http://www.youtube.com/watch?v=thMm-7RFsm0
...........................NOVO QUARTEL-GENERAL DO GOOGLE, EM POA:
Mais ou menos depois de duas semanas de tensões internacionais, o noticiário noticiava (dã) o fim da guerra Brasil x Irã.
— Em comunicado oficial — dizia o âncora do jornal —, o presidente da empresa Google afirmou que houve um erro no software de tradução simultânea utilizado na conferência entre o presidente do Brasil e o presidente do Irã, o que ocasionou o lamentável mal entendido. No entanto, o mundo ainda quer que o Irã vá à merda.
Bob desligou a TV, levemente satisfeito. Era a primeira investida bem-sucedida em meses.
— Quer dizer — disse o Agente #1, que estava próximo à poltrona do andróide com um copo de uísque na mão — que estamos numa situação melhor agora?
— Certamente, Agente #1. Depois desse episódio, os Cibernéticos pensarão com mais cuidado em como nos afetar. Deve ter ficado certo para eles que provocar uma guerra mundial, pelo menos por enquanto, não é a melhor jogada.
— O que acha que eles farão agora?
— Realmente não tenho como saber. O que mais me interessa — Bob começou a andar sobrenaturalmente, e foi possível ouvir seu tom de voz ecoando nos diferentes cantos da sala — é a natureza das capacidades daqueles jovens interessantes. Não só sobreviveram a um tornado e a um trio de punks adulterados por álcool, mas salvaram uma escola (pública!) de um bando armado. Já se perguntou de onde eles teriam saído?
— Bem, senhor, analisamos as propriedades químicas do Vinho que foi ingerido por aqueles punks, e não há dúvidas de que as substâncias encontradas não pertencem a nenhum elemento conhecido. Duvido até que sejam desta época.
— Interessante...
Bob parou para olhar o mapa-múndi, seu pensamento artificialmente superior todo concentrado no enigma.
— É como se fossem superheróis. — disse o homem invisível — Agente #1, o que faz um superherói?
— Além de superpoderes?
— Vou reformular a questão: o que justifica um superherói?
O Agente pensou um pouco.
— Sua motivação?
— Exato. — Bob recomeçou a andar — Eles querem salvar o mundo e, por causa disso, aceitam qualquer desafio que vier... mas por quê?
— Bom, para ficarem sabendo de tudo tão rapidamente quanto nós, só se alguém externo a este mundo estivesse guiando-os.
— De fora deste mundo, desta época... De agora em diante, Agente #1, quero que os espione. Todos os quatro. Mas não interfira em nada. Apenas quero saber quem são, o que fazem, o que sentem, do que dependem para agir.
— Sim, Bob.
....................... NA CASA DE MATT (PELA CARALHÉSIMA VEZ):
O grupo estava à toa no quarto, Matt fazendo malabarismos com seu LifeController, Gustavo com a cabeça pendendo da beirada da cama, Gabriel e Pepito estapeando-se pela posse do computador. O silêncio só foi quebrado quando Gustavo disse:
— Vocês já notaram o que eu notei?
Todos pararam o que estavam fazendo e olharam para ele.
— Que não temos uma nova quest há cerca de duas semanas? Já. — disse Gabriel um tanto irritado, tentando arrancar o mouse da mão de Pepito a dentadas. — E, sim, isso é extremamente irritante.
Matt soltou um bufo de impaciência e apertou o botão de “STATUS” em seu controle, o que exibiu seus skills e level em pleno ar.
— Cara, não sabe quantas vezes eu já acendi e apaguei esse negócio em casa, só por não ter nada pra fazer! — exclamou Pepito, conseguindo finalmente empurrar Pinguin para fora da cadeira.
Rindo no chão, Gabriel olhou para os números de Liebert projetados em verde e disse:
— Até que você tá bem, Matt!
Matt pressionou novamente o botão, o que fez os caracteres desaparecerem, e levantou-se do colchão onde estivera atirado alguns minutos atrás.
— Deveríamos sair e fazer alguma coisa.
— Tipo...?
— Sei lá. Cinema, show...
— Eu tenho prova amanhã. — disse Gustavo roendo unha e olhando para o teto.
— Eu tenho que ver Smallville. — disse Pepito com os olhos no computador.
— Eu não tenho nada. =) — disse Gabriel ainda no chão, mas no instante seguinte sentiu algo vibrar no seu bolso. Era o LifeController. — Ei, essa coisa pode se mexer? — perguntou a Matt.
— Não sei dizer.
Ele pegou o LifeController e o acionou.
