http://www.youtube.com/watch?v=thMm-7RFsm0
....................NA VAN DO RULEADOR:
Os quatro queixos caíram ao mesmo tempo, igual ao emoticon do House. Para qualquer conhecedor da cultura inútil, estar diante deste homem é estar diante de um deus.
— OMG, Chuck Norris!
— Não grite, Pepito. ;) — disse o Ruleador abrindo a porta da frente e ocupando o lugar do motorista.
Chuck Norris acenou com a cabeça e mostrou-lhes sua expressão facial especial para ocasiões de apresentação (que era basicamente idêntica às outras que ele usava). Matt gaguejou:
— O q-que ele est-tá f-fazendo aqui, Ruleador?
— Dei uma pesquisada na história do GOOGLE e percebi que apenas um homem teria colhão para nos levar aonde temos que ir.
— Mas... Que lugar é esse? — perguntou Gabriel.
— Deixarei que Chuck responda.
Chuck tomou a palavra, no mais perfeito Português (não que fosse tão motherfucker a ponto de traduzir qualquer idioma, é que no dia ele tinha sentado num Peixe Babel sem querer):
— Há muitos anos, quando a organização GOOGLE foi fundada, seus criadores pensaram numa forma eficaz de garantir que nenhuma concorrência fosse capaz de desbancá-los. Foi então que perceberam que apenas um pacto com o Diabo lhes traria tamanha certeza.
— Com Diabo você diz... Diabo, Diabo? — perguntou Grilo.
— Diabo, Diabo.
— Não que seja um Diabo “Diabo”.
— Não.
— Ah, bom.
— Anyway, pesquisas arqueológicas conduzidas por mim revelaram a verdadeira localização da Sede do GOOGLE: o Inferno. Se vocês realmente quiserem acabar com seu inimigo, teremos de penetrar (ui) as profundezas deste lugar e falar com o Diabo em pessoa.
Matt assobiou, impressionado.
— De que maneira entraríamos no Inferno? o-o — indagou Pepito.
Chuck Norris respondeu muito seriamente:
— Passando pelo lugar mais profano e assustador que existe neste planeta... um baile funk.
— No way! — disse Matt, e os outros concordaram com ele — Tipo, gente como nós... digo... passar por um lugar desses não sendo parte do... Ruleador, você concordou com isso??
— Por incrível que pareça, os cálculos dele estão certos. É por isso que ele é o Chuck Norris, certo? — o Ruleador disse com uma piscadinha.
Matt não disse mais nada; dava pouco crédito a uma missão como aquela. Mas Pinguin perguntou ao lutador:
— Supondo que topássemos, quais seriam os riscos?
— Entrando junto comigo? Zero. — respondeu Chuck Norris com cara de Chuck Norris — Mas vocês ainda terão de se fantasiar de manos. — acrescentou.
Os quatro jovens se contorceram nos bancos, fazendo caretas de horror.
— Eu não, é claro, pois sou Chuck Norris. ;)
— Bom... — Matt disse com certa repulsa — Pelo bem da nação...? — e olhou para os amigos, que contra sua vontade concordaram.
— Deixem eu mostrar uma coisa a vocês.
O Ruleador tirou um LifeController do bolso e pressionou alguns botões. Apareceu diante deles um holograma de um mano, com sua descrição, skills e classe.
— Como podem ver, a classe dos Tchuntchás é uma das mais heterogêneas do reino Animal. — explicava o andróide à medida que ia mostrando os detalhes em 3D — Divide-se em inúmeras subclasses, algumas abertamente criminosas, outras não. No entanto, é melhor não entrar em contato com eles, pois, se observarem — ele deu zoom no texto —, vocês quatro estão entre os tipos de presas naturais desses seres. Sempre atacam em grupo, o que garante a proteção daqueles que possuem levels inferiores a 17. Contam com o Fator Multiplicativo a seu favor.
— Como? — indagou Matt.
— Derrube 1, surgirão outros 30.
— >.<
— Porém, nada temam. — ele apagou o holograma e guardou seu LC — Contaremos com proteção especial. — falou, indicando Chuck Norris.
— Certo... E quando sairemos? — perguntou Pepito.
— Esta noite.
Chuck Norris enfiou a mão no bolso e tirou um mapa da cidade de Porto Alegre e um panfleto de baile funk.
— Prestem atenção. — ele abriu e estendeu o mapa de forma que todos pudessem visualizá-lo — A entrada do inferninho — posicionou o panfleto sobre um ponto X de Porto Alegre — fica aqui. Para entrar no Inferno de verdade, atravessaremos a multidão e pegaremos o caminho dos esgotos.
— Deve estar brincando. u.u — Pepito.
— Não, não estou. — ele fez cara de Chuck Norris outra vez, e Pepito manifestou um certo medo. — Tentem não dar muito na vista. O Ruleador já separou os disfarces...
