou.
— O que vamos fazer, chefe?
— Querem que negociemos. Viemos aqui pra negociar?
— Claro que não.
— Em nome da glória de nossa pátria... em nome de Allah...
— E dos campos de trigo.
— E dos campos de trigo...
— E das 72 virgens.
— Certo... Você disse 72?
— É.
— Quando me treinaram me disseram que eram 50... Filhos da puta!
E pegou o celular de novo, discou e aguardou.
— Presidente, desculpe interrompê-lo, mas são quantas virgens mesmo?... Não, está tudo indo muito bem. Mas, só por curiosidade, eram quantas virgens?
Houve outra pausa. Mudo, o Líder desligou o celular e olhou desconsolado para seus colegas.
— Amigos... fomos enganados...
Os outros Terroristas olharam preocupados para ele, que completou:
— Não vamos morrer por 72 virgens.
Imediatamente eles protestaram, berrando insultos ao presidente do Irã, deixando os reféns mais nervosos e assustados. Mas o chefe lhes propôs:
— Vamos fazer assim: 50 pra quando a gente morrer, as outras 22 nós pegamos aqui mesmo.
— AHHHHHHHH!
Um pedaço do teto rachou e caiu, e Gustavo e Pepito caíram no centro do refeitório já em posições de combate.
— Você não vai querer fazer isso. — disse Gustavo com cara de sério.
— Vai pra detrás daquela coluna! — Pepito gritou para Gustavo antes deles abrirem fogo, e, em estilo CS, começou a atirar também.
Dois Terroristas caíram mortos, e o resto avançou com toda a fúria. Pepito virou uma mesa e abrigou-se atrás dela. As balas acertavam a madeira, mas pela má jogabilidade, não conseguiam atravessá-la. Gustavo também pulou para atrás da mesa, e em meio ao barulho ensurdecedor perguntou:
— Alguma ideia brilhante?
— Ci pah.
O último pente da UZI acabou, e o gatilho fez “click”.
— Não, nenhuma.
— Ah, tá. Vamos morrer. =)
— Não necessariamente! =D Tem um bagulho que pode dar certo.
— O quê?
— Abra a porta para as pessoas fugirem.
— Nunca que você encontraria 22 virgens nesse colégio. — completou Pepito, que empunhava a metralhadora.
— Atirem nos dois! — ordenou o chefe em árabe.
O filmezinho acabou.
MATE OS TERRORISTAS!
— Vai pra detrás daquela coluna! — Pepito gritou para Gustavo antes deles abrirem fogo, e, em estilo CS, começou a atirar também.
HEADSHOT!
Dois Terroristas caíram mortos, e o resto avançou com toda a fúria. Pepito virou uma mesa e abrigou-se atrás dela. As balas acertavam a madeira, mas pela má jogabilidade, não conseguiam atravessá-la. Gustavo também pulou para atrás da mesa, e em meio ao barulho ensurdecedor perguntou:
— Alguma ideia brilhante?
— Ci pah.
O último pente da UZI acabou, e o gatilho fez “click”.
— Não, nenhuma.
— Ah, tá. Vamos morrer. =)
— Não necessariamente! =D Tem um bagulho que pode dar certo.
— O quê?
— Abra a porta para as pessoas fugirem.
THE BOMB HAS BEEN PLANTED
bip, bip, bip, bip…
— Vá, rápido!Gustavo rastejou rapidamente para trás de uma coluna, tentando contornar o refeitório até a saída sem ser notado. Pepito tirou uma meia branca do pé e sacudiu-a no alto para os Terroristas verem. Milagrosamente, eles pararam de atirar, e Pepito se levantou. Houve uma pausa de suspense em que até os reféns, que gritavam loucamente durante o tiroteio, ficaram quietos aguardando. Pepito fez cara de sério.
— ‘CÊS SÃO TUDO VIADO!
Furiosos, eles descarregaram tudo que tinham em Pepito, que continuou de pé alguns segundos antes de cair, dizendo meramente:
— Pudim.
As portas se abriram: Gustavo tinha conseguido. No mesmo instante, uma granada de fumaça atirada do corredor bloqueou toda a visão da situação, e os reféns começaram a fugir rapidamente.
— AHHHHH!
Matt entrou com uma AK. Era ele quem tinha atirado a granada. Furioso, matou os últimos Terroristas, ao que ouviu-se uma voz gritar MU-MU-MULTIKILL!
— Matt, seu viado!
— Que foi, Gustavo? =D
— Era eu quem ia terminar essa quest.
— Foda-se.
— E esse colete e essas armas?
— Ebay. Cadê o Pepito?
— Tá morto.
— Aham... QUÊ??
Eles ouviram um bocejo vindo da mesa crivada de balas, e viram Pepito se levantando.
— Pepito, WTF? Pela quantidade de furos (ui) na sua roupa você não devia estar vivo. — disse Matt impressionado.
— Err, ele ganhou uma Extra Life. — explicou Gustavo. — Eu acho. oO
— Onde?
— No banheiro.
— Tá, é melhor não me explicarem mais...
LIVRE-SE DA BOMBA!
— Bem lembrado. — falou Gustavo. — Chega de conversar. Temos pouco tempo.
Eles se juntaram ao redor da bomba, que marcava 50 segundos para a detonação. Matt deixou a AK de lado e se ajoelhou.
— Precisamos desarmá-la.
— Por quê? — indagou Pepito meio entediado.
— Porque senão a escola vai explodir.
— Então! =D
...
— Estou entre o fio vermelho e o azul. Podíamos tentar no Pedra, Papel e Tesoura. — Gustavo.
— Felizmente eu comprei um Defusador. — disse Matt abrindo a mochila.
THE BOMB HAS BEEN DEFUSED
OS TERRORISTAS PERDERAM!
Uma chuva de moedas de ouro caiu sobre as cabeças deles, que piscaram os olhos aturdidos. Tanto non-sense eles não esperavam. Pepito perguntou:
— Onde eles esperam que a gente guarde essas moedas no mundo real? Na bunda?
E AINDA CONTINUA...

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