domingo, 9 de maio de 2010

(1ª TEMPORADA) EPISODE 08 - Plano B

MUSIQUINHA FODONA DE ABERTURA
http://www.youtube.com/watch?v=thMm-7RFsm0

....................O encontro com o andróide mortífero não fizera muito bem ao ego de Matt, que por três dias permaneceu enclausurado em casa, “mofando” entre páginas amareladas de livros acadêmicos. Durante a semana isso não seria de surpreender, porém havia um importante (e alarmante diferencial). Nos três dias que se seguiram, sua personalidade ficou — como podemos dizer?...

— Dark. O Matt tá dark. — disse Pinguin. Era o meio de uma tarde ensolarada, e ele, Pepito e Gustavo estavam do lado de fora do edifício de Liebert tentando pela caralhésima vez fazê-lo responder ao toque do interfone. — Se eu fosse vocês, não tentaria novamente.
— Ele é nosso amigo. Ele tem que vir. — insistiu Pepito apertando outra vez.

— Acredite, você não vai querer conhecer o Dark Matt. Ontem eu vim sozinho nesta mesma hora, e a voz dele estava...

Naquele momento, houve uma resposta pelo interfone, e eles emudeceram. Matt estava falando sinistro.

— Eu.

— Err... Matt? — arriscou Pepito — É o Pepito... e todo mundo.

— Hum.

— Olha só, a gente queria saber se você toparia ir a algum lugar pra... sabe, vegetar... o-o

Houve um longo silêncio antes que a voz rouca respondesse:

— Hoje não. Muita coisa. Semana que vem, talvez.

— Acho que sim. o-o

— Não era uma pergunta.

E desligou. Tensos, os demais membros do clã resolveram não tentar mais naquele dia e irem dedicar-se a seus respectivos afazeres.

— O professor deixou o tatame liberado pra mim. Tenho treino extra hoje. — explicou Pepito primeiramente — Então... bye, por enquanto.

— Eu tenho que ir pra casa resolver uns bagulhos. — disse Pinguin.

— Eu tenho que... eu tenho. — disse Gustavo, e saiu.

Cada um tomou seu caminho, sem noção alguma do que estava para acontecer naquela tarde.

.........................NOVO QG DO GOOGLE EM POA:

O Agente #1 iniciara cedo seu expediente, pois não queria perder o que o chefe tinha reservado para aquele dia. No entanto, teve de esperar inúmeras horas do lado de fora da Sala Principal, pois Bob permanecera trancado pensando em sabe-se lá o quê. Enfim deixou o subordinado entrar e dividiu com ele seu novo estratagema.

— A hora é chegada. — sua poderosa voz ecoou pelo ambiente — Irei em presença dos três simultaneamente, e aí veremos...

— Os três? Não eram quatro?

— Três dos amigos de Matt Liebert caíram de paraquedas na situação. Como você vem me reportando ultimamente, Liebert é o mais “heroizinho” do grupo, o menos impulsivo, talvez o menos insensato.

— Ele é chato. =)

— Justamente por isso, minha estratégia será identificar o ponto fraco dos outros três. No fim, mesmo que não aceitem o trato... saberei onde sentem dor. Ao contrário de mim, que sou desprovido desse tipo de coisa... — e a voz de Bob começou a soar distante, como se ele próprio, a entidade, viajasse no cosmos — Sócrates estava errado. O que a palavra não ensinou, pode ser que o pau consiga (ui).

........................SITUAÇÃO NUMBER I:

— Com licença, moço.

— Sim?

— Onde fica a Rua Random?

— Por ali, à direita.

— Ah, valeu.

TU DUN TSS

Pepito seguiu por uma rua calma com casinhas idênticas enfileiradas e gays, quando ouviu um timbre friamente calmo de voz chamá-lo pelas costas.

— Sr. João Pedro.

Pepito se virou na mesma hora, e o que viu foi além de todas as suas expectativas.




............................SITUAÇÃO NUMBER II:

Pinguin estava a uma quadra de casa, cantarolando uma faixa dos Stripes, quando ouviu também chamarem seu nome.

— Mr. Gabriel.

Olhou para trás, e lá estava ele, de quem apenas ouvira falar. Não era exatamente como tinha imaginado, mas ainda inspirava algum medo.

..........................SITUAÇÃO NUMBER III:

Gustavo ia atravessar a avenida quando sentiu uma lufada de vento anormal, dessas que só se sente em filme de terror, e virou-se.

— Mr. Gustav.

Ele manteve um pé atrás, medindo a situação.