Matt viu o andróide abrir uma sacola e tirar um boné da Nike de dentro dela. Começou a suar frio. Pelo bem da nação, pensou. Ou não.
........................NOVO QG DO GOOGLE EM POA:
O Agente #1 desligou o viva-voz do telefone e virou-se para a porta da Sala Principal. Acabara de receber uma notícia muito ruim, e era seu dever transmití-la a seu mestre.
A porta se abriu automaticamente quando ele se aproximou. Bob não estava exatamente corpóreo, mas voltara a exibir a palheta de cores do CorelDraw, o que ninguém conseguia entender por quê.
— Er... Bob?
O cérebro com pernas apenas se virou.
— Acabo de ser informado... que Matt Liebert não morreu. — soltou o subordinado, pronto para qualquer reação.
Para seu espanto, o andróide ignorou a notícia e deu algumas voltas silenciosas em torno da própria mesa antes de falar sobre outro assunto:
— Você sabe o que está acontecendo?
— Onde?
— A nova versão do Google Earth, a que os HS vêm desenvolvendo baseados no código-fonte secreto, está quase pronta.
— Ora, isso é... Soa espantoso!
Na verdade, o Agente #1 já estava a par da novidade, mas não tinha muita certeza do que o seu superior pretendia ao iniciar a conversa. Todo o papo de Google Earth, na verdade, tornara-se uma espécie de tabu nas últimas semanas. Ninguém tocava no assunto nas reuniões. Entre os corredores, só se ouvia cochichos. Porém, todos sabiam como aquilo iria terminar.
— Corre o boato de que a alta cúpula da Liga de Dominação do Mundo já começou a testar a nova invenção. O primeiro teste teria ocorrido há algumas semanas atrás, quando, na mesma hora e no mesmo minuto, em diversos lugares do globo, a paisagem repentinamente deformou-se, abriu-se para o vácuo e regenerou-se sozinha. Curiosamente, isso só ocorreu em áreas isoladas ou diante de pessoas nas quais ninguém acreditaria. Alguns poderiam dizer que é o Armageddon... ou que o mundo está se transformando em algo que não podemos compreender.
— E... o que você quer dizer com isso, Bob?
— Ah, nada demais. Apenas pensei que você estaria alerta ao fato de que, se o GOOGLE é capaz de destruir e criar praticamente tudo que quiser na superfície da Terra — ou até mesmo, quem sabe, nos confins do espaço —, ninguém, nem mesmo eu e você, somos insubstituíveis.
.........................NAQUELA NOITE, EM UM PONTO EXTREMAMENTE DISTANTE DALI:
Matt, Pepito, Pinguin e Grilo haviam enfim penetrado (ui) na festa funk em questão, disfarçados, é claro, diferentemente de seus colegas: o Ruleador, porque tinha cara de motherfucker o suficiente, e Chuck Norris... bem, porque era Chuck Norris. Não iremos humilhá-los mais do que o necessário com descrições a respeito de seus trajes... er... “não-roqueiros”, indo direto ao ponto.
Eles desceram aos canais de esgoto de Porto Alegre, que, basicamente eram uma cópia do Centro da cidade — um labirinto enorme e fedido —, com a diferença de que lá embaixo havia pouca ou nenhuma luz.
— Fiquem juntos agora. — ordenou Chuck Norris enquanto eles tinham de se abaixar a ponto de quase quebrarem o pescoço — Mas não muito juntos, que isso é coisa de viado.
Matt — ¬¬.
Tiveram a impressão de estar descendo cada vez mais, e então finalmente a passagem se alargou um pouco, e todos puderam ficar de pé. Tinham chegado a uma porta circular de aço, que parecia extremamente enferrujada. Chuck Norris a abriu sem problemas, e o grupo pôde continuar por uma espécie de corredor que levava a um elevador antigo.
— Aqui é nosso ponto final, pelo menos para o que podemos reconhecer como mundo dos vivos. — explicou o lutador — Têm certeza de que querem continuar?
Ele olhou para o Ruleador, que olhou para Matt, que olhou para seus amigos, que não tinham para quem olhar.
— É para acabar com o GOOGLE, certo? — lembrou Pinguin, dando uma injeção de ânimo nos colegas — Para vencer essa guerra.
— Ééé, acho que se já encaramos tudo até agora, não é uma descidinha ao Inferno que vai nos fazer parar. =D — apoiou Pepito, igualmente destemido.
— Dá pra terminar logo essa merda, que eu tenho prova amanhã? — pediu Gustavo.
...
Chuck Norris apertou o botão do elevador, cujas grades de ferro se abriram com um rangido, e todos se espremeram para entrar.
— Isso pode soar meio óbvio, mas... é pra descer, né? — perguntou Matt, que era quem estava mais perto dos botões dos andares.
Chuck Norris meramente esticou o braço e apertou o 666. Começaram a descer muito rapidamente.

Nenhum comentário:
Postar um comentário