http://www.youtube.com/watch?v=thMm-7RFsm0
.....................UM APARTAMENTO DE LUXO NA COBERTURA DE UM CONDOMÍNIO RESIDENCIAL DA RUA RANDOM:
O dia começou cedo para Pedro. Às 6h30 o despertador tocou, e ele teve de se arrancar da cama para pôr a rotina em prática. Seu cérebro embriagado pelo sono registrou a falta do leite ao abrir a geladeira, e ele lembrou-se de que a última caixa terminara havia dois dias. Encostou a cabeça na porta do freezer, resmungando, pensando em voltar para a cama.
— Número 2! — gritou em direção à sala, onde o Agente #2 lia jornal sentado no sofá. Era seu dever cuidar, dentre outras coisas, da segurança da casa.
— Estou ouvindo. — murmurou o guarda-costas com os olhos na página central.
— Acabou o leite.
— Eu sei.
— Alguém tem de ir ao supermercado. — Pedro fechou a geladeira e entrou na sala — Se me dessem dinheiro, eu mesmo poderia...
— Você não deixa este apartamento, a não ser passando pelo meu cadáver — disse o Agente #2 calmamente, virando a página —, o que seria inviável, já que eu sou indestrutível.
— Beleza, então você vai.
— Não posso sair daqui enquanto meu turno não acabar.
— E quando isso acontecer, o seu substituto, o Agente #3, vai assumir o seu posto?
— É, essa é a lógica da substituição.
— E, depois que você sai daqui, você vai para onde quiser.
— Sabe muito bem que não. Dirijo-me imediatamente ao QG.
— E, enquanto você estiver no QG, o Agente #3 estará aqui comigo.
— Certo.
— E não poderá sair.
— Exatamente.
— Então, de onde vem o leite?
— Isso está fora das minhas atribuições.
— u.u
Pedro voltou para a cozinha e conformou-se com um café sem leite. Naquele meio-tempo, além das cercas eletrificadas, câmeras de vigilância e sistemas de alarme que protegiam o prédio, uma van preta acabava de estacionar na Rua Random.
........................DENTRO DAQUELA VAN:
— Rapazes, talvez este seja o momento mais decisivo de suas vidas. — disse Chuck Norris olhando para Matt, Pepito, Pinguin e Gustavo com intensa seriedade (na verdade, era a mesma cara que fazia em todas as ocasiões, mas dava pra sentir a sutileza da diferença) — É por isso que agora eu vou me mandar. — ele abriu a porta de correr — Bye! — e pulou para fora, desaparecendo mais rápido que um piscar de olhos.
— Tá, eu to meio “assim” agora. o-o — disse Matt.
— Não se preocupem, isso fazia parte do nosso trato. — disse o Ruleador tentando tranquilizá-los, mas, vendo que não era suficiente, explicou melhor: — Esse cara cobra uma p*** grana por hora!
— Ah, bom. — Matt.
— Vamos revisar a missão, que eu não entendi. — pediu Pepito.
O Ruleador olhou para Matt.
— É com você.
— Bem, o Diabo disse que o chip com a programação do Bob, o seu “coração de Davy Jones”, está no último andar deste prédio aí do lado, nas mãos de um tal de Pedro. — explicou Matt pela segunda vez naquela manhã.
— Ele apenas disse isso pra você — indagou Pepito —, tipo, liberou toda a informação em troca de... nada?
Matt hesitou, mas resolveu dizer:
— É. Foi só isso.
Até o Ruleador pôde notar que a história não colou, mas preferiu dar prosseguimento às coisas de qualquer jeito.
— Fale sobre a segurança, Liebert.
— Pois é, eu fiquei sabendo que o GOOGLE iniciou a nova versão do Google Earth dentro do prédio, ou seja, assim que subirmos em algum dos andares, estaremos em uma versão alternativa da realidade, recriada pelo software. Não sei o quanto isso pode nos afetar, então seria melhor que bolássemos um plano furtivo de invasão. Quanto mais tarde nos detectarem, melhor.
— Concordo. — disse Pepito.
— Alguém tem uma sugestão? — perguntou o Ruleador.
Gustavo levantou a mão.
— Diga.
— Só pra constar, vocês sabem que eu tô perdendo prova, né?
