http://www.youtube.com/watch?v=thMm-7RFsm0
— Há um monte de coisas que você precisa nos explicar, Pedro.
— Agora não, Matt.
Gustavo tinha ido até a janela e espiado a rua lá embaixo.
— Tem polícia chegando. — avisou.
Mas Matt não se mexeu. Pedro era como um quebra-cabeça que ele precisava resolver e não poderia deixar para mais tarde.
— O que você sabe sobre o chipe?
— Quase nada, cara. — Pedro coçou a cabeça tentando recordar — Parece que a minha vida toda tem sido em função dos outros.
— De quem?
— Dos que me colocaram aqui. Acho que foi... há quatro ou cinco anos.
— Dos que me colocaram aqui. Acho que foi... há quatro ou cinco anos.
O choque causado pela informação propagou-se pelos rostos de todos. Matt indagou, perplexo:
— Então, o Bob existe há... — fez umas contas — Caraaaalho!
— Mas ele nem sempre foi tão fodão. — esclareceu Pedro — Que eu saiba, houve várias versões dele muito antes do Youtube aparecer e ser comprado pela GOOGLE. Tipo, tudo que eu aprendi a respeito do mundo desde que vim pra cá foi pela Internet, ACESSANDO ESSA MERDA. — ele pareceu encolerizar-se por um instante, e em seguida suspirou, mais calmo — Desculpe. Vocês não tem ideia da angústia que é ter aulas com o Prof. Wikipedia.
— Certo, certo, mas você por acaso tem uma breve ideia do que a GOOGLE pretende fazer com a Terra? — perguntou Gabriel.
— Certo, certo, mas você por acaso tem uma breve ideia do que a GOOGLE pretende fazer com a Terra? — perguntou Gabriel.
Pedro pensou um pouco.
— Não sei. Ci pah, joga no Google e vê.
— Matt, é bom nós saírmos daqui AGORA. — alertou Gustavo, ainda na janela — Os policiais acabaram de entrar, e tem um cara de terno junto com eles, meio “Agente Smith”.
— Deve ser o Agente #3. — falou Pedro — Quando ele vem, eu geralmente sinto saudades do Agente #2.
— Então, vamos dar o fora daqui. — disse Matt a seus amigos — Pedro... deve ser muito difícil confiar em um grupo de pessoas que você nunca viu e que, faz pouco tempo, destruíram sua casa...
— O Gustavo destruiu. — disseram Pinguin, Pepito e o Ruleador.
— Mas você viria conosco? — perguntou Matt.
Pedro encolheu os ombros.
— Que mais eu teria pra fazer aqui? Só preciso do meu casaco e uma outra coisinha.
Eles esperaram ansiosamente por Pedro, que foi ao Quarto do Pânico e voltou com um casaco listrado e sua “outra coisinha” — uma grossa maleta de metal com o símbolo da GOOGLE Inc.
— Como vamos sair daqui tão rápido? D= Já dá pra ouvir o elevador subindo. — Pepito.
— Em casos de invasão, eu supostamente ficaria naquele quarto até alguém me resgatar — explicou Pedro —, porém, no caso de vocês, acho que vão ter que vir comigo lá pra cima. É... Venham.
..........................LÁ PRA CIMA, Matt, Pepito, Pinguin e Gustavo, este ajudando o Ruleador a manter-se de pé com a perna avariada, seguiram Pedro e mantiveram-se atrás dele (ui), como ele pediu.
Pedro, então, tirou do bolso um frasco transparente com três pílulas azuis em formato de cápsula.
— Este... — tirou uma das pílulas e mostrou-a aos demais — é um dos meus segredinhos.
— Viagra? — Pepito.
— Não (¬¬).
Ele jogou a cápsula no chão, ouviu-se um crack e uma gigantesca estrutura metálica emergiu daquele minúsculo recipiente, rodopiando, agitando-se até virar um helicóptero preto.
— Que... — Pepito.
— ... massa. *.* — Gabriel.
— Ele não deveria ser azul? — Gustavo.
— Rápido, subam. — ordenou Pedro.
Apertaram-se os seis dentro da aeronave, Pedro no assento de comando.
— Sim, a voz ecoou de um canto qualquer.
— Você não vai gostar disto.
— Quando isso não acontece?
— Desta vez é pior. Invadiram o prédio na rua Random.