BÔNUS PRIZE PARA GABRIEL:
BATALHA DE BANDAS NO OPINIÃO
(FALAR COM O DODI NA PORTA)
— Isso é... bom? — perguntou Gustavo olhando para Matt, que encolheu os ombros.
— É diferente. E é pra mim! — exclamou Gabriel entusiasmado, se levantando. — Pela primeira vez, nada que envolva chute nas bolas ou baleias voadoras, ou... cortar cabeças... Apenas... MÚSICAAAAA! E de graça. *.*
— Bom pra você. — disse Matt levemente irritado, voltando ao seu passatempo de morto-vivo no colchão.
— Você não tem aula hoje? — Pepito.
— À noite. — murmurou Matt, e em seguida virou-se para o lado e escondeu a cabeça sob um travesseiro — Queira eu ou não. — completou.
Seguiu-se outro período longo de tédio, rompido somente por Gabriel cantando baixinho “Batalha de bandas, batalha de bandas...”.
..................................MAIS TARDE NAQUELE DIA:
Matt estava chegando ao ponto de ônibus a duas quadras de sua casa, os efeitos do cansaço muito maiores do que de costume, quando, distraindo-se com o zíper de uma mochila pesadíssima, deu uma trombada em alguém que já estava parado ali há algum tempo. O zíper cedeu e todo o material, livros, papeis e canetas, escorregou para fora. Ele fechou os olhos, como toda pessoa faz quando uma grande merda acontece e ninguém mais pode limpá-la, contou até 8 mil ou mais para se acalmar e, quando os abriu, um rapaz uns dois anos mais velho estava se abaixando para recolher as coisas.
— Ah, não precisa. — apressou-se em dizer, abaixando-se também para evitar a gentileza.
— Não, não, ninguém mais faz isso hoje em dia, eu quero fazer. — retrucou o rapaz, terminando de empilhar os livros e colocá-los de volta na bolsa.
— Ah, tudo bem. Whatever.
— Tá aqui.
Seus olhares se cruzaram quando ele passou a mochila de volta a Matt, e um raiozinho amarelo explodiu à direta de sua visão, acompanhado da frase MATT LIEBERT E DESCONHECIDO POSSUEM QUÍMICA! Um pouco perplexo, Matt se afastou sob o pretexto de pôr tudo em ordem ali dentro, e eles se levantaram. O ônibus se aproximava ao longe.
— Cairia bem uma limpezinha, né. — o garoto falou em menção da backpack de Matt, que tinha manchas de tinta por toda parte.
— Trote da facul. xD — Matt respondeu pela caralhésima vez.
— Ah, você faz facul?? Onde?
— Úrguis.
— Eu também. o-o Curso?
— História.
— Ah... Acho que vamos nos ver mais vezes por lá. =]
O ônibus chegou, e eles passaram a viagem conversando.
............................NAQUELA NOITE, EM FRENTE AO OPINIÃO:
Como dito no Bonus Prize, Pinguin fora ao Opinião às nove e meia da noite (descobrira o horário pelo anúncio de jornal que, de fato, informava que uma Batalha de Bandas aconteceria ali). Abrindo caminho através da multidão de darks que se aglomerava em frente ao bar, chegou à subidinha da entrada, que era guardada por três brutamontes. Sem saber qual deles era “Dodi”, foi perguntando a cada um, recebendo três negativas. Então sentiu um puxão na barra da calça, olhou para baixo e viu um homem extremamente pequeno — não devia ser mais que sua perna — usando chapéu de marinheiro.
— Eu sou Dodi. — disse com uma voz surpreendentemente grossa.
— Err, eu sou Pin... Gabriel. Tipo... eu posso entrar?
Dodi fez sinal para os outros guardas, que abriram caminho para ele. Gabriel entrou, mal acreditando em si mesmo, e vislumbrou uma espécie de arena quadrangular onde técnicos faziam a checagem de som, iluminação e pirotecnia, munidos de recursos sofisticadíssimos e estupidamente caros. Ainda bobo pelo banquete audiovisual, levou outro puxão e viu que Dodi indicava-lhe uma fila de assentos na área VIP. Ele imediatamente ocupou um lugar, ansioso pelo que iria presenciar àquela noite.
......................CASA DE PEPITO (COM PATETA* DENTRO, LATINDO EM VOLTA):
Pepito recebera um telefonema de Matt, direto da faculdade, e pelo que ele acabara de lhe dizer com certeza não esperava.
— O QUE QUE ELE QUER TE MOSTRAR??
— Foucault.
— Foucault.
— É assim que ele chama o...?