.......................LÁ FORA:
Pepito, Matt e o Ruleador desceram da van trajando macacões cinza e bonés de aviador, carregando ferramentas que o andróide havia arrumado sabe-se lá onde. Ao mesmo tempo, Gustavo e Gabriel ficaram esperando nos bancos da frente, atentos à quantidade de movimentos da rua (nenhuma).
BZZZ! O Ruleador apertou o botão da portaria.
— Fiquem em silêncio. — recomendou aos jovens.
— Bom dia. — disse o porteiro se aproximando do outro lado da grade. — Vocês são...?
— Operadores da NET. — o Ruleador sorriu, mostrando a escada dobrável que trazia debaixo do braço — Viemos fazer um serviço para o morador da cobertura. — usou o dedo indicador para referir-se ao último andar da construção.
O porteiro não pareceu gostar da mímica do visitante. Era o tipo de cara que odeia, por exemplo, gente que costuma fazer sinal de telefone com os dedos ao narrar-lhe um diálogo telefônico que teve — de uma maneira ou de outra, todo mundo vai saber que é um telefonema pela forma como se descreve a situação.
— Entrem e esperem aqui no saguão, por gentileza. — pediu o funcionário pressionando o interruptor que destrancava o portão.
Eles entraram, e cada um prestou atenção discretamente à posição das câmeras: uma voltada para eles, à porta do hall, outra para o portão de entregas, outra para o acesso à garagem, à esquerda. Ficaram de pé aguardando, a poucos passos do porteiro, que agora interfonava para a cobertura.
......................TRIIIIIM:
O Agente #2 atendeu na cozinha, enquanto Pedro vegetava no sofá da sala.
— Pronto.
— Tem uns técnicos da NET esperando aqui embaixo. Vieram fazer um serviço pro seu Pedro.
— Não estou sabendo de nada. Espere. PEDRO!
— EU! — berrou Pedro do outro cômodo.
— VOCÊ CONTRATOU SERVIÇOS DA NET?
— NÃO!
— TEM CERTEZA? NÃO ANDOU COMPRANDO PAY-PER-VIEW SEM PAGAR?
— NÃO!²
— CERTO! Olha, sr. Almir, ele não pediu. Deve ser engano.
— Certo.
............................LÁ EMBAIXO, o porteiro desligou o interfone e virou-se para o suposto técnico.
— O sr. Pedro disse que não está esperando ninguém.
— Ora, que pena. ^^ — disse o Ruleador simpaticamente. — Devemos ter nos enganado. O número do prédio é — consultou um papel — 745?
— 754. u.u — corrigiu o porteiro.
— E o apartamento é 910?
— 901.
— Ah, mil perdões. >.< Erramos longe. Muito obrigado!
Ele estendeu a mão para o funcionário, que apertou-a e tomou um choque de 110 volts.
— Cara, tu é mau. G.G — disse Pepito ao Ruleador quando o homem caiu inconsciente.
— Praticidade, meu amigo. — respondeu o andróide com uma piscadela, mostrando o dispostitivo de choque na palma de sua mão direita. — Pensei em pedir pra VOCÊ imobilizá-lo, mas aí teríamos mais violência do que o necessário.
— u.u
— Certo, pessoas, e agora? — indagou Matt.
— Avisem os outros que estão lá fora, que eles já podem entrar. — mandou o Ruleador. — E não esqueçam de trazer minha mala. Eu vou apanhar a chave do 901.
Matt acionou o botão do portão, e Pepito foi buscar os amigos na van. Nesse meio-tempo, o Ruleador abriu a gaveta com as chaves-mestras do porteiro que dormia no chão e encontrou a que procurava. Então Gustavo, Gabriel e Pepito voltaram correndo, o último trazendo a vistosa mala que o Ruleador havia pedido. O primeiro, ao ver o homem estirado sobre o piso, comentou:
— Ele pode dormir em serviço e nós não.
— Menos papo agora. — advertiu o Ruleador. — Ajude-me a arrastá-lo para trás do balcão. Matt, pegue os itens que estão aí dentro. — ele indicou a mala.
Enquanto Gustavo e o andróide escondiam o homem desmaiado, Matt abriu a mala e deu de cara com uma profusão de armas de grosso calibre, coletes à prova de balas, granadas, caniços, anzóis...