— Sabem... — disse ele entre puxões e empurradas dos outros, que ainda não tinham se acomodado — Isso foi projetado (- Minha virilha! – Pepito) para duas pessoas, no máximo.
— Dane-se, já ficamos tempo demais aqui em cima e a polícia ainda não apareceu. — apontou Matt — Se não saírmos de uma vez, vai parecer que a história perdeu a continuidade.
*VOOOOOOOOOSH* O helicóptero içou-se rapidamente no ar, escapando a tempo.
......................MAIS TARDE, NA SALA PRINCIPAL DO QG DO GOOGLE:
*VOOOOOSH* O Agente #1 passou por uma porta automática, percorreu um longo corredor, *VOOOSH*, passou por outra porta e entrou na Sala Principal, pronto para dar a Bob a única notícia que ele não seria capaz de prever.
— Bob!
Não encontrou o androide; deveria estar invisível.
— Bob, pode falar agora?
— Sim, a voz ecoou de um canto qualquer.
— Você não vai gostar disto.
— Quando isso não acontece?
— Desta vez é pior. Invadiram o prédio na rua Random.
Dois olhos vermelhos mateliarizaram-se no fundo da sala, mirando-o com terror. Era Bob começando a se alterar.
— Eles estão com Pedro.
O homem-máquina rompeu em chamas ao ouvir aquilo.
............................ENQUANTO ISSO:
Durante a tranquila sobrevoada de Porto Alegre a bordo do Viagracóptero (como Pepito acabara de batizá-lo), Matt contou a Pedro tudo sobre suas últimas (e dolorosas) aventuras, e com isso o garoto percebeu o quanto havia sido usado.
— Um — nem sei que palavra usar — brinquedo, foi isso que eu fui todos esses anos! o-o — ele literalmente espumava de raiva — Arrancado de onde eu vivia, o que mal consigo me lembrar — acham que eu consigo me lembrar disso?? Nããão.
— Deve ser barra. — disse Gustavo.
— Eles provavelmente deram um jeito de apagar minha memória e minha individualidade, de forma que eu fosse nada mais que um hospedeiro pra essa... essa DROGA de Bob! Vontade de largar tudo...
— Tá... Se você fizer isso, a gente cai. =)
— Mas você não lembra de nada mesmo, Pedro? — perguntou Gabriel com interesse, debruçando-se para a frente o máximo que o aperto da cabine lhe permitia.
— Olha... — Pedro respirou fundo — Só fazendo um esforço muito grande, eu consigo trazer de volta as conversas com o Sebastian.
— Perdão...? — Matt.
— Dr. Sebastian, na verdade. Ele era uma espécie de engenheiro. Minhas lembranças mais antigas são de quando ele me fazia perguntas e escrevia numa prancheta. Eu passava horas num quarto grande de paredes brancas com um vidro no fundo, por onde dava pra ver que tinha gente me monitorando. Mandavam eu fazer exercícios, muito simples na verdade, de identificar figuras, cheiros, testavam a coordenação motora, coisas assim. E sempre me botavam pra dormir depois. Quando eu comecei a viver no apartamento, quando me dei por gente, por assim dizer, tudo isso não existia mais. Nem o doutor, e ele foi a única pessoa simpática que eu conheci até agora.
— Mas já te falaram sobre o Bob antes.
— Claro. Vinham os agentes falar comigo. Diziam que... as respostas viriam um dia. Que eu devia confiar no Bob, porque um dia ele representaria algo muito importante para o mundo todo. Só nunca me disseram o quê. Eu sei que ele é como um supercomputador, mas que também fala e anda, certo?
— Éérr, isso é só uma parte do que ele faz.
— E que “foi designado para ajudar”. A mim que não, né.
— Nem a nós. Mas diz aí, essa coisa na sua cabeça...
— Pois é, o chipe. Pelo menos antigamente o meu tratamento era melhor, sabe. xD Eu era visto como um “guardião do segredo”, “guardião da verdade”, por ter esse treco dentro do meu cérebro. Mas depois eu fui percebendo que não era boa coisa. Pelo contrário, agora eu vejo que só me mantinham vivo porque ainda não haviam descoberto outra maneira de preservar o “coração do Bob”. Sabe, ele não é humano. Essa coisa só está dentro de mim porque ele sozinho não poderia carregá-la. O seu caráter, digo. Tem de vir de outro lugar, porque ele mesmo não consegue determinar suas qualidades.