— É um autor. ¬¬ Ele tem livros desse cara.
— Ah, e você quer que eu acredite que ele te chamou para o apartamento dele a esta hora pra ler Foucault?
— A............ham? o-o
Matt estava confuso. E não tinha muito tempo, pois o cara mais incrível que conhecera em toda a sua vida estava esperando-o a poucos metros de onde estava parado com seu celular, para que fossem embora juntos.
— Olha, só me diz o que você acha. — implorou.
— Olha, parte de mim quer te dizer “VAI”, e outra quer dizer “VAI”.
— Valeu, Pepito. ¬¬
— Ah, vai lá, come o cu dele, o que custa?? Peraí. — Pepito largou o celular um instante para explodir alguns áliens em flash, depois pegou o aparelho de novo e completou: — A não ser que ele seja pobre. Ele é pobre?
— Tipo...?
— Fala fino, fica dando ataque e faz Moda ou Design?
— Ah, não, não. Na verdade ele é louco e faz Filosofia.
— Então! Não sei por que ainda precisa de mim.
E desligou. Matt suspirou, pôs o celular no bolso e ficou pensando na forma menos arriscada de se divertir aquela noite. Teve uma ideia. Pegou seu LifeController e, sem que ninguém visse, pressionou “MAP”. Para sua sorte, havia um asterisco verde indicando Savepoint num local muito perto dali.
.......................DENTRO DO OPINIÃO:
O evento ia começar a qualquer momento. Não só todos os assentos, VIP’s e comuns, estavam ocupados, como também havia gente literalmente pendurada no teto para assistir à apresentação. Gabriel pôde ver que os técnicos haviam posicionado a mesma parafernália musical (microfones, amplificadores, guitarras, baixos, baterias, etc) nos dois lados da arena, o que pressupunha, literalmente, uma batalha entre bandas. Não conseguia lembrar de algo tão foda desde o show do Metallica.
Um careca com alargador de orelha subiu no centro da arena, apanhou um microfone que pendia do teto e falou:
— Boa noite, e bem-vindos à grande, fantástica, motherfucker Batalha de Bandas desta noite!
Os gritos foram ensurdecedores. A energia que emanava daquele público poderia, quem sabe, explodir um Fusca. Os pregos que mantinham a cadeira de Gabriel rente ao chão tremeram.
— Para começar... — continuou o Mestre de Cerimônias (e é isso que MC quer dizer; para os desinformados, ao MC não cabe o título de “cantor”) — trago diante de vocês os vencedores da última edição desta disputa cósmica. Palmas, berros, estrondos para os integrantes da MADNESS!
Cinco indivíduos, entre eles duas mulheres, deixaram os bastidores e subiram à arena sob uma enxurrada de saudações e gritos enlouquecidos. O mais velho, que devia ter vinte e cinco anos, e parecia ser o líder, que tinha cabelos totalmente brancos e algo que parecia ser um implante de chifre no lado direito de sua testa, tomou o microfone em mãos e anunciou:
— Os vencedores desta noite terão a HONRA de tocar conosco.
A plateia vibrou mais uma vez.
— Mas, se não forem decentes o bastante, MANDAREI TODO MUNDO AQUI PARA O INFERNO!!!
Mais gritos e palmas.
— Falo sério. — o líder da MADNESS sorriu com um brilho psicopata no olhar, realçado pelas lentes de felino que usava — Vão todos queimar.
— Obrigado, Uruk. — o MC tomou o microfone de volta, e os músicos dirigiram-se aos cinco assentos da fileira logo à frente de Gabriel, postos exclusivamente para eles. — E agora vamos começar. Na primeira rodada, teremos... GIANT DICK...!
Um quarteto de roqueiros cabeludos veio à arena e ocupou um dos lados.
— Versus HYPNOTIZER BASTARDS!
Outra banda de quatro (hehe) saiu de trás das cortinas e se posicionou em frente à GIANT DICK (ui), os dois grupos trocando rosnados.
— Comecem essa porra, então! — ordenou o MC — Recolheremos o que sobrar dos perdedores... com uma pá.
O careca largou o microfone, que foi içado para cima, e desceu da arena um segundo antes de ela ser envolvida por imensas grades de proteção.
GIANT DICK VS HYPNOTIZER BASTARDS
READY??
PLAY!