— Caralho, você não me disse que tinha isso!
— Tomei a liberdade de adquirí-los, já que esta é uma missão à parte do jogo. — explicou o andróide. — O que estão esperando? Sirvam-se.
Durante meio minuto os quatro se estapearam para ver quem ficava com a arma mais fodona, e ao fim disso tudo, quando já tinham vestido os coletes e empunhado os fuzis, sentiram-se suficientemente fodões.
— Você não vai levar nada, Ruleador? — perguntou Gabriel, notando que ele estava desarmado.
— Só meu bebê. — o andróide respondeu enfiando a mão dentro da bolsa e tirando uma motosserra. — Vamos subir?
O resto fez sinais com o polegar, e todos entraram no primeiro elevador. Matt apertou o botão do nono andar. Esperaram. O elevador fez PLIM, e o chão se desfez sob seus pés.
...........................NA COBERTURA:
— Ficar aqui é tão empolgante quanto assistir moscas transando. — resmungava Pedro escorregando de cabeça pra baixo do sofá ao chão.
Nesse momento, ouviu-se o alarme de segurança. Um cômodo com porta de aço e paredes de concreto reforçado, seu Quarto do Pânico particular, possuía um sistema de vigilância conectado ao do prédio. Agora mesmo estava alertando para a entrada de estranhos. O Agente #2 correu para lá, seguido por Pedro, que há muito tempo não via nada de novo acontecer naquele apartamento.
— Não estou vendo o porteiro. — disse o segurança olhando para a tela da recepção — Mau sinal.
Ele sentou-se numa cadeira giratória e ligou um computador com tela LCD. Digitou freneticamente. Pedro só olhava de braços cruzados. Em poucos segundos, a interface do novo Google Earth apareceu, e abriu-se uma janela com o modelo 3D em tempo real do prédio onde eles estavam. Uma luz verde com um P indicava a cobertura, enquanto outra vermelha, lá no subsolo, representava alguma outra coisa.
— Ah, está tudo bem. — o Agente #2 suspirou aliviado — O sistema detectou-os imediatamente. Foram atirados na Blank Area.
— Quem você acha que são? — perguntou Pedro intrigado.
— Não interessa mais. — respondeu o Agente #2, displicente, apertando um botão e sorrindo de forma malévola — O fato é que estão prestes a morrer.
.......................ENQUANTO ISSO:
Os cinco intrusos despencavam velozmente no vazio escuro. Para Matt a experiência não era novidade, ao contrário dos demais. Caíram, então, com estrépido num chão que parecia ser constituído por quadrados cinzentos de espuma. Não havia paredes ou teto. Graças ao material, não se machucaram e puderam se erguer mais uma vez para fazer perguntas óbvias.
— Err... Isso fazia parte do plano? — Gabriel.
— Olha pra minha cara e pensa. ¬¬ — Matt.
— Olhem! — Gustavo.
Uma fenda de luz se abriu na escuridão, tomou a forma de um quadrado e deixou passar um aracnídeo de proporções gigantescas, que aproximou-se deles bufando e estalando suas presas. Um letreiro verde, que eles não viam há horas, surgiu diante de todos.
AVOID THE SPIDER!
— VALE TUDO, PESSOAL! — berrou Matt descarregando sua arma no bichão.
Os outros imitaram-no, cada qual tentando manter sua preciosa barrinha de Life longe do aracnídeo. O único que não ajudava era o Ruleador, por motivos técnicos. Em vez disso, ficava rodeando a batalha dando gritos de entusiasmo (que não ajudavam em nada, diga-se de passagem).
— ACERTA ESSA B*C*TA AGORA! ISSO! MIRA NA BARRIGA, PORRA! ESMIGALHA ESSA CHONGA!
— Cala a boca, Ruleador! — protestou Pepito, cuja munição acabou bem na hora. Largou o rifle que estava usando, sacou duas glocks e escorregou cinematograficamente até embaixo do animal, quando este estava ocupado atacando os outros. Descarregou os dois pentes na barriga dele, mas não adiantou muito. — Que merda! Essa porra deve ser feita de aço!
— Sai de baixo daí, Pepito! — alertou Gustavo no momento em que a aranha resolveu pular para esmagar o garoto. Pepito girou para o lado e safou-se.
Pinguin teve uma ideia.