Seguiu-se um silêncio, no qual os que estavam ouvindo tomaram seu tempo para absorver a informação. Era um assunto realmente complexo, metafísico. (Fucked up mesmo). De repente o Ruleador quebrou o silêncio com uma pergunta:
— Você acha que Bob tem consciência disso?
Pedro hesitou antes de responder:
— Olha, eu não sei. Mas meu palpite, se eu fosse uma máquina, no caso, é que eu não sentiria se meu processador queimasse, por exemplo.
— Pois é, é comprovável cientificamente que o cérebro interpreta sinais de dor provenientes de qualquer parte do corpo, exceto dele mesmo. — Matt mencionou.
— Bem, acho que isso responde à pergunta, né, Ruleador.
O androide coçou o queixo, pensativo.
— Ele não é apenas uma máquina. — murmurou para si mesmo — Não pode ser.
.....................O Agente #1 sentiu que era seguro erguer a cabeça então e assim o fez, enxergando, do outro lado da mesa atrás da qual se escondera, a sala inteiramente destruída. Sim, Bob tivera um ataque de fúria.
— Bob... — o Agente #1 foi se levantando devagar, expondo uma parte do tronco de cada vez, por segurança — Vamos conversar, está bem?
Bob, que parara de arder em chamas e estava apenas vermelho-vivo, não parecia mais raivoso. Pelo contrário, sua voz soou com uma frieza que não deixava de ser igualmente assassina.
— Posso pegá-los agora mesmo. Todos. Vivos.
— Isso não seria prudente, Bob.
— Sabe que posso qualquer coisa. Você e seus chefes engravatados sabem.
— Iss... De quem está falando, Bob?
— Você sabe. Os senhores que dominam o mundo. Eles se comunicam com você, eu sei. Pedem notícias regulares. É natural que sintam medo de mim.
— Bob, esse não é o contexto...
— É, sim. Querem que eu mostre que sou leal a vocês? Deixem-me destruir os cinco intrometidos.
— Isso não vai ser possível, Bob.
— Isso é você quem diz.
— NÃO, Bob.
E pela primeira vez o Agente #1 extravasou seu aborrecimento.
O androide meramente o encarou.
— Se você quer sobreviver — acrescentou o agente —, vai ter de esperar pela NOSSA operação.
O Agente #1 estava preparado para qualquer tipo de violência que viesse a seguir, mas Bob apenas virou-lhe as costas, com a face de frente para seu telão gigante, agora quebrado, e falou baixinho:
— Ótimo. Estou no aguardo de sua incrível operação.
— Ótimo! — exclamou o Agente #1, irritado, e saiu.
— Isso não seria prudente, Bob.
— Sabe que posso qualquer coisa. Você e seus chefes engravatados sabem.
— Iss... De quem está falando, Bob?
— Você sabe. Os senhores que dominam o mundo. Eles se comunicam com você, eu sei. Pedem notícias regulares. É natural que sintam medo de mim.
— Bob, esse não é o contexto...
— É, sim. Querem que eu mostre que sou leal a vocês? Deixem-me destruir os cinco intrometidos.
— Isso não vai ser possível, Bob.
— Isso é você quem diz.
— NÃO, Bob.
E pela primeira vez o Agente #1 extravasou seu aborrecimento.
— Agora, ouça: você tem pintado e bordado aqui, sem realmente ter oferecido uma solução para o nosso maior problema. Se pensa que eu tenho medo de você, está muito enganado. Tenho ordens a cumprir, e não é por nenhuma ameaça sua que eu deixarei de fazer isso.
O androide meramente o encarou.
— Se você quer sobreviver — acrescentou o agente —, vai ter de esperar pela NOSSA operação.
O Agente #1 estava preparado para qualquer tipo de violência que viesse a seguir, mas Bob apenas virou-lhe as costas, com a face de frente para seu telão gigante, agora quebrado, e falou baixinho:
— Ótimo. Estou no aguardo de sua incrível operação.
— Ótimo! — exclamou o Agente #1, irritado, e saiu.
..........................AO DESCEREM TODOS do helicóptero sobre um campo aberto à beira do rio/lago/estuário/whatever Guaíba, Matt, Pepito e Pedro puseram-se a refletir sobre o próximo passo da fuga.