— Bob. Está diferente. o-o

Ao invés do chapéu, das botas e sobretudo, como no clássico com Claude Raines, um luminoso tom de azul à lá Watchmen tingia as formas humanas do andróide, exceto pela face, onde a pele era lisa, sem olhos, boca ou nariz. Ele se aproximou devagar, como se flutuasse.

— Imaginei que me reconheceria.

— O que você quer?

— Conversar.

........................I:

— Me admira que tente fazer isso outra vez. — disse Pepito, que dirigia-se a um Bob vermelho — Diga-me, por que resolveu vir sozinho, ao invés de mandar um cãozinho de guarda?

— Não preciso de guardas. — pelo tom, o andróide poderia estar sorrindo — Não interessa também o que EU preciso, mas o que VOCÊ pode achar mais proveitoso.

.........................II:

— Você é alguém para saber o que é melhor ou pior pra mim? — indagou Pinguin, obstinado, ao homem verde-esmeralda que o rodeava — Diga logo, o que está querendo?

— Andei observando-o. O trabalho duro que faz, o risco que corre. Não deve ser fácil.

— Simples, eu sou foda. ==> TU DUN TSS

.....................III:

— Eu deveria saber que você já tinha providenciado uma espionagem pra cima de nós. — disse Gustavo — Mas não pense que com palavras bem postas vai conseguir me manipular. Eu já usei o Tradutor do Google, e é uma MERDA.

...................I:

— Me dá uma boa razão pra não te chamar pro fight.

— Você morreria fácil.

— Tá bom o-o

..................II:

— Pense no que seria uma vida em que você pudesse andar calmamente por uma rua sem enxergar um letreiro verde. Em que pudesse sentar no sofá, ligar a TV... e não pensar em mais nada, pois o aluguel está pago, a geladeira está suficientemente cheia, e há quem cuide do resto. — Bob parou diante de Pinguin, a luz natural que emitia incidindo sobre o rosto dele — Guerra, controle, política... Quem se importa? Para que se importar?

.................III:

— Como se não bastasse acordar de manhã cedo... ainda tem de levar esses itens.

— Eu me viro. xD

— A vida nessa idade é conturbada. Medo, preguiça, interrogações...

— Vou no PDB e já to bom.

— E ainda o risco de morrer.

— o-o

....................I:

— Por que Liebert pôs você na história, pra começar? Por que não foi homem?

— Porque ele é gay. =D

— Mas podia ter encarado os perigos sozinho. Não havia, e você sabe, bem no fundo, razão lógica para ir com ele. Mas você escolheu... pela curiosidade. Um jogo, não é? Nada mais que um jogo? Talvez sim, talvez não...

.................II:

— Expondo-se à noite por esses becos imundos, falando com todo tipo de arruaceiros...

— Eles são legaizinhos até.

— A questão é: você escolheu ou foi obrigado?

— o-o

.................III:

— Os homens alimentam-se da ilusão de que é bonito entregar-se a uma luta mortal, se a causa for mais nobre. Tolice. Olhe para você mesmo.

A superfície azul do corpo de Bob tornou-se liquefeita e incolor por um momento, e Gustavo viu seu reflexo nela.

— Carne e osso. Nada mais que isso. — disse o homem-software — Um homem normal não seria capaz de passar por mais provas como as que você e seus amigos têm passado. Somente um herói, um mito, uma ideia sobreviveria.

E o “espelho” voltou a tingir-se de azul.

— Quem é a ideia aqui, Gustavo? Você ou eu?

..................I:

— Tenho certeza de que Matt teria entendido se tivesse dito “Não” a tempo. Mas e agora? Tsk, tsk, tsk.

— o-o

— Existe um jeito — se você quiser — de sair agora sem que ele fique irado com você. Eu só precisaria do seu Inventário.

.......................II:

— Seu Inventário, Gabriel.

......................III:

— É só entregar o Inventário.

.......................Ao mesmo tempo, em três lugares diferentes, três pessoas se viam praticamente com a faca no pescoço. Foi quando, para cada um dos garotos, o LifeController vibrou sozinho e fez projetar-se no ar um texto nos caracteres que eles já conheciam. Mas desta vez era um pouco diferente.

O QUE VOCÊ PREFERE FAZER?
1 – ENTREGAR INVENTÁRIO
2 – AH, TOMÁ NO CU
............................I:

Se por um momento sentiu-se encurralado pelas ideias de Bob, foi só ler as opções em verde para Pepito explodir em gargalhadas na frente do vilão motherfucker.