— Empresta essa chainsaw aí, Ruleador!
O andróide empurrou seu “bebê” até os pés de Gabriel, que acionou-a e decepou uma pata da aranha. O monstro 3D emitiu um silvo de dor e cambaleou para trás, jorrando sangue amarelo para todos os lados.
— ÉÉÉÉ, MANÉÉÉÉÉ! — vibrou Gabriel, se aproximando para fazer mais estragos.
Uma nova pata cresceu no aracnídeo.
— DOW! >.<
Continuaram atirando no monstro, que não dava sinal algum de cansaço. Logo a munição foi acabando. Sem mais armas, Matt correu até a abertura por onde a aranha tinha entrado, mas a passagem se fechou a poucos centímetros dele.
— Porra!
O aracnídeo tinha encurralado Pepito, e Gustavo e Pinguin agora tentavam atrasá-lo com as próprias mãos.
— CARALHOO, FDP! — xingava Pepito ao ver as pinças (ui) de veneno chegando perto — É ASSIM? É ASSIM? VEM, PORRA, EU TO PRONTO! AAHHHHRRRR!
Ouviram um ronco de motor e um ruído de trituração. Matt estava cortando fora um quadrado do chão com a motosserra. A peça caiu, revelando um poço de ventilação bastante profundo.
— Aqui! — exclamou para os outros.
— Tira essa merda de cima de mim primeiro! — Pepito.
Matt escalou o corpo da aranha e enterrou a chainsaw nos seus oito olhos. Ela toda empinou, jogando-o para trás e abrindo o caminho de Pepito. Este rolou para longe dela, e os outros ajudaram Liebert a se levantar. Desarmados, Life lá embaixo, os cinco se jogaram um de cada vez no poço de ventilação, e caíram, caíram, em grande velocidade, até pararem no ar sobre um quadrado de LOADING.
........................NO QUARTO DO PÂNICO:
Pedro assobiou admirado na frente da tela do Google Earth.
— Agente #2! Vem cá um minutinho!
O guarda-costas veio, arrogante como de costume.
— O quê?
— Olha pra isso. — Pedro apontou para uma luzinha vermelha que desceu, parou um instante e subiu em grande velocidade até o 5º andar da maquete.
O Agente #2 esbugalhou os olhos.
— Vivos! Como...? Não é possível!
Ele empurrou Pedro da cadeira e mexeu no computador.
— Nunca me diverti tanto. — disse Pedro feliz, mas o guarda-costas tinha outras preocupações.
— Eles estão vindo, não posso fazer nada daqui.
O agente se levantou, sacou uma pistola e disse:
— Entre no compartimento de segurança.
Apertou um botão, e mais uma porta de aço, que dava para um novo cômodo dentro do Q.P, se abriu automaticamente. Pedro recusou-se.
— Você quer morrer? — indagou o Agente #2.
Pedro deu de ombros.
— Por que não os deixamos entrar? Menos legais que você não podem ser.
O Agente #2 puxou-o pelo colarinho.
— Correção: pelas minhas mãos, não pelas deles.
Pedro gentilmente desvencilhou-se.
— Você sabe que eu não posso ser morto. Precisam de mim. — retrucou, desafiador.
— Só do que está na sua cabeça. — disse o guarda-costas com tranquilidade psicopata — Se coubesse a mim, eu o removeria aqui mesmo. Entre na droga do compartimento!
Pedro lançou-lhe um olhar carrancudo e entrou. O Agente #2 trancou a porta, desligou o computador e deixou o Quarto do Pânico, trancando-o novamente. Foi, então, para a sala dar os devidos telefonemas.
....................ENQUANTO ISSO:
Matt e os outros não ousaram se levantar, com medo de que o chão virasse poeira novamente. Ficaram pelo menos três minutos no mais absoluto silêncio, recobrando as forças. Então Matt se levantou, tateou as paredes e achou um interruptor. O ambiente iluminou-se, e viram que estavam em um andar qualquer do prédio.
— Levantem-se, rápido!
A contragosto, ainda cansados e feridos, os outros obedeceram.
— Agora eu entendo o que vocês passam. o-o — confessou o Ruleador estalando a coluna.
— Quinhentos e um. — Gabriel apontou para a numeração de uma das portas — Precisamos chegar ao nono andar.