— É melhor ir pra fronteira do Paraguai, que lá eles falsificam tudo, e a gente consegue identidades novas. =D — Pepito.
— E ganhamos a vida dando a bunda, né. u.u — Matt.
— Ué, Matt, pra ti tá feito. =D
— ¬¬.
— Cala a boca, Pepito. — Matt.
O Ruleador levantou o traseiro da grama, onde estivera relaxando a perna emendada com fita adesiva, e veio mancando até eles.
— Você disse que nesse seu computador, Pedro — ele apontou para a valise metálica que o garoto trouxera consigo — , tem uma “mensagem póstuma” do dr. Sebastian?
— Sim, mas eu nunca descobri a senha que abre o maldito arquivo. Já cansei de tentar e, pessoalmente, é perda de tempo. — respondeu Pedro.
Gustavo aproximou-se e pôs a mão no ombro do Ruleador, como prestes a dizer uma coisa muito séria:
— Tô com fome.
— [2]. — Pinguin.
— [3]. — Pepito.
— Estamos no meio de uma fuga. u.u — disse Matt calmamente — Onde vocês pretendem parar pra almoçar? — indagou, rangendo os dentes.
— No George’s Pastel. =D — Pepito.
Todos disseram “Éééé”, e Pedro apertou um botão no painel do helicóptero para que a aeronave se recolhesse de novo dentro da pequena cápsula azul. Por não terem onde pousar mais tarde, iriam a pé.
.................................MUITAS DECISÕES IMPORTANTES da História humana foram tomadas durante ou após um almoço. Não poderia ser diferente com a Liga de Dominação Mundial, que ao reunir-se em sua sede oficial (um local bem distante de Porto Alegre e muito mais sofisticado, diga-se de passagem, com porta-copos e tudo) para tirar a barriga da miséria, preparou-se para tocar num assunto delicado.
— Senhores — começou o líder do grupo, erguendo-se da poltrona maior no círculo —, peço sua atenção.
Os ricos pararam de cochichar e o escutaram.
— Vejo que estão todos apreensivos com o que aconteceu hoje. Pois é num momento como este, de grande medo, que se deve pensar mais claramente e cortar o mal pela raíz. Precisamos dar um fim em Bob.
— Uma ideia dessas é loucura! — disse o representante de algum país europeu, e os demais concordaram aos gritos.
........................... MEANWHILE:
— Vocês são tão legais. =DD
— Escutem, eu acesso direto o Google Earth (dã) e conheço alguns pontos da cidade, do estado e até do país onde você pode se refugiar e nunca mais ser perturbado. — disse Pedro — O problema é ir de verdade a esses lugares.
— Mas nós não vamos de helicóptero? — Pepito.
— Cala a boca, Pepito. — Matt.
O Ruleador levantou o traseiro da grama, onde estivera relaxando a perna emendada com fita adesiva, e veio mancando até eles.
— Você disse que nesse seu computador, Pedro — ele apontou para a valise metálica que o garoto trouxera consigo — , tem uma “mensagem póstuma” do dr. Sebastian?
— Sim, mas eu nunca descobri a senha que abre o maldito arquivo. Já cansei de tentar e, pessoalmente, é perda de tempo. — respondeu Pedro.
Gustavo aproximou-se e pôs a mão no ombro do Ruleador, como prestes a dizer uma coisa muito séria:
— Tô com fome.
— [2]. — Pinguin.
— [3]. — Pepito.
— Estamos no meio de uma fuga. u.u — disse Matt calmamente — Onde vocês pretendem parar pra almoçar? — indagou, rangendo os dentes.
— No George’s Pastel. =D — Pepito.
Todos disseram “Éééé”, e Pedro apertou um botão no painel do helicóptero para que a aeronave se recolhesse de novo dentro da pequena cápsula azul. Por não terem onde pousar mais tarde, iriam a pé.
.................................MUITAS DECISÕES IMPORTANTES da História humana foram tomadas durante ou após um almoço. Não poderia ser diferente com a Liga de Dominação Mundial, que ao reunir-se em sua sede oficial (um local bem distante de Porto Alegre e muito mais sofisticado, diga-se de passagem, com porta-copos e tudo) para tirar a barriga da miséria, preparou-se para tocar num assunto delicado.
— Senhores — começou o líder do grupo, erguendo-se da poltrona maior no círculo —, peço sua atenção.
Os ricos pararam de cochichar e o escutaram.