— Jisjaijsaijsiajsiajsiajsiajsiajsaijsaj. Kralho, jsaijsaijsaijsiajsiajs.

— ...

— Ai, cara, foi mal. Eu vou escolher o 2, pode ser?

..................................II:

Pinguin soltou um bocejo e disse:

— Tá, terminou? Eu realmente tenho que ir pra casa. Flw.

Selecionou o 2 e virou-lhe as costas.

..................................III:

— Sinceramente, Bob, acho que você não joga muito RPG. — disse Gustavo com um sorriso amigável.

Quando ele apertou a segunda opção, foi como se um abalo sísmico reverberasse por toda a Terra, embora nenhum humano ou animal sentisse. Sequências binárias foram refeitas, probabilidades se re-transformavam continuamente, o Universo inteiro esticava e retorcia-se (ui).

UM NOVÍSSIMO CAMINHO HAVIA SE DESDOBRADO PARA O JOGO.

Os três Bob’s desapareceram, migraram e reuniram-se em um só, multicolorido (ui), que reapareceu na Sala Principal do QG, como um fantasma, e em seguida tornou-se negro de fúúúria.

— B-bob? — o Agente #1 assustou-se ao ver seu chefe voltar mais cedo.

— Plano... B.

............................No momento em que cada um, Pepito, Pinguin e Grilo, ficou sozinho onde antes havia também o andróide motherfucker, sua visão virou Widescreen, e eis que surgiu o primeiro filmezinho a longa distância do jogo.

Era Matt. Estava subindo as escadas de volta a seu apartamento depois de deixar o lixo na lixeira do prédio (dã). Mal humorado, escancarou a porta do quarto ao entrar. O cômodo estava escuro, como preferia em dias de Dark Matt. Ele acendeu a luz da cabeceira, sem antes ter sentido o cheiro de gás.
— OMFG! — Pepito.

— Matt! — Pinguin.

— Matt! o-o — Grilo.

Na Sala Principal do QG, um mapa de Porto Alegre projetado no telão gigante de Bob assinalou um ponto vermelho que piscava na região da Cidade Baixa. O Agente #1 olhou aquilo e franziu a testa, sem entender também por que Bob agora parecia tão tranquilo.

— Err, Bob... o que foi exatamente isso?

O dark de Bob desapareceu. Ele voltou a ser meramente invisível.

— O plano B.

....................NA RUA DE MATT:

Pepito, Pinguin e Grilo encontraram-se correndo em frente ao prédio quando os bombeiros ainda estavam enfrentando o incêndio. Preocupados em meio aos moradores que tinham descido às pressas para a entrada, não viram quando Matt se aproximou deles apenas com a roupa de baixo, chamuscado e profundamente irritado. No entanto, já não estava mais Dark.

— O que vocês estão fazendo aqui?

— Matt!

— Matt?!

— Er... Mesma coisa que eles. xD

Gabriel exclamou:

— Pensamos que você tinha morrido, seu viado!

— Só o depressivo tem o direito de dizer quando vai morrer.

— Er... OWNED?

— To de brinks xD

— O que ficou fazendo aqui a tarde inteira? — Grilo perguntou.

— Achei salgadinho no armário e várias Coca Cola de 2 litros. Aí resolvi pôr todo o refrigerante num galão, desses de água mineral. E, tipo, bebi tudo. o-o

— Caralho. o-o

— É item VIP! *.* — Gabriel. — Acho que aumentou sua resistência.

Eis que, para a grande surpresa dos três, o Ruleador apareceu e disse, de maneira Random, olhando pro prédio:

— Mas que puta foguinho, hein.

— Ruleador?! Sabe me explicar o que aconteceu com a minha baia? ¬¬ — questionou Matt.

O Ruleador meramente olhou para os amigos dele, que disseram ao mesmo tempo:

— Foi o Bob.

— Quê? — Matt.

— É uma historinha interessante. — Pepito.

— Depois. Tem uma pessoa que vocês precisam conhecer. — interrompeu o Ruleador, e fez com que os quatro o acompanhassem até uma van estacionada perto dali — Não há regra em meu trabalho que me impeça de lutar contra o GOOGLE, por isso andei pensando profundamente sobre como ferrar os caras bonito...

Ele abriu a porta de correr e mandou-os embarcar, depois fechou-a. Quem eles viram lá dentro superou qualquer outra apresentação bombástica do dia.
CONTINUA...

ENCERRAMENTO (MÚSICA SUGERIDA BY PEPITO)

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