O guitarrista da HYPNOTIZER começou um riff lindamente FODA, do tipo que só um babaca, vida-torta, afundado em canha, que não tem nada por fora, mas por dentro conhece a beleza e as sutilezas do espírito, consegue fazer. Enquanto isso, durante esses breves segundos introdutórios, o baterista marcava o compasso, e cada pé direito de cada fileira acompanhava a contagem. De repente, o guitar da GIANT DICK deu um toque leve no instrumento com sua palheta. O que ouviu-se foi com certeza “War”, de Satriani, vários níveis acima, e isso fez a cabeça do guitarrista oposto explodir.
A platéia fez “OOOH”, como quem diz “Isso deve ter doído”. E doeu. O corpo do integrante da HYPNOTIZER caiu de joelhos, mortinho, e seus colegas começaram a gritar de pânico e a protestar.
— Não nos disseram que era desse jeito!!
A platéia apenas vaivava e saudava a GIANT DICK, que ironicamente acabara de foder seu oponente. Abriu-se um lado da grade e os perdedores saíram, mas o presunto ficou. De uma mesinha à esquerda do palco, o MC careca anunciava pelo microfone:
— E a vitória é da GIANT DICK! Veremos, em seguida, a LIFE IS WORTH LOSING contra a BUCETÓIDES DE MARTE.
Em meio ao furor de todos, Gabriel estava petrificado na cadeira. Inevitavelmente, o game iria sacaneá-lo.
— Meu Deeeeeeuxxx. o.O
— Meu Deeeeeeuxxx. o.O
.........................ENQUANTO ISSO, NA CASA DO MOÇO DESCONHECIDO A QUEM MATT VOLUNTÁRIA E ARRISCADAMENTE SE ENTREGOU:
— Que legal, você tem um desses colchões que a gente pula e salta vários metros. =D — Matt.
— Heheuheueh.
Ele sentou-se ao lado de Matt na beira da cama, praticamente com “SEGUNDAS INTENÇÕES” escrito em sua testa. Não que o outro se importasse, mas de repente percebeu que...
— Tem algo nos seus olhos.
— Olhos?
— É. Não tinha percebido antes.
— São verdes. xD
— É, um é verde. Mas o outro não.
...
De fato, o olho esquerdo daquele estudante era castanho-escuro. Ele pareceu constrangido por um momento, deu uma forte piscada e perguntou:
— Está bom agora?
— Tá... Er, tá verde agora.
— Beleza. =) Quer ver um filme?
Ele se levantou como se nada tivesse acontecido e foi até uma estante com DVD’s. O celular de Matt vibrou, e ele pensou “Mãe ¬¬”. A contragosto atendeu a ligação, mas só o que ouviu foi estática durante vários segundos, e decidiu desligar. Olhou de volta para o rapaz, que não parecia muito bem, tremia um pouco, e perguntou:
— Algum problema?
— Ah, não, não. — o outro respondeu com tranquilidade, reaproximando-se da cama — Na realidade, diamanten zijn eeuwig.
— O quê?
— Isso foi bobagem. Você não ouviu que paisagismo è l' arte di di confondere.
— Hã?
— Er hört, was ich sage, n' wert gewesenes a nicht das cutucarleiden eine Fledermaus.
— WTF??
O verde dos olhos do estudante virou vermelho, e ele atirou-se sobre Matt para agarrar seu pescoço, erguendo-o do chão dessa forma.
— Podia ter sido — e tornou a falar em Português, com profunda raiva — muito mais fácil!! — e, com um mínimo esforço, girou seu corpo e atirou-o contra a janela.
O vidro se estilhaçou sob o impacto com seu corpo, e Matt se viu caindo dois, três, quatro andares — era um edifício motherfucker no Centro — até conseguir se segurar na beirada de uma janela qualquer. Metros acima, o homicida o olhava com profundo desprezo.
— Se não fosse tão observador, não teria se ferrado! — gritou lá de cima e sacou uma submetralhadora, com a qual começou a atirar a esmo na esperança de atingí-lo.
Matt encolheu o corpo contra a superfície do prédio, os disparos zunindo próximos a seu ouvido, e tornou a olhar para cima.
ESCAPE DO ANDRÓIDE
— ANDRÓIDE?? Não dá nem pra ter um sexo de vez em quando???
— TERIA CONSEGUIDO ALGUMAS HORAS A MAIS! — berrou o Andróide atirando mais uma vez, sem atingí-lo — DE MANHÃ, QUEM SABE — atirou —, EU TE MATAVA!
Um dos pés de Matt apoiou-se sobre uma saliência no concreto, que no entanto cedeu, e ele perdeu o equilíbrio.
— AHH, PUTA QUE PAREEEEEEOOOOOO!
Ele caiu para o que seria sua morte, sem entender por que o jogo decidira ser tão FDP com ele.
CONTINUA...

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