— Vejo que estão todos apreensivos com o que aconteceu hoje. Pois é num momento como este, de grande medo, que se deve pensar mais claramente e cortar o mal pela raíz. Precisamos dar um fim em Bob.
— Uma ideia dessas é loucura! — disse o representante de algum país europeu, e os demais concordaram aos gritos.
— Senhores, percebam a gama de probabilidades com as quais estamos lidando. Mesmo que recuperemos o chipe, um susto desses deixará Bob precavido. Mais cedo ou mais tarde, ele perceberá que é uma marionete sob nossas ordens e tentará tornar-se independente. Quando isso acontecer, se acontecer, não sei se teremos recursos para detê-lo. A melhor ocasião para agir é AGORA.
Houve mais uma manifestação de discórdia entre os membros da Liga, mas o chefe já estava convicto de como a história ia terminar.
Houve mais uma manifestação de discórdia entre os membros da Liga, mas o chefe já estava convicto de como a história ia terminar.
........................... MEANWHILE:
— Vocês são tão legais. =DD
A “pausa para socializar” aparentemente tivera efeitos positivos sobre o grupo inteiro, principalmente sobre Pedro, que dali em diante passou a conhecer melhor as pessoas que o haviam sequestrado (lol). O único que não estava participando, porém, era o Ruleador. Sozinho em uma mesa próxima, com a perna ruim apoiada sobre uma cadeira, tentava de várias formas destravar o arquivo contendo a mensagem do dr. Sebastian, no computador de Pedro. Até agora não tivera sucesso.
— Larga isso aí e vem comer, Ruleador! — chamou Matt — Se é que pode comer — nunca pensei nisso. oO
O androide não lhe deu atenção. Talvez nem tivesse ouvido.
Um caminhão de bombeiros passou zunindo pela frente da pastelaria com suas sirenes ligadas. Gabriel ficou olhando por um momento a direção que ele tomara, e um pensamento lhe ocorreu.
— Já se perguntaram se — ele se dirigiu ao grupo —, por um milagre, depois que essa guerra terminasse, nós conservássemos os “poderes” que temos agora, seria possível que ajudássemos alguém de alguma forma? Não estou falando em salvar um prédio em chamas e depois se gabar no Twitter, mas... Sei lá, algo útil.
— Não sei. — murmurou Matt de boca cheia — Nunca pensei nas coisas que nós fazemos como “poderes”. Elas simplesmente brotam na hora certa, não?
— Tipo...? — Pepito.
— Tipo, eu não poderia dar um megajump deste lado ao outro da avenida apenas se estivesse a fim. Ou poderia?
— Ruleador?
O andróide parou de digitar um instante, massageou os olhos para aliviar a tensão e disse rapidamente:
— Está no Instruction Book. À medida que o Player vai se tornando mais consciente da sua realidade, suas habilidades no jogo vão se acrescentando às que ele já tinha no mundo não-virtual.
Pepito bateu na mesa e virou-se empolgado para Matt e Pinguin.
— Vamo tentar? =D
Foram todos para a beira da calçada, a poucos passos do ponto de ônibus.
— Tá, quem vai primeiro? — perguntou Pepito.
— Por via das dúvidas, quem tiver mais skills, né. — opinou Gabriel.
— E como se vê isso? — indagou Matt.
— Aqui, ó! — Pinguin mostrou o LifeController — Tu era o que mais deveria mexer nessa bosta. /o\
— Eu vou. — Gustavo mandou abrirem caminho e tomou certa distância.
— Espera, tem que ser quando os carros estiverem passando. — Pepito.
— Não seria quando os carros NÃO estivessem passando? — Matt.
— Onde estaria a graça? =(
— Tá, deixem eu ir de uma vez. — Gustavo.
— Espera. — Matt.
— O quê? — Pepito.
— A gente deve estar com Life baixa.
— A gente acabou de comer pastel.
— Bom, vocês que sabem...
Enquanto eles brigavam para decidir se iniciavam um mini-game ou não, o Ruleador cutucou Pedro.
— Que foi?
Ele apontou para o céu, onde algo como uma solitária nuvem preta tinha acabado de se formar.
— Tá, é só uma nuvem diferente. Que tem de mais? — perguntou Pedro.
— Não é uma nuvem qualquer. — insistiu o Ruleador — É uma espécie de buraco. Você já deve ter visto isso acontecer antes.