— Elevador não. — Gustavo apressou-se em dizer — Faz mal pra saúde.
Pepito abriu a única janela que havia e teve uma ideia.
— Gente, eu vi um bagulho num filme. Sempre quis tentar. =D
.....................MINUTOS DEPOIS:
O Agente #2 desligou o celular com apreensão. Os reforços demorariam a chegar e, se quem quer que estivesse tentando invadir o prédio tinha conseguido passar pela Blank Area, era realmente perigoso. Contra esse inimigo ele teria de empregar toda a sua destreza e habilidade.
....................— EU VOU PEIDAAAR!
— Aperta shift, aperta shift!
Pepito incentivara os outros a escalar o edifício pelo estreito vão entre os dois blocos, onde uma pessoa conseguia se equilibrar com as costas apoiadas em uma parede e os pés na outra. Com grande esforço, no risco de desabarem uns por cima dos outros, alcançaram a janela do quinto piso.
— Aqui! Deu! — avisou Gustavo, que estava no topo.
— Não, não, espera! — berrou Matt, o último na subida — O apartamento tem dois andares. Tenta chegar no terraço!
Gustavo içou-se com esforço para acima da pequena janela, escalou alguns metros e conseguiu agarrar a grade de proteção do terraço.
— Essa gente rica, não basta morar no térreo? WOW!
Ele rolou num único movimento para dentro do terraço, e caiu dentro de uma Jacuzzi. No andar de baixo, o Agente #2 teve a impressão de ouvir algo.
— O-KAY! Agora emputeci.
Gustavo saiu encharcado da banheira e tirou uma granada do colete.
— Vou fatiar esses caras. — jurou a si mesmo indo em direção ao apartamento, disposto a... LOADING.
.....................O AGENTE #2 estava parado de arma em punho diante da janela, de onde pensava que certamente viria o primeiro ataque. A campainha tocou. Ele voltou-se desconfiado para a porta. Pé ante pé, sem fazer ruído, foi até o olho mágico e espiou. Ouviu um ruído de perfuração, alguma coisa quebrando o vidro e, no instante seguinte, seu olho esquerdo tinha sido vazado.
— AHHHHHHRRRR, FILHOS DA PUTA!
Andou agoniado para trás, uma mão ainda segurando a arma e a outra apalpando a órbita que sangrava, derrubando móveis à medida que passava gritando, e, logo depois, a porta veio ao chão. O Ruleador entrou brandindo seu “bebê”. O Agente #2 atirou duas vezes nele, mas as balas ficaram presas no seu peito sem provocar dano.
— AHHHHHHHHRRRRRRRRR! — o Ruleador correu com a chainsaw pra cima dele, que desviou-se, e deu de cabeça no vidro reforçado da janela. Pensou ter perdido os sentidos por um momento (ou circuitos), e caiu com a lâmina da motosserra em cima da sua perna direita. — AHHHHHRRRRRRRR! — desmaiou.
KILL AGENTE #2!
Entraram Matt, Pepito e Pinguin. O Agente #2 segurou a pistola à sua frente e levou um chute na mão. A arma voou para o lado do sofá. Pepito complementou o ataque com um soco, que o oponente defendeu e depois contra-atacou com um golpe na caixa torácica. O garoto parou de respirar por um momento.
— KRAV MAGAAAA! — o Agente #2 acertou o nariz dele, fazendo-o cair em slow-motion sobre a mesinha de vidro no centro da sala.
Pinguin ensaiou um chute. Ele anteviu o golpe e agarrou sua perna, arremessando-o contra o vidro reforçado, que sofreu leves rachaduras. A vez seguinte seria de Matt, mas ele não pensou cedo o suficiente. Sentiu mãos poderosas (ui) agarrando sua gola, foi erguido pelo Agente com um urro à lá Hulk e atirado contra a lâmpada (em slow-motion). Caiu atrás do sofá, ao lado da arma. Meio atordoado, apanhou-a e atirou a esmo.
O Agente #2 deu um mortal até o outro lado da sala, fugindo dos disparos, e correu para um quarto nos fundos. A munição de Matt acabou.
— Filho da mãe! — ele xingou e se levantou, perseguindo-o.