Olharam mais atentamente por alguns minutos e viram que realmente não era um fenômeno comum.
— Provavelmente. — disse Pedro, tenso — E o resultado nunca é bom.
— Óbvio que não. O negócio virou um vórtex agora. E está crescendo.
— Alguém abriu uma Blank Area. Vamos dar o fora daqui. D=
— Exatamente. CORRE, CAMBADA!
Pedro e o Ruleador empurraram Matt e os outros em direção à pizzaria próxima. Enquanto corriam, o George’s Pastel e o ponto de ônibus eram tragados pelo vazio juntamente com enormes porções da área ao redor. Prédios, carros, ônibus, anúncios, pessoas, nenhum átomo ou pixel foi poupado. E eles só puderam correr.
.......................Enquanto isso, na sala de Bob, o Agente #1 estava em conferência com o presidente da Liga de Dominação Mundial por via de uma webcam instalada sobre um monitor de 15’ polegadas (muito distante, em matéria de qualidade, do telão quebrado por Bob em seu ataque de pelanca), e pela primeira vez naquele dia as notícias eram boas.
— Tem certeza da eficiência disso? — perguntou-lhe o superior, em Inglês.
— Sim, senhor. Já testamos as novas ferramentas do software em diferentes regiões do globo, e tudo indica que já está apropriado para uso. — garantiu o agente — Só o que estamos esperando para iniciá-lo oficialmente é a libertação do refém, tanto que para isso abrimos uma Blank Area numa região em que os fugitivos costumam trafegar. Se eles se moverem, saberemos.
— Bom, isso me deixa mais tranquilo.
— Avisaremos sobre o paradeiro deles quando o tivermos.
— Perfeito. Onde está Bob?
— Eu o mandei para outra sala. Parece mais “estável” agora.
— Ótimo. Você também vai ter que dar um jeito nele depois que tiverem reencontrado o garoto.
— Então, a Liga já chegou a um consenso?
— Já. Bob é menos útil que perigoso para nós neste momento.
— Sim, senhor.
— Até as próximas ordens.
O Agente #1 desconectou a cam e foi até o interfone à esquerda das portas, para pedir que alguém providenciasse a limpeza da sala. De repente, sentiu uma pancada forte na nuca e perdeu o equilíbrio, caindo de bruços. Seus olhos embaçados viram um extintor de incêndio ser jogado para o lado por mãos invisíveis, e uma voz desdenhosa sussurrou-lhe ao pé do ouvido:
— Humanos.
Sentiu que tateavam em seus bolsos à procura do cartão magnético de acesso. A voz continuou a se comunicar com ele:
— Mas são espertos, porém. Não posso me teletransportar para lugares em transformação.
O homem invisível achou seu cartão e riu baixinho.
— Minha saída vai ser menos rápida que isso, eu acho. Mas ainda chegarei a eles antes de vocês.
O agente caído ouviu passos que se afastavam.
— Adeus, Agente #1.
As portas se abriram e se fecharam de novo. Bob se fora.
http://www.youtube.com/watch?v=_s98vciI0vU
O homem invisível achou seu cartão e riu baixinho.
— Minha saída vai ser menos rápida que isso, eu acho. Mas ainda chegarei a eles antes de vocês.
O agente caído ouviu passos que se afastavam.
— Adeus, Agente #1.
As portas se abriram e se fecharam de novo. Bob se fora.
........................Os jovens não pararam para tomar fôlego até avistarem o shopping.
— Pro PDB! — gritou Pepito ofegante — É o único lugar.
A Blank Area já mergulhara em sua escuridão um extenso trecho da avenida Ipiranga. Sem conversarem mais, os seis continuaram correndo até darem um encontrão na porta das Lojas Americanas. Entraram e colaram os rostos no vidro, esperando. A massa escura parou de avançar, mas de forma alguma saiu do lugar. Quem deixava o prédio, passando por eles distraidamente, era tragado pelo vazio sem perceber. Não tiveram mais coragem de olhar e viraram-se, todos ao mesmo tempo, para o interior da loja.
— Estou tendo aquela sensação. — disse Matt.
— Que sensação? — perguntou Pepito.
— De que outro evento devastador vai acontecer.
CONTINUA...
ENCERRAMENTOhttp://www.youtube.com/watch?v=_s98vciI0vU
Nenhum comentário:
Postar um comentário