Entrou no quarto e — BLAM! — um tiro de .12 fez um buraco na parede à sua esquerda. Era o Agente #2, deitado ao lado do guarda-roupa aberto, de onde provavelmente havia tirado a arma. Estava ferido. Pelo menos um dos tiros o tinha acertado. E devia estar doendo.
BLAM!
Matt saiu para o corredor e abrigou-se atrás de uma estante. Tentou espiar se o oponente havia se movido e — BLAM! de novo. Não tinha como olhar para lá sem ser atingido.
— Merda! — xingou consigo mesmo — Pepito! Pinguin! Alguém aí está acordado?
Matt viu duas mãos se erguerem fraquejando do outro lado do sofá.
— Não se mexam! Ele tá (BLAM!) encurralado, mas por enquanto não dá pra se aproximar!
Nisso, Gustavo vinha descendo a escada.
— Onde você se molhou? — indagou Matt, surpreso.
— Prefiro não conversar sobre isso. — respondeu Gustavo. Olhando para os outros três caídos no chão, estranhou — O que tá acontecendo aqui?
— Encurralamos ele!
— Então vai me dizer que essa bosta não serve pra nada. — disse, referindo-se à granada, e atirou-a distraidamente para o corredor.
Matt cobriu os ouvidos e fechou os olhos na hora da explosão. Quando os descobriu e voltou a ver, não reconheceu a sala. Estava tudo detonado. E o vidro reforçado tinha ido pro brejo.
— Isso foi bom? o-o — perguntou Gustavo bastante chamuscado. Continuava de pé no mesmo lugar. — Diz que foi. o-o
— Pelo jeito... — Matt se levantou e espiou acima do sofá: Pepito, Pinguin e o Ruleador estavam vivos. — É, foi.
Pepito rolou para o lado e escalou o sofá para olhar para Matt.
— Diz que o fdp morreu. — falou cheio de dores.
Gustavo foi até o quarto e voltou, dizendo:
— Morreu. Torradinho.
Todos gemeram de alívio ao mesmo tempo.
— Quem era ele? o-o — Gustavo.
Matt levantou-se e ajudou Pepito a se levantar. Este ajudou o Ruleador, cuja perna tinha sido parcialmente decepada na altura do joelho, mas de modo geral estava bem.
— Vou precisar de fita adesiva. — disse o androide ironicamente — Ei, deixa eu sentar aí. — desabou inteiro no sofá.
Gustavo estendeu o braço a Pinguin, que se levantou também e, dos cinco, era um dos menos avariados.
— Até que foi legalzinho hoje. — comentou banalmente.
— Ainda não acabou. — disse Matt, sério. — Cadê a pessoa que procurávamos?
Houve um silêncio.
— Não podemos perder o cara!
A porta de aço atrás de Matt se abriu. Ele se virou assustado, e os outros também entraram em estado de alerta. No entanto, era apenas um adolescente fitando-os curiosamente.
PEDROBEAR JOINED THE GAME.
— Vocês viram isso? o-o Que acabou de acontecer? — perguntou Gustavo logo que o letreiro desapareceu.
Os outros fizeram que “Sim” com a cabeça. Agora todo mundo olhava para Pedro em silêncio.
— Er... Não atirem em mim, pode ser? — pediu ele — Tipo... quem exatamente são vocês?
— Você que é o Pedro, então? — Matt.
— Sim. o-o
— Só precisamos do chipe.
— É, Pedro, me dá logo meu chipe. ¬¬ — mandou Pepito irritado.
— Calma, gente. — pediu Pedro, ainda desconcertado com a situação. — Tipo, vocês destruiram minha casa...
— O Gustavo destruiu. — disseram Matt, Pepito, Pinguin e o Ruleador ao mesmo tempo.
— Tudo bem, não era mesmo minha casa. É o pessoal do Bob quem mantém esse prédio.
— Sabemos disso. — disse Matt. — Olha, Pedro, temos realmente pouco tempo.
— O que vocês querem?
— O chipeeeeeee! D=
— Eu até entregaria pra vocês. Para mim tanto faz, não gosto do Bob. Mas não posso. Ele está no meu cérebro.
Houve um momento “OHH”, interrompido pelo som das sirenes de polícia que vinham de muito perto dali.
CONTINUA...
2º ENCERRAMENTO
http://www.youtube.com/watch?v=_s98vciI0vU



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